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Úrsula e outras obras

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A Edições Câmara traz mais um volume da série Prazer de Ler, a coletânea com as obras de Maria Firmina dos Reis, primeira escritora negra de que se tem notícia em nossa literatura e pioneira na denúncia da opressão a negros e mulheres no Brasil do século XIX.

A coletânea inclui o romance Úrsula, seu texto mais publicado, o conto abolicionista A escrava, o indianista Gupeva e a antologia de poesias Cantos à beira-mar, reunidos pela sua inequívoca qualidade literária.

Com o lançamento deste livro, a Edições Câmara busca reafirmar a importância da obra de Firmina, mulher, negra, educada, maranhense e uma voz da resistência feminina. A força de sua literatura é um convite à reflexão sobre temas como a escravidão, o sexismo e o lugar da mulher na sociedade paternalista e escravocrata da qual foi contemporânea.

307 pages, Paperback

First published November 26, 2018

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About the author

Maria Firmina dos Reis

23 books35 followers
Maria Firmina dos Reis was born in São Luís do Maranhão, on October 11, 1825, "natural daughter" of the freed slave Leonor Felippa dos Reis, having as her grandmother the also freed slave Engrácia Romana da Paixão and, as her uncle, the teacher, grammarian and philologist Sotero dos Reis, belonging to the white branch of the family and with a strong presence in the literate circles of the capital of Maranhão.
In 1847, she was approved in a public competition for the Chair of Primary Instruction in the village of São José de Guimarães, in the municipality of Viamão, located on the mainland and separated from the capital by São Marcos Bay, as recorded by her biographers Nascimento Morais Filho (1975) and Agenor Gomes (2022).
According to Morais Filho, upon retiring in the early 1880s, the author founded, in the town of Maçaricó, the first free mixed school in Maranhão and one of the first in the country. The feat caused great repercussion at the time and that is why the teacher was forced to suspend her activities after two and a half years.
The teacher was a constant presence in the local press, publishing poetry, fiction, chronicles and even riddles and riddles. According to Zahidé Muzart (2000, p. 264), “Maria Firmina dos Reis collaborated assiduously with several literary newspapers, such as A Verdadeira Marmota, Semanário Maranhense, O Domingo, O País, Pacotilha, O Federalista and others”.
Furthermore, she had a relevant participation as a citizen and intellectual throughout her ninety-two years of a life dedicated to reading, writing, researching and teaching. She worked as a folklorist, collecting and preserving cultural texts and oral literature, and also as a composer, being responsible for composing a hymn in praise of the abolition of slavery.
Firmina is the author of Úrsula, published in 1859, but only published in the following year. A revolutionary book for its time, it is the first abolitionist novel written by women in the Portuguese language; and, possibly, the first novel published by a black woman in all of Latin America. The narrative addresses the problem of the slave trade and the regime as a whole from the point of view of the subject enslaved and transformed into "human merchandise". The author brings Africa to the emerging Brazilian fiction as a space of civilization and freedom. And she denounces European traffickers as "barbarians", thus opposing Hegelian thought aimed at justifying slave colonization as a civilizing enterprise. And well before Castro Alves' "Navio Negreiro", she denounces the mistreatment to which enslaved people were subjected in the "tumbeiros", true tombs for many who could not resist.

In 1861, the author released Gupeva in serial form, a short narrative with an Indian theme, published in chapters in the local press, and with new reissues throughout the 1860s.

Her volume of poems Cantos à Beira-mar, whose first edition is from 1871, brings texts marked by strong restlessness and a female subjectivity that is sometimes melancholic in the face of the 19th century reality marked by the dictates of slave patriarchy and also represented as a problem in the face of sensitivity. of the author.

Defender of abolition, in 1887 she published the short story "The Slave" in the press, an abolitionist text committed to inserting itself as a piece of rhetoric in the debate then taking place in the country surrounding the abolition of the servile regime.

Maria Firmina dos Reis died in 1917, poor and blind, in the municipality of Guimarães. Unfortunately, many of her personal archive documents have been lost and to date there is no news of any photos of her from that time. By the way, a portrait of the Rio Grande do Sul writer Maria Benedita Borman, pseudonym "Délia", circulates on the internet, as if it were the author from Maranhão.

Starting in 2017, on the occasion of the centenary of Firmina's death, her books have been re-released: Úrsula, now with around thirty reis

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Profile Image for pauli.
135 reviews
October 22, 2024
é um livro importante, sem dúvidas, principalmente quando levamos em consideração o contexto que a autora escreveu (sendo uma pioneira em diversos pontos), mas não é pra mim. achei chato e bem ????, não li os contos e duvido que em algum momento eu faça isso.
Profile Image for Talita Abreu (Ig - Casa da Coruja).
34 reviews27 followers
May 19, 2020
Hoje trouxe a resenha desse livro tão importante na história nacional. Considerado o primeiro romance abolicionista e de autoria feminina no Brasil, o livro conta a história de amor entre Úrsula e Tancredo. Um dia, andando a cavalo, Tancredo sofre um acidente e acaba passando alguns dias na casa de Úrsula para se recuperar, momento em que os personagens acabam se apaixonando. Eles vão sofrer vários empecilhos até que possam estar juntos, sendo um deles o pai de Tancredo, que se apaixonará por Úrsula.
Esse é um típico livro de romance romântico, gênero que estava em alta quando foi escrito, em 1859. Assim, é preciso entrar no livro já esperando um romance bem “água com açúcar”, com sentimentos extremados e uma história de amor tradicional, com personagens bem definidos em que é o “bom” e quem é o “vilão”. Já sabendo disso, eu entrei no espírito dessa escola literária e não fiquei questionando esse aspecto do livro, afinal ele foi escrito de acordo com o estilo de sua época. Apesar disso, existem aspectos da história que eu gostei muito. Ela apresenta algumas cenas de ação e aventura (que não vou comentar por motivos de spoiler) que realmente prenderam minha atenção e eu queria saber o que ia acontecer com os personagens.
Para além da história, o que é mais importante nesse livro é que ele foi o primeiro a apresentar personagens negros que tinha voz própria e que falavam de sua situação. Eles não eram apenas “objetos em cena”, que apareciam apenas em função dos brancos. Apesar de ainda serem personagens secundários, eles possuem voz, personalidade. O depoimento da escrava Suzana é um momento muito forte no livro. Ela conta como foi “capturada por bárbaros” (inversão da visão de quem é o bárbaro) e arrancada de sua terra para ser escravizada no Brasil. A crítica à escravidão permeia todo o livro.
Além disso, temos discussões sobre a situação da mulher na sociedade. Em várias situações podemos ver como a mulher era subjugada e não era dona da sua própria vida.
Ao ler esse livro eu me pergunto por que ele não tem mais divulgação. Nem mesmo as escolas falam a respeito dele. Ele é o primeiro romance escrito por uma brasileira negra, que trata de temas importantes, como a situação da mulher e a escravidão; é um livro bem escrito e apesar do romance água com açúcar tem uma trama super interessante (no final eu fiquei realmente apreensiva pelo casal, se eles iam conseguir escapar do pai do cara ou se alguém ia morrer). É um livro de grande qualidade e, ainda assim, é simplesmente esquecido na literatura brasileira.


