Après des années de préparatifs silencieux, Alessan, prince de Tigane, sait que l’heure n’est plus aux subterfuges ni aux manœuvres dans les coulisses. Fort de la promesse que lui a faite le roi de la Quileia, il peut enfin sortir de l’ombre et affronter au grand jour ceux qui lui ont ravi son pays. Mais des événements imprévus risquent de perturber ses plans... Quant à Dianora, qui a sauvé d’une mort certaine l’homme qu’elle avait pourtant juré de tuer, une troublante rencontre avec une riselka, dans les jardins du roi, confirme sa destinée : elle sera la femme qui assurera la chute de Brandin d’Ygrath... ou celle qui lui permettra de devenir le roi légitime de la Palme ! La suite et la bouleversante conclusion du chef-d’œuvre de Guy Gavriel Kay : Tigane.
Guy Gavriel Kay is a Canadian author of fantasy fiction. Many of his novels are set in fictional realms that resemble real places during real historical periods, such as Constantinople during the reign of Justinian I or Spain during the time of El Cid. Those works are published and marketed as historical fantasy, though the author himself has expressed a preference to shy away from genre categorization when possible.
I don't know why, but I wasn't super invested in characters. I liked them and they had touching backstories, but something was missing that would have made me to love them.
This had a nice atmosphere, I loved the world. It felt alive.
This felt a bit slow to read: things happened but there were slower parts too. Or it felt like that when every little detail was explained. I would have been happy with less details & more action.
Como sabem, a história de Tigana, publicada pela Saída de Emergência, encontra-se dividida em dois volumes. No entanto, penso que a leitura destes dois deve ser minimamente contínua, sem grande espaço de tempo entre os mesmos. Isto porque esta obra é rica nos pormenores, na descrição maravilhosa de cada personagem, de cada cidade e até da própria guerra. Por outro lado, apesar de ter sido publicada desta forma, a sua versão original consiste em apenas um livro. E aqui consigo encontrar vantagens e desvantagens nesta decisão por parte da editora.
Como grande desvantagem temos a carteira do leitor! :) No entanto, penso que até nisso a editora pensou criando o pack promocional que incluía os dois volumes. E foi mesmo este pack que eu comprei. Por outro lado, ainda como desvantagem, mas muito discreta, temos o facto de não parecerem dois volumes. Quando enveredei na leitura deste segundo volume, esperava encontrar um livro ainda melhor que o primeiro e com mais acção, mistério e suspense. Mas não. A escrita e a história é exactamente igual à primeira parte, não fossem elas um só.
Apesar disto, consigo encontrar uma vantagem nesta opção como disse. Esta divisão, sem querer, permite que o leitor saboreie a leitura a seu tempo, com calma, sem lhe surgir nunca na memória “Nunca mais chega ao fim”.
Não ficando de todo atrás do primeiro volume, o autor consegue fazer exactamente aquilo a que se propôs – contar-nos a história de Tigana, trazendo o seu nome como uma lâmina que fica na alma e no nosso coração. Mais do que todos os acontecimentos que preenchem a narrativa, aquilo que verdadeiramente atinge uma relevância única são as personagens que dela fazem parte. Foi com um grande prazer que fiquei a conhecer ao longo da leitura do primeiro volume cada uma delas e que continuei a conhecer ao longo deste. Com um brilhantismo que ainda só tinha visto em George R. Martin, também Guy Gavriel Kay é capaz não só de criar belas personagens, como nos fazer gostar muito delas e nos provar as consequências disso. E foi graças a esta atitude do autor, que fiquei triste com o final da obra. Apesar de gostar e querer falar sobre esta minha desilusão não o posso fazer sem correr o risco de contar algo que não devo.
No que diz respeito a este livro em particular, continuamos a acompanhar a viagem de Alessan, Baerd, Catriana, Devin e a assistir ao planeamento e concretização de um plano muito perigoso para trazer de volta Tigana. Em paralelo, vamos acompanhando também o que se passa com os dois tiranos que o autor nos apresenta – Alberico – o tirano com pior carácter – e Brandin – o tirano com coração. E aqui podem perguntar-se – “Existem tiranos com coração?” :) Pois é, através de Brandin, Guy Gavriel Kay demonstra ao leitor nesta bela obra de fantasia que até as pessoas que achamos que são más têm coração. E por fim, acompanhamos também Dianora – a minha personagem preferida!
