Jump to ratings and reviews
Rate this book

Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia

Rate this book
A internet não criou os idiotas, mas deu energia e proteção para o ódio dos covardes.” Leandro Karnal derruba o mito do brasileiro pacífico “Só eu e você, caro leitor, cara leitora, não odiamos nem somos violentos, muito menos preconceituosos”, diz Karnal. Uma brincadeira irônica para mostrar o quanto transferimos para o outro o que temos de ruim. Um livro polêmico, provocativo e instigante no qual ele afirma que o ódio é um dos espelhos mais poderosos para olharmos nosso próprio rosto. Que a maldade é tão próxima do ódio quanto da inveja. Em tempos de coxinhas contra petralhas, xenófobos, misóginos e homofóbicos contra imigrantes, o novo feminismo e os movimentos LGBT, em tempos do politicamente correto contra os seus críticos mais mordazes, Leandro Karnal mostra que a história e a realidade revelam um lado sombrio do brasileiro que costumamos não reconhecer: somos violentos no trânsito, nas ruas, nos comentários das redes sociais e fofocas nas esquinas; somos violentos ao torcer por nosso time e ao votar; somos violentos cotidianamente. Em Todos contra todos, Leandro Karnal combina as características que o transformaram no historiador e pensador mais pop do Brasil: erudição e leveza, profundidade e humor. Elas se unem nas páginas deste livro para serem saboreadas pelos leitores. Todos contra todos escancara a polêmica das palavras agressivas, a natureza das reações raivosas dirigidas ao outro e o porquê de escondermos de nós mesmos as pequenas e grandes maldades do dia a dia.

Sobre o Autor
Leandro Karnal é professor de história da Unicamp, com doutorado pela USP. Todos contra todos é o seu primeiro livro pela LeYa.

144 pages, Paperback

Published June 12, 2017

35 people are currently reading
350 people want to read

About the author

Leandro Karnal

35 books263 followers
Leandro Karnal (São Leopoldo, RS, 1963) é um historiador brasileiro, atualmente professor da UNICAMP na área de História da América. Foi também curador de diversas exposições, como A Escrita da Memória, em São Paulo, tendo colaborado ainda na elaboração curatorial de museus, como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutor pela Universidade de São Paulo,1 Karnal tem publicações sobre ensino de História, bem como sobre História da América e Religiões.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
219 (32%)
4 stars
280 (41%)
3 stars
138 (20%)
2 stars
26 (3%)
1 star
4 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 58 reviews
Profile Image for Márcio.
684 reviews1 follower
April 23, 2020
Karnal, mais do que um historiador, é um pensador perspicaz, e isso não é diferente nesse livro em que procura perceber o ódio na nossa realidade, sua evolução em nossa história, seus desenvolvimentos, para tentar propor uma solução antes que haja sua prevalência num mundo em que notamos cada vez mais os desentendimentos, intransigências com o outro, com a diminuição cada vez maior da incapacidade de exercício da alteridade.

Creio que alguns poderão reclamar que lhe falta profundidade, mas para aquilo que o autor se lançou e se propôs, foi bem alcançado, sendo um tema com a complexidade que tem e Karnal consegue inclusive deixar um pouco de lado a ironia que lhe é tão peculiar, mas em geral com um olhar claro, objetivo e interessante acerca da realidade que nos rodeia e que em geral preferimos varrer para debaixo do tapete.
Leitura bastante necessária não somente para o atual momento, mas para entendermos melhor acerca de nós mesmos.
Profile Image for Diego.
259 reviews3 followers
March 10, 2018
"Faça um teste. Fique atento durante cinco minutos no trânsito e você verá pedestres atravessando a rua fora da faixa, ciclistas seguindo adiante no farol vermelho, motoristas em carros, caminhões e ônibus cometendo barbárie. Fora essa convicção só temos uma certeza adicional: o único inocente sou eu que escrevo e você que me lê. Todos os outros são culpados. Este é um ponto importante para nós: a omissão da responsabilidade no ódio e na violência. Ninguém se inclui no problema."