Veja mais resenhas em: https://instagram.com/_casa_da_coruja...
Profile Image for Sara Jesus.
1,685 reviews123 followers
October 18, 2020
Novelas românticas que abordam com precisão os horrores da escravidão e poemas que exaltam louvores a liberdade, o amor e a amizade. Foi uma surpresa enorme este livro. "Úrsula" apesar do seu fim trágico merece o reconhecimento na literatura mundial, pelo seu papel de denúncia no tratamento do povo africano. E os seus poemas são de uma beleza extrema!
Profile Image for Rogerio Lopes.
826 reviews18 followers
October 6, 2024
A leitura dessa obra gera sentimentos um tanto ambíguos, se por um lado é óbvia a importância histórica e porque não dizer a qualidade da escrita de Maria Firmina que não tem nada a dever de outros escritores do mesmo período; por outro o estilo é um tanto afetado e por vezes irritante. Vale dizer que não é exatamente um defeito da autora, mas aparentemente um efeito de sua época e de suas influências. Seus personagens são por demais melodramáticos e intensos, dados a sentimentos que soam quase caricatos. Outra coisa um tanto incômoda é que se por um lado ela dá voz a personagens negros e indígenas, notadamente seus personagens negros ainda que orgulhosos guardam uma relação de servilidade e quase adoração pelos personagens brancos que os humanizam. Além disso sua escrita apresenta um certo maniqueísmo na caracterização dos personagens brancos que ou são francamente abjetos e odiosos ou são quase angelicais em suas virtudes, em suas descrições permeia uma afetação que dá nos nervos. A despeito disso é uma autora que vale a pena conhecer, ainda que julgue que a presente edição falhe em juntar poesia e prosa. Quase metade do livro dedicado a obras em poesia não me parece uma boa estratégia já que leitores mais afeitos a prosa não costumam apreciar tanto assim textos poéticos, ainda mais de uma autora que já em sua escrita em prosa apresenta uma certa afetação e quase preciosismo em alguns trechos.
Profile Image for amélia.
6 reviews
May 31, 2025
As pessoas precisam parar de ler as coisas porque elas são “importantes” como se a vida delas dependesse disso. Porque quando elas colocam na caixinha do “importante”, deixam de engajar crítica e esteticamente com a obra. Úrsula sofre disso: as pessoas saem correndo tão apressadas para lê-la porque ela é "importante" para, no final, não engajar criticamente com sua obra, que representa um marco importante na história do romantismo brasileiro, sim, mas que também é um bom livro pelo mérito que todo bom livro possui: bom pela sua construção, pelos seus personagens, pelas tristezas e angústias. No ensaio "Úrsula na contramão do romantismo brasileiro" (2020), de Felipe Vale da Silva, ele explana bem essa ideia:

"Maria Firmina dos Reis, em partes por sua condição marginal de mulher afrodescendente no Império, em partes por mérito individual, provou-se resistente às discussões infrutíferas da 'cor local' de seus contemporâneos Magalhães e Alencar — sua missão, porém, não foge da missão romântica internacional, interessada em captar e expressar a vida real, de forma aberta e amplificadora de sentidos. Se nossa tese é correta, seu romantismo provou-se mais apto na tarefa de representação da realidade, fazendo da autora uma espécie de “matriz explicativa do Brasil oitocentista” (os termos são de Miguel Wady Chaia in ZIN, 2019, p. 2). Herdeiros dessa tradição crítica, para além dos desvarios ufanistas, serão ninguém menos que Machado de Assis e Lima Barreto. Esperamos que chegue a vez dos estudos literários mostrarem que, dentro de nossa produção oitocentista, autores abolicionistas e seus precursores merecem ser tratados como os formadores da inteligência brasileira” (Silva, 2020, p. 223)

Mais do que um bom livro, Firmina dos Reis expõe uma construção estética complexa, que dá conta de olhar para a escravidão na formação nacional brasileira como o atentado à dignidade humana que ela é. Isso não se dá apesar do livro e sim, precisamente por causa dele: pelos personagens trágicos (todos acabam falecendo ou enlouquecendo) e suas concepções inocentes, pela imagem que ela cria de um belo País, mas carcomido pela escravidão.