Que mais posso dizer? :) Comprem estes dois volumes, leiam :) e atrevam-se a conhecer Tigana.
Quando iniciei a leitura deste livro, há mais de um ano atrás, com a primeira parte, A Lâmina na Alma, tive a certeza de uma coisa. A certeza de que Guy Gavriel Kay é um mestre, um autor como poucos. Alguém que escreve com alma e coração, que entende, como ninguém, a plenitude e complexidade, não só do ser humano, como do que nos forma e diferencia. É sempre com genialidade que cria culturas e línguas, nações e políticas. É com uma voz de beleza ímpar que nos enche de arrebatamento com as suas histórias épicas, do mesmo cariz das lendas. A Voz da Vingança é aquilo que esperava que fosse: um final glorioso. Comprova, em absoluto, o porquê de Tigana ser considerado uma obra-prima. Termina, de forma perfeita, uma história que se fez de sangue, lágrimas e suor. Uma história magnífica sobre o poder do amor. Seja a uma pessoa, seja à pátria, seja a uma canção. Seja a um simples nome.
Sabemos, desde o primeiro instante, que este não será um final feliz. Seja o que for que aconteça, sabemos que iremos sofrer. Sofreremos porque não conseguimos tomar partidos, porque esta história não é feita de heróis nem vilões, mas sim de homens e mulheres que a vida, o acaso e as escolhas, levaram por caminhos cobertos de fatalidade, caminhos nascidos das perdas, da desolação, da vingança e da justiça. Por isso, para uns vencerem, outros terão de perder. Para uns viverem, uns terão de morrer. Pois para a vingança se realizar, para a justiça ser feita, mais uma vez, tudo terá de mudar. E enquanto esta percepção toma conta de nós e nos asfixia e destrói, vemos o destino correr sem piedade, numa narrativa poderosa e sublime sobre a força das recordações, do reconhecimento de pertencermos a algum lugar, do amor seja a quem e ao que for.
Num complexo puzzle cujas peças finalmente se encaixam, revelando não só crueldades enterradas mas também uma esperança fulgurante, apercebemo-nos que tudo é um ciclo vicioso, a menos que se perdoe, o que por vezes é impossível, porque não podemos esquecer actos de rancor e obsessão, não podemos esquecer as recordações, os rostos, as canções, o nome que foram a nossa vida. Mas, a tragédia patente nas palavras que formam esta narrativa, fala-nos também disso mesmo, de quando se perdoa, de quando se esquece, conseguindo assim a redenção e a felicidade que nunca pensámos encontrar. Ensina-nos, então, o respeito à memória e à pátria, a dívida aos caídos e perdidos, a obsessão da vingança. Na realidade, o perdão que pedimos na alma apesar de nunca o expressarmos em palavras. Mas também nos ensina que podemos seguir em frente, que podemos perdoar e recuar, que podemos amar o inimigo, que podemos sacrificar a vida, não pelo que foi, mas pelo que será.
Alessan, Dianora, Baerd, Brandin, Devin, Catriana, e todas as outras personagens, tão belamente executadas, são ambíguas e complexas. São personagens feitas de luz e escuridão, de erros e glórias, de defeitos e qualidades. Não há santos nem pecadores nesta história. Há sim, personagens inesquecíveis que, cada uma à sua maneira, nos marcam pelo que são. Peões do destino que tentam mudar o rumo das suas vidas, que aprenderam pelas suas tristezas a procurar a felicidade e a aceitar quando a encontram.
Tigana é uma obra-prima. É um livro que, quem o ler, jamais será capaz de o esquecer. É a prova que Guy Gavriel Kay não precisa de ser o herdeiro de nenhum autor de renome porque ele é um daqueles autores que nasceu com um dom só seu.
Tiagana's second book in this series delivers everything that made the first book captivating, and then some. The world-building continues to be exceptional, with layers of moral complexity that kept me completely absorbed.
What I loved most was how the plot threads from both books were carefully developed and explained throughout the journey. The pacing felt deliberate and thoughtful, with each revelation adding depth to an already rich web of conflicted characters and divided loyalties. The emotional weight of the story - those moments where you're genuinely unsure who to root for - is where Tiagana truly shines.
