Uma reportagem de alta temperatura, que comprova a falência da segurança pública no Brasil. Os autores entrevistaram diversos integrantes do PCC e revelam as entranhas das organizações criminosas. Este livro é uma reportagem capaz de fixar a fisionomia do crime no Brasil. Os autores obtiveram relatos inéditos de integrantes das facções e contam essa história sob um ângulo inédito e revelador. Geridas de dentro dos presídios, as facções criminosas se profissionalizaram. Quem assumiu a dianteira desse processo foi o PCC, responsável por um grau inédito de organização nos presídios brasileiros. Criada em 1993, meses após o Massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos pela polícia, a facção passou a ditar as regras do crime nos presídios de São Paulo, impôs sua influência sobre outros estados e agora se internacionaliza a uma velocidade vertiginosa. Nunca essa realidade foi retratada com tintas tão fortes.
Bruno Paes Manso holds a PhD in Political Science from the University of Sao Paulo (2012), an MA in Political Science from the University of Sao Paulo (2003), a BA in economics from the Faculty of Economics and Business of the University of Sao Paulo (1993), and a BA in journalism from the Pontifical Catholic University (1996).
A falta de ordem cronológica na narrativa, os inúmeros personagens e a quantidades de dados e datas despejados em sequências tornam a leitura amarrada e cansativa demais, parece um documentário escrito.
A coisa só melhora no final, quando o livro aborda a questão do tráfico no RJ, as UPPs, e narra com uma certa sequência a derrocada do governo Sergio Cabral e a morte da Marielle.
Livro completo e bem pesquisado. A história poderia ser contada de forma mais didática, mas considerando a complexidade do tema e a própria descentralização da organização que busca retratar, entendo a dificuldade de fazê-lo. Foi uma excelente leitura.
O livro é muito extenso e detalhado. Isso se mostra justificável levando em consideração a complexidade do tema abordado mas torna a leitura cansativa. Quis saber mais sobre o PCC após a leitura de Prisioneiras, do Dráuzio Varela, que consegue explicar um pouco sobre o funcionamento da facção de modo mais simples e que desperta maior atenção. A Guerra por tratar apenas desse assunto entra em diversos aspectos da criminalidade no Brasil e mostra também outras organizações criminosas que surgiram durante o período analisado no livro e suas relações com o PCC. Os capítulos sobre a expansão do PCC para outros países foram especialmente confusos e por muitas vezes parecia estar lendo um livro completamente diferente. Já os capítulos sobre o controle exercido pela facção dentro das prisões, as rebeliões e suas ramificações pareciam mais interessantes. A partir dos 60-70% os autores parecem conseguir desenvolver melhor a escrita e o livro parece mais objetivo - talvez por já estarem falando de acontecimentos mais recentes. A questão das penitenciárias federais, da transferência dos prisioneiros e os conflitos decorrentes dessa nova dinâmica também me chamaram bastante atenção. Foi uma leitura interessante e que trouxe muitas reflexões sobre criminalidade, tráfico, violência, o despreparo do Estado e muito mais. Não indicaria para pessoas que não queiram realmente se aprofundar no assunto ou que procuram uma leitura mais rápida e descomplicada.
livro importante para o entendimento de uma das mais importantes problemáticas brasileiras: a segurança pública. Além de narrar as histórias e os mecanismos internos do PCC e outras facções do crime organizado no Brasil, o livro sugere que o combate à violência urbana não deve ser enfrentado pela lógica militar ostensiva e pelo encarceramento massivo da população. O crime organizado, e consequentemente, a violência urbana e rural, deveria, segundo os autores, ser combatido com inteligência (siga o dinheiro) e com uma política carcerária completamente diferente da que hoje é praticada. Aponta que isso não ocorre por falta de vontade política e deixa no ar se essa falta de vontade das autoridades, talvez indique algum grau de conivência da política com o mundo do crime no Brasil.
