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Nihil

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Drama e suspense: enclausurado por muito tempo, o ser humano definha.

Do lado de fora, uma espessa neblina dominou países inteiros. Ela mata quem se arrisca a desbravá-la, espalha vísceras, sangue e entrega os gritos a um estranho lugar sem cheiros, sons, luz ou escuridão.

Do lado de dentro os sobreviventes enfrentam sua subsistência. Não há água encanada, ondas de rádio ou energia elétrica. Falta comida e os sentimentos são confusos e intensos.

Não há sol ou chuva para se observar. Não há divisão entre dia ou noite. Os relógios estão parados e qualquer esperança já se fragmentou, mesmo que alguns ainda esperem por algo que já nem sabem se existe ou mesmo se tem um nome.

151 pages, Paperback

First published July 1, 2018

11 people want to read

About the author

Carolina Mancini

27 books4 followers

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for João  De Lucca.
14 reviews
September 9, 2023
TERMINEI DE LER NIHIL E COMO ACEITEI TER PESADELOS

Antes de mais nada, se você abrir a edição do livro NIHIL, de Carolina Mancini , na parte da lista de colaboradores, eu não estarei lá. Eu havia bobeado e esqueci na época de apoiar via catarse, e a campanha já havia terminado. Pedi pra Carol guardar uma pra mim, caso sobrasse. Me propus a pagar o valor integral, mesmo que eu recebesse o livro sem as recompensas, que vieram todas. Fiquei chocado com a qualidade do produto como um todo: as artes, a diagramação, o cuidado com uso de diferentes fontes pra dar voz a sentimentos e personagens diferentes. A química da amizade dela com o visionário Rafael Sales, que diagramou NIHIL, deu corpo a uma obra de alma sombria.

Eu não sou uma pessoa medrosa, mas tenho limites. Meu sono é uma praga de delicado e pra eu acordar e não dormir nunca mais, não precisa de muito, e uma das coisas que evito é dar combustível pra pesadelos. E a primeira experiência com NIHIL foi catastrófica e maravilhosa.

Em uma parte do livro, a personagem nada enxerga. Fala sobre a sua visão parecer estar se acostumando a falta de luz, e sobre as angústias e medos do mundo como está. Eis que consegui o que queria lendo. Vista cansada e o sono que vem com ela. Deitei. Então, Morpheus me regala com uma escuridão densa e amarelada, na qual assustado saio tateando procurando abrigo dos sons estranhos que eu estava ouvindo a minha volta. Por fim me entrego e algo vem me devorar. Acordei de sobressalto num escuro absoluto do meu quarto, sem enxergar nadica de nada, e fui tomado de um terror absoluto, como se eu realmente estivesse perdido num mundo de limbo e medo. Os poucos segundos que essa sensação durou, foram o suficiente para me fazer transpirar antes de me tocar que eu havia acordado. Não li mais ele de noite. Ledo engano.
Desde o ano passado venho lutando contra uma insônia crônica, e quando dormia não sonhava. Li outros livros, sim, mas nenhum que se tornasse um pesadelo.
Até que acabei esticando a leitura durante algumas partes do dia, e a curiosidade me fez não parar. Outro pesadelo. Dessa vez eu estava todo mutilado, andando no limbo, fingindo ser um ser sem vida pra sobreviver no meio de algo pior que os zumbis.

Mas acordei revigorado.

Toda noite que NIHIL me ajudava a montar um pesadelo, eu dormia bem.

Agora acabou. Carol, manda outro! Kkk

Além de remédio para infelizes com o sistema circadiano lascado como eu, NIHIL é uma obra de terror que não aposta na correria, no gore, mas no terror do cotidiano à enésima potência. O curioso é falar tanto do que vivemos durante a pandemia sem ter sido escrito na pandemia.
Pra mim o que ficou foi uma mensagem de força, que vocês deverão descobrir lendo. Riquíssima de cenários e personagens carismáticos é de longe um dos livros do gênero que mais gostei de ler.