The narrative flow is smooth and engaging and I found myself completely invested in the intrigue, the shifting alliances, and the moral gray areas that define this world.
But then we get to the ending, and I have to be honest: I was pretty disappointed. . After two books of masterful tension-building, after creating such an intricate web of suspense and complexity, the resolution felt jarringly abrupt. Twenty pages to wrap up everything that had been so carefully constructed?
The ending felt almost dismissive of the journey we'd taken to get there. All that beautiful complexity, all those tangled emotions and impossible choices, resolved with what felt like the narrative equivalent of "and then everything worked out." The potential was there for something truly memorable, but it felt rushed and oversimplified.
Despite this significant flaw, I can't deny that I was thoroughly entertained for 95% of the reading experience.
If you're looking for excellent world-building and complex storytelling, this is absolutely worth reading. Just prepare yourself for a finale that doesn't quite match the brilliance of what precedes it.
Η ολοκλήρωση του επικού έργου (χάρη στην καινοφανή τότε έμπνευση του εκδότη να σπάσει ένα επίτομο έγο σε δύο βιβλία) δεν απογοητεύει τον αναγνώστη. Αν νομίζατε ότι ο Goodkind και ο Salvatore γράφουν fantasy, αν θεωρούσατε ότι τα forgotten realms είναι λογοτεχνία, βγάλτε το κεφάλι σας από τον αφεδρώνα σας και διαβάστε αυτό το αριστούργημα.
Esta 2ª parte é sem dúvida melhor do que a primeira. Pude confirmar que este Tigana é sem dúvida um dos melhores livros de fantasia. Gostei sobretudo do final. Guy Gavriel Kay foi sem dúvida muito criativo ao imaginar a forma como os heróis iriam sair vitoriosos.
Most people who read this book claim it is a beautifull story, and about that they are right, Gavriel Kay is very poetic and knows his words, but mainly this is one of the few qualities about the book. The other being the historical time where the story is set - renaissance Italy - wich is pretty original when it comes to fantasy.
"Tigana" tells the story of a forgotten place and the consequences of terminating a whole country from history. Is it even possible to make all people in the world forget about it and never being able to hear from it again? Well, if a curse is cast by the most powerful mage then, yes it is. But you gotta ask yourself what is the source of this curse? Why does this mage-king has this almighty power? What is the history of the mages?
None of this questions will be answered. The author didn't bother to make the magic system even a little believable. When you are a hard fantasy reader, you try not to stick too much to what is fisically possible, of course, but you need at least something to believe the Magic is more than a lazy way to make something happen on the plot without further explanations. Gavriel Kay didn't deliver it. Also, in the middle of the book, he (out of nowhere) decides to tell the tale of an ancient kind of mages who can traffic between realities, wich I think is the part where he was trying to go a little deep into the subject, but failed miserably.
So let's keep going. Tigana is in oblivion. The former citizens, though, are the only ones who didn't forget about it, as the curse can't affect them. So, some of them form a party to seek for revenge, and for Tigana to be remembered again. The characters are good, I must say. Their background stories are interesting, and their development well done.
Most of them are musicians and this is another creative point about Tigana: It is not very often that you see authors trying to explain music, instruments and voice, with words. And as I said before, the author knows his words. But then.. everybody cries.. for everything. This is how he tries to knot the end of the chapters into something emotional: he makes the characters cry, so he forces some kind of charming sadness into the reader, wich works one or two times, but then just gets annoying and repetitive.
The end has its surprises, but is kind of predictable at the same time (if there is any possibility for a thing like this). I missed a stronger climax.
Guy Gavriel Kay, the editor of Tolkien books, proved he shares the poetic style to write a fantasy, and that he can work with multiple characters. But he dived deep into a one-volume hard fantasy, wich is risky, and things ended badly explained or lacking background information.
This review goes for both Tigana #1 and #2, as the brazilian edition is the only one in the world wich, for some bad planning reason, was divided into two books. The publisher even chose the worst part of the book for the split. The covers are both terrible. It was a poor work from Saída de Emergência.