Uma radiografia da mais notável facção criminosa do Brasil, neste livro o autor narra a história da difusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) pelo Brasil, através de fatos marcantes que foram divisores de águas para a facção, como o domínio da fronteira Brasil-Paraguai, rebeliões dentro do sistema penitenciário e outros muitos eventos violentos. Interessante compreender um pouco mais sobre o crime organizado estruturado a partir das cadeias, este problema socioeconômico que assola o nosso país. Também é narrada a organização, vocabulário e estruturação dos membros do PCC. Com certeza é um livro que agrega para o debate nacional de políticas públicas voltadas para a segurança pública e combate às drogas ilícitas.
a cronologia não agrada a todos, mas é uma obra fundamental para entender desdobramentos do crime, do poder, e das problemáticas de segurança pública do brasil-sil-sil
livraço. super relevante entender um pouco mais sobre a formação e a estrutura do PCC e suas transformações ao longo do tempo. não fui muito fã de como organizaram os capítulos do livro, achei que as idas e vindas deixaram tudo meio confuso, mas aparentemente não sou só eu. de qualquer forma, vale muito!
Livro excelente e muito, mas muito, bem apurado e que já estava na lista há um tempinho. Fundamental para entender a criação, consolidação e expansão do PCC no Brasil e no exterior e como em determinado momento o grupo passa a articular a ideologia de que o objetivo primordial é melhorar as condições para os presos e suas famílias com os objetivos econômicos do crime e do tráfico de drogas. Basicamente, ganhar o máximo de dinheiro possível para repartir o bolo entre todos os "filiados" e melhorar a vida de todo mundo.
Também é uma crítica muito bem feita às políticas de segurança pública adotadas pelos estados brasileiros e também pela União que visam o enfrentamento armado, o policiamento ostensivo e a guerra ao tráfico em vez de ações de inteligência e investigações mais aprofundadas. O livro fica um pouco repetitivo da metade para o final, mas nada que atrapalhe a fluidez.
O livro não é muito didático e não segue uma ordem cronológica; achei bem difícil de ler no início. Mas traz muita informação que para mim foi nova e extremamente relevante. Dá uma dimensão do tamanho do problema e conclui o que deveria ser óbvio mas ainda não é: o emprego de violência só piora - e muito! - nossas vidas. Gostei demais de ter lido.
Gostei muito, mas o capítulo final foi decepcionante. Dizer que a solução para combater o tráfico e a violência na criminalidade é a liberação das drogas é muuuuuito simplista. Além de ser bem complicado, porque drogas envolvem, além da maconha, a cocaína e o crack... e se o dinheiro é tudo o que conta no mundo, com certeza os traficantes dariam um jeito pra continuar se perpetuando através de produtos baratos, acesso mais fácil.. enfim... Acho que os autores pesaram a mão um pouco sobre a polícia, em contrapartida fizeram vista grossa para a responsabilização de ação dos traficantes e seus "afiliados". Mas é um ótimo livro para conhecer a história do pcc e do avanço da criminalidade no Brasil. Saí dessa leitura mais pessimista do que entrei.
Uma história que se fosse um livro de sci-fi, ou um roteiro de um filme de ficção ou até uma distopia, beleza... Se fosse sobre a fundação de uma empresa ou grande corporação também, seria bem legal... Mas uma Organização Criminosa, que cresceu como cresceu, chegou ao patamar que chegou, é de uma loucura sem medida. Simplesmente um problema de complexidade sem precedentes... A cada capítulo um sequência de descobertas e curiosidades que jamais passaram pela minha cabeça ser uma realidade, parecia tudo tão inconcebível e inacreditável que nem em um filme pareceria ser possível.
(3,5*) é um livro sobre um assunto pelo qual não necessariamente eu me interessaria, mas foi oq acabou calhando de aparecer na fila audiobooks da vez. é bem escrito e super detalhado, além de transmitir muito bem os argumentos principais da obra. achei o vaivém no tempo um pouco confuso, acho q teria um jeito de contar os fatos de um jeito melhor, mas tbm não foi algo q deixou o livro tão confuso. por não ser um assunto tão chamativo pra mim assim, achei tbm algumas partes muito detalhadas e extensas pro meu gosto. enfim, foi um livro bem interessante q me deu uma perspectiva mais real e informada sobre esse universo do crime no Brasil.