Depois que o comendador Fernando mata todos os heróis, ele é atacado por sua própria consciência. O padre que ele blasfemou por ter tentando salvá-lo do inferno retorna à cena, admoestando o homem pelos seus crimes inafiançáveis perante Deus:

"Faltavam-lhe forças para ver Úrsula; as noites, e os dias inteiros passava-os aí, ora correndo louco por baixo dessas copadas e seculares árvores; ora rojando-se por terra, arrancando os cabelos e blasfemando horrivelmente de Deus e dos homens. Aí, a essa hora mágica do crepúsculo, estava ele, como de costume, só, e todo entregue a seus pungentes sofrimentos, quando a branda, mas repreensiva voz de um homem, o sobressaltou. Era o velho sacerdote.
— Vedes? – lhe disse apontando com o dedo na direção do poente. – É ela, é Susana!
O comendador levantou maquinalmente a cabeça e olhou.
Em uma rede velha levavam dois pretos um cadáver envolto em grosseira e exígua mortalha; iam-no sepultar!
Então Fernando P. estremeceu, porque aos ouvidos ecoou-lhe uma voz tremenda e horrível que o gelou de medo. Era o remorso pungente e agudo, que sem tréguas nem pausa acicalava o seu coração fibra por fibra. Escondeu o rosto, espavorido, e meneando a cabeça disse:
— Não! Não fui eu!
— Fostes! – tornou-lhe o padre com o acento do que vai julgar. — A infeliz sucumbiu à força de horríveis tratos. Martirizastes a pobre velha, inocente, e que não teve parte na desaparição de Úrsula! Não vo-lo provava seu acento de sincera ingenuidade, sua negativa franca e firme?! Homem! Porque a encerrastes nessa escura e úmida prisão, e aí a deixastes entregue aos vermes, à fome e ao desespero?!! Nos derradeiros instantes da sua vida, eu, o indigno ministro do Senhor, estava ao seu lado, e os seus últimos queixumes como que ainda os escuto! Sorria-se à borda da sepultura; porque tinha consciência de que era inocente e bem-aventurada do céu. A morte era lhe suave; porque quebrava-lhe o martírio e as cadeias da masmorra infecta e horrenda. E sabeis vós o que é a vida na prisão? Oh! é um tormento amargo, que mata o corpo e embrutece o espírito! É morrer mil vezes sem encontrar nunca a paz da sepultura! É um sono doloroso e triste do qual o infeliz só vai despertar na eternidade! E endurecestes o coração ao brado da inocência!... Porque era escrava, sobrecarregaste-a de ferros; negastes-lhe o ar livre dos campos, e entretido com novas vinganças, nem dela mais vos recordastes. Assassino de Tancredo, de Túlio, de Paulo, e de Susana! Monstro! Flagelo da humanidade, ainda não saciastes a vossa vingança? Ah! Humilhado e em nome de Deus, pedi-vos mercê para os infelizes, salvação para a vossa alma. Desdenhastes as minhas súplicas! Orgulhoso e vingativo que sois! E não sentistes que Deus observa os malvados e que os pune ainda na terra. Em vossa louca e vaidosa ideia, julgastes-vos grande, e esmagastes aos vossos semelhantes que eram fracos, e estavam inermes. Como a fera dos bosques acometestes a Tancredo e covardemente o assassinastes: como um verdugo cruel punistes Susana de um crime que não tinha... oh! Se o arrependimento vos não apagar a nódoa do pecado, os crimes vos despenharão no inferno. Fernando P.! Deus vela sobre as ações do homem, e o condena pela vaidade estúpida do seu orgulho. Úrsula! O que é feito dela? Tremeis? Oh! Eis aí o vosso primeiro castigo. A infeliz enlouqueceu de dor, e a sua loucura mirrou-vos a esperança do seu amor! Agora o amor requeima-vos o coração; mas árido é ele; porque os afetos de sua alma não serão para ti. Fernando! Chorai o pranto do arrependimento: sede caritativo e sincero que são vias para a remissão de vossos enormes pecados. Ainda é tempo. Escutai por esta boca impura a voz do Senhor, que na sua extrema bondade talvez vos perdoe. Vivei a vida de solitário, passai em ardente e fervorosa oração os dias e as noites. Indenizai os vossos escravos do mal que lhes haveis feito, dando-lhes a liberdade. Esse ato de abnegação e de caridade cristãs agradará a Deus, e então talvez na sua misericórdia infinita ele abra para vós os tesouros da sua inefável graça." (p. 140)

Diferente dos heróis românticos derrotados na parábola do progresso, a figura que representa o ideal nacional brasileiro oitocentista (homem, branco, senhor de escravizados, rico) é um vilão inveterado, estuprador, assassino e maldoso. Seu final é tão triste quanto o de todos os outros personagens, falecendo arrependido, triste e encaminhado diretamente para o inferno:

"— Não podeis por ventura suportar a vida sem ela?
— Oh! Não!... Não, meu padre!
— E não sabeis então que estais separado dela para sempre?
— Para sempre?! – indagou ele com aflição veemente, e um profundo suspiro agitou seu peito.
— Para sempre! – tornou-lhe o monge.
— E por quê? – murmurou ele com humildade
— Porque, meu filho, ela está no céu, e vós, homem criminoso e impenitente, vos despenhais no inferno" (p. 147)

No final das contas, ainda há pouco engajamento crítico e real com a obra de Firmina dos Reis. Ao cristalizarem a autora como "importante" e "resgatada", seus leitores passam por cima de sua construção literária, reclamando que o livro não seja as coisas que eles esperam dele. Por que Firmina precisaria, necessariamente, ter feito protagonistas negros, por exemplo? Termino com Silva (2020, p. 204), que argumenta exatamente esta ideia.