(É daqueles livros que dá um tapa na nossa cara e faz a gente pedir desculpas em troca.)
Profile Image for César Augusto.
31 reviews36 followers
November 21, 2017
Posso ser suspeito para falar de Leandro Karnal, mas esse livro vai para série de obras que precisam ser relidas de tempos em tempos, descreve bem como o ódio surge, como nos afeta e como dirige as nossas ações. Especialmente construído no contexto brasileiro atual, me fez reafirmar que estou trilhando o caminho sinuoso porém certo de sentar e ouvir as duas partes, não tomar partido na polarização endêmica que toma conta do Brasil. mas essencialmente de ouvir o que o meu opositor a ideia que defendo tem a dizer. É necessário o dialogo e também, combater o ódio, com coerção e consenso.
Profile Image for Marcus de Melo.
70 reviews1 follower
May 24, 2019
É novelização de uma palestra sobre ódio. Não é mal não, viu.
Profile Image for moli.
200 reviews
September 1, 2020
3.5🌟

Um livro super necessário e válido, principalmente no cenário construído desde o período do golpe de 2016, que acabou dando mais liberdade ao discurso tão violento e cheio de preconceitos que SEMPRE existiu na sociedade brasileira, mas que se escondia na "cordialidade", enquanto as minorias não tinham tanto espaço para dar voz as suas reclamações e reivindicações.
Discordo de algumas colocações dele e da quantidade de jargões clichê, mas no geral, por ser uma leitura fácil e curta não acredito que prejudique tanto a ponto de não recomendar.
Profile Image for Yuri.
5 reviews3 followers
November 2, 2017
Uma análise fria, porém, realista do Brasil. Karnal com seu viés analítico faz uma junção entre passado e presente para tentar explicar as mazelas pelas quais meu país vive hoje. Não é sem motivo que chegamos aonde chegamos. Entender o Brasil contemporâneo não é suficiente. Há de se viajar pelo passado, desde os primórdios do descobrimento para entender primeiramente como o brasileiro pensa e age. Recomendo!
25 reviews
Read
January 26, 2020
Leandro Karnal é meu autor preferido. Esse livro é muito importante. Aborda os diversos preconceitos presente na sociedade brasileira e o que os motiva. Além disso, desconstrói a ideia de um país pacífico.
Profile Image for Edkallenn Lima.
210 reviews
December 28, 2021
Muito bom o livro de Karnal. Fala da destruição de alguns mitos na constituição do Brasil como nação e sobre o "ódio nosso de cada dia". Vale a leitura.
Profile Image for Dulcinea Silva.
200 reviews
November 7, 2025
Há dias em que me pergunto em que momento deixamos de discordar para começar a nos odiar. Em 2025, caminhando pelas ruas, pelas redes e pelas conversas que se desfazem antes mesmo de começar, sinto que o Brasil vive em estado de alerta emocional contínuo. Somos atravessado por uma frieza quente, um ressentimento rápido, um ataque pronto, à espera apenas de um pretexto para se justificar. E foi nessa paisagem que li Todos Contra Todos: O Ódio Nosso de Cada Dia, de Leandro Karnal, publicado antes das eleições de 2018, quase como quem pressente a tempestade que estava por vir.


Ao reler suas páginas hoje, não encontro um diagnóstico ultrapassado. Pelo contrário: o que parecia exagero em 2017 agora soa quase suave. Karnal não se limitava ao momento político; apontava para algo mais profundo, que já estava fermentando há anos: um traço emocional, cultural e identitário do Brasil, que encontrou nas últimas décadas palco, aplauso e amplificação.


Um dos primeiros mitos que o livro desestabiliza é o de que somos um povo pacífico, harmonioso, orgulhosamente cordial. Esse mantra identitário nos acompanha desde a escola, como se fosse uma espécie de autoelogio nacional. Acreditamos nele porque é confortáve; é sempre mais fácil vestir o figurino idealizado do que encarar o espelho da realidade. Mas essa fantasia cai por terra diante dos números, das manchetes, das cenas cotidianas: somos um dos países mais violentos do mundo, e a violência não se distribui ao acaso. Ela escolhe corpos, endereços e cores.


A cordialidade brasileira, tão celebrada, convive com chacinas policiais, massacres no campo, linchamentos virtuais e físicos, e com um histórico de desumanização de grupos inteiros. A suposta “paz” brasileira parece existir apenas para alguns; para muitos, nunca foi promessa, quanto mais realidade.


