Em "Carne em Delírio", a autora Cassandra Rios aproveita a sua personagem atormentada para mostrar a condição feminina em sua época (anos 50, 60 e 70) e seus dilemas em um mundo machista.
Cassandra Rios, pseudônimo de Odette Pérez Ríos (São Paulo, 3 de outubro de 1932 — São Paulo, 8 de março de 2002), foi uma escritora brasileira, de ascendência espanhola. Escrevia ficção, mistério e principalmente sobre homossexualidade feminina e erotismo, sendo a primeira escritora a tratar do tema, quebrando um grande tabu nacional. Cassandra Rios acabou sendo perseguida e ameaçada pela ditadura militar, mas não parou jamais de escrever.
Livros sobre a liberação sexual feminina são sempre poucos ou, estranhamente, repudiados. Esse livro de Cassandra Rios foi banido durante a sua primeira edição nos anos 70, quando o Brasil estava passando justamente pela revolução sexual.
Carne em Delírio traz o tema da ótica masculina sobre a sexualidade feminina... sobre a forma como as mulheres enxergavam - e, em alguns casos, ainda enxergam - a própria conduta referente a sexo, relacionamentos e libido.
A história, em si, é simples. Cristina é uma jovem que após passar por algumas experiências traumáticas, encontra a si mesma (sexualmente falando) ao se apaixonar pelo rude peão de fazenda do seu pai. (Toda e qualquer semelhança com O Amante de Lady Chatterley e genéricos não é mera coincidência)
O estilo pode ser um pouco difícil de se adaptar, pois a narração é simplista ao passo que os diálogos, embora não elaborados, têm uma estrutura formal demais, mesmo para a época em que o livro se passa.
O livro é bom ou ruim? Francamente, depende do que você considera como boa leitura. Dei um regular porque após terminar a leitura a impressão que tive foi que Cassandra Rios concorda com a máxima do velho Adão, pai do Analista de Bagé: "Pra segurar potro no pasto e mulher em casa, só se carece de um pau firme".
Odette Pérez Ríos conhecida como Cassandra Rios dona de uma escrita reconhecidamente erótica foi uma das autoras mais censuradas no Brasil durante a Ditadura Militar Brasileira. Esse foi o motivo que me levou a querer entrar em contato com sua obra. Carne em Delírio é o segundo livro escrito pela autora na qual retrata Cristina, uma mulher da época, de uma forma superficial, maniqueísta e machista. Foi difícil me conectar com o texto, apesar de entender que a obra pudesse ser subversiva pra época, não há nada de novo sob o olhar que é destinado a essa mulher, dita como leviana por ter sucumbido a volúpia da carne antes do casamento, desmerecida por isso, entregue a um casamento sem amor, e a busca da própria por sentir algo mais da vida sendo alcançada através da relação sexual violenta com um homem chucro. A banalização da violência sexual foi o que realmente me deixou chocada nesse livro, e ao mesmo tempo me fez pensar muito sobre como esse discurso se apropria de mulheres até hoje.
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