Partiendo de cinco relatos biográficos que anhelan acercarse al origen en el mundo de las letras de Hermann Hesse, Raymond Carver, Ernest Hemingway, Ricardo Piglia y Vladimir Nabokov, un narrador, que pudiera o no ser Eduardo Halfon, intenta ubicar el instante preciso, aunque a veces fugaz, en que un ángel vuela por encima de alguna persona y la obliga a caer, como en un oscuro e interminable pozo, en la literatura.
Pero ¿existe en realidad ese momento? Una indagación apasionante, un híbrido entre novela, diario fragmentado y colección de cuentos, ensayos y entrevistas, este mosaico del arranque literario de numerosos escritores coquetea con ser un libro que se está gestando a sí mismo, con ser un libro que detalla y registra el minucioso proceso de su propia escritura, intentando descifrar el enigma de la llamada de las artes.
¿Un ángel literario, entonces? «Sin pedir permiso ni perdón», confiesa en algún momento el narrador, «el ángel literario se asoma, nos eleva efímeramente hacia algunos paraísos y nos arrastra hacia nuestros propios infiernos, y eso es todo, y a la mierda.»
Un libro que se gesta a sí mismo, que detalla y registra el minucioso proceso de su propia escritura, intentando descifrar el enigma de la llamada de las artes, que figuró entre las obras finalistas del XXI Premio Herralde de Novela
Eduardo Halfon nació en 1971 en la ciudad de Guatemala. Ha publicado Esto no es una pipa, Saturno (2003), De cabo roto (2003), El ángel literario (2004), Siete minutos de desasosiego (2007), Clases de hebreo (2008), Clases de dibujo (2009), El boxeador polaco (2008; Libros del Asteroide, 2019), La pirueta (2010), Mañana nunca lo hablamos (2011), Elocuencias de un tartamudo (2012), Monasterio (Libros del Asteroide, 2014), Signor Hoffman (Libros del Asteroide, 2015), Duelo (Libros del Asteroide, 2017), Clases de chapín (2017), Biblioteca bizarra (2018), Canción (Libros del Asteroide, 2021), Un hijo cualquiera (Libros del Asteroide, 2022) y Tarántula (Libros del Asteroide, 2024).
Su obra ha sido traducida a más de quince idiomas. En 2007 fue nombrado uno de los treinta y nueve mejores jóvenes escritores latinoamericanos por el Hay Festival de Bogotá. En 2011 recibió la beca Guggenheim, y en 2015 le fue otorgado en Francia el prestigioso Premio Roger Caillois de Literatura Latinoamericana. Su novela Duelo fue galardonada con el Premio de las Librerías de Navarra (España), el Prix du Meilleur Livre Étranger (Francia), el International Latino Book Award (EE. UU.) y el Edward Lewis Wallant Award (EE. UU.). Su novela Canción recibió el Premio Cálamo Extraordinario. En 2018 le fue otorgado el Premio Nacional de Literatura de Guatemala, el mayor galardón literario de su país natal.
4,5* #halfon de mi corazón #outubrohispoanoamericano
Eduardo Halfon foi uma das minhas melhores descobertas este ano e, com este “Anjo Literário” esgotei tudo o que ele tem vertido para português. O estilo deste autor é simultaneamente simples e magnético, e tenho de recorrer a todo o meu autocontrolo para não ler os seus breves livros de uma assentada só. Creio que o segredo de leituras tão empolgantes reside na fusão de géneros que tem em “Anjo Literário” o seu corolário.
Porque é que eu comecei a escrever? (...) Talvez estivesse a investigar a vida dos outros à procura de mim próprio, à procura de um momento em que esse anjo literário me sobrevoou e, amaldiçoando-me, injuriando-me derramou sobre a minha cabeça tantas palavras. Eu sei lá. Responder a esta pergunta é talvez a resposta a outra magnânima pergunta que, a pouco e pouco, se foi tornando um romance e um diário e uma autobiografia e um ensaio e uma espécie de enciclopédia de influências literárias, tudo ao mesmo tempo e, ao mesmo tempo, nada.