O livro apresenta vasta pesquisa, utilizando ferramentas do jornalismo e das ciências sociais para expor a história e o funcionamento do PCC – sintomaticamente fundado após o Massacre do Carandiru, em 1993 – e os desdobramentos das atividades da organização no tecido social brasileiro. O livro expõe a lógica interna do Partido do Crime, evidenciando a inteligência do grupo em articular respostas aos estúpidos solavancos de cunho militarista do estado, aliciando jovens da periferia de todo o Brasil para lutar uma luta explicitamente moral. Espanta (mas não surpreende) o fato de que, passados 25 anos do surgimento da facção, as autoridades públicas insistam em encarar o problema utilizando essencialmente da mesma abordagem – comprovadamente falha em seus mais diversos aspectos –, importando dos EUA um modelo de guerra às drogas que é empiricamente impossível, lá e aqui. O texto impressiona pela exposição de evidências que demonstram o funcionamento interno do PCC – os “salves”, mensagens distribuídas pelas “sintonias” (células) da facção para comunicar em larga escala com seus membros –, e pela profundidade com que aborda questões relativas à repercussão social da guerra travada há décadas entre o estado e o crime organizado, com dano colateral pago majoritariamente pelas populações mais pobres.
Very detailed and impartial account of one of the biggest Brazilian drug cartels: The First Commando of the Capital (PCC in Portuguese)
The book explores the ideology, structure and history of PCC that now has tentacles spreaded all ower Brazil and neubgboring South American countries. PCC is a barbaric cartel that likes to behade people and admires Jihadi terrorists.
This book does not only explores the cartel, but also the conditions that created and how and why local governments have failed to destroy it. Motives for the growth of PCC are attributed to the devastating social inequality in Brazil, the brutal and racist police repression and the failures of the war on drugs.
By reading about PCC the reader gets a picture of the dark side of a beautiful country
Muito bom para entender o panorama da cena criminal brasileira e como a maior facção do país se formou e se organiza até hoje.
O livro mostra como a organização se assemelha de fato a uma empresa com código de ética, cultura e estrutura organizacional, contabilidade e departamentos (as chamadas "Sintonias") próprios.
Trata também das rebeliões recentes em presídios no Norte do país e como elas reconfiguraram as alianças e domínios de territórios das facções atuais. Também mostra a atuação da facção paulista nas fronteiras com Paraguai e Bolivia.
Esperava uma narração mais fluída, o fato de não seguir uma ordem cronológica e por vezes ir e voltar em pontos da história torna a leitura um pouco massante.
Por fim, propõe um debate mais apurado sobre a guerra às drogas e sobre como lidar com o problema com políticas públicas e não com populismo, demagogia e violência policial.
Este é um livro muito bem pesquisado. Tal vez pesquisado demais -se isso for possível- e as vezes fica meio pesquisito.
Há tantas situações, nomes, apelidos, chacinas, talaricagem, destrambelho, salves e cadéias que seria muito difícil narrar a história toda cronologicamente, focada únicamente no PCC, sem incluir o CV. Por isso a compreenção torna-se ainda mais dificultosa. A narrativa pula de lá para cá, dos 90 para os 2010 e volta para os 80.
Um resumo simples:
“Existem mais de 2,6 mil estabelecimentos penais no país, com mais de 740 mil presos, mais de sete vezes acima dos 90 mil do total em 1990. (…) passagem por uma dessas unidades costuma produzir uma marca indelével, que cria estigmas e bloqueia os caminhos possíveis para um futuro longe do crime. As prisões, em vez de recuperar, acabam assim empurrando as pessoas para o crime. As gangues se fortaleceram e se popularizam como a solução interna para sobreviver nessa distopia. Ajudam a criar ordem num mundo de confinamento.”
