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O Sétimo Juramento

«– David?
– Sim?
– Viste?
– Vi.
– O que pensas?
– Nada.
– Deixa-te de rodeios. Fala abertamente.
– Vi, sim. Sempre ouvi falar de histórias de feitiçaria, mas nada do que ouvi se compara com isto. Parece uma montagem de cinema, contos de fadas, coisas do maravilhoso e do fantástico. Diz-me que estive a sonhar, Lourenço, vá, diz-me, isto não pode ser real!» [...]

A perplexidade de David vai-se tornando nossa, à medida que mergulhamos no mundo fantástico que Paulina Chiziane nos oferece. Um mundo de feitiços e tabus, de magia negra e fantasia, de sonhos e de pesadelos, de luz e de trevas. Um mundo de contrastes e contradições, em que as forças do bem e do mal travam uma luta contínua e titânica. Um mundo de destruição e corrupção, mas também um mundo a que os valores da tradição e a sabedoria de séculos emprestam uma inegável beleza. Um mundo inquietante, assustador, misterioso, em que a atração pelo abismo é incontrolável e a realidade do dia a dia, tal como supomos conhecê-lo, é permanentemente questionada. Será que David esteve mesmo a sonhar?

288 pages, Paperback

First published January 1, 2000

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About the author

Paulina Chiziane

19 books240 followers
Paulina "Poulli" Chiziane (born 4 June 1955, Manjacaze, southern province of Gaza, Mozambique) is an author of novels and short stories in the Portuguese language.
She studied at Eduardo Mondlane University, Maputo. She was born to a Protestant family that moved from Gaza to the capital Maputo (then Lourenço Marques) during the writer's early childhood. At home she spoke Chopi and Ronga.
Chiziane was the first woman in Mozambique to publish a novel. Her writing has generated some polemical discussions about social issues, such as the practice of polygamy in the country. For example, her first novel, Balada do Amor ao Vento (1990), discusses polygamy in southern Mozambique during the colonial period. Related to her active involvement in the politics of Frelimo (Liberation Front of Mozambique), her narrative often reflects the social uneasiness of a country ravaged and divided by the war of liberation and the civil conflicts that followed independence.
Her novel "Niketche: Uma História de Poligamia" won the José Craveirinha Prize in 2003.

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Community Reviews

5 stars
43 (24%)
4 stars
63 (35%)
3 stars
54 (30%)
2 stars
14 (7%)
1 star
2 (1%)
Displaying 1 - 21 of 21 reviews
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
858 reviews169 followers
August 10, 2022
COMENTÁRIO
⭐⭐⭐⭐
“O sétimo juramento”
Paulina Chiziane


Neste seu romance Chiziane conduz o leitor a uma questão cultural, particularmente intensa, na sociedade moçambicana: a feitiçaria.

Numa leitura mais atenta de alguns textos sobre a temática encontramos referências como esta, da investigadora Paula Meneses: “a feitiçaria é apresentada como o modo mais comum de alcançar sucesso, riqueza e prestígio em épocas de declínio económico e escassas oportunidades de promoção social. No espaço doméstico, os conflitos familiares e sociais cristalizam-se constantemente em torno de acusações de feitiçaria, sobretudo quando ocorrem mortes inexplicáveis ou desastres pessoais. Permeando todo o espectro social e cultural, a feitiçaria sobressai hoje como uma força ambivalente que ajuda a promover a acumulação individual e colectiva, actuando simultaneamente como mecanismo de controle das diferenças sociais.”

Além da feitiçaria, a autora concentra neste livro algumas das suas temáticas centrais como sejam as famílias e e as relações desiguais entre homens e mulheres. Assim a crítica aos sistemas patriarcais são uma marca da obra da autora. Neste caso a trama centrada num casal de classe alta em que a dicotomia se torna presente nas múltiplas “mulheres” da personagem masculina; e na presença matricial das mães como edificantes culturais e de resistência, diga-se particularmente interessantes.

Outro elemento interessante da obra esta relacionada como a “feitiçaria” como duplicidade: modo de ascensão social para o pai; ou como plano de vida para o filho que se transporta para o futuro como “adivinho” o que mostras a intensidade cultural deste conjunto de práticas.

Este foi o meu segundo livro de Pauline Chiziane. A sua escrita poética e carregada de oralidade encanta-me como leitor. Em termos narrativos esse livro é, por vezes, circular o que nos faz ter a sensação de dispersão na leitura. Ainda assim gostei muito!

