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O Resto É Paisagem

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É certo e sabido que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem.

Entrar neste Portugal implica esvaziar o espírito, atravessar a barreira da compreensão, ir além do além.

Descobrir as histórias que se escondem entre as linhas das histórias banais.


Desconfiar que no olhar manso do gado se esconde um mal antigo e inteligente à espera do momento certo.

Descodificar a mensagem insistente, repetitiva e enlouquecedora dos grilos quando cai a noite.

Hesitar diante da cerca derrubada e aparentemente esquecida.

Tentar sempre, e antes de tudo, partir... se possível.

180 pages, Paperback

Published October 13, 2018

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About the author

Luís Filipe Silva

43 books38 followers

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Community Reviews

5 stars
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12 (46%)
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4 (15%)
2 stars
2 (7%)
1 star
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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Daniela.
5 reviews
October 29, 2018
*4,5*

“O Resto é paisagem” é um livro ideal para quem procura “light reading”, no sentido em que é bastante fácil de ler e cativa a nossa atenção a cada conto. Apesar de o considerar “light reading”, alguns dos contos acarretam alguma carga emocional.
Claro que tive contos preferidos e outros que não gostei tanto. Mas essa é também a vantagem de este livro ser composto por autores diferentes, existindo assim a possibilidade de agradar a diferentes tipos de leitores.
Entre os meus favoritos podemos contar “Rogos e Mitos” de Inês Montenegro, “O Prego No Portão” de João Ventura, “O Poço” de Simão Cortês e “A Maldição Da Casa Da Colina” de Daniela Maciel. Todos esses contos me cativaram por diferentes aspetos e todos eles conseguiram prender-me à leitura.
Em geral considero um livro muito bom, muito bem conseguido e recomendo a todos os leitores que tenham coragem de percorrer as páginas deste livro.
Profile Image for Nuno Ferreira.
Author 21 books85 followers
October 26, 2018
O Resto É Paisagem é um mergulho no Portugal profundo, nas suas crendices e ruralidades. Apesar de todos os contos tratarem desta vertente mais arrepiante da lenda rural, posso dizer que a antologia em si tem uma estrutura bastante heterogénea, tanto em forma como em conteúdo. Não existem dois contos que se possam dizer ser bastante parecidos, apesar de comungarem do mesmo ambiente. Gostei mais de uns do que de outros, mas não encontrei um conto que me tenha enchido as medidas.

A antologia é virtuosa na forma como explora vincadamente o Portugal rural. De uma forma ou de outra, o sobrenatural está sempre presente, mas também o lado mais triste e solitário do interior, por mais belas que sejam as suas paisagens bucólicas e puro o ar que nele se respire. O Resto É Paisagem convida-nos a deixar a cidade e a explorar os cantos mais recônditos do nosso país.

O livro começa com um conto de Inês Montenegro. A autora tem contos publicados em antologias e fanzines, tanto portuguesas quanto brasileiras. Trabalha também como revisora e mantém um blogue de opiniões literárias. Posso dizer que a antologia não começou com um dos seus contos mais interessantes, mas Rogos e Mitos teve um final bastante digno.

Seguiram-se os meus dois contos preferidos da coletânea. O Prego no Portão de João Ventura e O Poço de Simão Cortês. Ventura, autor de contos mais virados para o fantástico e para a ficção científica, viu a sua colectânea Tudo Isto Existe ser publicada no mesmo dia da antologia onde nos oferece uma aventura arrepiante de um grupo de amigos, em jeito de retrospectiva. Já Simão Cortês, lisboeta a viver no Reino Unido, onde estuda filosofia da religião, soube explorar com destreza as crendices do Portugal rural, nomeadamente a lenda da Maria Gancha.

Lívia Borges é autora de fanfiction e também de romance histórico. Ganhou em 2017 o 1.º prémio do 1. º Concurso de Escrita Criativa promovido pela ANGA, Associação Núcleo de Geeks do Algarve, com uma história de ficção científica. O seu conto O Espírito do Vento foi muito interessante, mostrando que é possível inovar e ser original quando se apela à imaginação, mesmo com um tema tão restrito como este.

A Última Missa de Raquel da Cal foi um conto também muito bem trabalhado, acima de tudo inesperado. Um padre, acabado de chegar a uma aldeia para ali assumir a paróquia, rapidamente percebe ser vítima de uma enxurrada desesperada de almas penitentes. Apesar da escrita da autora ainda não se conseguir destacar junto dos demais, Raquel já publicou alguns contos em fanzines, revistas e projetos independentes.

Rui Ramos é mais conhecido como contador de histórias, mas tem visto os seus contos, BDs e ilustrações publicados em algumas edições independentes. Foi premiado com o Troféu Central Comics para Melhor Fanzine 2008 e o ESFS Encouragement Awards 2016. Mais do que introduzir várias criaturas da nossa mitologia, como trasgos, olharapos ou o próprio canhoto, Ramos soube fazer uma ótima reflexão sobre valores morais e sobre o que fazemos com a nossa vida. Chegou ao Seu Destino é outro dos bons contos desta antologia.

Já Não Se Pode Ter Um Bixo de Carlos Alberto Espergueiro foi um conto muito divertido, cheio de regionalismos e humor e uma pitada interessante de ficção científica. Infelizmente o final pareceu-me abrupto e pouco explícito. O autor é licenciado em Estudos Portugueses pela UTAD, freelancer e reside atualmente na Suiça. Tem contos publicados nos Almanaques Steampunk e nas antologias Fénix e Ficções Phantasticas.

