(...) As pessoas têm uma visão muito distorcida da ciência, da religião e da relação entre ambas. Elas imediatamente colocam ciência e fé como antípodas em confronto constante. Minha visão é um pouco mais histórico cultural. Vejo a ciência como uma manifestação do esforço humano em se engajar com o mistério da existência. E a religião é, também, uma manifestação do esforço humano em se engajar com o mistério da existência. De certa forma, tanto uma quanto outra vêm da mesma fonte. Recusar-se a conversar é recusar-se a olhar para um lado da nossa vida, da existência humana, que faz parte de quem nós somos. É uma conversa perfeitamente natural. Marcelo Gleiser Dossiê Átrio dos Gentios
Um diálogo sincero entre dois intelectuais em diferentes ramos humanos de conhecimento, o objetivo do livro ‘’À escuta do infinito: Estamos mais perto de Deus?’’ não é mostrar ‘’2 lados rivais que estão se atacando e defendendo’’ mas sim fomentar opiniões novas, traduzir ideias antigas em ideias novas e assimilar o conhecimento de ambos de forma proveitosa e original. No debate temos Marcelo Gleiser, físico, astrônomo, professor, escritor e roteirista brasileiro, atualmente pesquisador e professor da Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, que simboliza a ciência e do outro lado temos Gianfranco Ravasi, cardeal católico italiano e presidente do Pontifício Conselho para a Cultura no Vaticano, que simboliza a religiosidade que impera o homem ocidental. Nos 3 tempos: Apresentação do objetivo do livro, apresentação de ambos os participantes e o debate de ideias entre eles; O livro se mostra completo, peremptório, arguto e profundo com todas as opiniões discutidas e com ênfase na didática para com o leitor, sem dogmatismos ou imperativos filosóficos ambos os senhores abrem espaço para ideias erradas, certas e dúvidas. São humanos e estão fazendo o que humanos fazem de melhor: Pensar. O livro é uma ótima forma de se introduzir de forma capaz e didática em assuntos mais sérios relacionados a filosofia, cristianismo e ciência. Não é difícil de terminar ou entender suas 64 páginas perpassando pelo cérebro, que se tiver uma imaginação boa o suficiente pode ver uma conversa real acontecendo enquanto lê as palavras. Um exemplo de debate educado, gentil e evoluído. Mesmo que ambas as partes discordem completamente uma da outra. O único defeito que eu tentei não perceber foi a duração, é curto demais! Poderia ser tão maior e melhor que vira um pecado oferecer essas 64 páginas de conteúdo e não dar mais. Fora isso, é uma boa dica de leitura.
Proposta interessante quando pensamos na questão do respeito e tolerância, mas um pouco utópica se pensarmos nos males que a religião, enquanto instituição, causou historicamente à humanidade. Não é impossível a convivência entre ciência e fé; este, aliás, é o caminho mais viável, nunca as enxerguei como mutuamente excludentes.
Mas há de se convir que existe uma diferença muito grande entre religião e fé. Enquanto a primeira é cheia de dogmas, a outra pode ser pessoal e livre da instituição religiosa. Marcelo Gleiser fala da fé como um todo, o cardeal refere-se à religião e ao deus católico, havendo aí, ao meu ver, uma grande incompatibilidade. Uma vez que os dogmas da religião católica são incompatíveis com a investigação científica.
Outro ponto é que se fala muito mais do ceticismo da ciência em relação à fé do que o negacionismo de religiosos em relação à ciência, o que é muito mais prejudicial à humanidade; terraplanismo e movimento anti vacina estão aí cada vez mais crescentes para nos mostrar isso.
O livro é basicamente um diálogo entre um cientista agnóstico e um teólogo. É um debate que me fez reforçar algumas crenças que já possuía.
Infelizmente, ficou claro para mim o porquê da teologia ter perdido espaço nos últimos tempos. As falas do cardeal são extremamente prolixas e enfadonhas, aos passo que as do Gleiser são mais "palatáveis".
O excesso de citações por ambos também torna o texto chato. Não parece um diálogo, mas uma guerra de quem tem mais referências bibliográficas.
Se tiver 1h livre, leia. Caso contrário, há livros bem melhores sobre o assunto.
Ciência e religião não são assuntos mutuamente excludentes. De fato, existe uma complementaridade entre eles. Para questões complexas não existe uma única resposta exata. Falar sobre a vida, fé e Deus, certamente exige a necessidade dessa concatenação de ideias. O diálogo deste livro nos provoca a filosofar juntamente com crentes e descrentes. Boa leitura!
Life must be understood backwards, but must be lived forwards (S. Kierkegaard) Mais do que distinguir entre crentes e não crentes, talvez seja mais lúcido destacar entre pensadores e não pensadores ...
A obra possui a parte pré-textual, apresentação, prefácio e a narrativa em si, onde Marcelo e Gianfranco junto com o professor de Filosofia Bortolo Valle sobre Deus e a Espiritualidade como um todo. Se você tiver tempo, consegue ler em um único dia tranquilamente.
O debate, digamos assim, começa com Marcelo e o mesmo vai discorrendo sobre o assunto a luz na Espiritualidade misturando com ciência, questões cotidianas e com histórias de outros personagens importantes já passados pela nossa sociedade como Pedro Álvares Cabral, Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Albert Einstein e que tiveram suas contribuições no mundo com suas sabedorias e estudos. Um exemplo: "O escritor francês Antoine de Saint-Exupéry em seu livro O Pequeno Príncipe escreve, no diálogo do menino com a raposa, que essencial é invisível aos olhos. Isto é absolutamente verdade, tanto na ciência quanto na fé.
Já Gianfranco vai na mesma linha e discorre sobre Deus e Espiritualidade de modo geral também abordando á luz das questões cotidianas misturando com personagens históricos como Dante Alighieri, Shakespeare, Michelangelo e Henry Miller.
Por fim, se chega ao professor Bortolo Valle e o mesmo vem trazendo uma mistura dos assuntos citados por Marcelo e Gianfranco. Ou seja: Faz um apanhado e dá a sua opinião pelo vies da filosofia. E depois, os autores respondem já indo para questões mais religiosas e espirituais de fato. Sabe aquele bom e velho debate que temos presencialmente? Pois então! Nesta parte é feita através da escrita e ainda possui Márcio Campos, Kleber Candiotto e Fabiano Incerti como convidados e igualmente debatendo sobre Deus e Espiritualidade.
De modo geral, o leitor chega a um consenso quando termina a leitura: Tanto Deus quanto a Espiritualidade estão em todos e foram e são fundamentais diariamente. E isso fica claro nas biografias dos personagens famosos e importantes que foram citados ao longo de toda a narrativa, seja de modo direto ou apenas vestido de filosofia e ciência.
O texto em si é de fácil entendimento e a leitura é fluída, sendo necessárias pausas para reflexões. Como disse anteriormente: Se a pessoa tiver tempo, consegue ler em um único dia, mesmo tirando um tempinho para pensar e analisar algum ponto em específico.