“Segundo a história contada pelas próprias lideranças do grupo, o nascimento do PCC deu-se no anexo da Casa de Custódia de Taubaté, chamado de Piranhão, considerado na época o presídio com as regras mais duras do estado. Oito fundadores que pertenciam a um grupo de futebol se uniram para matar dissidentes daquela cadeia.” Nesse dia, 31 de agosto de 1993, o tal de Geleião quebrou pescoço de inimigo com a sua mãos, e com esse sacrifício simbólico nasceu o gangue que em poucos anos viraria a associação criminosa mais grande do Brasil.
Daí o gangue virou quadrilha, logo facção e -desde o ano 2002, quando o Marcos Willians Herbas Camacho, Marcola, mandou matar o Geleião e sua mão direita, o Cesinha, e ficou chefão máximo- o PCC começou crescer até atingir nivel de cartel com mais a 30mil criminosos filiados. Desde há uns anos já, o PCC cresceu por for a do Estado de SP é expandiu-se pelo resto de Brasil e até tem operações no Paraguai, Bolívia e Peru. Hoje além de traffico e venda, o PCC é também o principal proutor de cocaina no Brasil.
Tudo isso coordenado desde o Bloco 2 da Pentitenciária Zwinglio Ferreira de Presidente Venceslau, SP. O simplesmente Presidente Venceslau 2 –a “cidade proibida” ou W2 na linguagem dos criminosos. É aí onde vive a cúpula da facção, nua penitenciária estadual.
Porque “São Paulo, um dos únicos estados que sempre apresentaram enorme resistência em transferir seus presos para o SPF – notadamente, os associados ao PCC.” Se bem que alguns pesos do alto escalão do PCC, como Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, e Roberto Soriano, conhecido como Betinho Tiriça. já foram transferido para o sistema federal em meio à crise de 2012, quando mais de cem policiais foram executados em retaliação à atuação da Polícia Militar paulista.”
Mesmo assim, “é no mínimo estranho que os presos de São Paulo apontados como líderes do PCC cumpram pena numa penitenciária de regime comum, a Penitenciária II de Presidente Venceslau, que, como já mencionado, é chamada pelos presos de W2 ou “cidade proibida” – são raros os períodos desses presos em Regime Disciplinar Diferenciado.” O sistema federal tem um limite de 12 meses para manter presos dos estados, a pois esse termo, presos são geralmente voltados para as prisões originais (exeção de casos extremos, como o famoso Fernandinho Bera-Mar, lider to Comando Vermelho en RJ, quem já é hóspede do estado desde 2002, cumprindo uma pena de 120 anos em Regime Disciplinario Diferenciado).
Um livro bem interessante que vale a pena ler para quem tem interesse no tema.
Escrita por uma socióloga e por um jornalista, essa obra é muito mais que uma reportagem jornalística sobre uma facção criminosa, o PCC. Os autores conseguiram tecer o retrato da violência organizada do Brasil, passando por temas importantíssimos como os problemas de nosso sistema prisional e o papel do tráfico de drogas como fonte de sustento para as facções. E esse retrato apresentado ao longo da obra é assustador, pois deixa clara para o leitor a real dimensão do poder que as facções criminosas detêm fora e dentro dos presídios brasileiros. Sua relevância é tamanha, que o livro revela a dificuldade do Estado em conseguir lidar, conter e até mesmo se comunicar com essas organizações.
Na verdade, não são meras organizações criminosas. Por meio de relatos dos próprios integrantes das facções, percebemos um claro processo de institucionalização. Hoje, eles contam com uma sólida pirâmide hierárquica, “tribunais” próprios e uma estrutura administrativa ramificada e complexa para conseguir gerenciar as cifras milionárias que passam pela cúpula do poder – e que têm como fonte principal o tráfico de drogas. É quase um “Estado” à parte, em que cada indivíduo que passa a integrar a facção – por meio do “batismo” – deve se submeter a regras extremamente rígidas, as quais, caso descumpridas, podem levar à sua morte.
O texto também aborda diversas passagens históricas e mostra como elas estão relacionadas, criando um cenário propício para a ascensão das facções ao poder. É realmente um livro que abre nossos olhos. Não há como terminar a leitura sem ter consciência de como o problema da violência é complexo e envolve diversos setores políticos e sociais. E mais que isso: apenas confirma que a “solução” de prender e isolar o criminoso é, na verdade, um verdadeiro tiro no pé, uma vez que é das prisões que nascem as facções e é das prisões que o seu comando é exercido.
