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Mãe, Promete-me Que Lês

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Luis Osório abre sem reservas o seu álbum de família. Numa relação convulsa e intimista, folha a folha, conta-nos pormenores de vivências extremas que nos emocionam devastadoramente e nos confrontam com a terrível complexidade das relações familiares. O

160 pages, Paperback

Published September 1, 2018

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About the author

Luís Osório

11 books4 followers
É cronista diário na Antena 1, onde assina o Postal do Dia. Escreve todos os dias nas redes sociais, onde tem muitos milhares de seguidores. Foi diretor de jornais e de uma estação de rádio. Ganhou prémios como criativo e autor de programas de televisão. É consultor político e empresarial. A partir do livro Ficheiros Secretos – Histórias Nunca Contadas da Política e da Sociedade Portuguesas, que transpôs para palco com um monólogo de grande sucesso, percorreu o país e esgotou salas emblemáticas, como o Teatro Tivoli, em Lisboa, e a Casa da Música, no Porto.

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Displaying 1 - 11 of 11 reviews
Profile Image for Ana.
804 reviews184 followers
Read
September 8, 2019
Esta é a quarta ou quinta obra que leio, num curto espaço de tempo, sobre a morte de entes queridos. Li mais ou menos 30 e tal páginas e tenho que parar, pois ou o estilo do autor não me agrada ou porque são demasiadas obras lidas sobre a morte, senti-me "fria", "distante", sem conseguir criar qualquer tipo de ligação com a dor do narrador/autor. E isso, para mim, é imperdoável face a um testemunho de alguém que faz um tributo a uma mãe falecida.
Vai voltar à estante. Um dia mais tarde talvez lhe pegue de novo.
Profile Image for Miguel.
472 reviews14 followers
October 24, 2018
Dez anos após a morte da sua mãe, o jornalista e escritor Luís Osório decide escrever aquele que é o «livro mais arriscado e mais doloroso» do seu percurso literário
http://silenciosquefalam.blogspot.com...

«Os meus mortos continuam em mim, mãe. Escuto-os no silêncio, nas suas rotinas, nas palavras que me ensinaram, nas imagens que os perpetuam.» (p. 60)
Profile Image for Ana Marinho.
620 reviews32 followers
July 26, 2019
Neste livro, cada palavra carregava uma memória e dor. Senti que o autor tinha uma relação de amor/ódio com a sua mãe, mas apesar da raiva que se identifica em certas frases, pode-se concluir que é um livro de amor e de luto. Olho para as 160 páginas e percebo que foram a maneira que o autor encontrou de dizer adeus à sua mãe, de a sepultar, de finalizar o luto. Ele precisava de colocar um ponto final na mágoa que o consumia noite e dia. Precisava de uma forma de se desculpar e de perdoar a sua mãe.

O livro é resultado destas necessidades.

Não consigo imaginar o quanto deve ter doído escrever cada palavra. Em certas mudanças de capítulo dá para perceber que teve de fazer uma pausa, em algumas transições ele admite mesmo que não escrevia fazia algum tempo e o leitor compreende. 

Algumas frases representam ideias com as quais me identifico e memorizei, porque, de facto, me marcaram: a ideia de eu, neste momento, ter mais futuro que passado, mas os meus pais, por outro lado, terem mais passado que futuro. Ou a ideia de que os cemitérios são o único sítio em que os mortos não estão vivos. 

Sofri a ler este livro, porque compreendi a dor e os receios. Espero que tenha conseguido finalizar o seu luto, Luís. 
Profile Image for crίѕтίŋα•●Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ●•.
937 reviews227 followers
February 2, 2025
4.5 ⭐️

“E quando tornei ao quarto, já não estavas. Voltaras ao estado de estar sem estar. De uma vida que, o sendo, já era morte. Foi dolorosamente bonito o teu sorriso, mãe. Gostava tanto que tivesse sido para mim. (…)
Era amor, e o amor, quando o é, pode durar apenas um dia. E guardei sempre essa mensagem, amor não tem prazo de validade, se o tentamos aprisionar já não é amor.”
- Miguel

——

(…) deixo correr a memória. Sem me importar com a repetição. O que na memória me fascina não é aquilo de que me lembro, mas o que esqueci. Não é a extraordinária capacidade de fixar fórmulas matemáticas ou páginas de anatomia, mas o terrível processo de não conseguir recordar o que, em algum momento, me foi importante. O talento da memória está no ilusionismo do que oculta, mais do que no ilusionismo do que mostra. E mesmo de tudo o que esquecemos fica a dor ou uma ideia de felicidade ou de esperança, fica sempre uma palavra totalitária de tão absoluta, uma palavra que nunca sabemos muito bem definir. Do que nos lembramos quando nos esquecemos?
- Miguel

——

“Celebraremos o amor e a junção do que jamais me pareceu possível. Um amor utópico, mas real. Breve, mas longo. Apaixonado, mas sereno. Vulcâ-nico, mas apaziguado. Acelerado, mas lento. Um amor para sempre, que vem de antes mas é futuro. Um amor que nasce e morre todos os dias.”
- Miguel
Profile Image for mariasabeler.
179 reviews1 follower
May 19, 2024
isto é o que a carta ao pai queria ser

Onde estás, mãe? Existes ainda? Curaram-te as feridas? Voltaste a Paris com o pai? Fizeste as pazes com a avó Joaquina, perdoaste-lhe? E o Carlos? Continuas a vê-lo? Tens pressentido o que se passa cá por baixo? Estás em cima, certo? Numa nuvem ou acima das estrelas, confirma-me. Já descobriste a razão para Deus (de que forma existe e se manifesta?) te ter carregado de tanta dor e de tão inigualáveis provações?