E assim, este autor foca-se em momentos decisivos do processo criativo da vida imaginada de cinco escritores, partindo de factos conhecidos para fazer ficção: Hermann Hesse (“A Magia Fazia Falta”), Raymond Craver (“Como a Maré”), Ernest Hemingway (“Uma Oração Verdadeira”), Ricardo Piglia (“Estranhas Amizades”) e Vladimir Nabokov (“Wunderkind”). Os capítulos dedicados à infância de Hesse e Nabokov são de uma ternura e beleza excepcionais, complementados com episódios da meninice de outros autores...
Um rapaz, seu colega, perdidamente apaixonado pela filha do ferreiro, pediu a Pablo que lhe escrevesse as suas cartas de amor. Diz Neruda que talvez tenham sido essas as suas primeiras obras literárias. A jovenzinha não tardou a descobrir que era Pablo o verdadeiro autor dessas cartas e mandou-lhe um marmelo. Ele guardou-o como um tesouro.
...enquanto o olhar sobre Raymond Carver como o escritor que fica em casa a tomar conta dos filhos e a realizar as tarefas domésticas é de uma inversão de papéis deliciosa. Virginia Woolf sentir-se-ia ligeiramente vingada, parece-me.
Colocou a cesta de plástico vermelho à beira da pequena porta e, com o livro de Chekov debaixo do braço, de joelhos, tirou os trapos molhados. Fez a mesma coisa nas outras três máquinas, até acumular uma pequena montanha de cuecas, peúgas e t-shirts que emanavam um repugnante vapor de humidade e sabão. As máquinas de secar estavam todas ocupadas. Ficou em pé, a ler. A suar, com a cesta vermelha entre as pernas. Tinha de ir buscar os filhos daí a menos de uma hora.
Igualmente genial é o exemplo de metaliteratura presente em “Estranhas Amizades”, em que Halfon imagina um diálogo entre Steve Ratliff, mentor de Ricardo Piglia, e Ernesto Renzi, uma das suas personagens, em que ambos cortam na casaca do autor argentino e discorrem também sobre o género diarístico.
-Tu tens um diário? -Nem pensar. Prefiro lê-los. Diários importantes, Renzi, aí tens outra ideia para romancear. Ofereço-ta. Dostoievksi, Musil, Kafka, Mansfield, Gide, Woolf, Valéry. Grandes diários de grandes escritores. -Pavese.
São grandes nomes da literatura mundial que servem de base a estes ensaios, mas Halfon polvilha-os com entrevistas e encontros com outros autores de língua espanhola, dando-lhe um carácter mais regional e pessoal. Entre eles destaco Ernesto Sabato, Horacio Castellanos Moya, Roberto Bolãno, Sergio Ramírez e o incontornável Enrique Vila-Matas, talvez o exemplo mais perfeito e prolífico da metaficção.
Se o meu romance te servir para alguma coisa, podes utilizá-lo no teu. Poderias combinar as minhas recordações de Antonioni com as do imitador de Hemingway em Paris e assim terias duas versões, o que confirma que a verdade não é necessariamente o contrário da ficção. Recebe mais um abraço do teu camarada hemingwayano.
É nesta última frase que reside a explicação de eu não dar 5* plenas a um livro que tanto prazer me trouxe; é que ao contrário de Halfon e Vila-Matas não vejo nada de fascinante em Ernest Hemingway, pelo que o capítulo a ele dedicado acaba por ser um insípido retrato desse autor na sua temporada em Paris, um assunto mais do que batido sobre uma figura que transcende o homem e o escritor para se tornar um mito popularucho. Salve-se a Shakespeare & Co, Ezra Pound e a impertinente Gertrude Stein.