E aí, querida pessoa que leu até aqui, quando achei que tinha terminado, ainda tinha um tanto de páginas pra ler. Então sou surpreendido por um conto extra, Enterrada Sob o Tempo e Águas-Vivas. Sei lá. Eu só acho que merecia um filme com produção cara, sabe? Tanto quanto NIHIL deveria ser uma série da HBO. Leiam... é uma das coisas mais lindas que já li na vida.
Profile Image for Vivian Grom.
Author 2 books8 followers
July 20, 2022
Talvez eu não estivesse muito na vibe desse formato de livro - dividido em fragmentos de diversos personagens. A autora cria e desenvolve uma boa aura de terror sob a visão pós-apocaliptica de uma cidade coberta por uma névoa cinza e tóxica. Deixa em aberto vários aspectos, como a origem da névoa e o passado e o futuro dos personagens, o que acabou por me incomodar um pouco - porém faz sentido com a proposta.
Profile Image for Paulo Vinicius Figueiredo dos Santos.
977 reviews12 followers
December 26, 2023
O nada. O vazio. Esse é um daqueles medos primais do homem. Quando não há perspectiva de futuro. Quando a impotência nos abate e somos incapazes de encontrar uma saída. Carolina Mancini nos entrega um dos romances mais claustrofóbicos que já pude ler. Onde ela alterna entre diferentes tipos de narrativa e nos apresenta diversos personagens cujas vidas foram sequestradas por essa névoa que os impede de deixarem seus refúgios. Aos poucos o sentimento de impotência vai se acumulando no fundo de seus corações gerando situações-limite. O resultado é um relato pungente sobre a humanidade e aquilo que se esconde no lado mais obscuro de nossas almas. Nihil foi vencedor do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica na categoria Terror em 2019 e essa é a segunda edição, do qual a edição física foi financiada via Catarse. Um livro com um projeto editorial incrível que conta com múltiplas formas de letreiramento, tem ilustrações aterrorizantes internas da autora. Vale destacar também os dois textos de posfácio, sendo uma matéria sobre o nilismo ao longo do tempo e um posfácio sobre a obra em si. Destaco bastante o texto sobre nilismo porque ele vai se debruçar sobre os principais pensadores sobre o assunto e trazer para como Mancini traz isso para o seu texto.


Não há uma sinopse exata do livro porque ele se trata de um apanhado de histórias contadas por vários personagens que vivem em um mundo tomado por uma névoa mortal. Aquele que deixa o seu refúgio, pode morrer em poucos segundos. Vamos ver relatos de uma garota assolada por sua outra personalidade, um homem que encontra em uma mulher corajosa capaz de atravessar a névoa em algumas horas por dia, uma família que tem sua rotina completamente alterada, uma atriz que precisa aprender a sobreviver enquanto busca o lendário Errante, entre outros personagens. No meio disso tudo estes indivíduos serão testados até os seus limites onde aprenderão que o medo pode ser apenas o começo de algo muito pior.


A escrita de Carolina Mancini é múltipla ao longo de sua obra. Para cada personagem ou núcleo de personagens ela emprega um estilo diferente. Vai desde o texto repleto de diálogos, ao puramente descritivo, tem o epistolar, tem relatórios. Essa multiplicidade de formas de escrita oferece uma visão caleidoscópica do que estamos acompanhando. O leitor é sempre tirado de sua zona de conforto. Até poemas e escritas sensoriais temos presentes aqui. A constância em Nihil é a inconstância. Isso deve ter exigido muito da autora para poder dar um norte para essas múltiplas formas de escrever e esses personagens tão diferentes. Isso porque apesar de não ter exatamente uma trama maior, temos personagens vivendo suas subtramas nesse mundo devastado. A autora oferece uma espécie de desfecho ao final com algum tipo de mensagem de esperança no meio da catástrofe. Seus personagens são bem desenvolvidos mesmo que em textos fragmentados. O leitor mais atento vai acompanhando-os e vendo como eles reagem ao que está diante deles.



