Escrita em novembro de 1957, O Santo e a Porca retoma um tema clássico com uma roupagem não apresenta o vício da avareza apenas pelo que nele há de risível, a exemplo do que fizeram Plauto e Molière, mas, também, do por seu aspecto doloroso, tomando o ponto de vista de quem o possui.
Capa 224 páginas Nova Fronteira; Ediçã 35 (2 de agosto de 2017) Português 852094163X 978-8520941638 Dimensões do 20,6 x 13,4 x 1,2 cm Peso de 249 g
Ariano Suassuna (born João Pessoa, 1927) is a Brazilian playwright and author. He is in the "Movemento Amorial". He founded the Student Theater at Federal University of Pernambuco. Four of his plays have been filmed and he is considered one of Brazil's greatest living playwrights. He is also an important regional writer doing various novels set in the Northeast of Brazil. He received an honorary doctorate at a ceremony performed at a circus. He is the author of, among other works, the "Auto da Compadecida" and "A Pedra do Reino". He is a staunch defender of the culture of the Northeast, and his works deal with the popular culture of the Northeast.
Que livro divertido!! Gargalhei em alguns trechos :D Além disso, possibilita uma reflexão sobre o apego ao dinheiro e sua consequência na vida prática. Li numa sentada.
Ninguém consegue fazer uma bagunça tão divertida quanto Ariano Suassuna. É incrível a capacidade dele em escrever diálogos quando dois ou mais personagens estão falando sobre assuntos diferentes sem confundir o público.
“O Santo e a Porca” é uma peça teatral cômica escrita por Ariano Suassuna em 1957, cujo tema central gira em torno da avareza. O próprio autor afirmou que a obra foi baseada em outras peças, de dramaturgos famosas com Plauto e Molière, que utilizaram o mesmo mote principal.
O texto de Suassuna é ágil, vibrante e repleto de bom humor. A trama em si é simples, mas sua condução, cheia de desencontros, mal-entendidos e reviravoltas, faz com que, a certa altura da peça, o leitor se perca nas confusões criadas por Caroba, cuja semelhança intrínseca é enorme com João Grilo (um dos protagonistas do “Auto da Compadecida”). Observamos o jeitinho brasileiro presente em todos os detalhes da obra.
Apesar de sua leveza e graça, “O Santo e a Porca” é um texto confuso e bem inverossímil. Se fossem somente estas as únicas características negativas até poderíamos atribuir uma nota maior à peça. No entanto, os trechos finais não são bem resolvidos e abruptamente temos o desfecho derradeiro. O leitor fica com uma estranha sensação de incompletude.
“O Santo e a Porca” é uma leitura aprazível e que pode ser feita em apenas um dia. Vale a pena lembrar que parte da trama serviu de base para uma das histórias secundárias da minissérie e do filme “O Auto da Compadecida”.
Classique du théâtre brésilien (particulièrement de la région du nordeste). 1958. Vaudevillesque à souhait, criard et survolté. Ça rentre par une porte, ça sort par l'autre. Ça se cache à la dernière minute derrière une plante, ça complote et fomente et mijote. L'intrigue tourne autour d'un mariage éventuel et de l'avarice d'un père. On joue sur la confusion du protagoniste entre la truie du titre ("porca") qui est en fait son coffre en forme de cochon rempli de billets et sa fille Margarida qui est considérée comme un "trésor" par le riche propriétaire terrien qui vient demander sa main. "Donne-moi ton trésor." "Jamais." Je comprenais les endroits où c'était censé être drôle, comme je comprends ce qui était censé être drôle dans les saynètes de Gilles Latulipe ou Olivier Guimond.
O Santo e a Porca é a mostra do humor sempre preciso de Suassuna, com situações pastelão e hilárias ao mesmo tempo.