-E Joyce, Gertrude, conhece a obra de Joyce? -Lembra-me uma velhinha de São Francisco. Sempre a queixar-se. (...) Olhe, Hemingway. Você só deve ler aquilo que for realmente bom ou realmente mau. -Sylvia Beach emprestou-me um livro de D.H. Lawrence. -Ele é impossível. Absurdo. Escreve como um doente.
Cada vez gosto mais de livros cheios de factóides sobre escritores e que apresentem uma investigação sobre as origens de cada um, e Halfon combina ambas as vertentes da literatura com uma enorme facilidade, acrescentando sempre uma pitada autobiográfica de humor e amor.
Estive apaixonado por Nastassja Kinski durante quase toda a minha adolescência, até conhecer Dulcineia e aprender que o amor não existe.
Desconhecia por completo este autor. Judeu, guatemalteco, norte-americano, Halfón é muitas coisas e um excelente escritor também. Neste "El ángel literario" decide escrever um conjunto de contos em que ficciona a vida, ou episódios da vida, de escritores de referência, obstinando-se em apurar o momento concreto em que passaram a ser escritores: existirá? Como é evidente há uma cultura literária impressionante subjacente a este exercício - não poderia ser de outro modo. Lido no original castelhano.
El autor define este librito como una especie de mosaico híbrido, una colección de biografías en forma de cuento, también la génesis de su escritura, de las dudas que Halfon atravesó mientras lo escribía y que, se deduce, son las que le aparecen cada vez que escribe un libro, una empresa que además lo vampiriza por completo, tomando su mente como una obsesión, casi privándole de vida mientras no logra finalizar un libro.
La línea maestra que reúne a todas estas conocidas firmas es conocer el momento decisivo a partir del cual alguien que escribe se transforma en un escritor. O incluso cómo es ése momento en el que se empieza a escribir.
El primer cuento biográfico es el de Herman Hesse, ahí hallamos ese momento cuando era niño que le pareció encontrar en el bosque una extraña y pequeña figura, quizá un duende y quizá un ángel, que le conducirá a robar unos higos, que le reportará un castigo por el que será encerrado un día entero en el desván de casa para que reflexione acerca de su fechoría, dónde encuentra unos libros con historias de piratas y el resto es historia. Siddharta, El lobo estepario, El juego de los abalorios nacen de tan pequeño momento.
Pequeñas miniaturas inadvertidas dónde encontramos también las historias de Enrique Vila-Matas, con quien comparte admiración por Ernest Hemingway, otro de los retratados o Vladimir Nabokov y Ricardo Piglia tras Borges. Una galería a mi gusto muy sabrosa y que conforman una lectura muy entretenida, en verdad me siento en sintonía con ese panorama, que Halfon retrata con un talento y un ingenio que siempre prefiere la discreción. Porque la prosa de Halfon es como los trazados de un delineante: una sola línea quizá no te deslumbra, pero es precisa, y cuando alejas el foco y observas el conjunto, te convences de su sentido y simetría, así es la prosa de Halfon, meditativa y a la vez ligera, discreta y certera, logra convencerte que lo que ha dicho sólo se ha podido escribir a la forma que él lo hizo. Aunque existan centenares de variantes, infinitas posibilidades encerradas en esa maravillosa Biblioteca de Babel.
Halfon no es una de las voces más famosas de la literatura latinoamericana, si bien goza de una sólida base de lectores que absorben con deleite cada uno de sus pequeños y espléndidos libritos. La verdad es que no me extraña, ésta ha sido mi tercera visita a su obra y el juicio es el mismo que las dos anteriores: un disfrute.
Apenas unas páginas de haber comenzado a leerlo, recordé un gesto que hizo papá al mencionarlo, el tono en su voz al pronunciar el nombre del autor.
Recordé haber escuchado su nombre en mi biblia personal que es "Entre paréntesis"; incluso recordé haber apuntado su nombre, haber buscado sus libros, sin éxito; y haberlo olvidado.