De aspecto negativo, senti que algumas passagens continham detalhes em excesso que poderiam cansar o leitor comum, que não busca uma pesquisa acadêmica sobre o assunto.
Este livro deveria ser leitura obrigatória no último ano do ensino médio, para fazer os jovens entenderem o que está realmente acontecendo em seu País. Enquanto autoridades mentem, escondem ou fingem que não veem a catástrofe que alimentam a cada novo ciclo de políticas públicas equivocadas, jovens cada vez mais jovens abraçam o crime aceitando que morrerão cedo mas com um pouco mais de conforto material, e com boas chances de desforrar com violência a absoluta negação de seus direitos essenciais pelo Estado. O Brasil já é uma guerra civil; escondida embaixo do tapete, trancafiada o quanto possível, mas sem que nada disso mude a contagem de cadáveres. O crime protege o crime e se comunica livremente com o exterior das cadeias. O Estado não quer saber de responsabilidade e se nega a reconhecer os erros. O resultado desse confronto são centenas de mortes violentas a cada dia: agentes do Estado, criminosos e muitos, muitos inocentes pegos no fogo cruzado ou simplesmente tornados objetos de vingança. Meus cumprimentos aos autores pela coragem de construir uma linha do tempo e uma listagem de responsáveis. "A Guerra" é o documento que solidifica um entendimento: o Brasil é um caldeirão de urbanização feita de qualquer jeito, sem suporte social ao desenvolvimento humano. Parece tudo desorganizado de propósito. O egoísmo desmedido das elites que dão as cartas no Estado é o que determina o único norte da segurança pública: que o crime aconteça longe delas.
Para quem deseja descobrir as origens, a organização, a forma de atuação e até mesmo como tem se expandido as principais organizações criminosas brasileiras, em especial o PCC, o livro de Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias é essencial. Tendo como mote inicial os recentes e violentos episódios de conflitos entre elas, que acarretaram massacres horríveis em várias unidades prisionais do Brasil, a obra demonstra como erros praticados pelo Estado (que vão desde o desdém pelos criminosos até a realização de transferências de presos que, em vez de isolarem os principais líderes, promoveram um verdadeiro intercâmbio de conhecimento e a celebração de alianças voltadas a uma maior eficiência nas práticas criminosas), permitiram que tais ORCRIMs crescessem exponencialmente - inclusive com atuação no exterior -, diversificassem e tornassem mais lucrativos seus negócios e, o que é pior, se infiltrassem no Poder Público, corroendo-o por dentro. E dos confrontos de umas com as outras, muitas vezes ramificações ou ex-aliadas que se rebelaram, e da falência do modelo vigente de combate estatal, que se vale da força bruta no lugar da inteligência, adveio a explosão das mortes em regiões brasileiras antes relativamente pacatas, como Norte e Nordeste, como bem demonstram os autores. Independentemente de se atuar na persecução penal, recomendo demais a leitura, pois ajuda a entender melhor como chegamos a esta terrível situação.
Os anos de batalha diária contra o crime (...) ofereceram o que as lideranças criminosas mais precisavam: a possibilidade de forjar um ideal coletivo e construir um inimigo comum, fundamental para dar sentido existencial às suas atividades, convencer e atrair adeptos, construindo uma representação discursiva e prática do crime como forma de resistência social.
Bruno e Camila expõem de forma genial o problema das organizações criminosas no Brasil, mostrando como a guerra às comunidades como uma forma de ataque ao crime organizado, tática empregada pelo Estado há anos, tem o único efeito de fortalecer essas organizações. Enquanto as políticas de segurança pública forem de violência ao invés de estratégia, mapeamento e inteligência coordenada, o Estado seguirá estimulando a entrada de jovens das quebradas no crime, ao lhes dar motivos para ter raiva do sistema - visto que este, além de não oferecer nenhum tipo de política social para esses jovens, os assassina diariamente.