A situação é simples: Eurico, mais conhecido como Euricão Engole-Cobra vai receber a visita de Eudoro, um fazendeiro local, aparentemente com muitos recursos. Ele vem pedir a mão de sua filha, Margarida em casamento. Apesar de ser muito mais nova do que ele, Eudoro se afeiçoou à menina que havia passado algumas semanas lá. Mas, Margarida é apaixonada por Dodó, filho de Eudoro que fugiu de casa e se finge de corcunda e horrível para estar junto de sua amada. Há muitos anos atrás, Eudoro tentou se casar com Benona, irmã de Eurico, mas as circunstâncias acabaram prejudicando o compromisso. No meio disso tudo, Caroba, empregada de Eurico, tenta ajudar Margarida e Benona a alcançar o amor. Toda essa situação maluca vai esbarrar na avareza de Eurico, que não quer que Eudoro vá visitá-los porque isso significaria preparar um jantar e deixá-lo dormir em sua casa, o que "gastaria muito dinheiro" segundo ele.
"Ai, a crise" Ai, a carestia! Santo Antônio me proteja! Ai, a crise! Ai, a carestia!"
Novamente estamos nos deparando com uma peça de teatro de Suassuna, uma peça que se passa inteiramente em uma casa onde as coisas se sucedem umas às outras. O autor se baseou em uma comédia de Plauto, um dramaturgo latino (A Comédia das Panelas) e adaptou a um cenário tipicamente nordestino. Assim como o Auto da Compadecida, O Santo e a Porca é um texto bem atemporal, podendo ser adaptado a qualquer cenário em qualquer temporalidade. Os temas também são simples, sendo o amor, o ciúme e a avareza. O texto é bem fácil de ser compreendido, apesar do regionalismo forte presente. A peça é dividida em três atos, sendo o primeiro a apresentação do problema, o segundo as complicações que se empilham umas após as outras e no terceiro acontece o clímax e o fechamento da história. Esta não se pretende aplicar uma lição de moral, mas esta é clara de ser apreendida a partir de um protagonista que não é nem um pouco empático.
Eurico é um personagem bem ruim de nos identificarmos. E eu até compreendo que a intenção de Suassuna não era a identificação, mas a caricatura para provocar a crítica. Ele acaba extrapolando a noção de avareza do personagem para provocar o afastamento do leitor. As situações apresentadas pelo autor vão demonstrando a mesquinhez do personagem que vai se mostrando cada vez mais problemático. Por exemplo, ele se recusa terminantemente a preparar um jantar para Eudoro, mas quando Caroba menciona que ele poderia pedir um dote a ele de 20 contos, ele muda de ideia de repente. O personagem valoriza demais os bens materiais e aos poucos isso vai subindo de tom até chegar àquele final. Está na cara que a situação com Eurico não iria acabar bem. O que mais me encantou na história é em o quanto Suassuna conseguiu transformar o protagonista em alguém caricato sem parecer besta. O ser um avarento forçado conseguiu dar mais humor à história e cada vez que o personagem aparecia, a gente já sabia que algo engraçado iria acontecer. Mas, ao mesmo tempo é aquele humor ácido que a gente não deveria estar rindo, mas que é engraçado. No fim, o comportamento de Eurico nos provoca uma reflexão sobre o quanto bens materiais são mais importantes ou não do que simplesmente pessoas.
As confusões entre os casais também dão um ótimo ritmo para a leitura. Vou começar com Eudoro e Benona que são os menos trabalhados. Eu queria saber como deu errado o relacionamento entre os dois, mas como se trata de uma peça e não de uma narrativa em prosa, fica difícil trabalhar um flashback. No entanto, Suassuna deixa bem claro a relação entre ambos. Só seria uma pitadinha maior de drama a esta situação. Os dois são vítimas simplesmente de uma sociedade que espera demais das pessoas e onde as aparências acabam se sobrepondo aos sentimentos. É uma boa crítica de Suassuna a uma forma torta de lidar com duas pessoas que se gostam. A gente percebe no meio do segundo ato que quando Benona se apresenta disponível para se casar com Eudoro, ele se recusa mais porque deu sua palavra à Eurico de que se casaria com Margarida (ou pelo menos na mente de Eudoro era assim já que Eurico pensava outra coisa).
