Entre 1967 e 1969, já dedicando-se inteiramente à literatura, a até então poeta Hilda Hilst (1930-2004) escreve, de um fôlego só, oito peças de teatro. Estamos em pleno período do endurecimento da ditadura militar, com a perda das garantias individuais diante de um Estado autoritário. Toda sua obra dramatúrgico ecoará essa época.
Em “A morte do patriarca” (1969), temos uma alegoria filosófica: o Demônio é personagem, e a humanidade se encontra num estado de total desesperança. Já em “O verdugo”, do mesmo ano, o carrasco de uma aldeia hesita em executar o Homem, que professa discursos revolucionários e é amado pelo povo. Aqui, como em outras obras, a autora se debruça sobre a solidariedade como princípio humanizador incondicional.
Cinco décadas depois de escrito, o teatro de Hilda Hilst mostra-se totalmente atual – e mais necessário do que nunca.
“A autora é uma espécie de unicórnio dentro da dramaturgia brasileira.” - Anatol Rosenfeld"
Hilda de Almeida Prado Hilst, more widely known as Hilda Hilst (Jaú, April 21, 1930–Campinas, February 4, 2004) was a Brazilian poet, playwright and novelist, whose fiction and poetry were generally based upon delicate intimacy and often insanity and supernatural events. Particularly her late works belong to the tradition of magic realism.
In 1948 she enrolled the Law Course in Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo(Largo São Francisco), finishing it in 1952. There she met her best friend, the writer Lygia Fagundes Telles. In 1966, Hilda moved to Casa do Sol (Sunhouse), a country seat next to Campinas, where she hosted a lot of writers and artists for several years. Living there, she dedicated all her time to literary creation.
Hilda Hilst wrote for almost fifty years, and granted the most important Brazilian literary prizes.
os idiotas do órgão de censura da ditadura militar: sim esse livro tá aprovadíssimo, nenhuma crítica ao nosso governo, show de bola, nenhuma transgressão aqui, pode publicar! :D
Curtinho, mt fácil de ler Não me identifico com o Verdugo, seria isso desvio de caráter? 🤔 Fiquei o livro todo “mataaaa, é so matarrrrr!!!” Acho que vai mt além de matar ou não ne? 🤔 Imagina ter coragem o suficiente pra aceitar morrer por algum posicionamento 🤔
li este livro pra fazer uma prova de literatura brasileira III. eh uma grande peça dramatúrgica e foi o primeiro contato que eu tive com algo da hilda hilst. me interessei bastante pela escrita dela e pelos personagens dela, que, pelo o que eu consegui perceber, possuem uma certeza ética bastante incisiva.
achei interessante também pq é um livro que te bota pra pensar. não tem como terminar de ler isso e pensar "caralho..." enquanto vc olha pra parede.
outra coisa que acho que vale a pena comentar é que a peça foi escrita e publicada durante a ditadura militar, um ano depois do decreto do AI-5. e dá pra claramente ver isso durante toda a peça. a insensibilidade das pessoas com a morte, o fato de absolutamente nenhum personagem ter nome (todos são definidos apenas pelo seu papel social) e a falha do aparato jurídico.
Minha introdução à obra de Hilda Hilst. Achei incrível. Acho que não há recomendação maior por minha parte do que dizer que já li um segundo livro da autora e começarei hoje meu terceiro.
Gostei bastante do prefácio de Leusa Araújo. Numa curta quantidade de páginas, me deu uma ótima introdução à vida de Hilda e aos temas e fases de sua obra. A exposição sobre as peças, por Carlos Eduardo dos Santos Zago, também é bastante interessante, mas é também mais técnica.
Minha grande reclamação com relação a essas partes é que o prefácio dá um spoiler sobre o final das peças , de forma que talvez fosse melhor colocá-lo como pósfácio. Isso me chateou em particular com o spoiler sobre o Verdugo, peça que amei.
Quanto às peças: em suma, amei O Verdugo e não entendi A Morte do Patriarca.
A primeira é uma obra incrível, visceral e interessante; em particular, me interessa ambos papéis que os cidadãos exercem na peça e a transformação do primeiro para o segundo.
A segunda é uma obra bastante interessante também, que me trouxe várias interpretações, mas nenhuma definitiva (e também creio que são diferentes daquela da crítica). Apenas com as personagens e o cenário, Hilda já me apartou completamente do que consigo interpretar com conforto. Com certeza revisitarei!
Duas peças tensas, eu diria que alegóricas, sobre a realidade vivida pelo país no momento de sua escrita. Eu já conhecia algumas de suas poesias, das quais gosto muito. Ler estes textos foi uma experiência muito boa, pois são textos muito atuais, e nos permitem discutir teorias da conspiração, massa de manobra, perseguição política, e questões de gênero. Muito bom.
Segundo volume da coleção Teatro Completo, da escritora Hilda Hilst, este volume me impactou mais. São dois textos muito desafiadores e opulentos em matéria de experimentação. Principalmente, "A Morte do Patriarca", que deixarei para o meu inconsciente formular conexões nos sonhos. É surpreendente! Hilst alcança agora uma dicção elevada, tratando de temas mais complexos e sombrios. Gostei demais.
Demorei, enrolei, esqueci dele e só terminei pq o vestibular é essa semana. É a tal da leitura clássica, não tem definição melhor a não ser: leitura obrigatória de vestibular Mas, a história é legal, por passar na ditadura mostra a realidade do governo e política da época. É ok.
Meu primeiro contato com textos em formato de teatro. Peças que terminam com um sabor de inconclusão mas que são, na verdade, muito bem concluídas!! Excelente! Me deu vontade de ler mais obras de Hilda Hilst!