«O livro está dividido em três partes: numa primeira, tratam-se questões relativas ao retrato. Numa segunda levantam-se problemas de arte moderna, do pós-moder-nismo dos anos 80, de algumas incógnitas sobre a imagem contemporânea. A esses textos juntaram-se apontamentos sobre três pintores estrangeiros: Mondrian, Warhol, Rothko. A terceira parte colige apresenta-ções de pintores e escultores portugueses.
Como são textos produzidos na ocasião de uma exposição, referem-se em parte ao momento ou “fase” que o artista atraves-sava; e em parte, também, à sua obra em geral.
Enfim, uma palavra sobre o título. “Sem Título” pareceu-me caracterizar bem a substância do livro: tal como um quadro cujo título é “Sem Título”, interpela-se aqui, como foi dito, a relação da imagem com a escrita. Por outro lado, “Sem Título” é um tipo de título próprio da arte moderna.»
José Gil (Muecate, Moçambique, 15 de junho de 1939) é um filósofo, ensaísta e professor universitário português.
Nascido em Muecate, Moçambique, estudou Matemática, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, antes de partir para França. Licenciou-se em Filosofia, pela Universidade de Paris, em 1968. Um ano depois obteve o grau de mestre com uma tese sobre a moral de Immanuel Kant. Iniciou a sua carreira como professor do ensino secundário.
José Gil foi considerado pelo semanário francês Le Nouvel Observateur, um dos 25 grandes pensadores do mundo.
"Tudo isto implica uma ideia simples: toda a obra é necessariamente inacabada, porque toda a obra traz com ela um vazio ou espaço de não-inscrição. Por isso, o espectador deve acabá-la («o espectador faz o quadro»); por isso, e por aí, a obra abre-se à comunicação."