Uma das paixões de Miguel Torga é conhecer Portugal. Desde os tempos de Leiria, percorre o país de lés a lés, registando as paisagens, os monumentos, os modos de falar, os sabores do pão e do vinho, a feição das gentes. Em finais dos anos 40 viaja de automóvel com um amigo igualmente entusiasta, Fernando Valle Teixeira, cuja família tem casa na Quinta da Raposeira, em Lamego.
As férias em Trás-os-Montes, a caça, as idas anuais às termas do Gerês são também meios de conhecer palmo a palmo, com uma erudição adquirida pelos pés, os socalcos do Douro, a povoação mais remota, a capelinha românica abandonada, o castro em ruínas, as fragas mais altas da Calcedónia. Em 1950 publica o livro Portugal, uma invenção de Portugal (na fórmula feliz de um crítico francês) que é a expressão dessa aprendizagem, dessa decifração e dessa compreensão da pátria. (Clara Rocha, Miguel Torga. Fotobiografia)
Miguel Torga, pseudonym of Adolfo Correia da Rocha was one of the greatest Portuguese writers of the 20th century. He wrote poetry, short stories, theater and a 16 volume diary.
He was born in a village in Trás-os-Montes, northern Portugal, to small-time farmer parents. After a short spell as student in a catholic seminary in Lamego, also in Trás-os-Montes, in 1920 his father sent him to Brazil where he worked on the coffee plantation of an uncle who, finding him to be a clever student, paid his high school there and afterwards his medicine graduation (1933) at the University of Coimbra, in Portugal (to where he returns in 1925).
After graduation he worked in his village and in other places in the country, publishing his books from his own pocket for a number of years. In 1941, he established himself as an otolaryngologist physician in Coimbra. His agnostic beliefs seems to reflect in his work, that deals mainly with the nobility of the human condition in a beautiful but ruthless world where God is absent or is nothing but a passive and silent, indiferent creator.
After the value of his work was being recognized, he went on to receive several awards, as the Prémio Camões in 1989 and the Montaigne award in 1981. He was several times nominated for the Nobel Prize of Literature, being the last one in 1994, but he never won.
Há uns meses atrás e numa biblioteca alheia, deparei-me com um livro de Torga que desconhecia, simplesmente intitulado «Portugal». Procurei nas estantes das livrarias e, com alguma sorte, lá encontrei um exemplar. Este Portugal de Miguel Torga pôs-me saudosista, deu-me que pensar e levou-me a viajar.
Uma espécie de viagens na minha terra, por um Portugal ali pincelado há mais de cinquenta anos mas ainda actual nalguns aspectos, pelo menos quanto à beleza ímpar de alguns recantos nossos que Torga faz questão de descrever. Começa por falar da sua pátria como uma nesga de terra debruada de mar, e daí parte para se debruçar especificamente nas regiões e também nas cidades mais emblemáticas (Porto, Coimbra, Lisboa e Sagres). E se às vezes se revela perdidamente apaixonado pela sua terra, noutras não evita algum sarcasmo e não tem pudor em apontar algumas feridas, o que se percebe sobretudo tendo em conta a época em que escreveu estas palavras... É sem dúvida um retrato muito interessante cuja leitura recomendo vivamente!
Apesar desse divórcio por incompatibilidade de feitios e de interesses, a província gosta de visitar Lisboa e Lisboa gosta de visitar a província. Embora regressem cada qual a sua casa aborrecidas e renitentes, encontram-se momentaneamente na beleza duma e na pureza da outra. Ao cabo e ao resto, sentem ambas que fazem parte do mesmo todo, como membros solidários dum só corpo. A Pátria é tanto o lodo de Alfama, o poleiro de S. Bento e a miséria mental do Chiado, como a lisura de Trás-os-Montes e a ênfase do Alentejo.
Belíssima descrição de Portugal, abordando seja a cultura etnográfica e geográfica em toda a sua riqueza (ou falta dela). Peca pelas comemorações colonialistas aqui e ali, o que me deixa o contra-gosto de uma obra que poderia ser perfeita, mas morre na praia. Mas não o deixa de restar um sabor a felicidade e orgulho que a praia seja tão longa e linda.
