Este livro conta a trajetória da criação do disco Clube da Esquina, que surgiu da parceria entre os cantores e compositores Milton Nascimento e Lô Borges. As canções que celebram a amizade, além do amor à terra, carregam o espírito de Minas Gerais, onde começaram, na década de 1960, os encontros do grupo de amigos em torno da música. Lançado em 1972 e considerado até hoje um dos discos mais importantes da MPB, Clube da Esquina foi gravado num momento em que a criação artística explodia nas brechas de um país mergulhado na ditadura. Nomes como Márcio Borges – o irmão mais velho de Lô –, Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Beto Guedes também faziam parte do núcleo criativo do disco que juntou gerações para compor um som original e autêntico, marcando a trilha sonora dos anos 1970.
Paulo Thiago de Mello é jornalista e doutor em Antropologia. Atualmente, trabalha no jornal O Globo e atua como pesquisador do Laboratório de Etnografia Metropolitana do Rio de Janeiro (LeMetro), do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da UFRJ. É coautor, com José Octávio Sebadelhe, do livro Memória afetiva do botequim carioca (Ed. José Olympio).
Adoro essa coleção, escrever sobre música é algo, naturalmente, muito difícil. Escrever sobre o Clube da Esquina, mais difícil ainda.
Apesar da tentativa super válida, esse livrinho não conseguiu me transmitir a energia do disco. Não posso dizer que minha relação com o disco mudou depois da leitura (coisa que posso dizer de outros livros da série).
O livro se ocupa muito com o contexto histórico do Brasil, deixando poucas páginas para tratar do disco. Além disso, quando fala do disco, o livro não traz informações novas, se limita a uma revisão bibliográfica de outros 3 livros.
Pernosticismo em estado puro. Três estrelas pelos excelentes prólogo e capítulo 7; o resto é plenamente dispensável. Ouça o disco e leia Os Sonhos Não Envelhecem, de Márcio Borges, e Nuvem Cigana, do Sérvgio Cohn. Fará melhor proveito.
Um excelente livro para contextualizar Clube da Esquina dentro de seu tempo histórico. Paulo oferece um panorama sensível do período de efervescência cultural em meio à ditadura, lançando luz sobre a bossa nova e a tropicália como formas de resistência. É nesse cenário que o Clube da Esquina nasce: sem a pretensão de ser um movimento, mas tornando-se um ainda assim. Um movimento que deu contorno musical à poesia marginal e encontrou na estrada uma alternativa de enfrentamento e liberdade.
Para além do contexto histórico, Paulo também comenta o conteúdo das canções e reconstrói a história da produção do álbum no Rio de Janeiro, aproximando o leitor tanto da dimensão poética quanto da dimensão concreta da obra.
Sou mineiro, e o Clube faz parte do meu pertencimento. Este livro transforma minha relação com o álbum ao dar forma ao que antes eu compreendia apenas de maneira subjetiva. Ao colocar em palavras novas dimensões da poesia de Márcio Borges, Fernando Brant, Bituca e Lô, sinto que me aproximo ainda mais dessa identidade que me é tão querida.
4 estrelas pois gostaria de uma análise mais extensa sobre o conceito do Clube da Esquina, a narrativa das letras, a poesia... Embora a contextualização histórica seja importante, sinto que faltou aprofundamento no conteúdo do álbum.
Cheguei em 60% mas nao consegui acabar. Desisti. Infelizmente me senti lendo um artigo científico ou livro escolar sobre um tema que gosto muito mas nao consegui enganchar. Tambem tive uma sensacao que o autor foca mais em “desqualificar” a tropicalia do que realçar as qualidades do clube da esquina. Dou 2 estrelas porque se nota que há muita pesquisa por trás do conteudo, mas preferi nao acabar e iniciar “Os sonhos nao envelhecem”