O único defeito deste livro é não ser a linha de atuação dos vários governos das últimas décadas. As figuras que escreveram este livro deveriam ter muito mais influência nas atuações dos governos, principalmente por todo o seu legado.
Um dos males de Portugal é que a maior parte das pessoas não leu a Constituição da República Portuguesa nem este livro. Caso os lessem e os entendessem, veriam que os nossos governos nos têm estado a levar por caminhos que não são do interesse ou para o benefício dos cidadãos. Estamos tão desviados dos caminhos a que a CRP e este livro nos poderiam levar que estamos quase a voltar 52 anos ou mais no tempo.
O SNS é um dos pilares da democracia que os governos do PS deliberadamente subfinanciaram e os governos do PSD/CDS ainda o tentam desmantelar. Tudo em favor dos privados. Se realmente tivéssemos uma comunicação social neutra, o povo estaria informado do que se está a passar e quais as soluções e poderia haver uma mudança na opinião pública que obrigasse os governos a cumprir a Constituição. No entanto, continuamos no caminho do neoliberalismo, a passos demasiadamente rápidos, em direção a uma autocracia fascista. É uma pena que a maior parte das pessoas estejam demasiado cansadas para tentar perceber o que se passa e deixem que os OCS, como megafones dos interesses de 5 ou 6 famílias ricas, nos retirem tudo o que ganhamos com o 25 de Abril.
Leiam este livro e a Constituição, se valorizam a liberdade e o Estado de Justiça Social. Ainda vamos a tempo de ter o país que nos prometeram.
Um livro de leitura obrigatória para todos aqueles que querem conhecer melhor o que subjaz ao estado actual do Serviço Nacional de Saúde. A obra vai muito além das condenações em praça pública, cujas sentenças passam sempre por decepar lideranças políticas e aprofundar a falta de estratégia com lenta sangria do, constitucionalmente inscrito, "direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover". António Arnaut e João Semedo fazem o diagnóstico, com contextualização história, política, económica e social, apresentando terapias para salvar esta conquista da democracia que se ergue como o farol do estado social em Portugal. O SNS não pode ser reduzido a escombros, onde se empilham as actividades pouco rentáveis para o sector privado, enquanto se faz avolumar o seu papel financeiro de porquinho mealheiro desses mesmos privados. Haja coragem para o defender de derivas ideológicas e ganancias corporativistas.