Uma voz errante ocupa um corpo, após ter ocupado inúmeras outras matérias. Mas há uma especificidade, pois o corpo que recebe a voz é o de uma mulher negra...e essa voz sempre questiona sua materialidade, por não ouvir resposta a suas interpelaacoes. A voz, na verdade, nos obriga a ver esse corpo, que não responde. Obriga-nos a questionar o que há dentro, e o tem permissão de ser, de vazar, lá fora. Pergunto-me: o corpo aprisiona mesmo essa voz? O que sabe este corpo, o que ele não quer/não sabe dizer? Achei um exercício de outridade/alteridade muito interessante na forma teatral, principalmente nessa cisão entre corpo e voz, quem aparentamos, quem somos, e como isso atravessa a vivência de um mulher negra.