(li de 05 a 10 de Agosto de 2022 no âmbito da iniciativa #eternasescritoras dinamizada pela Catarina Durão Machado)
Profile Image for Ritinha.
712 reviews140 followers
June 1, 2021
Em enredo familiar que se entretece com os desígnios e rumares de uma sociedade libertada há não muito tempo do jugo colonialista, Chiziane expõe as repercussões dos ecos sociais que mantêm o pior dos vícios ostentados pelas potências colonizadoras, sempre perenes, perpetuando mecanismos milenares de opressão, designadamente a manutenção da miséria generalizada, e da mulher como ser inferior.
Tudo o resto é enredo e simbologia lateral, numa discussão entre o que será uma autêntica libertação desse cerceio ontológico que foi a história recente de dominação por uma força que visou somente extrair riqueza e subjugar o povo, sempre em favor de um terceiro jamais interessado em construir uma sociedade igual, justa, e tolerante.
Profile Image for Jessthebookslover.
270 reviews36 followers
May 30, 2019
Un romanzo molto particolare dove la linea tra realtà e mito é sottilissima.
Sciopero, insurrezioni e malcontento vengono messi a tacere grazie alla magia, che porterà David, il nostro protagonista, alla più completa e profonda perdizione.

É una storia che si svolge in su due binari, che si incontrano in più riprese: quello, appunto, di David, che chiede aiuto a stregoni per risollevarsi dal polverone causato dai suoi operai, e quello di sua moglie, Vera, e del figlio Clemente creduto pazzo per molto tempo, ma unico vero conoscitore del futuro e della verità. Loro intraprenderanno un cammino opposto a quello dell'uomo: andranno, infatti, alla ricerca dell'antimagia, quella dei Ndau e degli Nguni, che Clemente accoglierà in sé in forma di studio e lavoro.
Profile Image for Ana Rita Ramos.
315 reviews4 followers
November 11, 2023
Uma história de família, de vida e morte, de traição e desilusão pela escrita da maravilhosa Paulina Chiziane.
Destaco a complexidade dos feitiços africanos, dos rituais, da magia negra e dos sacrifícios tão bem descritos neste livro. Incrível.
Profile Image for Daniela Gonzaga.
10 reviews
September 8, 2026
“Na mente do homem colocam profecias de tirania e chamam-lhe herói. Facilmente se compreende por que é que a maioria dos heróis da história são tiranos, assassinos, que nunca respeitaram a vida nem a natureza.”
Profile Image for Shenila Ginabay.
6 reviews2 followers
April 3, 2022
A primeira coisa que tenho a dizer é: Paulina Chiziane é uma das melhoras escritoras que já encontrei. Ela consegue inserir-te na estória do livro, como se estivesses a ver tudo de perto.
A estória é muito boa e conseguiu retratar as realidades moçambicanas.
Conseguiu mostrar-nos o que uma pessoa em desespero é capaz de fazer para manter o seu estatuto.
É conseguiu mostrar-nos o que uma pessoa é capaz de fazer para salvar os outros.
Fenomenal!
Profile Image for Aguiness Naná.
95 reviews
September 18, 2026
O Sétimo Juramento, de Paulina Chiziane, foi uma leitura que gostei imenso, principalmente porque é um daqueles livros que, depois de terminarmos, continuam a provocar pensamentos. É uma obra que mergulha em questões muito profundas da sociedade moçambicana e nos coloca diante de um conflito que, de uma forma ou de outra, ainda faz parte da nossa realidade: a relação entre a religião, as tradições, os hábitos e costumes e as crenças ancestrais.
Ao longo da leitura, senti que a autora estava a tocar numa parte muito particular das nossas raízes. Chiziane não apresenta a tradição africana simplesmente como algo do passado, nem a religião como uma resposta absoluta para tudo. Ela mostra um choque entre diferentes formas de compreender o mundo e, principalmente, entre aquilo que acreditamos que somos e aquilo que herdámos dos nossos antepassados.

E foi justamente essa parte que mais me interessou. Vivemos numa sociedade onde muitas pessoas seguem religiões como o cristianismo, mas continuam ligadas, de alguma maneira, a costumes e crenças transmitidos pelos nossos antepassados. Às vezes existe uma tentativa de separar completamente essas duas coisas. Noutras situações, existe até vergonha ou medo de falar sobre determinadas práticas tradicionais.
O Sétimo Juramento coloca essa contradição diante dos nossos olhos. A obra questiona o que acontece quando tentamos rejeitar as nossas raízes, mas, ao mesmo tempo, recorremos a elas quando precisamos de respostas ou de soluções para aquilo que não conseguimos controlar.