Boa história sobre exilados que é construída lentamente focada em controle, manutenção e exercício do poder e nas sutilezas da política diplomática. Demais assuntos são pouco desenvolvidos, como antropologia, religião, batalhas e magia. A parte sobrenatural do Dia das Brasas é bacana. Como recurso de sofisticação, eventualmente, o autor utiliza a narrativa não-linear. Compensou a leitura pelo desfecho razoável e adulto, descontando as partes condescendentes da Catriana. Do que é feito o líquido fumegante Krav (seria algum chá, café?). Nota ZERO para essa finada editora Saída de Emergência que dividiu 1 livro de 600 páginas em 2 tomos. No final do 1º tomo tem um pretensioso posfácio, seguido de uma prévia de 45 páginas do 2º tomo que eu pensei ser o capítulo subsequente na narrativa, porém, pasmem, eram 2 capítulos que li novamente no meio do próximo livro. E ainda compara este autor com o Tolkien que inventou toda uma mitologia exaustivamente copiada. No 2º tomo, depois do epílogo, colocaram um capitulo de outro livro, seguido de algumas sinopses de fantasias.
Para começar, é um stand alone de high fantasy (na edição original, em Portugal está dividido em dois volumes), uma coisa rara de se encontrar. Depois, é daquelas obras que não nos dá tudo, vai deixando vários e pequenos mistérios por aqui, e por ali, para depois a desvendarmos realmente. E depois, é uma história de vingança.
Não há muito que se possa dizer desta história sem a desvendar. Dizer meramente que é uma história de vingança não chega, mas é o que é na sua essência. É a história daqueles que são subjugados quase ao esquecimento, dos que escolhem fugir e dos que escolhem lutar. É uma história, já não de guerras, mas dos seus sobreviventes. É uma história feita de magia, ou melhor, é uma história também feita de magia. A sua riqueza está nas personagens e nas reviravoltas que nos apresenta. Pois uma guerra é sempre uma guerra, com as suas vítimas, os seus vencedores, os seus refugiados e os seus déspotas.
O final de Tigana (neste segundo volume, edição portuguesa) é surpreendente e, em poucas palavras, bom. É realmente bom. Mas não esperem que seja propriamente feliz. Para um leitor de fantasia, muitas coisas não serão novidade, mas é interessante reconhecer algumas inspirações para Gavriel Kay, que mais não são do que crenças ou acontecimentos da nossa História, em especial da Bretanha medieval, apesar dos nomes de algumas personagens e, especialmente, dos locais, ser claramente de inspiração italiana.
Recomendo qualquer leitor de fantasia a fazer esta viagem pela leitura.
Não tenho nada de relevante a acrescentar à minha opinião do primeiro volume. As pessoas que eu pensava que iam morrer, morreram. O mal foi vencido. E pronto!
Em termos simples: não. Poderia ser bom, mas não é. Tem bons momentos, mas o resultado final deixa a desejar, e de jeito nenhum é uma das melhores obras de fantasia de todos os tempos.
No decorrer da leitura de Tigana - A Voz da Vingança, eu já tinha ideia do quão difícil seria resenhar a segunda e última parte dessa linda aventura criada pelo escritor canadense, Guy Gavriel Kay. Difícil porque uma característica já existente na primeira parte é potencializada à medida que vamos nos aproximando da conclusão da história, e não poderia ser diferente, uma vez que as duas partes são, na realidade, um volume único dividido tanto na edição brasileira como na portuguesa.
A característica de qual falo é o desenvolvimento interno da trama. Os sentimentos, as emoções e a sensibilidade dos personagens possuem papel mais ativo do que as ações, tornando a história uma miríade de sensações. Nas palavras de um amigo, Cláudio Nigro, uma verdadeira tragédia grega. É impossível não ser impactado pela beleza, melancolia e tristeza de A Voz da Vingança. As agruras e angústias dos personagens, que não são poucas, refletem no íntimo do leitor que é envolvido de maneira sobrenatural a tudo que acontece na Península da Palma. Posso falar por mim e afirmar que nunca me envolvi tanto, psicologicamente falando, com uma história. Por duas semanas Tigana foi real para mim.
Os personagens merecem destaque: todos, sem exceção, se desenvolvem de grande maneira nessa segunda parte. Devin e sua necessidade de fazer parte de algo, de ter um lugar para chamar de seu; Alessan e o peso da responsabilidade de ser aquele que deve restaurar a glória de seu povo ou enterra-lo para sempre, mesmo que isso signifique sacrificar aqueles que ama; Baerd e a sua procura incessante pela sua irmã e amor de sua vida; Catriana, consumida pela culpa da covardia de seu pai, buscando provar a si mesma a qualquer custo; Sandre, mostrando que os mais belos sentimentos podem vir das fontes mais improváveis; Erlein e a sua rabugice e desconfiança, surpreende a todos quando mostra seu verdadeiro caráter. Até personagens secundários como Rovigo, sua filha Alais, Naddo, Rinaldo, entre outros, possuem suas motivações firmemente calcadas em sentimentos verossímeis.