A situação entre Margarida e Dodó vai pelo mesmo caminho das aparências. Dodó precisa fugir de casa para tentar estar junto de sua amada. Eles precisam inventar um plano mirabolante para que os dois consigam convencer Eurico a dar a mão de sua filha para Dodó. Isso mesmo Eurico pensando que o namorado era apenas um homem feio, pobre e corcunda. O que acaba contribuindo para que os dois acabem juntos é a própria avareza de Eurico. Durante a narrativa, o protagonista acaba focando toda a sua atenção em proteger a sua porca, eventual herança de sua família, mas que sabemos esconder algum segredo do qual ele não revela. Focar na porca tirou sua atenção em relação àqueles que o cercam. Quando ele se tocar do que realmente aconteceu é meio tarde para tentar algo.
Desde o começo a gente vai sentindo que o final não vai ser algo legal. Durante a narrativa o leitor vai criando esperanças de que haja algum tipo de mudança na índole do protagonista. Suassuna dá um ar bem leve à narrativa o que cria falsas expectativas para nós. Mas, logo vamos nos dando conta de que não é nesse ponto que ele quer tocar, mas provocar uma profunda reflexão em quem está assistindo. E sim, o final é bem melancólico mesmo. O plot twist da história é a própria ausência de um plot twist. No fim, O Santo e a Porca é uma leitura divertida quando precisa ser e reflexiva quando se propõe a provocar o leitor a fazer. Só tenho a curtir cada vez mais a escrita mágica de Suassuna que me encanta a cada novo livro lido ou relido.
Há alguns dias eu li 'Auto da Compadecida', e me diverti muito.
Hoje eu queria ler algo leve e por causa da minha experiência anterior, pensei nesta obra - também por ser uma peça de teatro, portanto, mais curtinha.
Nesta peça, Suassuna fala sobre avareza e fé.
O protagonista, Euricão, sempre foi devoto de Santo Antônio. Porém quando sua esposa morre, ele "adota" uma porca de madeira - cheia de dinheiro - para assumir o lugar da esposa, como uma forma de garantir seus cuidados na velhice.
A trama se complica quando, Eudoro, ex-noivo de Benona (irmã de Euricão) envia uma carta para Euricão dizendo que está vindo até a casa para tomar-lhe seu tesouro.
O mão de vaca do Euricão acha que Eudoro está vindo pedir dinheiro e entra em desespero. Mas na verdade, ele está vindo por Margarida, a filha de Euricão.
Margarida é apaixonada por Dodó, filho de Eudoro e eles querem se casar.
Para resolver toda a situação, Caroba, empregada da casa de Euricão e namorada de Pinhão (empregado de Eudoro), arma um plano mirabolante para ajudar todos os personagens envolvidos.
Arma-se uma confusão enorme entre Euricão estar às voltas com a porca e a preocupação de casar as pessoas certas.
A peça tem um humor gostoso pairando no ar e o jeito de Caroba me lembrou João Grilo.
Os diálogos trazem o regionalismo sertanejo e algumas partes contém um toma lá, dá cá que me lembra o humor de Chaves e dos Trapalhões, que é riquíssimo!
Ler essa peça me fez refletir em como estamos preocupados em acumular dinheiro e bens materiais, sem aproveitar a vida, sem saber se teremos como aproveitar tanto patrimônio acumulado.
Sobre como não levamos nada no fim, como estamos ou acabamos ficando sozinhos quando decidimos abraçar o dinheiro e também sobre a solidão das pessoas muito endinheiradas.
Me fez pensar em como o dinheiro se tornou um deus em nossas vidas, sobre como abandonamos nossa fé por acharmos que o dinheiro é mais importante do que tudo.
Isso fica claro na fala do Euricão: "[...] Que santo mais ciumento, é "ou ele ou nada"! É assim? Pois eu fico com a porca. Fui seu devoto a vida inteira: minha mulher me deixou, a porca veio para seu lugar. E nunca nem ela nem você me deram a sensação que a porca dá. [...]".
Dividida em três atos, esta peça é gostosa de ler. Esta edição contém uma breve nota bibliográfica escrita por José Laurenio de Melo e introdução escrita pelo autor.
Foi uma leitura gratificante, mas minha favorita é 'Auto da Compadecida'.