"[...] quando se fala de Firmina dos Reis como uma romântica, implica-se que a professorinha isolada no Maranhão absorveu a estética de sua época como que por osmose. Argumentarei como ela fez mais do que absorver e repetir fórmulas dos livros que leu; antes, transformou ideias estéticas vindas da Europa em um poderoso meio de representação da realidade brasileira, distinto de demais autores da época” (Silva, 2020, p. 204)

Profile Image for Caroline Sol (Drinks & Livros).
187 reviews9 followers
November 6, 2019
Antes de tudo: entendo a importância histórica da obra, seu contexto e o resgate que está sendo feito da mesma na atualidade.
Dito isso, o livro é chato, a história é bem narrativa romântica à la José de Alencar. As pessoas desmaiam sob forte emoção, quando estão melancólicas nunca pareceram tão lindas e morrem de tristeza, literalmente. Não tenho nenhuma paciência para isso.
Combina com o contexto em que foi escrita? Super. A linguagem é rebuscada e a prosa é elegante.
Mas é muito chato.
Desse livro, o conto "A Escrava" é o mais interessante, mas mesmo assim...
Profile Image for Rita.
60 reviews3 followers
July 14, 2020
Gostei bastante dessa edição, pois traz também dois contos e alguns poemas da autora. Em relação à Úrsula, achei no geral um bom livro, bem romance de época mesmo, com direito a instalove e expressões exageradas de amor; porém, há a exposição (e defesa!) de um discurso abolicionista que, para a época, representa um grandioso avanço. Fiquei um pouco incomodada porque, por vezes, esse discurso é expresso com uma ótica do “branco salvador”, mas somente em algumas partes.
O fato de trazer a perspectiva dos personagens negros já é ótimo, sendo que nessa parte pude sentir uma defesa do abolicionismo e denúncia das barbáries do sistema escravocrata de maneira mais incisiva e franca. Devo dizer que o capítula da Suzana é o melhor do livro inteiro e me tocou de verdade!
Em relação aos contos, gostei bastante dos dois: Gupeva traz uma narrativa envolvendo uma personagem indígena (porém de uma perspectiva bastante romantizada e por vezes problemática, mas típica da época) e que tem um final surpreendente (fiquei de boca aberta hahaha); enquanto A Escrava traz uma denúncia mais forte acerca da escravidão, com descrições dos crimes ocorridos contra os negros de forma tocante, porém sob a perspectiva da “branca salvadora”.
Profile Image for Pedro Moreira.
58 reviews5 followers
June 14, 2020
Não estava acostumado à linguagem ultrarromântica que ela usa, mas esse livro foi uma surpresa muito boa. Gostei muito de Úrsula, apesar de característico da época em que foi escrito, ainda há uma identidade facilmente identificável de Maria Firmina, que se reflete nas outras obras. A história é super dramática, ultrarromântica, com reviravoltas e revelações familiares. Ela também foi muito inteligente inserindo os relatos de Túlio e Susana, que possuem uma sensibilidade única.
Gupeva é um conto indianista, mas com uma perspectiva interessante, e retrata muito bem o conflito entre nativo e colonizador. A Escrava com certeza foi polêmico na época, uma história defendendo o abolicionismo em 1887?
É triste pensar que ela poderia ter escrito muito mais obras incríveis que não foram publicadas. Queria muito ter aprendido sobre ela quando estudava literatura na escola, porque definitivamente ela é tão boa quanto, e até melhor que muitos nomes mais famosos.
Profile Image for NIELY Souza.
23 reviews
September 29, 2024
A 1a romancista Brasileira era nordestina, negra e abolicionista: QTS escolas, faculdades, editoras, sites especializados, feiras literárias , redes sociais e produtores de conteúdo deste nicho falam/divulgam sobre isso?

Infelizmente demorei a conhecer e ler mais literatura brasileira realizada por
Mulheres, especialmente da região nordeste. (Re)conhecer a nossa história ao ter acesso a obra de Maria Firmino dos Reis [autodidata autora desse romance e tbm poesias] me fez refletir muito sobre como a gente não conhece as riquezas culturais do nosso próprio país e/ou região e como a xenofobia/racismo/misoginia ainda circula e impera…. A maior parte dos temas tratados em “Ursula” ainda estão nas ruas e nos jornais
Profile Image for Cindy Alanis.
320 reviews37 followers
June 19, 2020
(Li Úrsula, as outras histórias não).

Essa obra foi escolhida por uma Professora para realização de um trabalho na faculdade, onde devíamos observar as questões sobre escravidão e suas complexidades, racismo e gênero dentro da história. Mas o livro acabou sendo mais que isso.

No começo não estava interessada em como as questões dos personagens seriam resolvidas, se eles teriam um final satisfatório ou não, não me importava com eles. Me irritava com as declarações exageradas e emocionadas de amor. Porém, isso mudou e me vi torcendo para que todos eles tivessem um final digno. Ninguém teve um, não ao meu ver.

Eu fiquei indignada com todo o sofrimento nessas páginas, as crueldades sofridas pelos negros, são horríves em tantos níveis. A questão da mulher ser propriedade de um homem também foi foda de ler.

Para além da importância histórico-social desse livro (o período em que foi publicado e quem o escreveu sendo uma mulher negra), sendo o PRIMEIRO romance publicado por uma mulher, a história dele também é verdadeiramente importante.
E dói, dói muito saber que desde 1859, ano em que foi publicado, poucas foram as mudanças significativas ocorridas nas problemáticas levantadas por Maria Firmino dos Reis.

Importante obra para o cânone brasileiro.

Obra para se ler e refletir de onde nossa sociedade brasileira veio, onde estamos e para onde queremos ir.
Profile Image for Laura Regina indicalaura.
397 reviews5 followers
December 31, 2020
Ao salvar a vida de um rapaz adoentado, Úrsula conhece o amor de sua vida.

Maria Firmina é uma das primeiras mulheres brasileiras a conseguir publicar um livro. Enfrentou o preconceito de gênero, de raça e social, pois era nordestina negra e pobre. Sua entrada na Academia Brasileira de Letras lhe foi negada, mesmo com o sucesso de crítica e de público.