Seguiram-se os dois contos que menos gostei em O Resto É Paisagem, o que foi uma pena, uma vez que ambos os autores revelaram uma escrita acima da média. A Solidão É Um Deus Negro de Ricardo Correia fala sobre um casal alentejano e os acontecimentos que conduziram à desertificação do Alentejo, enquanto Anátema é um monólogo ambicioso de Pedro Nuno Galvão.

A antologia fecha com um conto cuja escrita achei demasiado pueril para a carga que acarreta, mas que se lê muito bem. A Maldição da Casa da Colina apresenta um casal que se muda para uma habitação no interior de Portugal para quebrar o bloqueio imaginativo do homem, um escritor de sucesso. O que eles não imaginavam era que a casa estivesse assombrada. Daniela Maciel é formada em Psicologia.

Fica a certeza que muitos destes autores têm ainda um grande caminho para percorrer e muito para crescer, a sensação de que o nosso país está repleto de talentos em bruto com tudo para vir a singrar no meio. Este é apenas um exemplo de como a Editorial Divergência está a afirmar-se como o viveiro de talentos por excelência em Portugal, na área da Ficção Especulativa. E é de realçar o magnífico trabalho de revisão do livro. Não encontrei uma única gralha, o que é de salutar.

Composta por dez autores competentes, O Resto É Paisagem é uma boa antologia de ficção rural que consegue passar ao leitor toda a aura de Portugalidade e de regionalismo que se objetivava. A grande diferença reside naquilo que eles me conseguiram passar. Da experiência de um João Ventura à proximidade de um contador de histórias como é Rui Ramos, passando pela leveza de um Simão Cortês, esta antologia tem de tudo um pouco. E os contos destes três autores foram realmente os que mais me agradaram.

http://noticiasdezallar.wordpress.com
117 reviews2 followers
November 13, 2018
A este eu reservo-me o direito a dar 5 estrelas porque tem lá um conto meu.
Este é um livro de contos em que os diversos autores exploram o Portugal rural do ponto de vista da fantasia e da ficção científica. Muitos contos têm um regressar refrescante às tradições folclóricas portuguesas e à nossa mitologia. Honestamente, fico contente que este seja o primeiro livro em que um conto meu apareceu.

Profile Image for A.M. Catarino.
Author 26 books28 followers
November 1, 2018
Um festim de tradição e inovação, como compete a uma boa festa popular (sobretudo se for uma festa popular literária, com um cheirinho de terror, ficção científica e fantasia), levando-nos a um país que sendo vários autores, também passa a ser nosso.
Profile Image for Ana.
207 reviews16 followers
June 30, 2022
Na sua generalidade, achei a antologia muito bem conseguida com contos de optima qualidade, todos com temas e estilos diferentes.
Profile Image for Maria Varanda.
Author 7 books14 followers
October 4, 2021
A temática geral da antologia deixa o leitor curioso, mas não corresponde às expetativas (talvez as minhas fossem demasiado elevadas).
Há que referir que existem ideias bastante originais pelas quais os autores merecem uma belíssima salva de palmas.
No entanto, considerei que, na maioria dos contos, o modo como as personagens nos são apresentadas não permite um grande relacionamento com o leitor. Há alguma superficialidade ou "pressa" na apresentação das mesmas.
Todos os contos são de leitura fácil, apesar de alguns faltarem maturidade, aprofundamento ou aperfeiçoamento; porém, nem todos os contos irão, certamente, agradar ao leitor - as preferências e vivências de cada um toldam os gostos e tal impedem.
Para minha grande infelicidade, terminei a leitura da antologia sem me sentir completa. Foi como se nenhum conto conseguisse apelar à minha pessoa e deixar-me com saudade ao terminar. Penso que quando a história é muito bem contada, sente-se isso em qualquer género literário - a caminhada é tão satisfatória que deixa um amargo na boca ao terminar. Faltou-me isso. Não senti aflição nem tristeza por nenhuma personagem nem deslumbre por nenhum enredo, mas a curiosidade de saber como avançaria cada história fez-me chegar ao final da obra.
A realçar aqui o conto "a solidão é um deus negro" que foi de longe o meu favorito.
Para uma leitura rápida e passar os olhos e a mente por ideias diferentes, recomendo apesar dos pontos que poderiam ser melhorados.
Profile Image for Dina.
54 reviews
May 28, 2023
O Resto é Paisagem

Uma antologia de contos portuguesa. Contemporânea.
O mundo rural, os mitos, as características locais ou eventos reais típicos, que de forma ficcional são ilustrados pelos diversos autores. Alguns colam-se demasiado às versões típicas. Já outros arriscaram outras versões. Livro de fácil leitura.
Destaco:
- A Solidão é um Deus Negro de Ricardo Correia
- O Espírito do Vento de Lívia Borges
- Rogos e Mitos de Inês Montenegro
Citação de um dos coordenadores:
"De tempos que não foram e jamais chegarão a ser.
De grandes feitos esquecidos que o desígnio político, a traição mundana ou um grande despeito divino enterrou.
De gentes que são fantasmas para os fantasmas que ali não estão.
De portas que só existem no reflexo dos espelhos e vielas nas quais se entra às arrecuas.
De lugares onde é sempre dia e sempre noite e sempre nunca."
Luís Filipe Silva
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