Deixei as duas personagens que protagonizam um dos romances mais lindos da literatura para uma abordagem mais profunda. Não sou, em absoluto, a pessoa mais indicada para falar em amor, mas é impossível se ter um coração e não ser tocado pelo relacionamento de Dianora di Certando e Brandin de Ygrath. Vemos Dianora cada vez mais dividida entre a memória de seu povo e o amor ao homem que ela deveria odiar, tentando a duras penas tomar a decisão de qual caminho seguir: matar o seu amado e resgatar a memória de Tigana ou virar as costas ao passado e se entregar ao amor por Brandin. Por outro lado, alheio a isso, Brandin se mostra cada vez mais um vilão incomum, capaz dos mais lindos atos de amor até a mais pura maldade. Não vou dar juízo de opinião porque isso significaria dar spoiler para aqueles que não leram, mas os trechos de Dianora são os que carregam a maior carga emocional da história. Leiam com a mente e o coração abertos.
A Voz da Vingança é o encerramento perfeito para uma obra de poesia incomum. A obra de Guy Gavriel Kay foge aos padrões da fantasia contemporânea e coloca as ações em segundo plano. Não é de se espantar quando vemos que o autor deu seus primeiros passos como assistente de Christopher Tolkien durante a edição de O Silmarillion. Podemos imaginar onde ele aprendeu a colocar poesia na sua escrita. Tigana é mais do que indicado para os leitores de fantasia, desde que estes entendam que os objetivos da obram estão além do cumprir da demanda. O que move o mundo de Tigana são as motivações por trás da demanda.
Opinião: Cada vez que, de hoje em diante, ouvir ou ler o nome Tigana, haverá sempre uma parte de mim que se apertará com nostalgia e saudades. Depois de um primeiro volume, Tigana - A Lâmina da Alma, em que fiquei completamente rendida à narrativa de Guy Gavriel Kay, este segundo veio arrebatar e rematar um enredo único, com personagens memoráveis e uma linha de acção que nos deixa de coração nas mãos a mais vezes do que esperávamos.
Tigana - A Voz da Vingança, retoma a história exactamente no ponto onde ela ficou no primeiro volume. No entanto, logo nos primeiros capítulos damos conta da transformação do ambiente, da transição entre a descoberta do mistério e dos planos da revolta e o início da marcha em direcção a um destino há muito esperado, mas não certo. Alessan e Baerd são as forças motrizes da vingança que querem alcançar, mas vêem-se obrigados a tomar caminhos diferentes, temporariamente, em que cada um, à sua maneira, teça a teia necessária para verem realizado o seu sonho em comum.
São várias as personagens que nos tocam, marcam e inspiram. Catriana, Dianora, o próprio Devin com a sua inocência sempre alerta, são aqueles que já me eram queridos e que estava ansiosa por acompanhar, mas foi Ygrath quem acabou por me surpreender e fascinar de uma maneira um tanto obscura. Admiro imenso a forma como Guy Graviel Kay explora a natureza humana e reforço que, apesar de esta obra - Tigana - estar inserida num universo fantástico, a essência é fácil de paralelizar com a vida real. Os amores, os ódios, as transformações e motivações, profundas e camufladas, que muitas vezes se dão sem darmos conta.
Toda a epopeia para a libertação de Tigana parece cobrar um preço, tanto aos personagens que a protagonizam como ao leitor que a devora página após página. Existe uma dualidade de sentimentos intensa, em que a perda e a conquista tentam arranjar um equilíbrio no nosso espírito. A leitura é viciante e inquietante. O escritor foi mestre no compassar da história e a empatia criada entre o leitor e a causa, mas ao mesmo tempo com um dos vilões, fomenta a que a cada instante imaginemos uma série de alternativas diferentes às consequências de cada acção.