E ao ler seu texto, fiquei orgulhosa de ser uma nordestina como ela, pois em nada seu livro deve para os clássicos famosos do Romantismo: uma escrita fluida e floreada, com lindas passagens exaltando as belezas naturais do Maranhão, com personagens que amam e odeiam com tanta intensidade!

Além disso, temas caros ainda hoje foram trazidos também com pioneirismo: a falta de liberdade dos negros e das mulheres, a pose através do casamento, a vida dos negros antes e durante a escravidão, a intransigência do homem branco, a falta de perspectiva de felicidade e de futuro.

Eu confesso que não curto muito o estilo de escrita do Romantismo com seus floreios e excessos. Mas passada esta trava inicial, eu me apaixonei pela história de Úrsula e seu amado, as tragédias do percurso, o espaço que é dado aos personagens secundários - logo eu queria saber mais e mais.

Mais indicações no Instagram @indicalaura
Profile Image for Ícaro Silva.
91 reviews2 followers
October 8, 2020
Posso sentir a intensidade das histórias, a paixão na escrita, reconhecer sua importância sociocultural e ainda assim afirmar que a linguagem usada me impede de conectar por completo com a obra. É tão repleta de floreios e rebuscada que na maior parte do tempo eu estava me esforçando mais para continuar lendo do que me emocionando com o que a autora escreveu. Não é um problema do livro em si, mas é um problema da minha experiência com ele e não dá para ignorar isso.
Profile Image for Lethycia Dias.
Author 6 books42 followers
September 3, 2019
Quando encontrei o e-book Úrsula e outras obras, editado pela Câmara dos Deputados, não pensei duas vezes antes de baixar. A obra de Maria Firmina dos Reis foi ignorada por mais de 100 anos e era considerada rara, e só recentemente é que ganhou novas edições, começando a ser reconhecida pela sua importância.
Isto porque Maria Firmina foi a primeira escritora negra brasileira, em pleno período escravocrata, e escreveu a primeira obra abolicionista no Brasil - embora esse crédito seja dado a Castro Alves. Essa obra é o romance Úrsula, e eu não sabia nada sobre seu enredo até que o li.
A heroína que dá nome à história é filha de uma viúva chamada Luísa B e as duas vivem numa pequena propriedade empobrecida, abandonadas pelo irmão de Luísa, que cortou relações com ela assim que ela se casou com Paulo B, o pai de Úrsula já falecido. A garota recebe e hospeda em casa Tancredo, um jovem de origem nobre que é encontrado caído na estrada por um escravo. Úrsula cuida dele assim como de sua mãe, que está doente e à beira da morte. Os dois se apaixonam. Quando Tancredo parte para resolver problemas prometendo voltar para que os dois se casem, um visitante chega à propriedade, e a vida de Úrsula passa a correr perigo.
A história se orienta pelo movimento romântico do século XIX, com o característico amor à primeira vida, a intensidade das emoções e as ações heroicas e nobres dos personagens. Mas o que achei interessante em ler uma história escrita por uma mulher nessa escola literária foi ver, em contraponto ao mocinho, a presença assustadora de um homem que não aceita ser rejeitado (coisa que até hoje aterroriza mulheres não só nos livros, mas na vida real). O final é trágico.
O e-book ainda inclui dois contos: Gupeva e A Escrava. O primeiro é uma narrativa de temática indígena, também bastante romântica, e o segundo tem um forte tema abolicionista apesar de não ser uma história tão desenvolvida ou interessante como as outras duas. Em Úrsula, o abolicionismo se faz evidente em certo trecho quando uma escrava chamada Susana conta de forma chocante como foi sequestrada e trazida ao Brasil em um navio negreiro.
A última parte do livro inclui vários poemas, de temáticas românticas, religiosas ou nacionalistas, exaltando o Brasil em relação à Guerra do Paraguai. Alguns fazem homenagens a personalidades da época, incluindo o poeta Gonçalves Dias, autor da Canção do Exílio.
A edição da Câmara dos Deputados é bem completa, com textos de apoio e notas de rodapé, e o melhor é que nos permite conhecer várias produções de uma só vez. Apesar de ter feito uma leitura lenta, gostei muito de conhecer essa autora apagada da nossa História, sobre a qual só ouvi falar quando cheguei ao ensino superior. Recomendo muito a leitura como a correção de uma injustiça histórica.
Profile Image for Ligia.
104 reviews14 followers
May 8, 2019
Tanto a autora quanto a obra têm importância inegável para .a sociedade brasileira.
Maria Firmina foi uma mulher revolucionária, desde seu pioneirismo como escritora mulher e negra, passando por seus textos de temáticas abolicionista, indianista e em defesa da mulher (numa sociedade escravocrata, racista e patriarcal), até sua vida e seu papel na sociedade - principalmente em sua carreira como professora:
• Foi a primeira professora da região em que vivia;
• Levou instrução a uma parcela da sociedade para a qual o estudo era inacessível;
• Não aplicava castigos corporais e
• Foi fundadora da primeira instituição mista de ensino.

Embora as personagens negras não ganhem protagonismo em suas histórias, elas ganham feições que são delineadas com zelo e um rico detalhamento, principalmente de seu mundo interior. Possuem um passado, sentimentos, emoções, vontades: muito mais do que se pode dizer sobre os textos da época, que quando retratavam pessoas negras, era só para despi-las de toda sua humanidade.

"O homem que assim falava era um pobre rapaz, que ao muito parecia contar vinte e cinco anos, e que na franca expressão de sua fisionomia deixava adivinhar toda a nobreza de um coração bem formado. O sangue africano fervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão; e embalde o sangue ardente que herdara de seus pais, e que o nosso clima e a servidão não puderam resfriar, embalde – dissemos – se revoltava, porque se lhe erguia como barreira – o poder do forte contra o fraco!"

