Do autor do best-seller Pare de acreditar no governo. Bruno Garschagen mostra, neste novo livro, que o Brasil se tornou um país onde as pessoas acham que só têm direitos – e que têm direito a mais direitos –, mas não deveres e obrigações. O livro expõe as consequências dessa ideia – presente na política, nas universidades, na imprensa – e a confusão que existe entre direitos e privilégios. O grupo de privilegiados é mais amplo do que costumamos pensar. Inclui pessoas que são beneficiadas em razão de singularidades econômicas, físicas, sexuais e etárias. Há exemplos marcantes de privilégios e regalias de políticos e agentes públicos dos três Poderes, mas também de pessoas que não trabalham para o Estado, e suas consequências são extremamente nocivas para a sociedade, incluindo a corrosão do sentido de responsabilidade individual, o comportamento irresponsável, a formação de uma mentalidade servil, a delegação das obrigações individuais para terceiros, o paternalismo estatal e a ideia de que o outro “me deve” alguma coisa.
Bruno Garschagen dá continuidade em seu trabalho de "Pare de acreditar no governo! - Porque o brasileiro odeia o governo e ama o estado. " Em um trabalho bem organizado traz notícias e estudos recentes que página à página vão lembrando ao leitor o motivo pelo qual o Brasil não corre o menor risco de dar certo. São exemplos simples e bem selecionados, evidenciando os absurdos do estado brasileiro. Mesmo sem declarar sua ideologia (algo entre conservadorismo monárquico e liberal anarcocapitalista), o texto não permite conclusão diferente se mantido o raciocínio lógico.
No livro Direitos Máximos, Deveres Mínimos, o autor nos traz um triste diagnóstico: somos uma nação assolada por privilégios, e ainda, supervalorizamos os direitos, em detrimento dos deveres, obrigações e responsabilidades individuais.
Alerta: Se você é uma pessoa mimada, não leia esse livro; se você acredita que é uma vítima da sociedade, não leia esse livro; se você busca por uma sociedade mais livre, com menos intervenção estatal, mas sofre de problemas cardíacos, não leia este livro... O ministério da saúde adverte: a leitura desse livro pode causar infarto do miocárdio! Leia assim mesmo rsrsrsrs
Brincadeiras à parte, a leitura é fácil, mesmo com o estresse causado pela indignação em função dos temas abordados, o texto é claro, direto e flui tranquilamente.
Além de localizar historicamente a origem que transformou o Brasil num país de privilegiados, onde os direitos prevalecem sobre os deveres, Bruno Garschagen discorre sobre temas delicados, como os privilégios no âmbito do estado, os privilégios no âmbito social, a confusão entre os conceitos de direitos e privilégios, neutralidade do conceito de privilégio (nem todo privilégio é ruim ou injustificável), racionalismo dogmático, utopia jurídica, engenharia social, entre outros.
Na primeira parte, o autor traz o conceito de racionalismo dogmático, com origem na Revolução Francesa e o surgimento da Declaração dos direitos do homem e do cidadão (1789). Mas o que danado é o racionalismo dogmático? Segundo o autor, “racionalismo dogmático é quase como uma religião da razão. Apropriando-se de uma natureza intelectual iluminista, a Revolução Francesa substituiu Deus pela razão, tornando-a mais importante que o homem. O endeusamento da razão a eleva a um status de religião, transformando-a num dogma.” Mas aí você se pergunta: e o que esse tal racionalismo dogmático e a revolução Francesa têm a ver com os privilégios no Brasil? Vejamos...
O caráter revolucionário está em reformular a sociedade (engenharia social), através de leis, sem levar em conta o indivíduo, a cultura etc. A construção dos valores sociais na mão do estado e não do indivíduo é uma armadilha para a vida em sociedade, porque “o mesmo agente político que define e concede - liberdade, igualdade, fraternidade -, ele pode, de uma hora para outra, mudar o significado e retirar tanto a liberdade quanto a igualdade” da sociedade.