O contexto da trama é terrível. A autora não oferece nenhuma explicação exata sobre como a névoa apareceu, apenas algumas pessoas que testemunharam o evento e dizem ter visto anjos ou outras coisas mais delirantes. Aliás, não é esse o objetivo da trama. A névoa é um recurso narrativo que dá condições para as diversas vivências dentro do livro existirem. Por mais que a névoa represente um nada absoluto. Esse é outro ponto terrível já que a névoa é tão espessa que impede as pessoas de enxergarem muito longe de suas janelas. Em pouco tempo a vida passa a se resumir a um passar de dias monótono e desesperançoso em que buscar alimentos é muito perigoso. A monotonia faz os indivíduos começarem a se comportar de maneira diferenciada, acirrando ânimos. As ações mais extremas passam a ser cogitadas já que o viver em sociedade não mais existe. É o caso, por exemplo, de uma família mostrada no início da trama que vai se esfacelando lentamente. Um dos irmãos cai no desespero, os gêmeos passam a praticar incesto e pensam em assassinar os outros, a mãe não sabe como reagir diante de tudo o que vem acontecendo. Stephen King usou desse expediente na novella O Nevoeiro, mas Carolina Mancini expande esse conceito ao reduzir ainda mais o espaço de convivência.


Em uma das narrativas, um homem se apaixona por uma mulher chamada Margarete. Ela representa a coragem que ele não dispõe. Isso porque Margarete descobriu que é possível se movimentar pelas ruas em determinadas horas do dia quando um vento bate e reduz os efeitos da névoa. É assim que ela o encontra. O espírito aventureiro dela se choca com a necessidade de um ambiente de segurança que ele precisa. Ela não se importa de arriscar sua vida em prol de ajudar os outros. Já ele vê nela uma companhia nesse mundo bizarro. Rapidamente eles se apaixonam porque se encontram um no outro. Só que as necessidades dele se chocam com a impetuosidade dela. Duas pessoas que são polos opostos e acabam por se encontrarem nesse mundo, o que talvez não acontecesse se as coisas fossem normais. Mancini nos entrega um drama amoroso bem interessante em que ele simplesmente não sabe o que fazer e sabe que irá perdê-la eventualmente. A questão é saber se ele será capaz de abandonar sua forma de pensar e acompanhar aquela que ama ou se ele irá permanecer em seu pequeno mundinho.


Essa ideia do isolamento/enclausuramento está presente em várias das tramas. A ideia de uma névoa que é capaz de esfacelar nossos corpos faz com que as pessoas percam a vontade de se arriscar pelas ruas. Mesmo sabendo que existe uma pequena janela de ação. Contudo, o medo de se tornar mais uma vítima de um inimigo que não pode ser visto ou derrotado, faz com que as pessoas simplesmente desistam de tentar. O medo é tão grande que impede as ações de acontecerem. Tem um casal de senhores no começo da história que estão pensando em como fazer para continuarem vivendo. Percebemos nas falas de ambos que a inércia se tornou o maior impeditivo para que eles possam ter esperanças em continuar vivendo. Tem uma frase ótima que Mancini usa que diz que apesar de eles não serem tão velhos assim, a sensação é a de estarem quase no final de suas vidas. O medo lhes tirou tudo, até a vontade de viver. A narrativa de Mancini emprega um terror psicológico brutal nos personagens. O leitor acompanha aquilo e se revolta pelos personagens não fazerem nada contra aquilo. Mas, a questão é: havia alguma coisa a ser feita?