Papá fue por el libro y me lo entregó en la mano. Eso raramente sucede. Casi nunca. Al menos, no tengo recuerdos de algo así.
Lo sentí como un obsequio.
Unas páginas después, entendí lo que papá me quiso decir.
Seguí leyendo y Freni venía a mi cabeza. Tuve que reprimir el deseo de llamarle o escribirle, aunque en la primera oportunidad no me contuve y se lo recomendé.
Cargaba con el libro como un amuleto, incluso logré leer siete páginas en la oficina.
Mamá llegó entre líneas. Roxanna.
Ana.
Emilia.
Todo mi mundo, el ficticio que es la vida, y el real que son los libros, se concentran en un papel en blanco. En unas líneas jamás escritas.
«Los libros se esceiben con palabras, no con ideas» o algo parecido leí en este libro.
Es tremendo. Y por más que Héctor odie los libros y a los escritores que escriben de libros y de escritores; él seguirá siendo mi amigo, y los libros también.
Y Eduardo Halfon seguira cuestionándose, indagando y obsesionándose; pero, más importante aún, seguirá escribiendo.
¿Ahora? Ahora a googlear qué más a escrito Halfon e ir por ello cuanto antes.
Es hermoso el ejercicio que Halfon se plantea para escribir este libro, ¿cuál es el momento en que una persona se convierte en escritor? Me encanta como intenta encontrar ese instante preciso en la vida de algunos autores clásicos y me gusta ese juego que él hace de ficcionalizar esos momentos, de imaginárselos, de crearlos, de poner un escenario, pensamientos, palabras a cuando Hesse o Hemingway o Pligia se lanzaron a la escritura.
No me convenció la metáfora del Ángel literario, a ratos me pareció muy forzada, sobre todo al final. Como si necesitara de esa metáfora para que todo fuese más literario cuando la literatura estaba en las historias que él decidió contar.
Creo también que el libro va de más a menos. El comienzo es muy fuerte. Las historias de Hesse y Carver son increíbles!!! Tiene muchos momentos hermosos, profundos y reflexivos sobre la literatura, la escritura; muchas citas y referencias dignas de nombrar pero también muchos párrafos innecesarios que me hacen pensar que le faltó edición.
De todas formas me entusiasmó Halfon y es un libro indispensable para todos aquellos que desean escribir o ya lo hacen.
Me gustó. Creo que es un libro que tiene fragmentos muy logrados. Aún así, se percibe claramente la influencia de Vila-Matas y, si estás un poco cansado de la metaliteratura, su valor baja unos cuantos enteros.
Uno de los primeros libros de Halfon. Ya se notan algunos rasgos de su prosa pulcra y fragmentaria, pero aún no encontraba su estilo definitivo. Está muy cerca de la influencia de Vila Matas, todavía. Un libro sobre un escritor convirtiéndose en escritor a través de otros escritores convirtiéndose en escritores.
o que se pode esperar de um livro que pretende responder a uma pergunta sobre a qual sabemos que não há uma resposta? Que vamos encontrar várias respostas :) E é isto o que acabamos de encontrar neste livro: um acto de loucura!!
Brillante ensayo / crónica / ¿colección de cuentos? que alterna entre voces y estilos para plantear la pregunta milenaria: ¿por qué escribimos?
Sin pretender responder, Halfon inyecta una vitalidad literaria en este texto de una manera mágica, encantadora a través de Herman Hesse, Hemingway, Nabokov, Piglia, entre otros/as.