Houve no Brasil, principalmente na década de 90, um movimento que buscava “proteger” as relações sociais, e diversas leis como o código de defesa do consumidor, o estatuto da criança e do adolescente, o estatuto do idoso etc foram surgindo. Essa proteção exacerbada, criou a cultura de separação do direito de seu respectivo dever: “eu tenho direito, logo a sociedade me deve algo”. A própria Constituição brasileira é repleta de direitos abstratos, como saúde, habitação, educação etc, uma verdadeira utopia jurídica! Pois é, o estado promete, mas não entrega, por que será?
Na segunda parte, o autor entra naquilo que pode ser considerado como “tocar na ferida”, pois é aqui que enxergamos os privilégios injustos. São os privilégios que beneficiam políticos, juízes, servidores públicos e agentes do estado em geral. Desde ex-presidente ex-presidiário com direito a dois carros oficiais com motoristas, até juízes e desembargadores que são aposentados compulsoriamente, sem prejuízos dos seus proventos, por terem sido incompetentes em suas funções. É amigo, é preciso ter estômago bom pra não enjoar, e coração forte para não enfartar, eu avisei!
Aí quando você pensa que o motivo da raiva toda se concentraria na temática dos privilégios no âmbito do estado, Bruno vem e te dá um tapa na cara, quando mostra que alguns privilégios no âmbito social são tão nocivos quanto àqueles, contudo, como é uma parcela da sociedade que se beneficia de tais privilégios, nós ou simplesmente os ignoramos, ou partimos para movimentos coletivistas que nos enquadrem em algum privilégio, para que tenhamos nossa compensação. Na verdade, enxergamos os privilégios como direitos.
É importante esclarecer, que existem privilégios ruins, como por exemplo os voltados à população carcerária (progressão de pena, saidinha de Natal, dia das mães - quem se lembra da Suzane von Richthofen? - etc), como existem aqueles privilégios necessários, como o bolsa família.
Aqui ainda cabe lembrar, que o estado que provê o bolsa família alegando tentar "diminuir a desigualdade social”, é o mesmo estado que cria um ambiente desfavorável à prosperidade do indivíduo, assim, o que era para ser um benefício provisório, se torna vitalício. Pois é meu povo, que continuemos pedindo mais paternalismo estatal, e aceitemos qualquer “esmola” disfarçada de benefício, e assim seremos uma grande nação - #sqn.
Mas depois de tudo isso, você saberia dizer finalmente o que é direito e o que é privilégio? Ah, mas não são a mesma coisa? Não, lamento te desapontar, mas não, não são! Antes de mais nada, é importante derrubar aqui a falácia do privilégio em função de uma característica ou de uma singularidade individual (homem, branco, rico - maldita Peggy McIntosh - entendedores entenderão). Isso é pura deturpação de linguagem, que serviu de base para criar a cultura de “corrigir” as desigualdades através de leis que beneficiem determinados grupos sociais. Por aqui, já dá pra ter uma noção do que diferencia direito de privilégio, não é? Mas sigamos.
O autor apresenta o teste proposto pelo economista americano Lawrence W. Reed, para diferenciar direito e privilégio: “para que um direito seja um direito genuíno, ou seja, um Direito Natural, “seu usufruto não pode levar a nenhum conflito ou a nenhuma contradição lógica”. Isso significa que, se um indivíduo afirmar que tem um determinado direito, não poderá negá-lo a terceiros, posto que, se esse direito é natural, pertencerá a ele e a qualquer outro indivíduo. Por outro lado, se esse direito é negado a outrem; se esse direito é uma exclusividade de alguém ou de algum grupo; se esse direito não pode ser usufruído por todos simultaneamente, então não é um direito, mas um privilégio.” - Ouch, essa doeu!