Tigana é, sem dúvida, das melhores obras que já li dentro do género. Uma escrita sóbria, uma ansiedade febril e crescente, uns protagonistas espectaculares. Ingredientes que gostava de ver mais vezes, não só na literatura fantástica, como na literatura portuguesa.
Eu deveria ter dado a este livro uma nota maior. Queria ter dado. Com uma prosa elegante, uma instigante construção de mundo e simbolismos nem um pouco forçados permeando toda a obra, a premissa básica da história e o objetivo do grupo de personagens reunidos realmente me pegaram. Se não fosse Dianora, e tudo o que a presença e as ações dela na história acarretaram para o todo...
Nem me lembro da última vez que li um personagem que não fosse capaz de tomar uma única decisão coerente em todo o livro. Que sabe que está errada, que diz sentir culpa, que fica se vitimizando mesmo sabendo que não existe justificativa plausível para tudo o que está fazendo, e mesmo assim segue cometendo os mesmos erros até o fim, tudo em nome de um "amor" que basicamente não faz sentido algum diante de toda a sua história pessoal e todo o seu trauma. Quando outras reviews dizem como é interessante a maneira como Brandin não é o típico vilão de um livro de fantasia, a coisa toda piora: Dianora torna-se então somente uma ferramenta narrativa, servindo apenas para mostrar como é "inovador" um livro no qual "o vilão não é um cara malvado." Pela metade do livro, eu só queria que os trechos sobre Dianora passassem rápido e que ela não atrapalhasse indiretamente o restante dos personagens mais do que já havia atrapalhado, e mesmo assim ela continua atrapalhando até o último segundo. Na maioria das vezes, perdia completamente a vontade de prosseguir a leitura ao ver que as próximas 30 páginas seriam dela. Em suma, seu conflito como personagem chega a ser risível, mas o suficiente para eu tirar duas das três estrelas que tirei em minha avaliação.
Como uma das protagonistas, e mesmo como uma figura feminina importante na história, Dianora merecia muito mais do que o que o autor fez dela. Compreensíveis as críticas que ele sofre pela maneira como escreve personagens femininas.
Tirando esse imenso elefante branco na sala que é Dianora, Tigana é uma fantasia realmente inovadora para a época em que foi escrito, abordando temas raramente vistos neste gênero. Mas apesar do tamanho (no Brasil, ele foi dividido em dois volumes, mesmo sendo um único livro), é pequeno demais para a história que se propõe a contar. A impressão que fica é que, ao contrário do clichê da maioria dos livros de fantasia, Tigana deveria de fato ser uma trilogia. Talvez a trama de Dianora fizesse muito mais sentido se fosse desenvolvida com mais calma, mais profundidade. Talvez os relacionamentos do grupo de Alessan pudessem assim ser melhor trabalhados, e o desfecho de seus personagens não parecesse tão apressado. Talvez o mundo e suas intrincadas culturas e políticas pudessem ser melhor elaborados, dando espaço para respirarem. Como um livro stand-alone, acaba sendo desnecessariamente corrido, apesar de longo; como um seriado com estofo para 5 ou 6 temporadas condensado em um filme apressado de 3 horas.
É estranho criticar esse livro, principalmente por saber que ele não é um segundo volume e sim os últimos dez capítulos de uma história (já que originalmente Tigana só possui um volume) e eu gostei do início dessa história.
Mesmo assim, acho que um dos principais fatores para eu não ter gostado dessa leitura, é que existem diversos pontos que você pode tolerar no começo de uma história, (já que um mundo inteiro está sendo apresentado a você) como coincidências, mistérios, ações que parecem não fazer sentido (mas que no final você tem esperança que farão) mas que não irão funcionar se você repeti-los até o fim da jornada.
Nesses últimos dez capítulos tudo é entregue gratuitamente. O autor insere novos personagens e novas tramas através de pessoas que estão casualmente passando pela floresta e por porta de bares. Paixões, lealdades, poderes, batalhas tudo surge do nada. É difícil criar laços e empatia quando tudo é entregue tão de graça. Uma prova disso é que o arco do vilão Brandin e sua concubina Dianora (onde cada um deles possuem mais capítulos e desenvolvimento) é a melhor parte do livro e empolga de verdade.