Não conhecia o autor, nem nunca tinha ouvido falar deste título que jazia numa pilha de livros, mas bastou-me ler a contracapa para ficar com curiosidade: "(...) Porque é que alguém começa a escrever? Existirá o momento da primeira inspiração literária, de um despertar narrativo?" O autor, guatemalteco, Eduardo Halfon, desvenda os primeiros passos de alguns dos seus escritores favoritos, Herman Hesse, Ernest Hemingway, Raymond Carver, Ricardo Piglia e Vladimir Nabokov. O anjo literário é a imagem que escolhe para iustrar a inspiração ou, melhor ainda, para o que designa de detonadores literários: "(...) O anjo literário - anjo caído, talvez luciferino, mas anjo, no fim de contas - não tem horários fixos, nem momentos planificados. Voa por cima de um infeliz qualquer quando lhe apetece e ponto. Às vezes, esse anjo é perceptível. Às vezes, disfarça-se. Às vezes, o seu voo é tão fugaz e silencioso que nunca ninguém ficou a saber que passou por ali, espargindo palavras mágicas sobre uma qualquer vítima e deixando legiões de futuros leitores na perplexidade absoluta, porém, felizes."Ou, como vai repetindo "(...) um anjo recorda-nos tudo aquilo que esquecemos." O livro tem momentos absolutamente fascinantes, mas são, justamente, momentos. E no conjunto parece, como o próprio autor menciona, um mosaico, mas, parece-me que nem cada parte do mosaico é absolutamente conseguida. Senti que lia momentos, apontamentos apenas e nunca um todo. Talvez isto aconteça porque o autor, Eduardo Halfon, conhece as biografias e episódios daqueles autores que nós, leitores - ou pelo menos eu - desconhecemos. Apesar de dedicar ou iniciar cada capítulo com um dos autores, vai misturando as suas histórias com a sua própria história e convocando ainda outros autores. Mas talvez esta sensação decorra da quase impossibilidade da missão a que o autor se dedicou. No meio ficam excertos ou citações que não resisti a roubar.
"El peligro de penetrar apasionadamente en el mundo de los libros es que nos convertimos, nosotros mismos, en un aglomerado de pequeños trozos literarios. Y los libros que escribimos no pueden ser más que una aberrada sumatoria de todas aquellas páginas que les vamos arrancando a los libros que leemos".
"Balzac decía que los sucesos principales en la vida de un escritor son sus libros. No la influencia de sus padres ni abuelos ni hijos; no el sufrimiento, ni sus traumáticas experiencias en el amor y el odio; no la vasta biblioteca que leyó; no sus viajes por París y Barcelona; no todas las románticas amistades literarias que cultivó a través de cartas y botellas de vino y bandadas de adulaciones baratas. Sino los libros que escribió. Punto".
"Había dicho Bolaño que uno nunca termina de leer, aunque los libros se acaben, de la misma manera que uno nunca termina de vivir, aunque la muerte se una hecho cierto".
"La literatura tiene dos vertientes: escritores metidos en la vida y escritores metidos en un cuarto". Fragmentos: "Wunderkind".
"Alguien escribe su vida cuando cree escribir sus lecturas". Fragmento: "Extrañas amistades"
"Pensó que sería mejor no salir del apartamento y quedarse, al lado de una jarrilla de café caliente, escribiendo toda la tarde. Se visualizó a sí mismo solo, en silencio, narrando con soltura en papel tras papel. Mientras duró esa imagen, fue feliz". Fragmento: "Como la marea".
"Sin pedir permiso ni perdón el ángel literario se asoma, nos eleva efímeramente hacia algunos paraísos y nos arrastra hacia nuestros propios infiernos, y esos es todo, y a la mierda". Fragmento: "El ángel literario".
A pesar de que odié el final y eso impacta retroactivamente en el efecto total que me provoca un libro, no puedo dejar de recomendarlo porque disfruté leyendo todo lo anterior a esas infames 10 páginas finales que hubiese preferido que no estuvieran. La idea es preciosa: Eduardo Halfon busca descubrir «en qué momento una persona queda preñada de ese extraño anhelo por narrar, por contar, por escribir, por adoptar las palabras como su forma de expresión y, en ciertos casos, su modus vivendi. Encontrar ese instante y narrarlo» y lo hace, exquisitamente, con Nabokov, Piglia, Hesse, Hemingway, Carver, Sartre, Neruda, Eudora Welty y otros. Usa la escritura para rastrear ese momento y obviamente no lo encuentra. Pero con esa búsqueda obsesiva y el tono de diario personal que toma en los momentos en que sale de la ficción, construye una novela entretenida con la que puedes dialogar y cuestionarte o solo dejarte llevar.