Um pequeno livro não só sobre as emoções que as várias regiões do país despertam no autor, mas também uma reflexão antropológica e sociológica sobre as mesmas. As diversas "províncias" portuguesas adquirem vida neste livro, ligando para sempre as terras e as suas gentes numa só entidade, e estas num mosaico maior - Portugal.
Livro que se lê de uma só vez, sem parar ou devagarinho saboreando cada paisagem como o autor. Seja qual for a preferência um livro a ler por quem seja fan de cultura Portuguesa.
The second try of my life to read Miguel Torga...and yet again I don't come out as a fan. This one in particular had so much potential: a series of short essays about each region of Portugal. That made it attractive enough to read, since I do have a slight charm for regionalism, and also the essay-like structure meant I didn't need to commit to a complicated plot. But still, Torga's style of writing is simply not for me and it failed to capture my attention. If I had to choose a favorite, I liked Reino Maravilhoso and Algarve.
Um olhar por Portugal, todo, no que o torna uno e naquilo que o diferencia, região a região. Não é um percurso demorado por cada metro do país, mas sim uma passagem geral por uma pátria que apaixonava Torga. Escrito com mestria, em frases de encher a alma e registar para o futuro, este é sem dúvida um livro a revisitar sempre que for necessário reacender a chama da curiosidade por este país, tão pequeno e tão repleto de reinos maravilhosos
Com muita tristeza afirmo que entre mim e a escrita do Miguel Torga não surgiu mais que uma relação de cordialidade. Não li com fluidez, custou até querer manter-me concentrada. É o que é, não se pode gostar de todos os livros que me passam pelas mãos. Não posso deixar de dizer que gostei do capítulo sobre Lisboa (sendo totalmente parcial) e o do Algarve também deu alguma leveza à leitura.
obs: li tudo numa tarde, não por gosto, mas porque a dissertação assim me obriga.
Interesse/comoção: 3 Escrita e estrutura: 4 Aprendizagem: 2
Uma excursão poética e feita na diagonal a várias regiões de Portugal Continental. Fez-me suspirar, porque já ninguém escreve assim. Fez-me torcer o nariz pelo "modo corrida" de percorrer alguns sítios. O capítulo mais bonito, naturalmente, é o dedicado a Trás-os-montes.
The usual Torga at his best of pessimistic, grumpy, poetical analytical insights into Portuguese idiosyncrasies. Not exempt of pedantic and nagging sensibility, yet full of psychologically lucid and vivid insights. The chapter on Coimbra and Lisboa must have gained some additional haters, especially the one on the city of the Penedo da Saudade and the anachronistic Fado. .
Viagem pelo Portugal continental na sempre rica, ainda que crua, escrita de Torga. Publicado em 1950 permanece atual na maior parte e tem interesse histórico-etnográfico no que deixou de ser. Uma bela leitura para começar o ano.
Concordando ou não com o que Miguel Torga diz sobre as diversas terras, conhecendo ou não todos os cantos de Portugal de que fala, haverá sempre algo de muito belo neste livro: a descrição d'O Reino Maravilhoso
Dos livros que eu li de Miguel Torga esse me pareceu o mais poeticamente potente e viçoso, o mais inspirado também. Mais agradável ainda seria a leitura se eu conhecesse Portugal de perto.
Wonderful book. I know the North of Portugal pretty well but I still learn on every page. Reminds me of Cela's ' dal Miño al Ribosela' but with more depth. Btw: this is in Spanish, not in English. Sloooow reading: I haven't read Spanish for ages . The parts about the North were the best. The further South he goes, the more abstract and sometimes boring the book becomes
O primeiro capítulo é difícil. Muitas referências históricas que teria de pesquisar para entender o contexto. No entanto a partir daí é muito melhor. Amei o livro. Apesar de não concordar com todas as opiniões pessoais do escritor é uma belíssima reflexão sobre Portugal continental...que faltam as ilhas. É como ler poesia em prosa. Lindamente escrito. Muito pertinente nas considerações sobre cada região. Lia um capítulo por dia. É um livro um pouco denso e é para ir saboreando. Para quem ama Portugal e consegue sentir a sua essência.