Do idealismo libertário ao completo uma história sobre mecanismos de manipulação e algumas doses de ayahuasca.
Fui vítima de pelo menos duas ameaças de morte. Fico em dúvida do número exato, porque as ameaças eram disfarçadas de "lições e ensinamentos". Numa dessas vezes, me disseram que o trabalho que estávamos fazendo era muito parecido ao realizado lá atrás, na Grécia Antiga. Naquele tempo, quem participasse de algo assim e saísse, ou contasse a alguém sobre o que era feito e discutido ali, era morto. Morto pelos deuses, pelas entidades enviadas por um deus... nesse caso, Dionísio.
As pessoas acreditam em muitas ficções. Por que acreditam em umas e não em outras é uma coisa que me intriga muito. Mas de uma coisa eu tenho é mais fácil embarcar numa história mirabolante se você estiver sob o efeito de uma bebida alucinógena.
Eu era uma atriz promissora. Paula. Outra Paula, Paulinha. Meu livro é um relato – ficcional – de como me envolvi em um novo culto religioso, o Portal da Divina Luz. Posso dizer que as pessoas entram numa seita por várias razões. Mas todas saem pelos mesmos motivos.
Feliz por ver um livro sobre uma seita brasileira em um mar de relatos estadunidenses. Me manteve preso do início ao fim. Recomendo a leitura não só para quem se interessa por seitas e religiões mas também a quem curte um livro simples e direto ao assunto, com uma história real e interessante.
fui ler depois de ouvir um podcast e não conseguia parar. me prendeu demais e o final mexeu em coisas que talvez eu não gostaria de pensar agora, mesmo pensando sempre
Livro muito interessante sobre o processo de alguém que entra numa seita (sem perceber que se trata de uma) vai se afundando cada vez mais naquele "estilo de vida" até o ponto de rompimento com a lavagem cerebral, desilusão, e entendimento do que aconteceu durante aquele período. A narrativa é muito bem escrita, li capítulos e capítulos sem perceber o tempo passando e sem me cansar da leitura. Sempre tive muito receio a todos os tipos de religião, justamente porque no meu entendimento o que a maioria quer, mesmo não sendo uma seita, é fazer um tipo de lavagem cerebral nos seguidores, afim de atingir algum objetivo (na maioria das vezes dinheiro). Acho que o caso do livro é um dos pontos mais extremos que isso pode chegar, mas as igrejas que manipulam os fieis a doarem dinheiro, imóveis, carros e outros bens não estão muito longe da imoralidade e perversidade retratadas nessa e em outras obras e documentários desse mesmo assunto.
Apesar de ser um relato honesto, achei o livro um pouco complicado de ler por ser uma bagunça só. Não achei muito informativo, e gostaria de saber mais detalhes sobre o culto.
É um romance em que pessoas e fatos aparecem ficcionalizados. A narradora, que também se chama Paula, é um alter ego da autora. É uma atriz, na casa dos vinte e poucos anos, que se envolve com um grupo religioso. São relatados fatos mais ou menos similares àqueles que aconteceram. Trata, principalmente, como já sugere o título, da imersão cada vez mais profunda, em uma seita mística que usa a ayahuasca em seus rituais. Não é uma autobiografia, mas um relato ficcionalizado da sua vida. Ela entra na seita por causa da influência de membros do grupo de teatro do qual participava. A ayahuasca passa a fazer parte da sua vida. Junto, vem todos os tipos de misticismos. A seita relatada por ela é uma geleia geral do new age. A experiência dentro do grupo é fundada no estabelecimento de uma profunda dependência psicológica entre as fundadoras e dirigentes e os demais participantes. Se havia a influência do ambiente, havia também a própria fragilidade emocional da narradora, que vê o grupo como um ponto de apoio emocional. A segurança que o grupo oferece parece ser muito confortável para aqueles que enfrentam as adversidades da vida. Por outro lado, o preço cobrado pela segurança é a submissão às autoridades dos líderes espirituais desses grupos, que – pelo menos na história contada – são controladores e abusivos. No final das contas, é o exercício do poder. Faz-nos pensar até que ponto a vida – com ou sem elementos místicos – está repleta de seitas, ou melhor dizendo, de tentativas de inclusão social ou de pertencimento a um grupo que possa oferecer um sentido na nossa existência. Isso parece ser ainda mais presente no mundo de hoje, em que esse comportamento de seita pode ser encontrado nos mais variados e inesperados lugares. Um bom livro. Esclarecedor, mas que é também um acerto de contas com uma fase da vida da autora. Impressiona também porque, mesmo que transformados em ficção, são fatos que expõem bastante a vida privada da autora.
Eu nem percebi que terminei o livro tão rápido. Li depois de ter ouvido o podcast, eu adoro o assunto seitas, me deixa muito curiosa o padrão de comportamento dos líderes e a vulnerabilidade das pessoas que acabam caindo nessa. (((Spoiler)))
a parte que me deixou mais chocada foi a da mãe dela. Como ela escreveu o livro de modo a parecer ficcional, eu fiquei me questionando se era sério ou se era apenas uma adaptação, mas pelo que entendi, a mãe realmente teve os últimos momentos de vida no portal. Isso me deixou chocada de verdade, não apenas o momento do falecimento da mãe, como o que foi feito para tirar a mãe de lá. Na verdade acho que o pós pra mim foi o mais chocante.
Queria que a Paula fizesse um segundo livro “Seita”, mas mais real e dividindo mais histórias. Eu ia adorar saber mais!
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“Não existe maior paixão no peito humano que a vontade de impor aos outros a própria crença.”
Essa citação de Orlando, de Virginia Woolf, aparece em A Seita, de Paula Picarelli, e resume perfeitamente a essência da obra. O livro expõe, com uma narrativa envolvente e inquietante, como a fé pode ser manipulada por aqueles que se aproveitam da espiritualidade alheia para cometer abusos e atrocidades.
Através de uma trama instigante, Paula nos conduz pelos bastidores de um universo onde a devoção se transforma em ferramenta de controle, e a busca por significado pode se tornar uma armadilha perigosa. A leitura provoca reflexões profundas sobre a fragilidade humana diante de promessas de salvação e sobre o poder daqueles que sabem explorar essa vulnerabilidade.
Nossa, gostei muito desse livro. Algumas reviews falam que ele é mal escrito, mas não achei. O estilo da autora é sim bem diferente, como se ela estivesse te contando toda a história dela sem conseguir parar, vomitando a história, e consegue assim passar exatamente o clima de tudo que ela viveu: um caos que claramente nem ela entendeu direito.
Claro que é uma autoficção, e até achei que tivesse menos a ver com a vida real. Quando ela fala do papel na novela, fiquei chocada em pesquisar e ver qual foi, porque não conhecia a atriz nem a novela antes. Muito doido ver as cenas e pensar que ela estava passando por tudo aquilo.
O livro é um convite para olharmos pra dentro. E olhar pra dentro de maneira crua, sem facilitadores ou atalhos. O que achei mais lindo, apesar dos relatos da autora serem meio assustadores, foi a forma como ela descobriu que poderia viver no seu próprio mundo. Pensar com a própria cabeça. Enxergar o universo com seus próprios olhos.