Susy Shock é uma personagem incrível baseada em uma mulher incrível, que se define como "trans sudaca". Susy Shock, sem nem ser a autora deste livro, é a voz que mais emana dele, por exemplo, retomando termos um dia pejorativos e os ressignificando com conotações positivas, que a abraçam - como "trava"! É esse o tema principal: os abraços de Susy ao longo da vida, permeados pelo conflito Susy x Sociedade, que insiste, de várias maneiras em tentar arrancar sua poesia e sorrisos, seus abraços tão bem apreciados, mas a mesma resiste a isso e luta contra: com suas amigas travas, vai à rua, marcha, traz sua arte e educa. Outro ponto ótimo do livro é este seu tom didático e educativo, que ensina sobre a diversidade das cores, desde o colibríe que a acompanha e é relembrado nas atividades no fim do livro. Seu tom infantil e seus glossários trazem cor e positividade, o que é minha única ressalva com o livro: uma positividade exacerbada que talvez esconda realismo. É compreensível que a ambientação positiva é necessária para manter a narrativa de abraços, sem embargo, aqui, ela parece ser levada a alguns extremos. Algumas razões são cogitadas a fim de explicar o porquê disso acontecer, como: talvez para explicar que há luz no fim do túnel, caso uma criança, descobrindo-se trans, o lesse. No entanto, é necessário também trazer realidade à criança, com o intuito de protegê-la de uma ilusão tóxica. No mais, o livro é definitivamente um suspiro e uma ótima introdução à vida e à obra de Susy, que, definitivamente, vou me debruçar sobre com afinco posteriormente.