Este livro trata de uma das mais importantes publicações brasileiras do início do século, de sua origem em 1916 até o fim de sua fase principal em 1925. Constituindo-se um dos poucos trabalhos historiográficos existentes sobre o tema, a autora analisa A Revista do Brasil não apenas como fato editorial, mas como veículo de divulgação das propostas da intelectualidade no período, cuja influência foi decisiva na determinação dos rumos da construção nacional.
Uma boa introdução para entender melhor o Irã, o contexto histórico, a revolução de 1979 e a influência na geopolítica do Oriente Médio. Falta uma revisão de texto mais apurada, mas nada que influencie as informações e as análises expostas na obra.
Sendo o Irã um dos países mais antigos e palco de diversos conflitos do oriente médio, composto de diversos e gigantes impérios como o persa, não seria difícil de imaginar que comportasse um histórico de conquistas, derrocadas, invasões e embates em todo o mundo. Buscando, por conseguinte expor os conflitos de um território tão amplo, a presente obra vem elucidar questões que reverberam até o presente momento.
Sendo habitado a oito milênios A.C, conquistado pelos otomanos, compondo civilizações que perduraram mais de 400 anos em uma só dinastia, atacados e conquistados pelos mongóis e tão logo pelo império árabe, o Irã foi palco de fragmentações e disputas políticas, desde a sua divisão pelo império russo, como pela Inglaterra, no qual dividiu o país em dois, cabendo a cada parte a exploração territorial — ou melhor dizendo, do saque — ao petróleo iraniano, até o momento que passa a ser zona intermediária da Guerra Fria.
Por vezes buscando escusar-se dos conflitos, o país sofreu ataque a sua cultura, a extinção da língua e literatura persa, sofreu o golpe Operação Ajax, orquestrado pela CIA, onde os EUA praticaram desde vandalismo, suborno, até a influência para a manipular a opinião pública, a fim de penetrar e impedir qualquer pretensão comunista no país, causando, assim, em 1953 um golpe que “fez que os iranianos vivessem durante 26 anos sob um regime brutal”. Instaurando, com apoio russo um regime ditatorial, o Irã pratica uma inusitada reforma agrária: expropria mais de 1,2 milhão de camponeses, enriquece os donos de terra e leva a fome e ao êxodo os expropriados.
Nesse sentido, provocando uma crise política, que culmina em uma greve geral, em 1960-61, o desfecho não poderia ser diverso: a polícia política (Savak) repreende brutalmente a população, tortura e persegue credos, investe em poderio militar em detrimento de luz elétrica e água encanada e assim, temos mais um fosso de desigualdade em meio a tantos conflitos.
Não obstante, diversos foram os conflitos desde a ascensão do Irã como produtor petrolífero, bem como o contínuo respaldo dos EUA, a fim de reprimir manifestações e se necessária, a implantação de um golpe militar para “restaurar a ordem”. Ademais, a revolução invocada por Khomeini, que até hoje persegue os direitos humanos no Irã. ocorreu por influência direta dos EUA e de Reza Palahvi. Sendo incapaz narrar tudo nesta resenha, fica a recomendação de uma excelente obra sobre a política e sociedade iraniana.
O Oriente Médio é citado diariamente nas notícias, ainda assim, é desafiador compreender sua dinâmica. No entanto, é simples entender o motivo de ser região tão relevante e nevrálgica: abriga diferentes povos há milênios, geograficamente importante, entre continentes, e compreende a maior concentração de petróleo do mundo. Motivado pelos acontecimentos recentes na região, e ao encontrar uma promoção imperdível de 50% de desconto da editora, comprei esse livro sobre a revolução no Irã.
O Irã é um dos países mais antigos do mundo, terra onde se estabeleceram os persas em 1500 a.C. Vários pontos de sua história até o estouro da revolução em 1979 são relevantes para compreendê-la, por isso achei ótimo o livro passar por ela no início. Ele também explica os impactos da revolução até o século XXI. Além disso, o autor conta diversos outros acontecimentos no Oriente Médio, que contribuem para compreender os interesses das nações regionais e ocidentais, borbulhando até hoje: golpe ao Irã operacionalizado pelos EUA, guerra Irã-Iraque, invasão da URSS ao Afeganistão, invasão do Iraque ao Kuwait, Israel-Palestina, apoio dos EUA a Israel, apoio dos EUA a Arábia Saudita, surgimento da Al Qaeda, etc. Leitura bastante proveitosa!
A nota não é 5, pois em algumas partes o autor pula alguns anos para frente e para trás de forma confusa.
Uma boa leitura para se entender o país mais "complicado" do Oriente Médio (novamente em meio a protestos populares contra o regime - 2026)
Me surpreendi com a leitura. Tenho me decepcionado muito com as últimas produções históricas da USP, que não tem passado de panfletarismo saudosista do começo do século XX, mas este livro em si, como descrito em sua introdução, baseado principalmente em fontes de centro e esquerda, se mostrou bem imparcial na interpretação dos fatos históricos e na escolha da Bibliografia.
É curto, introdutório, por tanto o leitor terá que buscar as fontes citadas na Bibliografia e fazer suas próprias conclusões, mas ainda sim é um livro que vale muito a pena ser lido, principalmente neste ano de 2026 em que o Irã está em meio de massivos protestos contra seus governantes.
Livro bem escrito e bem embasado, em menos de 150 paginas consegue construir uma linha do tempo coerente, além de contextualizar sobre toda a região de uma forma que complementa a compreensão da Revolução Iraniana e seu desenvolvimento, seja sobre o Iraque, Arabia Saudita ou Egito. Boas notas de rodapé, e a conclusão consegue sumarizar muito bem como a Revolução Iraniana foi cooptada pelos mulás e pela Guarda Revolucionária em detrimento dos trabalhadores.
Fornece uma boa análise estrutural e ideológica da Revolução Iraniana sob a lente da luta de classes e geopolítica do Oriente Médio. Ressalta o papel dos aiatolás, dos Estados Unidos, e da população civil em um cenário complexo e contraditório. Ao mesmo tempo, não aprofunda muitas das questões que se propõe a levantar. Funciona como ponto de partida para entender melhor a Revolução de 1979.
O autor força a barra demais em expor sua ideologia esquerdista/marxista. Força a barra para fazer a Revolução Iraniana se parecer com a tragédia de 1917 na Rússia. Poucos fatos históricos e um amplo ataque aos Estados Unidos e a Israel. Livro bem ruizinho.
É impossível dar opinião sobre o conflito atual entre Israel e Irã sem ter contato com as informações desse livro. Ótima leitura, concisa, simples e direta.