E isso fez-me pensar, porque existe uma curiosidade muito humana em relação aos mistérios dos nossos antepassados. Queremos saber quem fomos, de onde viemos, quais eram as crenças dos nossos avós e dos nossos ancestrais. Mas, ao mesmo tempo, muitas vezes crescemos aprendendo que determinadas práticas são erradas, perigosas ou incompatíveis com a religião que seguimos.

Então, onde termina a fé e começa a tradição?

Será que podemos deixar completamente as nossas raízes apenas porque adotámos outra religião? Ou será que a nossa identidade é muito mais complexa do que isso?

Paulina Chiziane não oferece respostas fáceis. E acredito que essa seja uma das grandes qualidades do livro. Outra coisa que me chamou atenção foi a forma como a autora trabalha a hipocrisia. Há personagens que defendem determinados valores e princípios, mas cujas atitudes estão muito distantes daquilo que pregam. E essa contradição não aparece apenas no campo religioso. Chiziane fala também de poder, dinheiro, ambição, relações familiares, desigualdade e desejo. A religião e a espiritualidade tornam-se parte de uma discussão muito maior sobre aquilo que somos capazes de fazer quando queremos alcançar alguma coisa.

É interessante perceber como, em determinados momentos, aquilo que é apresentado como fé pode estar misturado com medo, ambição e interesse pessoal. E talvez seja justamente aí que o livro se torna desconfortável. Porque não nos permite simplesmente apontar o dedo para os personagens e dizer: eles estão errados. Em vários momentos, somos levados a questionar comportamentos e contradições que também existem na nossa sociedade.

As nossas raízes estão realmente no passado?

Uma das reflexões que levo desta leitura é sobre a dificuldade de separar o presente do passado.
Os antepassados podem ter morrido, mas aquilo que deixaram continua vivo nos costumes, nas histórias, nas crenças e na maneira como muitas famílias compreendem determinadas situações.
E, para mim, O Sétimo Juramento fala muito sobre isso: sobre uma sociedade que tenta caminhar para a modernidade sem conseguir apagar completamente aquilo que veio antes.

É uma questão especialmente interessante em Moçambique, onde diferentes tradições, religiões e culturas convivem e, muitas vezes, entram em conflito. A leitura fez-me olhar para essa realidade com mais atenção. Não considero este um livro para quem procura apenas uma história para passar o tempo. É uma obra que exige reflexão. Em alguns momentos, senti-me desconfortável com determinadas situações, mas esse desconforto também fez parte da experiência. Afinal, literatura não precisa sempre de nos deixar confortáveis. Às vezes, um bom livro é justamente aquele que nos obriga a olhar para questões que preferíamos não questionar.

Paulina Chiziane consegue fazer isso através de uma narrativa profundamente ligada à realidade moçambicana. Ela fala das nossas contradições, das nossas crenças, dos nossos medos e da nossa relação com aquilo que herdámos. E gostei particularmente de perceber que o livro não trata as nossas raízes como uma peça de museu. Elas continuam presentes. Continuam a influenciar pessoas e fazem parte das nossas famílias e da nossa sociedade.

Mais do que acompanhar a história, senti que estava a entrar numa conversa sobre Moçambique, sobre as nossas raízes e sobre a forma como diferentes sistemas de crenças podem coexistir, nem sempre de maneira pacífica.
Foi uma leitura que me fez pensar sobre religião, tradição, identidade e sobre essa nossa vontade, tão humana, de procurar respostas nos mistérios que recebemos dos nossos antepassados.

