Argéman: antologia poética é a primeira publicação no Brasil do poeta suíço Fabio Pusterla. A seleta, composta por poemas de seus últimos livros, Argéman (2014) e Corpo Stellare (2010), foi pensada de modo a apresentar ao leitor brasileiro uma das vozes mais importantes no cenário poético italiano contemporâneo. O volume, editado agora pelas Edições Macondo, traz os poemas em versões bilíngues com tradução da também poeta suíça Prisca Agustoni. A partir dessas transposições, somos lançados, como aponta Prisca na apresentação da obra, “a uma desesperada escavação existencial à procura de uma palavra que ‘fale’ de uma comunidade entre os viventes, entre os do passado e os do futuro, para que um fio transparente – como uma teia – possa religar essas dimensões temporais e simbólicas, fazendo renascer daí algum sentido”.
Para Guilherme Gontijo Flores, que assina a orelha do livro, esse sentido buscado se dá, na poesia de Fabio Pusterla, pelo enfrentamento direto do presente, modulado entre a erudição mais técnica e a crítica política, “ao mesmo tempo em que descreve paisagens ásperas e inesperadas, como na série ‘Argéman’ que intitula este livro”. Argéman, inclusive, é também um termo dialetal de origem desconhecida, usado para descrever uma dessas paisagens que aparece na coletânea: “indica as línguas de neve ou de gelo que são perenes em certos anfractos de montanha, muitas vezes debaixo de um pico quase impraticável; inclusive, uma avalanche e seus restos”, de acordo com uma das notas assinadas pelo autor.
A tradução deste livro teve apoio da Pro Helvetia, fundação Suíça para a cultura.
Travolti i coniglietti rimaniamo noi orsi, noi, nella luce povera di corsi e ricorsi piovosi. Sogni di pezza siamo, superstiti amici e restiamo ora squarciati ora persi, pietosi a vegliare nell’ombra. Dall’incendio degli anni per incubi e affanni, quando solo un istante il cielo sgombra, ci sentite ballare nella foresta nera o in fondo al mare la danza senza fine degli orsetti.
"Come posso risponderti? Il nero Non è nelle parole che pronunci, ma nei toni, Nei modi con cui cali La tua scala reale sillogistica Che scatena gli applausi. Potrei dirti Che il mio silenzio oggi fa il rumore della neve Quando cade sui prati In alpe senza vento, o se la incide La zampa di una lepre mentre fugge, il geroglifico Lieve della pernice. Che una coltre Di neve e di silenzio può proteggere I semi che germogliano nel buio, le lunghe grotte Del tempo e dei ricordi. C'è qualcuno Che sa queste cose e capisce; non tu, Che a grandi gesti spieghi indichi al mondo Qual è il vero problema. Mi dispiace, Non ti risponderò."
Argéman is a mysterious word linked to ice. It is clear to me, the poems was written by a man. The words are so combined with each other like a machine.
nos poemas de pusterla, é no outro que se dá a reflexão - sobre o outro, o eu, o coletivo. em muitos dos versos desta coletânea, os protagonistas são cachorros, raposas, flores, pessoas sem qualquer identificação. somente em um poema sabe-se que uma das pessoas é uma mulher, por causa do adjetivo que sofre flexão de gênero. de resto, estamos todos (humano e natureza) no mesmo plano. pusterla é de uma delicadeza indescritível, até quando fala de política.