Tengo que admitir que, teniendo un punto débil por todo lo que tenga que ver con Hermann Hesse, decidí leer esta obra cuando leí que el autor buscaba discutir factores en común en el despertar literario de varios autores, Hesse entre ellos. Honestamente, si Halfon no hubiera empezado con Hesse probablemente no hubiera seguido leyendo. Halfon combina recreaciones biográficas de los momentos que él determina clave en la vida de los autores con reflexiones autobiográficas en busca de paralelos. Este estilo se vuelve tedioso relativamente rápido y la falta de dirección de la corta obra la hace sentir mucho mas larga.
Una lectura genial que busca, a partir de retazos de múltiples escritores, la razón por la que se empieza a escribir. Si se trata de una pulsión que una vez satisfecha de adormece o si se nace con ella, como si en lugar de un ángel de la guarda los grandes autores de la literatura nacieran bajo el amparo de un ángel literario.
Cómo se empieza a escribir, ese impulso inicial, lo que lleva a sentarte delante del ordenador, de una máquina de escribir o de un cuaderno en blanco y llenar todo de palabras. Quizá no exista, sea un mito. Varios autores lo rememoran y llegan a distintas conclusiones. Tan solo es escribir. www.preferirianotenerquehacerlo.wordp... www.enbuscadeaquellanoche.wordpress
Questa è una ricerca sul perché si scrive. In quale momento della vita di una persona l'angelo letterario si manifesta? È una ricerca che mi è piaciuta tantissimo. Bella penna Halfon. E ecco,anche se non ha ancora capito perché scrive, beh, l'importante è che abbia cominciato...
O que leva um escritor a ser escritor? Enquanto o autor procura as suas razões para ser, vai à procura das razões de alguns dos seus autores preferidos. Que pérola!
Un ejercicio maravilloso del uso en español de distintos estilos literarios, temas, personajes y homenajes a ellos y a otros mencionados. Ideal para escritores primerizos, si tal termino existe.
Em que momento mágico nos tornamos escritores? Qual o anjo literário que nos visita? E por que motivo nos dedicamos à ficção ou à poesia? Estas são as questões levantadas pelo autor guatemalteco Eduardo Halfon (1971-) na sua obra mais recentemente publicada em Portugal, O Anjo Literário — um livro diferente de tudo o que li até hoje.
Recorrendo à biografia e à ficção, Halfon recria um dia ou dias na vida dos seus homens de letras favoritos: Hermann Hesse, Raymond Carver, Ernest Hemingway, Steve Ratliff (a pretexto de Ricardo Piglia), e Vladimir Nabokov. Nestas breves narrativas, o objectivo do autor é descrever o instante epifânico em que um indivíduo sente o chamamento para a escrita, “deixa de ser uma virgem literária e começa a fazer amor com as palavras” (Halfon 32).
