Inquisição de Évora 1533-1668 carreia imensa informação que cobre as mentalidades, a sociedade, a vida urbana, a economia, a política, o direito, a antropologia, a psiquiatria.
As vítimas têm nome, morada e terra de nascimento. Contam estórias de dignidade e grandeza extremas e também de cruel abjeção. Os documentos conservam principalmente a voz dos inquisidores.
Eram clérigos - bacharéis, licenciados, doutores em Direito Canónico e teólogos. Mas também nos chegaram corajosos testemunhos oriundos do interior da mesma Igreja.
Das vítimas ficaram só as palavras registadas pela pena dos notários e escrivães do Santo Ofício. É impossível não escutar o seu eco.
ANTÓNIO BORGES COELHO nasceu em Murça, a 7 de Outubro de 1928. Licenciado em Ciências Histórico-Filósficas (1967) e doutorado em História Moderna (1989) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde foi Professor Catedrático no departamento de História. Colaborou em várias publicações periódicas com estudos históricos; efectuou traduções de obras filosóficas e históricas; dirigiu a revista História Sociedade e o Centro de História da Universidade de Lisboa. Actualmente, é investigador integrado do Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património da Universidade de Coimbra. Foi agraciado, pela Presidência da República, com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago. Faleceu a 17 de Outubro de 2025.