Testemunho poderoso de resiliência e coragem. Sobrevivente do Holocausto, ela relembra com grande lucidez a sua passagem pelos campos de concentração, reconhecendo que, no meio do horror, teve alguma sorte ao ser enviada para um local menos austero. Primeira mulher a presidir o Parlamento Europeu, dedicou-se às causas das mulheres, das crianças adotadas, dos idosos e dos imigrantes enquanto Ministra da Saúde e dos Assuntos da Família. A sua luta pela legalização do aborto em França é um dos momentos mais marcantes da sua trajectória política. Um relato intenso e humano, marcado pela força de quem nunca desistiu dos seus princípios."
"Tudo o que se possa dizer, escrever e filmar sobre o Holocausto, nada consegue exorcizar. A Shoah está omnipresente. Nada se apaga: os comboios, o trabalho, o isolamento, os barracões, a doença, o frio, a privação de sono, a fome, as humilhações, o aviltamento, os espancamentos, os gritos... Não, nada pode nem deve ser esquecido. Para além desses horrores, só os mortos importam. A câmara de gás para as crianças, para as mulheres, para os velhos, para aqueles que apanharam sarna, que coxeiam, que têm um aspecto pouco saudável; para os outros, a morte lenta. Dois mil e quinhentos sobreviventes em 78.000 judeus franceses deportados. Apenas a Shoah existe. A atmosfera de crematório, o fumo e o cheiro nauseabundo de Birkenau: nunca esquecerei. Lá longe, nas planícies alemãs e polacas, estendem-se agora espaços nus onde reina o silêncio. Sente-se o peso aterrador do vazio, que o esquecimento não tem o direito de preencher e que será sempre habitado pela memória dos vivos."