Samurai Shirô conta a história de lutas sangrentas pelo poder, honra familiar e do reencontro violento com o passado, vivido no agora por samurais modernos e a yakuza (a máfia japonesa), que usa de cenário o bairro da Liberdade, na cidade de São Paulo. Akemi é uma jovem descendente de japoneses que vê surgir em seu caminho um estranho homem sem memória, com uma katana (tipo de espada japonesa), e passa a ser perseguida pelos yakuzas. Ela vai precisar enfrentá-los, assim como seu próprio passado, para sobreviver.
A narrativa de Samurai Shirô, em ritmo veloz, é repleta de ação e dialoga com a intensidade e diversidade da principal metrópole do país, para onde migraram milhares de orientais, e considerada a maior comunidade japonesa do mundo fora do Japão. A arte em preto e branco de Danilo Beyruth dialoga com o universo imagético dos filmes de samurai de Akira Kurosawa, como Yojimbo, o Guarda-Costas e Sete Samurais, além dos mangás, como Lobo Solitário. Sem perder sua característica, o traço dinâmico de Beyruth se desafia a contar uma história de luta pelo poder e pela honra dentro da tradição de histórias de ação japonesas, lidando com suas marcas e símbolos como um verdadeiro sensei.
Shirô, um quadrinho Brasileiro, escrito por Danilo Beyruth e publicado pela editora Darkside, conta a história de uma garota brasileira chamada Akemi, descendente de japoneses, que está vivendo sua vida normalmente, mas certo dia, após a morte de seu avô, começa a ser perseguida pela Yakuza. Tudo isso acompanhada de um homem que sofrera um acidente no inicio da HQ, e que nem ele e nem o leitor sabem alguma coisa a seu respeito, pois a acidente causou amnésia no personagem.
No inicio do quadrinho, há uma breve introdução sobre a Yakuza e personagens da mesma que iremos acompanhar ao longo da história, mas foca inicialmente em apresentar o homem sem memória, que foge do hospital em busca de resposta e apenas um pertence: uma katana.
Por necessidade de sobrevivência, o homem sem memória encontra Akemi e ambos passam a conduzir a trama, de maneira que os dois passam tempo buscando conhecerem mais a respeito deles mesmo, bem como apresentar os próprios personagens ao leitor. É como se a descoberta dos personagens ocorresse junto ao leitor.
Por conta desse mistério que envolve o passado de ambos, eles acabam mexendo em histórias do passado que envolvem outras pessoas, e por isso, a Yakuza consegue rastreá-los. Nesse ponto, Akemi consegue descobrir ligações de sua família com a Yakuza e por isso ela está sendo perseguida pela máfia Japonesa.
Contar mais que isso seria spoiler, portanto fico com a análise sobre a trama até aqui, mas destaco que o ritmo do quadrinho é frenético, com quadros de ação exuberantes e uma violência explicita bem desenhada. É importante destacar que o quadrinho não é apenas de ação, pois nos momentos de busca por sua origem, os personagens passam por momentos de investigação que são bem interessantes.
Os desenhos são feitos em preto e branco, sendo bem parecido com mangás de samurai, bem como filmes antigos com temática de samurai, que também são em preto e branco.
Ademais, minha única ressalva é em relação ao roteiro conter algumas lacunas, que por conta da narrativa frenética, podem até passar despercebidas, mas um fugitivo do hospital em São Paulo, além de vários tiroteios ocasionados pela Máfia, não possuem consequências nenhuma no entorno/cidade. Inclusiva, em um quadro onde a Akemi sofre um ataque em seu apartamento, ela retorna para o mesmo local, como se estivesse tudo bem, para cuidar dos ferimentos de seu amigo.
O quadrinho tem sérios problemas de roteiro. Seríssimos.
Há lacunas de monotonia total no meio de boas sequências de ação. A questão é: quando se espera um desenvolvimento interessante da história, ela sempre fica um tanto estagnada, um tanto clichê.
As cenas de ação são bem boladas, apesar de algumas onomatopéias realmente me incomodarem, e muito bem desenhadas.
O problema maior talvez fique nesse grande corte de fluidez que o texto acaba sofrendo, por ter ótimas cenas de ação com alguns diálogos clichês e bem, BEM enrolados. Não está no mesmo nível do Bando de Dois.
Critiquei, mas critiquei porque já vi o quanto o autor pode oferecer.
A ideia é ótima (membros da Yakuza no bairro da Liberdade, em São Paulo), mas o roteiro é muito bobo e recheado de clichês. 2019 e flash romance entre aliados/inimigos acho que não dá mais pra mim.
Samurai Shirô é a versão remasterizada e muito bem trabalhada de muito do que já vimos, e Danilo Beiruth soube trabalhar isso de forma majestosa! Novamente, fez uma bela graphic novel com traços que nos obrigam a parar e apreciar. Aproveitem a leitura!
Eu comprei esse livro por acidente, nunca tinha lido um livro em formato de quadrinhos. Foi divertido mas, comparando com outros livros desse formato, não sei dizer o quão bom ele é.
Foram explorados alguns clichês, isso não me incomodou tanto. Achei bem legal como a história foi construída em São Paulo. Gostei muito de algumas cenas, em que não sabemos o que vai acontecer e nos surpreendem depois, bem legal.