Por exemplo, na primeira história — “A Magia Faz Falta” —, Halfon imagina o pequeno Hermann, de castigo por ter roubado onze figos numa feira. Sozinho, no sótão escuro, o rapazito facilmente teria medo ou se aborreceria, não fosse encontrar, num caixote de cartão, um livro de piratas:
"Abre-o. Na primeira página, em forma de lâmina, vê o retrato de um bucaneiro com um gancho, com uma perna de pau e uma sombria pala sobre o olho esquerdo. Começa a ler as peripécias, os delitos, os sofrimentos de um bandoleiro alemão. As suas aventuras. Os seus furtos e condenações. Vira as páginas com irreprimível ansiedade até que, algumas horas mais tarde, regressa ao início e começa a ler tudo de novo. (…) Através do pirata, entende-se a si mesmo. E tudo, pensa Hermann, apenas com a palavra escrita." (Halfon 25)
Também o leitor de O Anjo Literário se sente encantado, ao percorrer com Hesse o bosque da terra natal; ao espreitar Carver, sentado numa lavandaria em Iowa City, a meditar sobre a vida, a família, as contas por saldar; ao beber rum com Hemingway, no Café des Amateurs, em Paris; ao conversar sobre a arte da escrita com Ratliff, madrugada dentro, num bar mal-afamado, onde nem sequer falta uma lolita de treze anos; ao apanhar uma chuvada, num parque de Vyra, ao lado de Nabokov que, repentinamente, rabisca o seu primeiro poema e desperta para as letras. Halfon permite-nos testemunhar a vida privada de todos estes autores e assistir ao momento em que um anjo literário, simultaneamente luciferino e divinal, desceu sobre eles, e os fez cair na literatura.
No entanto, este não é um livro fácil de classificar — e aqui reside a sua originalidade, mas também a sua fraqueza. Muitas vezes, Halfon interrompe a narrativa do dia mágico de um determinado romancista, contista ou poeta, para invocar outros escritores, afastados no tempo e no espaço. Por exemplo, no conto sobre Raymond Carver, encaixa uma entrevista com Sergio Ramírez, um escritor da Nicarágua; apresenta um bosquejo biográfico de Jorge Luís Borges; refere pormenorizadamente um encontro em Madrid com Andrés Trapiello, autor de uma biografia sobre Cervantes, etc.
Estas digressões (outros diriam intromissões) distraem da leitura e quebram o encantamento que Halfon tanto preza. O próprio autor está consciente do carácter heterogéneo da sua obra: “um estranho mosaico de ideias, relatos, anedotas e entrevistas” (Halfon 123). Contudo, tais interrupções também revelam e acentuam a natureza deste livro: uma viagem pelo mundo e pela palavra, para desvendar o mistério da criação literária. Mas haverá uma resposta? Halfon afirma:
"As pessoas entram e saem da literatura sem saberem porquê. E talvez o simples facto de fazer a pergunta seja aproximarmo-nos demasiado do sol, pois a razão nunca poderá compreender manifestações do espírito estético. Nunca. Sem pedir permissão, nem perdão, o anjo literário assoma, eleva-nos efemeramente até alguns paraísos e arrasta-nos para os nossos próprios infernos." (Halfon 124)
Questa domanda è la forza motrice di un progetto di ardua e delicata realizzazione, nel quale Halfón si lancia senza paracadute. Là dove anche un Daniel Pennac camminerebbe sulle uova e, forse, perfino Italo Calvino avrebbe giudicato inappropriato il solo provare a rispondere al quesito, Halfón compie e poi espone tutta la complessità del suo personalissimo tentativo".
Igual después de digerir este libro se dio cuenta que le es mejor no exigirse un cierre en sus libros. Se agradece la sinceridad, la ingenuidad si se quiere, o creo que la agradecerá toda persona que esté en sus primeros pasos frente al abismo de escribir, de narrar.
A ratos tenía la sensación de que se estaba dando explicaciones, o justificándose, o tratando de legimitar su modo de escribir. Las necesitamos de vez en cuando.
Me gusta la prosa de Halfon porque es clara y no necesita mucho para comunicar un sentimiento, pero lo que más me gusta de este libro es que su prosa cambia con cada uno de los escritores que son protagonistas de su libro. Yo le recomendaría este libro a cualquiera que desee convertirse en escritor.
Cercare di capire cosa spinge uno scrittore a scrivere attraverso le testimonianze di grandi autori. Scoprire che un angelo letteraio (o un demonio?) ti prende a un certo punto e lì nasce l'ispirazione, quella che non ti lascia più. Un'indagine meravigliosa che affascina chi, come me, scrive...