Un amigo encuentra en un aeropuerto este libro y le pedí que me traiga una copia esperando conocer más sobre la facción que pone en jaque a diversas autoridades judiciales no solo en Brasil sino también en otros países como el mío (PY); no solamente está inmersos en detalles y esos pequeños que hacen la diferencia sino que la apabullante documentación de los autores hace que todo el libro sea una lectura altamente recomendada para entender que los abusos de autoridad así como las medidas que se tomaron no fueron solamente fracasos sino que pareciera que el mismo Estado incentiva la creación de nuevas facciones que luchan hoy el poder criminal.
El autor hace referencia al Partido do Crime. Y sin entrar en muchos detalles, encontrarás una sorpresa muy grande en medio del libro, donde el PCC y otras facciones actuarán de un modo tan irónico que hasta competirán con el Estado en diversas áreas. Tomate el tiempo y leelo, ten en cuenta los detalles que va dejando.
O livro traz informações interessantes, mas para encontrá-las, temos que peneirar centenas de causos e notícias narradas em detalhe e que pouco contribuem à tese central. O texto parece mais uma coleção de matérias de jornal, com uma quantidade imensa de notícias com personagens que aparecem só naqueles parágrafos para ilustrar um conflito específico. Parece que os autores tiveram dificuldade em editar os dados que tinham disponíveis em prol de criar uma narrativa coesa e eficiente sobre a guerra entre o PCC e seus rivais no crime. Mesmo a criação do PCC, que é um aspecto com grande potencial de análise (dado que o grupo nasceu depois de um dos maiores massacres carcerários da historia do Brasil) não é explorado com riqueza, na minha opnião. Parece que falta análise e sobram dados. Fiquei um pouco desapontado.
Trata-se de um relato bem detalhado sobre a organização criminosa mais famosa do Brasil, mas ao contrário do que possa parecer, não é uma abordagem sistêmica. Alguns pontos de vista relevantes, como o da polícia, têm pouco espaço no livro. As causas estruturais da violência, na sua maior parte, também. Por fim, propor uma solução simples e elegante (liberação da comercialização das drogas) para um problema complexo como o da violência, sem uma análise sistêmica adequada, contribui muito pouco. Não que essa medida não possa ser considerada, mas, na minha avaliação, estão olhando para o lugar errado do sistema.
O material, a pesquisa em si que eles compilaram é incrível, vale 5 estrelas Infelizmente a forma como estruturaram a narrativa é incrivelmente confusa, fazendo idas e vindas temporais e temáticas com pouca clareza de propósito. Ler o livro da uma sensação de estar andando à esmo - de vez em quando vc encontra uma coisa interessante, mas não porque ela tenha sido mostrada
Além disso, a forma como os autores apresentam declarações causais - sem nenhum embasamento, as vezes até meio sorrateiramente como a única explicação plausível - é muito fraca e francamente irritante. As insinuações e meias palavras sobre a conivência estatal poder ser "algo mais" também prejudicam o livro
Muitas informações úteis do PCC e outros grupos criminosos e análise convincente. O livro parece uma mistura de trabalho jornalístico e acadêmico. Em alguns momentos, fica um pouco chata a leitura porque os autores descrevem detalhes desnecessários, os 'salves' (comunicados) do PCC e outros grupos do crime e voltam aos mesmos assuntos muitas páginas depois, o que confunde um pouco.
Apesar dessas observações, o livro traz uma análise bem interessante de um tema complexo. Os autores vão fundo no assunto. Provavelmente o melhor livro sobre crime do Brasil.
Baita livro pra quem quer entender mais como a máquina do crime funciona no Brasil.
Apesar da cronologia ser um fator complicado, cheia de idas e vindas com muitos nomes de personagens importantes, a partir do momento que você entende que o livro é dividido em assuntos e esses se desenrolam concomitantemente na história contada, a leitura fica mais fácil.
Aliás a questão da fluidez do livro é um ponto positivo, li extremamente rápido devido ao estilo de escrita, ponto muito positivo.
Leiam, expandam seus horizontes sobre as questões sociais que afligem nosso país.