Possui fortes marcas do período romântico, em que está inserida, trazendo no conto Gupeva temática indianismo e na poesia o ufanismo da Primeira Geração, porém, principalmente, antecipando a tendência do Condoreirismo da Terceira Geração.
Sua escrita é também permeada pela fé cristã, com imagens de dor contrita e catártica, uma dor que limparia a alma e a aproximaria das outras almas semelhantes, em humildade, o que remete sem dúvida ao Stellium em Peixes da autora. A nobreza de coração de suas personagens pode ser associada ao próprio Marte em Leão da autora:

"As almas generosas são sempre irmãs."

Paisagens do Continente Africano evocam imagens de liberdade e de pertencimento a nacionalidades, que novamente trazem humanidade aos povos que foram escravizados, buscando mostrar o valor da vida que levavam.
A ideia da mente e da alma como essencialmente livres também é poderosa, fortalecedora:

"Oh! A mente! Isso sim ninguém a pode escravizar! Nas asas do pensamento o homem remonta-se aos ardentes sertões da África, vê os areais sem fim da pátria e procura abrigar-se debaixo daquelas árvores sombrias do oásis, quando o sol requeima e o vento sopra quente e abrasador: vê a tamareira benéfica junto à fonte, que lhe amacia a garganta ressequida: vê a cabana onde nascera, e onde livre vivera! Desperta porém em breve dessa doce ilusão, ou antes sonha que a engolfara, e a realidade opressora lhe aparece: é escravo e escravo em terra estranha! Fogem-lhe os areais ardentes, as sombras projetadas pelas árvores, o oásis no deserto, a fonte e a tamareira. Foge a tranquilidade da choupana, foge a doce ilusão de um momento, como ilha movediça; porque a alma está encerrada nas prisões do corpo! Ela chama-o para a realidade, chorando, e o seu choro, só Deus compreende! Ela não se pode dobrar, nem lhe pesam as cadeias da escravidão; porque é sempre livre, mas o corpo geme, e ela sofre, e chora; porque está ligada a ele na vida por laços estreitos e misteriosos."

"Liberdade! Liberdade... ah! Eu a gozei na minha mocidade! – continuou Susana com amargura – Túlio, meu filho, ninguém a gozou mais ampla, não houve mulher alguma mais ditosa do que eu. Tranquila no seio da felicidade, via despontar o sol rutilante e ardente do meu país, e louca de prazer a essa hora matinal, em que tudo aí respira amor, eu corria as descarnadas e arenosas praias, e aí com minhas jovens companheiras, brincando alegres, com o sorriso nos lábios, a paz no coração, divagávamos em busca das mil conchinhas, que bordam as brancas areias daquelas vastas praias."

É interessante quando as personagens se mostram feridas pela escravidão mesmo quando atrelada à protagonista branca, que deveria ser perfeita em sua bondade, antecipando a ideia de que não há como manter as mãos limpas numa sociedade escravocrata:

"O senhor Paulo B. morreu, e sua esposa e sua filha procuraram em sua extrema bondade fazer-nos esquecer nossas passadas desditas! Túlio, meu filho, eu as amo de todo o coração, e lhes agradeço, mas a dor que tenho no coração, só a morte poderá apagar! – Meu marido, minha filha, minha terra... Minha liberdade..."


As críticas à dominação patriarcal são realizadas de diversas perspectivas.

Lamento do filho:
"Não sei por quê; mas nunca pude dedicar a meu pai amor filial que rivalizasse com aquele que sentia por minha mãe, e sabeis por quê? É que entre ele e sua esposa estava colocado o mais despótico poder: meu pai era o tirano de sua mulher; e ela, triste vítima, chorava em silêncio, e resignava-se com sublime brandura."
Lamento da mãe:
"Que vos hei feito para merecer tanta dureza da vossa parte? Que vos há feito meu filho para vos opordes a sua felicidade?! Oh! Quanto sois implacável em odiar-me... Sim, a lealdade e o amor de uma esposa, que sempre vos acatou, merece-vos tão prolongado, desabrido e maligno tratamento?!"

A imagem sinceramente emocionada da mãe santa, sofredora e saudosa pode ser encontrada na prosa bem como na poesia de Maria Firmina dos Reis (vide a Dedicatória e o poema Uma Lágrima).

As palavras tenazes de uma turbulenta Lua em Escorpião aparecem na caracterização dramática dos vilões - estes, profundamente, psiquicamente perturbados, mas também no sentimento intenso dos protagonistas, ora apaixonados, ora magoados e ofendidos:

"Sentis que vos incomodo? Assim deve ser. Eu sou para vós o remorso vivo. Esperai, não será longo o tempo que gastarei aqui; porque também me incomoda a vossa presença; porque nesta casa respira-se um hálito pestilento; porque aqui enfim estais vós."

O abolicionismo se torna ainda mais explícito no conto "A Escrava", em sua inteiridade uma declaração de oposição à escravidão:

"Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e será sempre um grande mal."
"ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações livres; por isso que o estigma da escravidão"

Novamente, a forte imagem da mãe desolada:

" — É doida, minha senhora; fala de meus irmãos Carlos e Urbano, crianças de oito anos, que meu senhor vendeu para o Rio de Janeiro. Desde esse dia ela endoideceu.
— Horror! – exclamei com indignação e dor. Pobre mãe!
— Só lhe resto eu, – continuou soluçando – só eu... só eu!..."

