Enquanto lia constantemente me via relembrando de momentos da adolescência e pessoas dessa época que ficaram pelo caminho. O texto de Célio é cru e a arte de Fábio acelerada, deixando apenas o essencial em quadro. Assim me via que nem os protagonistas: a qualquer momento eu poderia ser pego. Guardas as devidas proporções sinto que era um pouco assim que me sentia no começo da adolescência - e às vezes até hoje para ser sincero - com medo de que me descubram. Ao contrário de Hector e Victor, no entanto, o meu temor não envolvia o medo de uma possível prisão, no máximo uma bronca dos meus pais. Não, o medo real era que descobrissem que eu gostava de Ben 10, ainda jogava Club Penguin, tinha tomado meu primeiro porre, que meu primeiro beijo de verdade ainda não tinha acontecido, de que me vissem com meus pais no shopping enquanto meus colegas estavam dando rolês, das inseguranças que eu escondia atrás de algo que hoje claramente vejo como arrogância… No fim do dia, sinto que essa fase passa por um medo muito grande que as pessoas descubram quem nós somos de verdade e o processo de amadurecimento passa por nós mesmos abraçarmos isso.
Não sei se falei tanto da obra como normalmente falo, mas falei de mim e das coisas que pensei enquanto lia e, como diria o meu querido professor de geografia Rogério, “é o que tem para hoje”.