Há algo sempre repetido entre os círculos de católicos: memento mori. Ou seja: lembre-se da morte. A expressão latina é repetida a exaustão não por acaso, mas porque de fato sempre nos esquecemos que estamos de passagem, que não nos eternizaremos na terra. Diz o evangelho de São João "aquele que ama sua vida, a perderá; no entanto, aquele que odeia sua vida neste mundo, a preservará a vida eterna" (João 12: 25)
A situação humana que se encontra na peça escrita pelo paraibano Ariano Suassuna é a mais natural de todas, é a nossa situação de pecadores. A todo o instante estamos trocando o Santo pela Porca, sendo a porca nossa medíocre vida.
Por mais que Ariano afirme que odeia simbolismos é interessante notar que as riquezas guardadas por seu Euricão não valiam nada, já estavam datadas. Ora, não é essa a sina das regalias mundanas? Todas estão datadas, nenhuma delas chega ao eterno.
O Santo e a Porca é um livro delicioso e cômico, mas também de primeira qualidade, mais uma vez Ariano bebe na riquíssima fonte da literatura portuguesa, é impossível não lembrar-se dos escritos de Gil Vicente.
Muito agradável de ler a escrita dramática de Ariano Suassuna. Fiquei pensando como, para além da questão do dinheiro, a porca equivale às mulheres da história como um objeto. "Um tesouro" que pertence a alguém. Essa confusão toda só é possível porque a ideia de uma mulher pertencer a um pai ou a um marido é aceita, assim, pode-se falar de uma mulher ou de uma porca de madeira com os mesmo adjetivos. Mas as personagens femininas são fortes e presentes, para seu tempo e contexto. A questão da desigualdade social, tratada a partir da condição de escravidão em que os serviçais vivem, é muito bem desenvolvida e nos faz pensar em situações similares ainda muito presentes na sociedade contemporânea.
Leitura divertidíssima. Ariano Suassuna fala sobre o tema da avareza nesta peça de 3 atos. Os diálogos são muito engraçados e há personagens memoráveis como Euricão Árabe (ou Euricão Engole Cobra - devoto de Santo Antônio e o dono da porca) e Caroba. As confusões em que os personagens se metem fazem o leitor não querer largar o livro para ver o que vai acontecer. A peça nos mostra de forma caricatural como a avareza pode dominar a vida de uma pessoa. Dá para ser lida em apenas 1 dia. Recomendo.
Foi uma experiência fascinante ler uma das peças de teatro de Ariano Suassuna. Eu escolhi ler essa peça especificamente por conta do estudo de latim. No livro método que a gente usa, tem uma peça de um poeta latino Plauto e Suassuna se inspira em Plauto pra fazer a sua peça. E assim, foi uma escolha deliciosa, porque é bem engraçada e está muito próxima da gente, enquanto relembra o fato de estar se inspirando em um autor latino bem antigo.
A peça se passa entre avareza e a confusão criada para evitar confusões. Caroba, alguma parente de João Grilo, nos mostra novamente toda genialidade que alguém simples pode ter e é bem difícil falar de outro personagem quando ela rouba a cena.
Ao começar a ler, não conseguimos parar até que se acabe. Uma leitura fácil, agradável e muito divertida!
Muito engraçado, como todos os textos de Suassuna. Uma série de desentendimentos e desencontros divertidos, todos acompanhados da paranóia de um dos personagens, que teme sempre ser roubado. Divertido demais.
mais uma divertida peça do suassuna. trata da avareza de um velho árabe que mora no sertão e de como esse sentimento o faz preferir seu cofre -uma porca cheia de dinheiro- à sua filha, ao seu santo antônio e às pessoas do seu convívio.
Leitura fluída, fácil e leve. Pulei as notas iniciais porque não sou obrigado e me desanima de ler o resto. O final parece algo que já vimos em "O auto da compadecida", mas terminar esse livro, curto, dá uma sensação boa e deixa boas memórias.
A very good comedy play. I like it how the author sets up a big mess and trickery and then everything gets ordered, indicating the heaven's influence on our lives.
Ariano Suassuna é muito foda, ele consegue fazer uma tramóia que inimaginável e sempre com finais surpreendentes, e engraçado pra caralho também, pqp hahaha