Numa viagem circunstancial a Itabira, cidade natal de Drummond, José Miguel Wisnik deparou com traços do passado e sinais contemporâneos que levaram à elaboração de Maquinação do mundo, um dos mais originais e envolventes livros de nossa crítica literária. Ensaísta de mão-cheia, Wisnik identifica na atividade mineradora uma questão crucial para um escritor apegado ao provinciano lugar de origem e ao mesmo tempo marcado por um sentimento cosmopolita do vasto mundo.
Ao descobrir um veio inexplorado pela bibliografia sobre um de nossos maiores poetas, José Miguel Wisnik pôs seu brilhantismo e erudição a serviço da imaginação crítica. Mobilizando vasto repertório da produção drummondiana, o ensaísta defende a atualidade dessa literatura no panorama atual, em que o espaço público se encontra em linha de faccionalização e a cultura deixou de ser baliza de autorreconhecimento da sociedade. Com Maquinação do mundo, Wisnik não apenas reposiciona a obra de Drummond como torna evidente a dimensão política de que a arte e a cultura se investem hoje.
José Miguel Soares Wisnik é músico, compositor e ensaísta brasileiro. É também professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo.
Graduado em Letras (Português) pela Universidade de São Paulo (1970), mestre (1974) e doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada (1980), pela mesma Universidade.