E talvez a grande provocação de Paulina Chiziane seja justamente mostrar que não podemos compreender completamente quem somos se fingirmos que aquilo que veio antes de nós deixou de existir. Gostei da leitura não porque tenha concordado com tudo o que a obra apresenta, mas porque ela me deu muito o que pensar.
Profile Image for Bruno Carriço.
201 reviews16 followers
May 10, 2022
Mais meia estrela pela intenção de mostrar que o fim do colonialismo não foi o fim do abuso e da exploração, que o acautelamento do interesse próprio não é exclusivo de qualquer cor ou credo. De resto, talvez por ser uma realidade muito vivida na sociedade Moçambicana - e, por isso, difícil de deixar de fora da narrativa -, demasiadas páginas a recaírem na feitiçaria, para o meu gosto pessoal.
Profile Image for Carla Coelho.
Author 6 books30 followers
July 5, 2020
Começo este pequeno texto com uma confissão. Quando terminei a leitura deste livro senti uma certa irritação comigo mesma. Já tinha visto vários livros de Paulina Chiziane à venda e nunca me decidi a ler um, adiando sempre para uma ocasião próxima. Há tantos livros para ler e tão pouco tempo que todos nós temos de ficar escolhas. Mas, finalmente a ocasião surgiu. E este livro é, até agora, o que mais gostei de ler este ano.
A acção decorre em Moçambique e tem na família constituída por David e Vera o ponto de partida. Ele é director de uma fábrica e ela dona de casa, procurando ambos reproduzir o modelo vivencial europeu, afastando-se das suas raízes africanas. Vivem em abundância material, Vera subjugada às vontades e apetites do seu marido e senhor, que se esforça por antecipar. O problema mais evidente é a doença de um dos filhos, Clemente, desde criança com crises que o aproximam da loucura. Para além disso, David tem de encontrar forma de satisfazer a sua crescente ambição e Vera procura alhear-se da dura realidade existencial dos que a rodeiam, duas tarefas de não pequena monta. O precário equilíbrio da família desaparece logo nas primeiras páginas do livro. A contestação dos trabalhadores na fábrica leva David, já numa espiral descendente no início do livro, a perder-se cada vez mais, numa descida aos infernos que vamos acompanhando quase como se estivéssemos com ele nos vários episódios. Em busca de soluções para os seus crescentes problemas David acaba por se envolver com magia negra. Um dos aspectos mais interessantes desta narrativa são as várias dimensões de cada perosnagem. David é o exemplo paradigmático disso mesmo. Vai-se afundando, mas não perde totalmente a consciência moral e o juízo crítico. Questiona-se, procura formas alternativas de resolver as questões, mesmo com as forças sobrenaturais e, apesar de todo o mal que vai causando à medida que triunfa, parece acreditar, de vez em quando, que será capaz de parar o jogo num qualquer momento. Esta dualidade dá-lhe humanidade e torna-o credível. Na vida real, creio, são poucas as pessoas que se assumem como más. Todas procuram justificações e simulacros de compromissos éticos. As más acções não ocorrem todas ao mesmo tempo, pois as barreiras morais vão sendo paulatinamente quebradas. É isso que este livro ilustra muito bem. Também as páginas em que Vera entra em diálogo com uma mulher mais velha que põe em perspectiva o verdadeiro (pequeno) poder de David são um momento marcante do livro. Trouxeram-me recordação de uma outra leitura, totalmente diferente, A Nova Teoria do Mal do filósofo português Miguel Real. O Sétimo Juramento junta a modernidade e a magia, a ignorância das novas gerações face aos velhos saberes que, não obstante querem usar a seu favor, a feitiçaria negra e a branca, a corrupção, a miséria, o preconceito e o papel da mulher na sociedade, na família e na sua própria existência. É muito curioso como um livro que se centra na mundividência de um país de que pouco sei (tem um léxico na edição portuguesa muito útil para explicar alguns conceitos e significados) e que mergulha num universo estranho à realidade portuguesa (as práticas mágicas africanas) consegue dar-nos uma mundividência que nos toca e transcende. O certo é que muitos dos problemas que aborda (a desigualdade na distribuição da riqueza, a exploração dos pobres, a pobreza dos afectos e o egoísmo) males universais. O combate entre o Bem e o mal (tema central do livro afinal) é o mais antigo dos assuntos e seguramente que qualquer leitor o compreende. Passa também pelo livro, uma mensagem de força, de impossibilidade das personagens se vergarem perante a injustiça e a destruição, mesmo que o trabalho de luta exija uma longa resistência e os inerentes sacrifícios. Neste sentido, acompanhamos o empoderamento de algumas das personagens a quem a narrativa patriarcal reservaria o papel de vítimas. Porém, na voz de Chiziane esse sacrifício não consegue consumar-se. A mulher desprezada, o filho diminuído e a filha sacrificada conseguem reagir.
Falta dizer que a linguagem é variada e rica, com um ritmo próprio que, aliada ao enredo, nos faz virar as páginas sem esforço, ansiando por saber como tudo terminará, mas também já com pena por o livro ir terminar. Para este último mal há bom remédio. Paulina Chiziane tem vários livros publicados entre nós. Tenciono entrar mais a fundo na sua obra e só posso recomendar a quem ainda não conhece que remende essa lacuna rapidamente.
7 reviews1 follower
October 14, 2023
An intriguing and multifaceted novel, this book delves deep into the ethical dilemmas surrounding human ambition while exploring the cultural complexities. In this narrative, the author skillfully weaves a tale where the ethical boundaries of ambition are tested, revealing both the darkness of corruption and work disorganization, as well as the light of love and family.

