Este livro aborda a questão de um modelo religioso - o candomblé - enquanto fenômeno sociocultural e político integrado á sociedade brasileira. Nesse sentido, analisa a transculturação do modelos Kêtu (Nagô), Jeje e Angola-Congo para o Brasil. Inclui, ainda, um estudo de caso - o candomblé da Bahia -, em que são destacadas as questões das festas públicas, das liturgias comunitárias, da comida, da dança, da indumentária, entre outros pontos relevantes à compreensão do tema. Raul Lody é doutor em etonologia, antropólogo e pesquisador. Publicou, entre outros títulos, Santo também come, Orixá, o espaço e a sociedade e Samba de caboclo.
Depois de ter lido alguns outros livros sobre religiões afro-brasileiras, me deparei com este aqui na biblioteca da Universidade. A coleção Princípios da Editora Ática é conhecida por introduzir os estudantes a diversos temas. Com este livro de Raul Lody eu acabei entendendo e aprendendo bem mais sobre o Candomblé do que com outros livros de autores mais conceituados a atuais. Candomblé: Religião e Resistência Cultural é um livro da década de oitenta, mas mesmo quase 40 anos atrás ele consegue sintetizar e ensinar que muito outros livros mais encorpados. Ele explica sobre muitos costumes e rituais da religião como a preparação de comidas, as festas, as músicas, uma bela descrição sobre seus rituais de iniciação e também sobre a ancestralidade, sacralidade e sincretismo das transformações que as religiões jejês e iorubás passaram até se estabelecerem no Brasil . Além disso, Raul Lody promove uma análise, em um capítulo especial, sobre o Candomblé da Bahia, seja o rural ou o urbano e seus rituais privados e festas públicas, como as homenagens à Iemanjá no dia dois de fevereiro, em que os fiéis entregam ao mar suas oferendas. Um belo livro!