Ainda nessa segunda metade, o autor parece ter uma ideia genial de unir todos os personagens no arco final da história e isso traz alguns momentos engraçados como garotas de 18 anos matando a guarda real do rei e serviçais virando estrategistas de guerra... não que seja mal escrito, eu realmente entendo que a proposta de TIgana não é ser Game of Thrones (como poderia se ele veio antes), mas essas falhas nos puxam para fora da realidade do livro e de um verdadeiro mundo medieval.
Mas não se engane, Tigana vale a pena. Não é apenas uma história de fantasia. Ela na verdade é uma história sobre memórias. Sobre a luta de um povo para se libertar de conquistadores tiranos. Guy Gavriel Kay é formado em filosofia e talvez por isso a obra tenha um lado tão poético e delicado. Diversas vezes o autor prefere mostrar o que seus personagens estão sentindo e pensando, através de olhares, e não por diálogos ou ações. A maioria das passagens são singelas, dando importância a moral e princípios de cada personagem.
Antes de mais, posso dizer que a opção da editora em dividir o livro em dois apenas teve um efeito positivo em mim: o sacrifício em lê-lo seria bem maior se o fizesse de uma só assentada. Explicarei mais tarde este pequeno apontamento, de uma forma mais clara. A ideia de Kay foi muito boa: eu pessoalmente preferia que ele se inspirasse na Itália do Império Romano ou no período do Renascimento, mas optou pela época medieval, menos rica em detalhes e mais frequente neste tipo de literatura. De facto, apenas os nomes de personagens e terras me soaram a italiano, tudo o resto é fantasia medieval do mais corriqueiro. Ainda assim, o mundo foi bem construído; a economia, o governo e o modo de vida das populações foram bem retratados e bem desenvolvidos.
Gostei da forma como foram descritas as relações entre personagens; temos Alessan, Baerd, Dianora, Brandin, Devin, Catriana, como apenas alguns exemplos de como os personagens podem ligar-se bem uns com os outros. De facto, um dos pontos mais negativos de Guy Gavriel Kay é a confusão do seu texto. Para além de precisarmos de mais do que um capítulo em cada livro para conseguirmos ligar pontas e perceber quem é o personagem que está a falar, ele muda de pontos de vista sem sequer nos apresentar o personagem que está ali a ser representado. É algo que me irrita imenso como leitor. Para além disso, outra das razões que fizeram a leitura de Tigana ser um sacrifício, foi o martelar na ideia da terra perdida, nas saudades… tudo bem, o autor desperta emoções e eu próprio me senti comovido numa ou outra situação, mas a leitura foi muito aborrecida. Os capítulos enrolavam imenso e apesar de tudo ser muito credível e coeso, de a ação dos personagens ser palpável e emotiva, a maior parte do livro foi uma modorra cinzenta. Talvez tenha sido também, a falta de cor, que prejudicou tanto este livro. De qualquer forma, é um bom livro de fantasia, de certa forma diferente, algo confuso mas bem construído e concluído, que consegue desenvolver bem os sentimentos humanos e levá-los ao êxtase.
Mais uma vez, tive a certeza de que Guy Gavriel Kay é um "mestre"! A forma como conta toda a história de Tigana e nos transporta para este mundo rico em personagens fantásticas é de certa forma cativante! As personagens que fui acompanhando ao longo destes dois volumes são tão características e únicas à sua maneira que todas elas acabaram por me fazer gostar ainda mais da obra.
Neste segundo volume da obra "Tigana", o leitor continua a acompanhar a viagem do grupo de amigos durante a qual colocaram em prática um plano para que Tigana voltasse a ser reconhecida pelos demais habitantes das cidades vizinhas. Sem deixar esquecer, também acompanhamos a vida dos dois tiranos que têm liderado aquilo que teria sido "Tigana".
Apesar de o final não ter sido aquilo que estava à espera, o autor conseguiu dar à obra um final fidedigno e próximo da realidade. Porque no que diz respeito a esse aspeto e tendo em conta o tipo de narrativa e enredo, o final feliz não seria uma opção. Mas o leitor pode sonhar, não é? Mas depois apercebemo-nos de que para uns atingirem certos objetivos, outros terão de ficar para trás.
"Tigana" é sem dúvida uma obra que não cairá no esquecimento. Foi uma aventura cheia de emoções que me fará sentir nostálgica no futuro. A sua leitura é viciante e a forma como a narrativa está contada só nos fez querer ler mais e mais.