Tenho medo de estar doido. Medo de não gostar de ti. Medo de gostar de ti. Medo de ser uma merda, de desiludir os meus filhos e as pessoas que me amam. Medo de a Ana bater com a porta. Medo do dia em que terei de comprar uma carteira e substituir a última prenda que me ofereceste num dia de aniversário, a carteira que ainda trago dentro do casaco, rota, gasta, velha, fora do tempo. Um dia terá de ser, as moedas pequeninas principiaram a cair, algumas pessoas com quem almoço e faço cerimónia esforçam-se para não denunciar o embaraço. Continua comigo, mãe.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews40 followers
October 19, 2020
Miguel, perdoa-me o atrevimento, mas deixa-me tratar-te por tu. Há coisas que nos aproximam tanto que as formalidades soam como que deslocadas. Não que os acontecimentos que narras neste teu fortíssimo “Mãe, Promete-Me que Lês” tenham algo a ver comigo. De todo. Vê lá, sou mais velho do que tu dez anos e os meus pais ainda estão connosco. Os meus sogros também. Nenhum dos meus dezoito tios e tias faleceu, tão pouco a catrefada de primos. Não passei nunca pelo que passaste, nunca fiz o luto de nada. Mas a essência do que escreves nesta longa carta a uma mãe, a tua, que amaste e odiaste, fez com que muitas luzes se acendessem na minha cabeça e, não raras vezes, o meu coração se acelerasse muito para lá do normal. Ao ler-te, senti-me irmanado na tua dor, na tua dúvida, na tua súplica. Não por cumplicidade ou solidariedade, antes por identidade. Contigo, em ti, deixei-me conduzir a lugares que desconhecia, entrei no teu círculo familiar, apresentaste-me aos teus amigos. Contigo, em ti, chorei a partida dos teus, agora nossos. De outros, foste tu que partiste. E eu contigo. Também aí chorei. Para depois acabar de rastos a ler a tua carta e a perguntar-me que raio de gajo sou eu.

Sou dos muitos que, há muito tempo, tê leem e te ouvem (e se não te vejo é porque não vejo televisão há anos). Gosto muito do que escreves, pela força com que escreves, mas sobretudo porque há verdade no que escreves. Também porque muitos dos teus referenciais são igualmente meus, a começar pelos filhos. O André, por exemplo. Falaste nele no livro, falas nele, por estes dias, à conta do “Observação da Gravidade” e não deixarás de falar nele, nunca, sei-o bem. O mesmo sucede com os outros, com a Benedita, que podia estar já no livro, não fosse o Afonso intrometer-se. Falas deles com tanto orgulho, com tanto amor. O mesmo orgulho e o mesmo amor com que falo da Margarida, toda das Matemáticas, tudo tão claro para ela onde eu só vejo escuridão. Com que falo do João, em quem adivinho um realizador de cinema talentoso e de quem muito se poderá esperar num futuro que é já amanhã (um dia ainda vai ser merecedor de um SMS teu, quem sabe). No teu livro, porém, mais do que falar dos outros, é de ti que falas. Do teu passado, das brincadeiras, de como cresceste, quem esteve ao teu lado e quem não esteve. Quem foste, quem és. E também aqui as nossas memórias se misturam e confundem, dos bilhetinhos da Rosa Maria com uma cruz no quadradinho do “sim”, às tardes de loucura a jogar Monopólio ou ao “Pato com Laranja”, no sofá com os meus pais, eu a fingir que dormia. De diferente só mesmo o facto de seres benfiquista, eu que sou e serei sempre do Beira Mar.

Sabes, Miguel, surpreendeu-me a forma como vês o teu pai, o teu desapego quando falas dele. Quis saber mais, andei pela Wikipédia mas desisti logo, meio envergonhado. Saber o quê, se está tudo no que dizes sobre esse “homem que provou não existirem impossíveis”. O texto que escreveste depois de ele ter morrido é tão belo, que eu só me pergunto como é que podes ter escrito aquilo depois do que ele foi para ti. Mas logo se faz luz: Não serias nunca quem és se o pai fosse outro. Ou se não tivesse existido uma avó Joaquina ou uma tia Cristina, a quem dedicas, igualmente, textos de uma imensa saudade, simultaneamente alegres e tristes, de quem agradece à vida por cada momento vivido ao seu lado. A mãe, finalmente, a razão de ser desta longa carta, essa mulher que buscas com todas as tuas forças e que continuarás a buscar. A quem convocas para te convocares a ti próprio e te perguntares, também, que raio de gajo és tu. Podia dizer tanta coisa, mas vou ficar por aqui. Não tenho a veleidade de te pedir que me prometas que lês o que escrevi. Vendo bem, não sei ao certo o que escrevi ou porque o fiz. Sei que me saiu assim, de rajada, em permanente sobressalto, da mesma forma que li o teu livro, da primeira à última página. Pelo qual te agradeço. E te abraço com força.

Quim
Profile Image for António Caroço.
44 reviews1 follower
July 25, 2024
Muita coragem e abertura de espírito para tornar público as adversidades porque passou o autor e a sua família, incluindo as relações difíceis e traumatizantes na primeira pessoa do escritor.
68 reviews
May 30, 2025
Um livro difícil de escrever. Cheio de emoções fortes relata com coragem as adversidades da sua infância e as inconstâncias do seu próprio "eu".
Em forma de ode será o findar do luto pela perda da sua mãe.
Gostei.
Profile Image for Catarina Rosa.
10 reviews
March 14, 2023
Um livro recheado de emoção. Ressalto, no entanto, a recorrência de erros, essencialmente de sintaxe, que impediram uma leitura mais prazerosa.
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