Karnal nos convida a desmontar a máscara da nossa autoimagem. Se nos achamos “boazinhos”, qualquer denúncia de violência soa como exagero ou ataque ao orgulho nacional. É difícil admitir que o país que se vende como alegria colorida também sabe ser brutal. E quando não nos reconhecemos como violentos, nos tornamos incapazes de enfrentar a violência que praticamos ou permitimos.


Contudo, há algo ainda mais inquietante no livro: a forma como rejeitamos o outro. O desconforto diante da diferença tem se transformado em hostilidade, e a hostilidade, em ódio. Tornou-se rotina perceber que muitas pessoas não entram em debate para trocar ideias, mas para eliminar a possibilidade de serem confrontadas por elas. O outro, em vez de ampliar o nosso mundo, passou a ameaçar a imagem que fazemos de nós mesmos. É como se ouvir uma opinião diferente colocasse em risco a estabilidade da nossa identidade.


Percebo que grande parte do ódio nasce menos da agressividade e mais do medo. Medo de rever convicções, medo de perceber falhas, medo de admitir que não sabemos tudo. Escutar exige humildade, e isso, hoje, parece custar mais caro do que odiar. Quando reduzimos o outro a inimigo, nos livramos da tarefa de refletir. É mais fácil repelir do que questionar. É mais simples atacar do que se permitir transformar.


A recusa da diferença empobrece. O que poderia ser encontro vira trincheira. No lugar de crescimento, retração. A identidade, em vez de se expandir com o contato, se enrijece. O ódio oferece uma falsa sensação de força: ele nos dá a ilusão de que proteger o que somos significa nos blindar do mundo. Só que identidade que não se arrisca não amadurece, fossiliza.


A política brasileira é, hoje, o retrato mais escancarado disso. Há anos, deixamos de discutir projetos para discutir adversários. Importa menos o que pode melhorar a vida coletiva e mais quem “vence”. A polarização sequestrou o debate público e o transformou numa disputa de torcidas. Nessa lógica, não queremos convencer, queremos eliminar. Não queremos argumentar, queremos humilhar. Não queremos compreender, queremos triunfar. Perdemos a capacidade de discordar sem nos destruir mutuamente.


Por isso, o livro de Karnal continua urgente. Ele fala do ódio, sim, mas fala principalmente da recusa a construir um país que aceite complexidade. Um país que ainda precisa aprender a conviver com divergência sem transformá-la em ataque pessoal. Um país que confunde firmeza com violência, coragem com agressão, convicção com incapacidade de ouvir.


Escrevo tudo isso com a sensação de que ainda estamos presos à ilusão confortável da “cordialidade”. Enquanto insistirmos nela, continuaremos encobrindo a dor de quem nunca foi convidado para essa festa identitária. Talvez seja o momento de trocar a narrativa encantada por uma autocrítica madura. Admitir que não somos naturalmente pacíficos não nos diminui, nos responsabiliza. Nos devolve o poder de mudar.


O futuro do Brasil, se quiser existir como projeto e não como mito, exige um reposicionamento. Precisaremos reaprender a imaginar o outro, não como ameaça, mas como oportunidade de ampliar o mundo. Precisaremos substituir o impulso de nos defender pela coragem de conversar. Convivência não é conformidade; é risco. Pensar é risco. Democracia é risco. Mas viver sem isso é apenas sobreviver dentro de muros e, eventualmente, sufocar dentro deles.


Não sei se estamos prontos para a travessia. Mas sei que, se não começarmos a reabilitar a escuta, a dúvida e a curiosidade, continuaremos repetindo o mesmo roteiro de medo, de negação, de ódio, enquanto chamamos isso de “identidade brasileira”.


O livro de Karnal, escrito antes do caos que explodiria depois, parecia antecipar o vendaval. Em 2025, talvez a questão não seja mais reconhecer que o ódio se espalhou, isso já está evidente. A pergunta agora é se continuaremos a alimentá-lo ou se ousaremos atravessar a tempestade para encontrar algo novo: um Brasil

 capaz de existir com o outro, e não contra.