Temos o personagem do Errante que aparece em alguns trechos referindo a si mesmo como Este. Isto porque ele não possui um nome. Lentamente, a autora vai integrando-o à mitologia de sua história até ele se tornar peça central para alguns núcleos de personagens. Ele é um personagem capaz de andar livremente pela névoa. Mas, ele é uma tabula rasa, uma página em branco que desconhece as emoções. O passado do personagem não é revelado, apenas ele está ali. Pode ser uma entidade, ou apenas alguém que nasceu e se criou no meio dessa insanidade. Uma das personagens tenta ensinar a ele como o rosto dos humanos se modifica a partir das emoções. Ele só não compreende o que é o medo. Por outro lado, temos a jovem Lúcia/Brenda que sofre de transtorno de múltiplas personalidades. Ela tenta lidar com essa situação de pressão ao assumir uma personalidade capaz de manter a sanidade. Mas, aos poucos ela vai perdendo o senso de si e ela se deixa levar pela ebriedade. Um acidente acontece com ela enquanto ela vagava pela névoa e ela perde os pés. A partir daí, a personagem cai ladeira abaixo e precisa encontrar forças em si para conseguir se manter viva. O desespero que ela passa é palpável. No começo a narrativa é contada por Brenda e depois passa para Lúcia. E isso é feita quando a autora altera a forma como a narrativa é apresentada.


Nihil é um ótimo terror psicológico. Apesar de não ter nenhum monstro ou demônio maligno, não é um livro para os fracos de coração. Suas histórias são angustiantes e ficamos conhecendo alguns lados desses personagens que não gostaríamos de conhecer. A maneira como a autora brinca com diferentes formas de escrita me agradou muito e considero uma das melhores literaturas nacionais que fui capaz de pôr as mãos nesse ano. Já estou curioso querendo mais materiais legais e diferenciados da autora. Vale muito a pena!
Profile Image for Dane.
10 reviews
November 4, 2019
Eu senti tanta coisa lendo Nihil. Esse é um livro que cresce. Sutilmente. Existem tantas reflexões aqui, surgiram tantas questões, e acho que esse é meu tipo favorito de livro. O que ao mesmo tempo que responde, te deixa com mais perguntas. Perguntas que não necessariamente serão respondidas, mas cuja existência é importante.
Eu decidi ler o aos poucos, pois cada capítulo me deixava pasmo. Eu precisava deixar as palavras fluindo na minha mente por um tempo, buscando minha interpretação e visão. E acho que foi uma boa decisão, absorvi muito mais da história assim.
A história foi crescendo e tudo que aconteceu nela foi totalmente contrário do que eu esperei da história quando li a sinopse e o primeiro capítulo, e isso é incrível.
Dos questionamentos que são levantados durante a história (não vou cita-los, porque acho que são diferentes pra cada um que lê dependendo da bagagem de cada pessoa) o que fica no final é o que mais me impactou e acho que o mais importante de todos.
Obrigado, Prof, por mais uma história tão fantasiosa quanto verdadeira.
Profile Image for Annyways.
91 reviews31 followers
June 29, 2021
Como definir essa leitura? Nihil foi uma viagem, principalmente no momento em que vivemos (isolamento, pandemia).
Achei um livro muito interessante, fiquei com dúvidas em alguns pontos do livros, só que isso não tira o mérito do livro.
Queria uma parte 2 para saber mais sobre o destino dos personagens, para desvendar mais esse mistério.
Profile Image for Allison Silva.
127 reviews1 follower
April 15, 2023
Admito que o começo é um pouco difícil de engatar, são muitas vozes, muitas ideias jogadas que nada parecem estar conversando, e vai até pouco mais da metade do livro, quando algumas historias parecem começar a cruzar, e o seu final é muito recompensador.
A edição que li ainda possui uma analise critica sobre o niilismo, que complementa bem o enredo, e também um pequeno e interessante conto que envolve viagem no tempo, ditadura, aliens que poderia dar um ótimo livro.
Profile Image for Luíza.
67 reviews
March 21, 2022
Diferente. O livro me prendeu desde o início, não conseguia largar porque queria saber mais e ele é super curto então dá pra ler tudo de uma vez. Gostei muito da escrita da autora e da maneira que ela conduz a história. Ficaram coisas que eu não entendi direito mas nesse caso isso não me incomodou, acho que o objetivo do livro não era deixar tudo explicado mesmo. Não li muitos livros na vida mas achei diferente de todos que já li e gostei bastante.

Tô querendo ler mais livros nacionais e esse com certeza foi uma boa escolha.
Displaying 1 - 7 of 7 reviews

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