Observador privilegiado da realidade política e econômica brasileira, Pedro Malan participou da elaboração, lançamento e implementação do Plano Real e atuou como ministro da Fazenda durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Por meio dos artigos publicados na coluna que assina desde 2003 no jornal O Estado de S. Paulo, ele parte de sua trajetória profissional e da sólida formação intelectual para analisar de maneira única o cenário político e econômico do país nos últimos 15 anos.
Elencados e contextualizados com os principais acontecimentos na economia e na sociedade nesse período, os textos oferecem um panorama imprescindível para pensar o futuro do país, colocando em perspectiva, sob a ótica de um dos economistas mais importantes do Brasil contemporâneo, um recorte de tempo fundamental para entendermos e avaliarmos com mais clareza o teor dos discursos dos principais candidatos ao governo.
Uma coletânea de artigos publicados pelo autor Pedro Malan forma um livro intricado que retrata fatos e argumentos concisos e coerentes com o ideário do autor. Entretanto, por mais que Malan tente se manter coerente e pragmático, é, sem dúvida, um livro de formação política para o advento do "Brasil futuro" pelas lentes do passado. Cumpre aqui retratar os grandes pontos positivos desta obra, que pode ser, até certo ponto, comparada aos livros propostos por Ciro Gomes e Saulo Ramos.
Claramente, os artigos fomentam no leitor o sentimento de saber o que acontece no Brasil "por dentro", bem como alimentam uma nostalgia de tempos mais moderados e discussões intelectuais claras, como as escritas em seus artigos... de maneira leve, sem toques altamente rebuscados e cansativos. Contudo, além dos pontos positivos a se delinear, a obra não foge de críticas necessárias para bem informar o leitor.
Coerente em suas ideias, cada artigo nos presenteia com lampejos de grandes autores e filósofos. O autor combate de forma voraz aquilo que pensa ser os problemas que corroem os pilares de nosso Estado Democrático de Direito. Para isso, busca alicerces de pragmatismo em cada artigo publicado, sem deixar de inserir elementos que somam à formação intelectual do leitor e registra fatos do dia e da ordem, contribuindo para o registro histórico oficial. E, por falar em Estado Democrático de Direito, apesar de economista, Pedro Malan sobe nos ombros do gigante Norberto Bobbio, um positivista jurídico moderno de quarta geração, respeitado e dificilmente ultrapassado. Nesse quesito, não há que se questionar, pois bem informado está e sempre esteve sobre aqueles que visam e sonham com uma República e uma democracia mais fortes. Combate, também, os monstros da ideologia, do voluntarismo, do populismo e da demagogia. Contribui, sobremaneira, com argumentos de autoridade no campo econômico, realçando a associação da economia nacional com o cenário da política brasileira contemporânea, sustentando sua visão neoliberal. Esta parece ser a forma que o autor expressa sua "ideia de Brasil", em forma escrita.
Entretanto, para um ex-ministro da Fazenda, seus desejos pragmáticos que fogem do mero consenso forçado, para uma convergência, denotam uma certa ingenuidade. Isso é claramente perceptível quando fala sobre ex-ministros do governo Lula "pisando em ovos". Portanto, torna-se vítima do mesmo voluntarismo que tanto critica. A falta de críticas mais contundentes ao que se passava em sua época retrata um provável medo de se opor ao "status quo" e receber aquele "processo". Infelizmente, cai vítima, de modo paradoxal, do que o citado Raymond Aron diz em "O Ópio dos Intelectuais". O excesso de pragmatismo e a repetição do idealismo neoliberal com seu mantra de tripé macroeconômico "superávit fiscal primário, metas de inflação e taxa de câmbio flutuante". Mesmo o autor deixando claro que a maioria dos políticos brasileiros e atores internacionais concordam com esse modo de política econômica, sente-se a falta de um substrato que fortaleça, para aquele que quer, seguir nas pegadas da economia neoliberal com os olhos voltados ao novo século e não ao século passado, ou ao jovem século em que vivemos. Desse modo, a crítica comumente citada por Ciro Gomes cai como uma luva - "fica parecendo discurso de neoliberal que parou de estudar" - não é o caso de se questionar seu intelectualismo, porém as repetições cansativas das mesmas máximas.
Ainda resta dizer que, ao que parece, o "erro" do economista é pensar que é ao mesmo tempo: político, jurista, juiz e diplomata. Isso se dá pelo grande apelo à economia nas escolas modernas de Relações Internacionais, e nos moldes de virada de século que propõem o FMI e o Banco Mundial. Esta hegemonia que busca a "Escola Econômica Internacional" encontra seus freios no realismo que sempre volta. A prova? Basta ligar o noticiário. A economia, força vital de qualquer nação, é um dos pilares, mas não a grande salvação da nação que apodrece em seu sistema judiciário e, ainda, com a formação de políticas públicas inúteis.
Ademais, os comentários são cativantes, leves e nos trazem ao espírito da época em que o Brasil foi retratado pelo autor. Nos alimenta com citações de grandes intelectuais e busca sempre alicerçar e realçar as forças do Estado Democrático de Direito, com olhar atento às forças democráticas organizadas da sociedade. Malan, afinal e ao final, mantém sua coerência e nos ajuda com seus artigos escritos a ordenar o dia, a analisar fatos históricos consolidados. Portanto, "entre passado e futuro", pode-se dizer que o autor possui não uma "certa", mas uma ideia consolidada do Brasil que quer.
É muito gratificante ler sobre o passado recente através de uma pessoa que tem conhecimento, cultura e os pés no chão. O livro (que não é exatamente um livro mas uma coletânea de artigos escritos entre 2003 e 2018) mostra, de maneira simples e didática, o que se pode fazer para melhorar as condições de vida de um país (econômica, política, social, trabalhista, tributária) sem se autoproclamar o salvador da pátria. É um livro que deveria servir de manual para todos que pensam no país e servir ao país.
Pedro Malan had collected 15 years of his monthly columns at a Brazilian newspaper, on which he discusses public policies for the economy, after his term as minister of economy. In depth thinking, essays, numbers, data, the author brings to the readers one of the best views of economy thinking. Must read book for the ones that want to understand Brazil
Interessante para relembrar a história política e econômica do Brasil no período, porém (talvez por ser uma coletânea de artigos em que o autor era obrigado a escrever mensalmente e com espaço restrito) o autor é extremamente repetitivo em suas ideias e as análises são superficiais.
Sendo uma coletânea de artigos publicados pelo autor, o livro acaba se tornando, de certa forma, repetitivo e um pouco superficial - não sendo, claro, culpa do autor, mas algo próprio da natureza desse tipo de conteúdo. Tirando isso, vale a leitura.
It's good summary taking mind that are serie of articles written from former minister. If you want some more objective approach you should try other options.
Pedro Malan is a briliant person, very insightful and you can look in hindsight how his advises to brazilian policy makers back in 2003-05 was accurate and relevant. I always loved to read his columns, which made me wonder if the book would bring a different perspective when he put together most of those articles in one single read. Unfortunately that was not the case.
For those that do not follow his ideas, may be a insightful reading.