Definitivamente fica uma nota para lembrar de pesquisar mais a fundo a respeito da escritora.
Profile Image for Eduardo Mattje.
19 reviews
August 16, 2020
Demorou 6 páginas pra explicar que um cara caiu do cavalo e chegou alguém pra ajudar.
Pega o rebuscamento e enfia no cu.
Profile Image for Beatriz S..
4 reviews
May 26, 2021
Eu tive uma certa dificuldade em me adaptar a linguagem ultrarromântica mas, assim que fui me habituando, senti um prazer e fui levada pela intensidade e cadência das palavras e dos acontecimentos, especialmente durante a leitura dos contos. é um tipo de linguagem que instiga a imaginação. No entanto, o que mais chamou atenção foram os posicionamentos abolicionistas da autora, as descrições sobre o tratamento da sociedade brasileira para com negros, o capítulo de Susana em "Úrsula", o conto "A Escrava" num todo... A literatura não nega os rastros dos tiranos que estiveram e ainda estão em terras de Abya Yala. As obras de Maria Firmina dos Reis são, sem dúvidas, um marco literário que expôs a verdadeira sociedade brasileira. Não tive aquele arrebatamento literário pois, bem, não houveram muitos elementos para eu pessoalmente me identificar, mas foi uma leitura distinta que agregou muito e foi um prazer conhecer o trabalho da autora.
Profile Image for Elis G.
25 reviews
June 19, 2020
A Maria Firmina dos Reis, definitivamente foi uma mulher incrível. Viver na época em que viveu e escrever tão poderosamente assim, deve ter sido gratificante e doloroso.
Uma honra poder experimentar as suas escritas.
Apenas leiam.
5 reviews1 follower
January 3, 2019
Nesta publicação digital da Editora Câmara encontram-se três prosas - Úrsula, Gupeva e A Escrava - e a coletânea de poemas Cantos à Beira-Mar*, principais obras de Maria Firmina dos Reis, que ao publicar Úrsula estabeleceu-se como primeira mulher brasileira a lançar um romance, primeira escritora negra e primeira romancista abolicionista.

Em Úrsula (1856) conhecemos Tancredo, que depois de ser resgatado pelo escravo Túlio de um acidente de montaria, apaixona-se por Úrsula. Este amor nascente sofre perseguição de um terceiro personagem, um homem que pretende que Úrsula aceite à força seu recém-descoberto amor, à despeito de sua dedicação a Tancredo.

Gupeva (1961-2) é um curto romance indianista no qual o francês Gastão se apaixona por Épica, filha do cacique Gupeva - romance desaprovado pelo seu colega português, Alberto. Uma noite, enquanto espera Épica no lugar combinado, Gastão é abordado por Gupeva, que conta ao jovem a história do seu amor pela mãe de Épica, que também foi apaixonada por um francês.

Em A Escrava (1887) uma senhora distinta se põe em defesa do abolicionismo durante um encontro da alta sociedade e conta a história de como libertou Gabriel, homem escravo que um dia cruzou seu caminho à procura da sua mãe, também escravizada e já envelhecida, que havia fugido num arroubo de desespero.

Em Úrsula as histórias de vida de Túlio e Susana (africana idosa que foi arrancada de sua terra natal quando jovem) são contadas em primeira pessoa - algo incomum na literatura da época - mas são satélites da história principal, que trata do romance de Úrsula e Tancredo. Já em A Escrava, publicado num momento em que discussões abolicionistas se acaloravam no Brasil, a escravidão é o assunto principal e os relatos em primeira pessoa têm lugar de destaque. Em Gupeva também é o próprio indígena que toma a palavra para narrar sua história.

Reis é uma autora romântica, sua escrita é conforme aos arcos narrativos e aos maneirismos dessa escola literária. Mas sua escrita não é genérica, trás as marcas das inquietações da própria autora. Nas três histórias os personagens se confrontam com a realidade escravocrata do Brasil, com a violência contra as mulheres, com o choque de nações e de povos. E nas três histórias Reis concede a palavra aos próprios personagens, sejam eles ricos fazendeiros ou velhos escravos. É, portanto, uma leitura recomendada para quem procura escritos brasileiros fora da curva.

* Escolhi não ler os poemas.
Profile Image for Lorrany.
448 reviews60 followers
December 13, 2022
- Úrsula : Minha resenha pode ser lida aqui.

- Gupeva : Não sabia que Maria Firmina dos Reis tinha se aventurado também no indianismo e, das poucas história que li com essa temática, este conto foi o meu favorito. Gostei que o personagem que dá nome ao conto relata a história através de flashbacks, revelando um plot twist que eu não esperava. Outra coisa que me chamou a atenção positivamente foi o fato dos personagens indígenas não serem exotificados como ocorre geralmente nos romances indianistas. Gupeva é descrito como um homem honrado e Épica-mãe é vítima do colonizador francês que, pensando apenas em si mesmo, recorre à violência para ter o que quer. Uma leitura rápida e interessante.

- A escrava : Este conto nos apresenta Joana, uma mulher negra da época do Brasil Império que foi liberta aos cinco anos de idade, mas que foi reescravizada pouco tempo depois. Vítima de agressões e separada de seus filhos, Joana enlouquece e tenta fugir constantemente. Numa dessas fugas, ela se encontra com uma senhora branca que defende o abolicionismo. A senhora protege Joana e o filho dela, Gabriel, e os leva pra casa. A escravizada então narra a própria história, se tornando a verdadeira protagonista do conto e, assim como em Úrsula, toma posse de sua própria narrativa. Também é uma leitura curta e foi minha história favorita do livro.

- Cantos à beira-mar : Uma coleção de poemas sobre diversos temas, bem nos moldes do Romantismo. Não sou muito fã da poesia romântica, mas é inegável que Maria Firmina dos Reis tinha um dom para tal. Gostei de algumas, mas, no geral, não é meu tipo de leitura.
Profile Image for Soraya Viana.
159 reviews
July 31, 2024
O romance "Úrsula" foi uma das leituras mais difíceis que já fiz na vida. Há três motivos para isso.

1. A escrita de Maria Firmina dos Reis é extremamente rebuscada;
2. o enredo do romance é melodramático demais para o meu gosto;
3. os personagens não são bem desenvolvidos. Acredito que esse seja o ponto mais fraco, pois se eu tivesse me conectado com pelo menos um deles, talvez os outros dois problemas atrapalhassem menos a leitura.