Mas nem tudo no livro é de revirar o estômago meus caros, o autor, encerra sua obra, com uma verdadeira exortação, um chamamento, um pedido, que ele aponta como uma virada de chave para uma transição: assuma a responsabilidade individual que lhe cabe! “Quando a gente identifica o sentido da vida, é muito mais fácil assumir a responsabilidade que nos cabe, é muito mais fácil ter uma noção exata das consequências negativas de uma nação de credores, construída sobre a ideia de privilégio, onde todo mundo quer ser credor de alguém e, se todo mundo é credor, todo mundo é devedor ao mesmo tempo”. Não se constrói uma sociedade saudável, descolando o conceito de direito, de seu respectivo DEVER.
Um livraço, muito necessário, senhoras e senhores!
Bom! Achei o livro melhor do que o anterior, “pare de acreditar no governo”. É sem dúvida, Um livro importante para o nosso amadurecimento como cidadãos, e evidencia o quão importante é, reconhecer nossos próprios privilégios e entendê-los como tal. Só assim conseguiremos amadurecer enquanto sociedade. Quando soubermos dar nome às coisas que fazem parte da nossa realidade, e refletirmos sobre elas.
Esse é o tipo de livro que todo brasileiro deveria ler hoje em dia. Repleto de exemplos, Bruno Garschagen mostra, com detalhes, alguns episódios que ocorreram na nossa nação nos últimos 15 anos, alguns deles explanam a incapacidade psíquica e a 'falta de vergonha na cara' de alguns magistrados, políticos e entre outros que aos olhos do público se dizem honestos e preocupados com a nação. Piada. A população como um todo vem se acostumando e se aculturando com a ideia de obter "direitos" e vantagens acima dos outros. Por isso a busca incessante pelos cargos públicos que estão saturados de privilégios e comodidades dadas pelo governo. Esse paternalismo estatal reflete na dificuldade que se tem de empreender no Brasil. A frase "Eu tenho direito.." é cada vez mais comum na boca dos brasileiros, uma vez que ninguém para pra pensar que se o direito não é para todos, ou é usufruído apenas para uma parcela da sociedade, ele não é um direito, e sim um privilégio. O autor descreve muito bem os tipos de privilégios disfarçados de direito e o quanto estamos atrasados eticamente, politicamente e financeiramente em relação ao mundo e o quanto o próximo governo deve trabalhar para começar a reverter essa situação.
Livro excelente e melhor ainda que o anterior do Bruno. O autor consegue desenvolver com certo humor toda extensão dos privilégios. O principal, ao meu ver, é a explicação da origem dos privilégios, da mentalidade de reparação e como não entrar nessa armadilha.
Oferecendo uma perspectiva mais conservadora em relação ao cenário brasileiro, o cientista político Bruno Garschagen traz à tona uma perigosa realidade no Brasil: a depuração da responsabilidade individual em relação aos desafios cotidianos. Nesse sentido, longe de condenar a reivindicação de qualquer direito, o autor busca demonstrar, mediante fatos e notícias, os privilégios obtidos amplamente por diversos grupos sociais junto à ordem jurídica que extrapolam (exageram) às condições de vida básicas (educação, saúde, alimentação, moradia, etc.) e atingem além daqueles que de fato necessitam (os hipossuficientes e vulneráveis), isto é, o suficiente à autonomia do sujeito para o desenvolvimento de sua própria personalidade. Tratando de discussões polêmicas, o estudioso propõe um alerta à sociedade brasileira, de que cada um possui uma responsabilidade perante a sociedade, independente da classe a que pertença, sendo que, através desse reconhecimento, é possível encontrar um propósito para a vida em sociedade.
Livro muito informativo e que detalhe o que facilmente conseguimos notar no Brasil: o pensamento coletivo de que o governo é o papai e mamãe que tem que cuidar dos seus bebês. Explica um dos motivos pelo qual o brasileiro é tão infantil em suas ideias sobre direiros e deveres. Fontes muito boas para aprofundar nesse tema também.
Excelente livros sobre a noção brasileira de direito e o quanto influencia na falta de responsabilidade dos brasileiros e o quanto isso é ruim para todas as áreas da sociedade, excelente livro!
A leitura do livro do Bruno é, algumas vezes, desconcertante. É muito bom poder ter uma visão geral do impacto que o excesso de privilégios gera para o resto da população.