Apesar de todos os pontos positivos, há alguns aspetos relativamente à forma como Guy escreve que, se alterados, tornariam a leitura de "Tigana" numa aventura ainda mais inesquecível. Por vezes, há trocas de pontos de vista de personagens que não são identificados. Também há diálogos em que me foi complicado perceber quem estaria presente. Mas são coisas pontuais que não interferiram em demasia com a minha leitura.
Para quem gosta de livros de fantasia, aqui está um bom exemplo de um que podem adicionar à vossa lista. Tenho a certeza que irão adorar!
A Lâmina na Alma e A Voz da Vingança foram escritos para ser editados num só livro chamado Tigana e, no meu entender, acabam por perder com a separação em dois. No meu caso, como acabei por comprar os dois ao mesmo tempo, li-os sem intervalo e beneficiei bastante com isso.
Volto a dizer, Guy Gavriel Kay não é Anne Bishop mas não deixa de ser um bom escritor de fantasia, capaz de enredos que nos prendem, de reviravoltas surpreendentes e de nos deixar presos a um livro para tentar descobrir que mais irá acontecer ou que acontecimentos nos esperam no próximo capitulo. Nalguns casos as pistas vão sendo dadas ao longo do livro, noutros caem-nos "no prato" inesperadamente mas, ainda assim, sem se perder o fio à meada.
Tigana é uma história de amor. Não entre duas pessoas mas de algumas pessoas pela sua pátria, amaldiçoada no dia em que o filho de Brandin é assassinado. Mas é também a história de como o amor entre duas pessoas pode surgir nas situações mais inesperadas e levar-nos a mudar o nosso pensamento.
Alessan sempre afirmou que, para que Tigana voltasse, seria necessário que Brandin e Alberico fossem derrotados em simultâneo. A forma que o autor encontrou para que tal acontecesse - e que só percebemos quase quase no final - é bastante engenhosa e inesperada, tornando este segundo volume bastante melhor que o primeiro.
O mundo do fantástico, de uma forma muito particular, permite viajar para novos mundos, com a sua própria linguagem, costumes e pessoas. De facto, nestas viagens é várias vezes necessário um mapa ou, até mesmo, um tradutor.
Depois de conhecer J.K. Rowling e, mais recentemente, George R.R. Martin, a fasquia para os livros de fantástico ficou um pouco mais alta, fazendo com que esperasse cada vez mais deste género.
Quando iniciei a leitura de Tigana a sensação de voltar a um mundo semelhante ao dos “ Jogo dos Tronos” apareceu quase sem reparar. Contudo, este livro apenas se assemelha a este na qualidade de escrita e imaginação do autor. Não estou a dizer que é melhor ou pior que “As Crónicas do Gelo e Fogo”, só estou a dizer que gostei imenso desta história.
Em Portugal, Tigana é vendida em dois volumes, no entanto a história original é só um volume. Deste modo, não me senti nada culpada em começar de seguida o segundo mal acabou o primeiro. A minha curiosidade não podia esperar e, na realidade, ele foi feito para ser lido seguido.
Estou atónita. Se fosse expressar o que sinto por este livro, viria um monte enorme de palavrões à tona. O final disto foi tão espantoso, impressionante e imprevisível que eu nem sei como o descrever mais. Houve uma reviravolta em particular (sim, porque em coisa de vinte páginas devem ter acontecido logo umas três ou quatro reviravoltas bastante inesperadas) que me fez precisar de voltar atrás para ler outra vez o que tinha acabado de acontecer, porque aquilo era tão surreal que os meus olhos não estavam bem a acreditar no que estavam a ver.
Porém, nada disto significa que não gostei do final, muito pelo contrário. Tal como já disse, foi espantoso. Especialmente porque me deixou a remoer montes de ideias e a querer um próximo livro - mas isto é uma maldita coleção de apenas dois livros, por isso vou ter de ficar a sofrer!
Periaatteessa tästä osasta ei voi sanoa mitään, mitä ensimmäisestä osasta ei olisi jo sanonut, koska kirja on ollut alunperin yhtä nidettä ja on vaan suomeksi ilmestynyt kahtena eri osana. Hyvä kirja ja vaikka loppuratkaisu oli erittäin ennalta-arvattava, riittää juonessa tarpeeksi yllätyksiä ja koukkuja.