Ouvimos dizer que sem partidos e sistemas partidários não há democracia. Contudo, muitos portugueses consideram que «eles são todos iguais», um popular refrão que ilustra a desconfiança e afastamento dos partidos. Qual é, então, o seu papel? Como surgem? Que influência têm no voto? E em Portugal, como se desenvolveram? O que mudou após as legislativas de 2015? Estará Portugal imune ao populismo? Todas as peças da engrenagem partidária no ensaio que completa o puzzle da política nacional.
CARLOS JALALI nasceu em Setúbal, a 5 de Outubro de 1974. É Licenciado em Economia Política, pelo Pembroke College da Universidade de Oxford (1996), M.Sc. em Development Economics pela School of Oriental and African Studies da Universidade de Londres (1997) e doutorado em Ciência Política, pelo St. Antony’s College da Universidade de Oxford (2002). Foi Investigador Associado Sénior do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde realizou a investigação de pós-doutoramento sob a supervisão de António Costa Pinto, entre 2003 e 2004. Actualmente, é professor auxiliar na Universidade de Aveiro. Tem como áreas de investigação os sistemas de partidos, os partidos políticos, o comportamento eleitoral e as atitudes políticas, o funcionamento interno dos partidos políticos e os sistemas eleitorais.
Interessante para quem quiser ter uma breve noção da formação de partidos e sistemas partidários, a dinâmica entre os mesmos e o início do populismo na Europa.
Se é verdade que a qualidade das democracias depende profundamente da qualidade da participação dos cidadãos de cada país na construção da mesma, não será por falta de iniciativa do Professor Carlos Jalali que a democracia portuguesa não evolua para melhor.
Sendo um defensor e ativista da democracia participativa, Carlos Jalali dá largas à sua personalidade pedagógica neste ensaio que, longe de ser um panfleto ideológico, procura responder à necessidade de qualidade da participação - cidadãos mais e melhor informados geram mais e melhor democracia. Com uma linguagem extremamente simples e descomplicada, faz uma introdução à compreensão sobre como se formam os partidos, como interagem e se consolidam num sistema partidário, e observando o caso português em concreto, como se consolidou o sistema partidário português e o que significaram as eleições de 2015, com o surgimento da "Geringonça".
Para se perceber como algo surge e funciona, é necessário ter uma ferramenta de análise e é exactamente isto que o ensaio nos dá, ao dar a conhecer os modelos de análise concebidos por Lipset e Rokkan (1967) e Peter Mair (1997) que, com exemplos muito simples e claros, ajudam a compreender porque tendemos a escolher e votar de forma estável e previsível, e o que pode levar a uma mudança do panorama partidário (como tem acontecido noutras democracias).
Claramente direcionado para o cidadão-comum (com particular interesse para quem queira ter um primeiro contacto com a Ciência Política, este tipo de ensaios e temáticas deveriam ser de abordagem obrigatória nos curriculos escolares do Ensino Secundário), não é uma introdução aprofundada à temática (não é esse o seu objetivo, nem tal seria possível em tão poucas páginas) e poderá gerar um sem número de questões e dúvidas mas isto é também um dos pontos-fortes deste ensaio -gerar curiosidade e espírito de crítica.
Como exemplo, será que "a democracia funciona (bem) quando as políticas públicas são responsivas às escolhas dos cidadãos" ou será que Platão tinha alguma razão nas suas reservas à participação da "plebe" na gestão da República?
Resumo sucinto da origem dos partidos portugueses. Linhas gerais sobre a consolidação de cada um. Comparacao dos partidos em governo pos 25 abril até a data. Incio do populismo em Portugal.
“Portanto, se é verdade que os sistemas partidários se definem pelas interações entre os partidos, são as interações que ocorrem na arena parlamentar que se mostram mais relevantes. Estas passam pela competição e cooperação para a formação de um governo, e, posteriormente, para a sua sobrevivência e funcionamento.”
De fácil apreensão, não sendo muito denso. Explica de forma clara a formação dos sistemas partidários, exemplificando de várias formas. Um ótimo livro para compreender mais sobre política, portuguesa e não só.
Ensaio de fácil transmissão de ideias, sintético, com muitos exemplos práticos. Ótimo como forma introdutiva da ciência política geral aos interessados.
"Partidos e Sistemas Partidários" de Carlos Jalali é uma leitura imprescindível para aqueles interessados em compreender os mecanismos e a evolução dos partidos políticos. Embora escrito em 2017, o que lhe confere um caráter ligeiramente datado face às rápidas mudanças políticas recentes, o livro mantém a sua relevância ao oferecer uma análise profunda e estruturada sobre a consolidação dos sistemas partidários, com um foco especial no contexto português.
Jalali demonstra uma habilidade notável para descrever a evolução e o funcionamento dos sistemas partidários de maneira clara e organizada. Ele explora as diferentes fases de consolidação partidária, proporcionando uma visão abrangente que esclarece muitos aspectos fundamentais desses sistemas. No entanto, uma expectativa específica de obter esclarecimentos sobre a abrangência do espectro político em confronto com a Constituição não é diretamente abordada nesta obra.
Um ponto de destaque é a previsão de Jalali sobre a chegada do populismo a Portugal, uma análise que se mostra particularmente presciente à luz dos desenvolvimentos políticos subsequentes. Esta conclusão oferece uma base valiosa para entender as tendências emergentes e os seus impactos potenciais no cenário político português.
Após ler "Partidos e Sistemas Partidários", sinto-me motivado a procurar textos mais recentes do mesmo autor, para obter uma visão atualizada e contínua sobre as mudanças e desafios que os sistemas partidários enfrentam. Em suma, apesar de algumas limitações temporais, a obra de Jalali é uma contribuição significativa para o estudo da política, oferecendo uma análise clara e fundamentada dos sistemas partidários.