Adolfo Bioy Casares, ficou conhecido, assim como seu conterrâneo e amigo, Jorge Luis Borges, por sua verve fantástica. Neste livro, entretanto, a ênfase é para os contos de amor. Se existe uma categoria da literatura que se chama "romance de costumes", estes contos poderiam se classificar como "contos de costumes". Dito isso, uma vez que uma história se torna datada e mudam-se os tais costumes, ela passa a ser uma "história de costumes" e não um romance ou conto histórico. Se nos contos fantásticos, o subtexto funciona como um assombro, o clima para o susto, nos "contos de costumes" o dito assombro se dá pela rachadura e a desconstrução da imagem-identidade, seja do protagonista, de um personagem ou da própria imagem que o leitor fez da história. As histórias românticas de costumes mexem com a tradição, com a determinação de papéis de gênero e de status social, Bioy descontraí esses pensamentos de costumes/tradições nesses contos. Os dois primeiros contos, para se ter uma ideia, se chamam "Os homens são todos iguais" e "As mulheres são todas iguais". Por vezes se têm a sensação de estar se lendo contos espelhados, vistos por outros viés e outras alteridades, mas não, é só Bioy Casares desconstruindo a imagem-identidade que ele montou durante cada conto e ao longo da estrutura do livro. O assombro, portanto, se dá pela desmobilização de nossas certezas, pela rachadura que ele produz nas nossas expectativas e, portanto nos desestabiliza da mesma forma que faz com os costumes e tradições, mesmo que o livro pareça datado.