Duas fórmulas e um desconhecimento desorientaram a crítica diante do processo de renovação do romance hispano-americano. As fórmulas: realismo mágico e real maravilhoso americano indiscriminadamente usadas para indicar as magias e os prodígios no conteúdo dessa ficção. O desconhecimento é o da complexa estruturação do texto romanesco, que resiste ao critério simplista da representação do real. Irlemar Chiampi, professora de Literatura Hispano-Americana da USP, neste primeiro amplo estudo teórico, no Brasil, do tema de O Realismo Maravilhoso, desvencilha-se do substancialismo daquelas fórmulas fundamentando a poética do realismo maravilhoso, com rigor e clareza crítica e didática, no âmbito das atuais teorias da narrativa. A especificidade desse tipo de discurso, no contexto da cultura hispano-americana, é identificada pelos traços formais que recortam não o real, mas uma ideologia americanista. A relação entre a forma e a ideologia se apresenta aqui como uma proposta crítica que abre novas perspectivas para discutir o modo hispano-americano de situar-se diante de outros modelos culturais.
Primeiramente, péssima formatação em livro, espaçamento ruim, fonte ruim, sem tradução dos trechos em outras línguas, bem complicado para quem quer “vender” uma ideia.
Agora, como conteúdo dá para se dizer que cumpre o que promete: discorre sobre o Realismo Maravilhoso. O problema é o quão bem faz isso. Não é um livro fácil, longe de ser didático, e em muitas vezes parece beirar a verborragia; entendo que é uma tese, mas didatismo é sempre bom.
Enfim, é o livro ajuda a entendermos melhor este movimento literário latino-americano, mas requer um desvendamento por parte do leitor, que pode acabar se afogando em meio a milhares de termos e fórmulas.
Um livro difícil, mas muito elucidativo sobre o realismo mágico. Minha reclamaçã0 é que foi mantida a estrutura de tese do livro, sem a tradução das citações. Para aqueles que não conhecem minimamente francês, inglês e espanhol se torna uma leitura complexa.