Terminei a leitura da obra principal apenas para cumprir um desafio literário de que participo. Pretendia ler as novelas (ou contos, não sei bem) que completam essa edição, mas dei uma olhada em "Gupeva", vi que a escrita lá é igualmente floreada e decidi dar um tempo antes de tentar concluir o volume.

Por enquanto, posso dizer que Maria Firmina tem sua importância na literatura brasileira e em "Úrsula" mostrava potencial para ser uma grande escritora, utilizando recursos interessantes como a quebra da quarta parede e descrições de cenário imersivas. Mas mesmo com seus méritos, a autora não foi para mim.
Profile Image for Yuno.
63 reviews
September 21, 2020
Foi bem tedioso em algumas partes... mas, sem dúvidas, me ajudou a ter uma ideia de um período anterior, onde nós escravizávamos nossos companheiros. Fora isso, o livro parecia uma novela, é de um gênero que eu não curto muito. Quanto ao enredo, em uma hora é rápido demais, e na outra, é lento demais. As obras que gostei foram: "Ursúla" ( principalmente, o final) e "A escrava".



"E o mísero sofria; porque era escravo, e a escravidão não lhe embrutecera a alma; porque os sentimentos generosos, que Deus lhe implantou no coração, permaneciam intactos e puros como a sua alma. Era infeliz, mas era virtuoso;"
dos Reis, Maria Firmina. Úrsula e outras obras (Prazer de Ler) (p. 18). Edição do Kindle.

"– dia virá em que os homens reconheçam que são todos irmãos."
dos Reis, Maria Firmina. Úrsula e outras obras (Prazer de Ler) (p. 21). Edição do Kindle.
Profile Image for William LGZ.
182 reviews
May 22, 2022
Aqui temos as principais obras da primeira romancista brasileira junto com muitas de suas poesias e me impressionou demais o quão bem escrito cada um dos seus trabalhos são.

Com um estilo bem próprio de narrar uma história além de ter sido pioneira em trazer a questão abolicionista em seus romances, é uma autora que realmente vale a pena ser lida e que merecia muito mais destaque por tudo que fez e representou em vida.

Se a análise apenas incluísse Úrsula, minha nota seria 4,5 estrelas com toda certeza, porém não apreciei tanto os outros contos e poesias aqui incluídos então fiz a média em minha nota final.

Ainda assim todos valem a pena por suas mensagens e primorosa escrita, e definitivamente indico a leitura integral do livro!
Profile Image for Valentina.
78 reviews
January 26, 2022
O romance e os contos que o livro traz são trágicos e crus, sem fazer eufemismos ao horror que era a situação do negro escravizado. Ao mesmo tempo, a narração da autora, especialmente no romance Úrsula, traz a beleza da natureza dos campos que cercam a história, que por vezes serve de contraste com o sofrimento vivido pelos personagens. Os poemas de Maria Firmina também possuem o ar de “tragédia bela”, mas seus temas são um pouco mais variados, tendo a autora dedicado diversos deles para pessoas queridas em sua vida, além de um número considerável tratar da Guerra do Paraguai e da luta por liberdade dos povos negro e indígenas.
Profile Image for Nestor.
463 reviews
September 21, 2022
Maravilhosa compilação da obra de Maria Firmina dos Reis. Úrsula, Gupeva e Escrava descrevem romances trágicos com a cadência da época em que foram escritos, com fé em um Deus que nunca responde, com clamores pelo fim da escravidão, um fim que chegou tarde demais no Brasil. Não sou muito fã de poesia, as que mais gostei foram de Suplica um poema a futilidade da vida. Por ocasião da passagem de Humaitá, um canto ao fim da escravidão e Queixas. Depois, há alguns poemas sobre a infame guerra com o Paraguai que a sociedade brasileira, incluindo Maria Firmina, viu como algo positivo.
Profile Image for Laura Góes.
56 reviews
October 22, 2024
Infelizmente não me agradou muito. Até achei o enredo de Úrsula interessante mas acho que ia gostar mais de ver ele em uma peça ou filme (e acho que tem muito nele pra ser analisado, uma vibe meio O morro dos ventos uivantes) mas a escrita romântica realmente não me pega.
Acho que vale a pena ler para conhecer um clássico brasileiro que foi pioneiro de muitas maneiras, mas como uma leitura só pra se distrair e se entreter pra mim não valeu.
Profile Image for Elton Furlanetto.
143 reviews2 followers
February 1, 2023
Fazia tempo que eu não lia romances mais antigos brasileiros e foi uma experiência legal, apesar de demorar um pouco no começo para me adaptar à linguagem. Concordo com o que li em outras resenhas, achei que ficou meio ruim a mistura de obras de prosa e poesia, preferi muito mais a prosa e achei alguns dos poemas meio enfadonhos, repetitivos ou piegas.
Profile Image for ada.
1 review
April 12, 2024
úrsula is just like me fr (livro muito bom e muito importante. o jeito que maria firmina denuncia a escravidão é forte e emotivo, principalmente para uma obra romântica. me surpreendeu muito.
o livro sofre de alguns momentos de muita descrição e certas coisas acontecem rápido, ou até mesmo devagar, demais, mas isso é o de menos e particularmente não afetou minha leitura.)
Profile Image for Julio Gabriel.
260 reviews10 followers
July 27, 2023
li úrsula para uma apresentação da faculdade.
deu um fio de discussão muito interessante, mas é uma leitura bem difícil por conta do léxico elaborado demais e o novelão que é a história. correspondem perfeitamente ao contexo de sua publicação, claro, mas é entediante de ler.
74 reviews
January 26, 2020
Só li Úrsula. Achei a personagem principal muito "donzela indefesa", mas retrata bem a realidade de relações românticas no Brasil e o papel pré-determinado socialmente de cada uma das partes.
Displaying 1 - 30 of 40 reviews

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