A história do narcotráfico no principal corredor de drogas do país. Pontos estratégicos na rota do narcotráfico internacional, o interior paulista e o Triângulo Mineiro estão no caminho entre os países produtores da droga – Colômbia, Bolívia, Peru – de um lado, e os grandes centros de consumo – São Paulo e Rio de Janeiro – de outro. É pela rota caipira, como foi batizada, que se mede a pulsação de compra e venda de cocaína no Brasil. Durante quatro anos, o jornalista Allan de Abreu entrevistou policiais, juízes, promotores, traficantes e cocaleiros no Brasil, Paraguai e Bolívia e reuniu milhares de documentos. O resultado é esta reportagem. Abreu narra a ascensão e a queda dos barões do pó; a criatividade na arte de despistar a polícia; o drama dos "mulas" a serviço do narcotráfico; a organização empresarial de grandes grupos criminosos; os mecanismos de lavagem dos milhões de dólares e a corrupção do aparelho repressivo, da polícia ao Judiciário.
Expõe muitas faces da criminalidade em volta do tráfico de drogas que é gerenciado principalmente em São Paulo e no interior do estado. Explora desde as famílias das mais diferentes nacionalidades que controlam o tráfico, passando pelas rotas e macetes para a acomodação de drogas tanto na entrada quanto na saída do Brasil. Como os criminosos lavam dinheiro, a extensa associação entre eles e as autoridades, como acontece a valorização da droga desde a folha da coca e apresenta as principais mentes brasileiras dos últimos 20 anos.
Na maior parte, é surpreendente descobrir que o Brasil faz o roteiro de Breaking Bad parecer amador. Mas também faz a mente divagar sobre qual a atual maturidade de comunicação e logística desses esquemas em 2021.
Porém, o livro é bastante cansativo. Alguns casos são repetitivos e, principalmente na metade do mesmo, como boa parte deles retrata perfis e histórias semelhantes, não existe muita descoberta. Outra coisa que ajuda o livro a cansar o leitor deve-se ao fato de que, na sua maior parte, os registros são extraídos de processos e redigidos. Como não se tem personagem ou linha de história principal, 800 páginas acabam sendo maçantes.
Ainda assim, vale a leitura. Se você não quiser investir em 800 páginas, uma dica seria ler as primeiras 300 e depois pular pras 150 ou 200 últimas páginas. Acredito que 90% do contexto e das narrativas não serão perdidos.
Um livro excelente em termos de material jornalistico. A leitura se torna um pouco densa e desconectada pela propria natureza do livro e da disponibilidade do material. Interessante entender de forma detalhada as dinamicas do trafico de drogas no interior de Sao Paulo. Recomendo.
Geralmente eu dou 5 estrelas apenas para os livros que me transformam e que voltarei a ler muitas vezes. Não é o caso desse. Porém o trabalho de pesquisa, a narrativa e as histórias dentro desse livro são tão boas que merecem as 5 estrelas. Parabéns ao autor pelo grande trabalho