Livros que abordem a escrita em bom português despertam naturalmente o meu interesse e foi por isso que me propus a ler este Por Amor à Língua. Mais do que entrar por caminhos de erros comuns do português escrito e falado, Manuel Monteiro debruça-se sobre vícios e outros pecados que mesmo os mais bem intencionados acabam por cometer. Pleonasmos, adjetivos em demaisa, lugares-comuns, expressões ubíquas, excesso de expressões inglesas (traduzidas ou não)… tudo isto é alvo de análise da parte do autor, num texto detalhado mas não ao ponto de provocar cansaço ao leitor, e do qual penso que todos poderão tirar proveito.
Não faço da escrita, tradução ou revisão a minha profissão, mas no âmbito profissional faço relatórios e o português é uma ferramenta importante; como passatempo, escrevo num blogue sobre os livros que leio e, se acho que já é mau ser pouco cuidadoso com o que se escreve de um modo geral, sendo leitor isto parece-me um pouco mais grave. Por isso, a leitura deste livro revelou-se preciosa. Revi-me em alguns vícios apontados por Manuel Monteiro e agora que me apercebi deles fiquei com mais uma ferramenta para continuar a melhorar.
Deixo para o fim a referência ao tema que ocupa maior espaço neste livro, o Acordo Ortográfico. Manuel Monteiro é calorosamente contra e expõe de forma detalhada as suas razões para tal. Não vou discutir as questões ou os exemplos apresentados porque não tenho conhecimento suficiente para tal, mas mesmo que me tenha parecido tudo muito bem fundamentado, não fiquei fã do tom de opositor acérrimo ao Acordo, tendo no final manchado um pouco a utilidade que até ali o livro me estava a revelar. Penso que a extensão e o detalhe com que o autor analisa este tema justificariam, por si só, um novo livro (concorde-se ou não com a sua posição).
Mesmo com esta última ressalva, não posso deixar de recomendar Por Amor à Língua, porque destaca a importância de escrever e falar bem português, e de usar todas as potencialidades que a nossa (rica) língua nos proporciona.