The book takes us on a journey through the rich cultural tapestry of African peoples, exploring their traditions, beliefs, and values. The author adeptly reveals the nuances of a society where ambition can be a powerful force for good but also a guiding thread for corruption and decay. Through the lens of ambition, the reader is confronted with profound ethical questions, forcing us to ponder how far we are willing to go to achieve our goals.

A notable feature of this book is its exploration of the occult, skillfully interwoven into the plot. This mystical element not only adds a layer of complexity to the story but also serves as a reflection of the spiritual beliefs rooted in many African cultures. She also highlights the importance of love and family. In a setting where ambition can corrupt even the purest souls, love and familial bonds emerge as vital anchors. They offer redemption and hope, reminding us that regardless of the temptations of unbridled ambition, true human values lie in connection with others and unconditional love.
Profile Image for Uva Costriuba.
397 reviews14 followers
March 27, 2019
uma grande tragédia.
magia, traição, lutas e revelações.

há momentos explícitos: muito sangue, sacrifícios, acidentes e violência. de uma maneira geral a narrativa tem uma força arrebatadora que lança mão de mergulhos nas ações desesperadas de personagens levados aos seus limites.

a história começa criticando abertamente a corrupção dos líderes revolucionários que viraram grandes capitalistas. é muito triste contemplar a situação precária pós independência de Moçambique. o monopólio dos lucros das fábricas fez dos líderes revolucionários grandes capitalistas. depois de todas as personagens apresentadas e o palco estabelecido, o drama dá uma guinada vertiniginosa para o universo da magia.

sem julgamentos, Paulina Chiziane percorre o centro rico e as periferias pobres de uma cidade vizinha da guerra persistente. ninguém se salva, ninguém é santo, a sobrevivência guia todas as ações. na rua todos passam lado a lado. todos são filhos de lances terríveis da época colonial.

há momentos de tempestade emocional com enchentes de efeitos especiais das presenças mágicas que dariam um filme impressionante.

este livro é uma obra de peso.
assim como as outras obras da autora, me surpreendeu durante toda a leitura.
13 reviews
Read
September 18, 2025
livro tão intenso q chega a ser assustador, mas genial!
essa mlr mds do céu não dá descanso para a mente humana, obriga a pensar na moralidade e os seus pqs, gosto mt dela!
(não recomendo a leitura a crentes)
Profile Image for Ponsiano Rodrigues.
2 reviews
July 11, 2026
É tão instigante e te prende totalmente. É tão lindo ver o folclore nacional unido a cultura ser tão bem aproveitada e de forma tão positiva. A Paulina foi muito perspicaz e necessária nessa história.
Profile Image for Jose Garrido.
Author 2 books28 followers
December 26, 2021
Foi o meu primeiro livro da Paulina Chiziane.
Comprei quando li a notícia do Prémio Camões.
A primeira escolha não estava disponível e escolhi este por 'feeling'...
Profile Image for Jorge Melo Braga.
126 reviews
February 13, 2022
A cultura africana em livro. Uma história que prende até ao fim. E uma escrita muito interessante.
Profile Image for Pedro Bello.
330 reviews3 followers
April 20, 2023
Mais uma vez, infelizmente, é referido que o fim do colonialismo não foi o fim do abuso, da exploração, da miséria, da corrupção....
Profile Image for Iris Sampaio.
26 reviews
June 15, 2023
Ler a cultura moçambicana em português. "Penteia-lhe o cabelo com um pente de espinhos de ouriço, para lavar o cérebro e eliminar as loucuras da mente."
Profile Image for Jo.
162 reviews20 followers
October 24, 2016
Sometimes books are a way to travel, this one was a way to stay. I read it all the day I left Mozambique, and it was a way to keep my journey going. The story of a business man richer than most around him, corrupt, who resorts to witchcraft when his workers go on strike and luck deserts him. A greatly entertaining read.
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