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A Puxar ao Sentimento

Com este livro de fados inéditos, o génio poético de Vasco Graça Moura é recordado quatro anos após a sua morte. Na obra de Vasco Graça Moura, que escreveu vários ensaios sobre a origem deste género musical, há muitas incursões no fado e, inclusive, um livro que lhe é inteiramente dedicado: Letras do Fado Vulgar. O poeta escreveu alguns fados para as vozes de intérpretes como Mísia, Kátia Guerreiro ou Cristina Branco.

"A Puxar ao Sentimento" inclui um bom número de fados inéditos de Vasco Graça Moura, marcados pelo seu génio melancólico e pleno de ironia – são poemas maravilhosos que, só por si, constituem uma homenagem ao fado e uma contribuição literária para abrir (ainda mais) as suas portas. Quatro anos depois da morte de Vasco Graça Moura, esta é uma forma de continuar a recordar uma das grandes vozes da poesia e da literatura portuguesas do nosso tempo.

88 pages, Hardcover

Published September 21, 2018

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Vasco Graça Moura

143 books39 followers
VASCO NAVARRO DA GRAÇA MOURA (Porto, Foz do Douro, 3 de Janeiro de 1942 – Lisboa, 27 de Abril 2014) foi um escritor, tradutor e político português.

Após o curso de Direito na Universidade de Lisboa, exerce advocacia entre 1966 e 1983. Eleito deputado da Assembleia Constituinte de 1975 pelo Partido Social Democrata, não exerceu o seu mandato, mas participou nos dois governos provisórios desse ano como Secretário de Estado, primeiro da Segurança Social e depois dos Retornados. Entre 1978 e 1996 exerceu os cargos de director da Radiotelevisão Portuguesa, da Comissário Geral das Comemorações dos Descobrimentos e de director dos serviços da Fundação Calouste Gulbenkian. De 1999 a 2009 foi deputado ao Parlamento Europeu, integrando o Grupo do Partido Popular Europeu. Em 2012, foi nomeado para a presidência da Fundação Centro Cultural de Belém. Recebeu inúmeros prémios de onde se destaca o Prémio Pessoa (1995), a Coroa de Ouro do Festival de Struga (2004), o Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLB (2004) e o Prémio Nacional de Tradução (2007). Além de se dedicar ao romance e à poesia, traduziu para português: Fedra, Andromaca e Berenice de Racine; O Cid de Corneille; A Divina Comédia de Dante; Cyrano de Bergerac de Edmond de Rostand; O Misantropo de Molière; e Sonetos, de Shakespeare. Faleceu em Lisboa, a 27 de Abril de 2014, vítima de doença prolongada.

Algumas obras: Poesia – Modo Mudando (1963); O Mês de Dezembro e Outros Poemas (1976); A Sombra das Figuras (1985); Os Últimos Cantos de Amor (1988); Sonetos Familiares (1994); Uma Carta no Inverno (1997); Testamento de VGM (2001); Antologia dos Sessenta Anos (2002); Os nossos tristes assuntos (2006). Ficção – Quatro Últimas Canções (1987); Partida de Sofonisba às seis e doze da manhã (1993); A Morte de Ninguém (1998); Meu Amor, Era de Noite (2001); Enigma de Zulmira (2002). Ensaios – Luís de Camões: Alguns Desafios (1980); Camões e a Divina Proporção (1985); Sobre Camões, Gândavo e Outras Personagens (2000). Outras: Circunstâncias Vividas (1995); Contra Bernardo Soares e Outras Observações (1999).

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Profile Image for Célia | Estante de Livros.
1,223 reviews283 followers
January 8, 2019
Se seguem o que vou lendo com alguma assiduidade, já devem ter percebido que a poesia não está dentro dos géneros que leio com mais frequência. O fado também não é propriamente o estilo musical que mais aprecio (longe disso). Mas há uma coisa de que gosto muito: diversificar leituras; por isso me pareceu boa ideia pegar neste livro, que reúne em si poemas inéditos do autor português Vasco Graça Moura, escritos para fado.

A Puxar ao Sentimento apresenta-nos, assim, um conjunto de 31 poemas (alguns deles com mais do que uma versão), que versam essencialmente sobre o amor, a paixão e a desilusão amorosa. A melancolia é um sentimento que atravessa praticamente todos os poemas, que se destacam pela sua óbvia musicalidade. Vou deixar as análises mais técnicas para quem disso percebe de verdade, e limito-me a dizer-vos que li estes poemas com muito gosto. Apreciei mais uns do que outros, como seria de esperar, mas no cômputo geral foi uma leitura que me agradou por ser tão diferente daquilo que costumo ler e por me parece que o autor conseguiu escrever bons poemas que darão no futuro, com toda a certeza, boas canções.

Capricho

dizes que minto e eu desminto
para repor a verdade
nunca minto ao meu instinto
nem finjo sinceridade

porém se às vezes pressinto
ter em risco a liberdade
tudo aquilo que então sinto
só o direi por metade

e dentro desse recinto
respiro mais à vontade
criando um laço indistinto
entre mentira e verdade

e desminto então que minto
com toda a sinceridade
de quanto eu sinto ou não sinto
entre mentira e verdade

num fingimento sucinto
de que não sinto ansiedade
pois se a sinto não a pinto
como se fosse saudade

e assim sempre que pressinto
ter em risco a liberdade
muitas vezes se não minto
também não digo a verdade

pois não minto ao meu instinto
e apenas mostro como há-de
ser feito aquilo que sinto
de mentira e de verdade
Profile Image for Aurora.
108 reviews
March 30, 2019
Por natureza, não sou muito apreciadora de poesia. No entanto, vou lendo alguma de vez em quando para descobrir e tentar encontrar alguma que me convença a mudar de ideias quanto ao género.

Infelizmente, esta obra não convenceu.
Não apreciei particularmente a poesia. Achei-a longa e pesada.


Não puxou sentimento nenhum, excepto o cansaço.
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