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Condenados à vida

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"Durante trinta anos - 1988 a 2018 - me dediquei a escrever a série de novelas que forma um painel da derrocada e da absoluta decadência de uma classe deteriorada pelas relações humanas sem barreiras, liberadas de ética e de respeito. Não é por acaso, portanto, que Ernesto Cavalcante do Rego dá origem ao clã que domina a minha ficção, retratado pelo macho ancestral inescrupuloso, que despreza e desrespeita a mulher Dolores, e estupra a filha Raquel; que Matheus e tia Guilhermina formam o casal dominado pelo sexo, apesar do sangue familiar. Condenados à vida é, antes de tudo, uma longa e corrosiva crítica político-social feita à elite nordestina que continua, dramaticamente, a explorar a raça negra e as mulheres, levadas à miséria e à prostituição." Raimundo Carrero

704 pages, Paperback

Published January 1, 2018

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Raimundo Carrero

30 books17 followers

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Profile Image for Tamir Einhorn Salem.
56 reviews1 follower
December 31, 2022
Certo estava o cara da orelha do livro que falou que Carrero escreve com uma fúria grega. Esse livro é uma tetralogia, escrita entre 1988 e 2018, que trata de uma (em termos) família nordestina e seu espelho da decadência da elite da região. Os livros, apesar de bastante distintos entre si, carregam esse mesmo estilo avassalador, e depois eu fui entender que o desconforto que eu sentia no período que estava lendo esse livro não era só sobre meu retorno ao Brasil. De fato, esse livro é pesado, angustiante, e tem umas partes que na minha opinião ficam escatológicas demais. Tipo, é mais de uma vez que alguém trepa com merda perto, vomita, fala em cagar e ver, etc, e não me parece que isso seja realmente necessário pro livro. O autor tem suas obsessões musicais também, o que depois fica claro que é pelo seu passado de tocar sax, e isso fica talvez repetitivo demais ao longo de 600 páginas, todo mundo toca sax meio triste, e por mais que isso talvez seja pra simbolizar que um personagem é duplo do outro, fica chato. Claro que hei de ser justo e lembrar que na verdade, eu li 4 livros num só fôlego como um grande romance, só que a compilação e o prefácio vendem esse conceito, então não é despropositado. Só que claro, 30 anos de escrita em uma só tacada vão ser absorvidos diferentemente.
A podridão da alma humana, a angústia, são revelados com maestria demais nessa grande obra. O decadente herdeiro de engenhos, Ernesto, o rei das pretas, vivia de nariz empinado, andava de fraque, mas financeiramente já tinha ido de arrasta pra cima. Sua fortuna consistia em seu ego e em seu insaciável apetite sexual pela carne negra, tão avassalador que ele coletava seu suor como maneira de garantir uma ereção quando ia pra cama com uma branca. Isso eventualmente falha em seu casamento (o único que ele consegue) com Dolores, que percebe, acha aquilo bizarro, impede ele e basicamente fica montando nele, humilhando-o. Dolores é uma figura bizarra demais, ela é apresentada como uma mulher super calada, na dela, sem grandes motivações e tão apática que é capaz de se impedir de pensar. Ao mesmo tempo, especialmente no terceiro livro, ela seria tão manipuladora que controlaria até os pensamentos de Mat(h)eus, seu filho/neto. Naturalmente, a paranoia dele é totalmente descabida, e provavelmente é o que faz com que ele a assassine em um surto. Só que essa força é demonstrada em como ela acaba por controlar e humilhar Ernesto, mesmo sendo corna o tempo todo. É estranho. O primeiro livro começa com ela chegando toda fodida na tenda do exército religioso criado por seu filho Jeremias, junto de sua ~amiga Sofia e sua irmã (amante?) Raquel, que é puta por vocação. E o último livro, em seu epílogo, é justamente o encadeamento pra chegar nisso, que não é cronologicamente a última ação do livro. Isso porque nos livros 2-3, os Soldados da Pátria já foram extintos, e, bem, Mateus mata Dolores. Tem muita coisa cronologicamente esquisita, e é bastante óbvio que esse não é o ponto. Ernesto e Dolores tem 2 filhos (Jeremias, Raquel) no primeiro livro, aparece um casal incestuoso de irmãos no segundo livro (Leonardo, Ísis) com uma mãe viúva (que não está presa ou procurada, ao contrário de Dolores). O segundo livro inclusive tem Leonardo lendo o primeiro, e os personagens aparecendo (Alvarenga, Raquel, Jeremias), só que ao mesmo tempo, de acordo com o próprio posfácio, Leonardo é tipo o duplo de Jeremias, e também no terceiro livro é dito como se Ísis fosse uma irmã em paralelo (e Jeremias + Ísis = Biba, além de Dolores + Jeremias = Matheus, depende da parte). De toda forma, o incesto toma conta, e isso é até dito por eles, numa fala que ‘a família não depende de ninguém de fora pra nada nem pra isso’ ou algo do tipo. Aí tem a Biba, que tenta se matar no segundo livro mas também é molestada por Matheus e na verdade é filha de Jeremias sendo que as idades nem as cronologias batem, e no meio disso tudo você tem o verdadeiro caos social da fome e da miséria, dos meninos de rua e do crime. Você tem também os grupos de extermínio, acobertados pela polícia e auxiliados por Siegfried, o nazista, cujo propósito na estória eu também não sei, porque eu acho que é tudo muito mais sobre sentir do que sobre uma cronologia estrita. Siegfried é violento, estuprador, odeia mulheres, mas ao mesmo tempo ama literatura e é isso que une ele ao casal de irmãos, e enfim, puta que pariu, é uma viagem pelo Recife, pelo sangue e pelo Carnaval (visto em Tangolomango como uma festa onde os brancos pedem perdão aos negros pelas atrocidades cometidas). Mais referências aqui: https://www.uai.com.br/app/noticia/pe...

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