Gostaria de voltar a esta review com alguns excertos do livro, mas o que posso aqui escrever é o relato do meu encontro com o livro. Resolvi acompanhar alguns amigos numa aula teórica que não era a minha, pela companhia e pela sede de conhecimento. A aula girava em torno de apresentações orais sobre os trabalhos artísticos de cada aluno, em conjugação com um filme (''2001: Odisseia no Espaço'', do Kubrick) ou um livro proposto no programa da disciplina. O livro era da Marguerite Duras, ''Textos Secretos''. Conhecia a autora de leituras passadas e de alguns filmes, mas este título era completamente desconhecido aos meus ouvidos. Uma colega trazia consigo o livro e prontamente me deu a folhear o exemplar. Era fino e o que mais me atraía era a pequena imagem que tinha na capa: um corpo nu feminino que descansava. Ou que explodia de prazer. Ou de dor. Não consegui decifrar à primeira vista, mas posso dizer que passei o tempo integral daquela aula com a atenção no livro e li cada parágrafo, como se estivesse sedenta de uma leitura. Sei que chorei, porque o conteúdo toca muito em assuntos do amor e da ausência. E quando nos tocam numa ferida aberta, há qualquer coisa em nós que explode.
E aquele livro veio mostrar-me que estava, realmente, sedenta. E que a minha interpretação da capa estava certa. Vou com toda a certeza regressar a este livro. Até consegui um exemplar idêntico para mim, para preservar a experiência da capa.