Todos contra todos: o ódio nosso de cada dia de Leandro Karnal. Rio de Janeiro: Leya, 2017. 144p.
Profile Image for Mario Streger.
173 reviews3 followers
October 7, 2017
Acho que na tentativa de se ressaltar no meio de outros vários autores ele adota uma posição radical para ser polêmico. Existem passagens interessantes no livro, mas outras quase me fizeram parar de ler no meio. A vida é feita de meios termos, e aqui nem sempre essa linha de raciocício foi adotada. Por exemplo quando diz que as pessoas chegam em casa cansadas do trabalho e o companheiro não quer saber como foi seu dia (pág 72). Isso não acontece comigo, nem com os casais que conheço. Outra passagem diz que ninguém vê as flores na rua, só os acidentes (pág 75)! Mas o mais absurdo é quando ele diz que todo pai quer matar o filho que tem entre 12 e 16 anos (pág 87)!! Em que mundo ele vive?
Profile Image for Viviane Cordeiro.
120 reviews16 followers
April 21, 2019
Talvez a melhor (e mais inteligente) análise do ódio tão intrínseco no cerne brasileiro.
15 reviews
June 11, 2019
Todo mundo - TODO MUNDO - deveria ler este livro.

Deveria ser leitura obrigatória nas escolas.
Profile Image for André Selonke.
200 reviews5 followers
May 10, 2024
Somos um país violento. Violentos ao dirigir, violentos nas ruas, violentos nos comentários e fofocas, violentos
ao torcer por nosso time, violentos ao votar.

No cérebro rarefeito a explicação surge como uma luz e dirige o ódio para fora.

Todo ódio é um autoelogio. Todo ódio me traz para uma zona muito tranquila de conforto.

a brisa do amor fraterno é mais etérea do que o furor da tempestade de ódio.

O ódio é uma interrupção do pensamento e uma irracionalidade paralisadora. Como pensar é árduo, odiar é fácil.
Se a religião é o ópio do povo para Marx, o ódio é o ópio da mente. Ele intoxica e impede todo e qualquer outro
incômodo.

Seria bom perceber que o ódio fala muito de mim e pouco do objeto que odeio.

De todas as formas de dominação, aquela que faz crer que você tem direitos é a mais sofisticada.

ódio é sempre uma resposta ao medo, à insegurança e à ignorância.

preconceito é uma defesa e não uma lógica matemática.

nossa sociedade caminha em paz como um elefante numa loja de cristais.

Rousseau acredita que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe.

ó ódio tira o meu esfíncter do ortogonal

ódio tem um poder de coesão que o amor não tem.

É o ódio, e não o amor, que de fato nos seduz e nos deleita.

A vaidade é um vazio que temos tentado preencher desde a origem.

Freud afirma que o masoquismo é a fantasia mais universal da espécie humana; logo, se quero jejum e
penitência é porque busco o prazer masoquista da renúncia.

Zygmunt Bauman, o Holocausto é a epítome (e a falência ao mesmo tempo) da modernidade, mas não um
desvio dela.

Sejam quais forem os projetos utópicos de melhoria da sociedade, essa sociedade provoca uma impressionante
quantidade de mortes.

a internet maximizou a expressão de ódio, de intolerância, de exacerbação de preconceitos e da violência da
linguagem.

Tácito, na Roma clássica, dizia que os homens se apressam mais a retribuir um dano do que retribuir um
benefício. A gratidão é um peso, a vingança é um prazer.

tenho de aceitar que a felicidade só existe em diálogo com a infelicidade e que a percepção dela só existe em
função da sua falta.

Quando se perde o medo, que é próprio dos deuses, perde-se também a dimensão do amor e do que faz falta. Por
isso os deuses são também um pouco melancólicos.

conselhos mais sábios para a felicidade. São eles: 1. Não expressar tudo o que se pensa. 2. Ser amistoso, mas
nunca ser vulgar. 3. Valorizar amigos testados, mas não oferecer amizade a cada um que aparecer na sua frente.
4. Evitar qualquer briga, mas se for obrigado a entrar numa, que seus inimigos o temam. 5. Ouvir a todos, mas
falar com poucos. 6. Usar roupas de acordo com a sua renda, sem nunca ser extravagante. 7. Não emprestar
dinheiro a amigos, para não perder amigos e dinheiro. 8. Por fim, ser fiel a ti mesmo, e jamais ser falso com
ninguém.

É provável que a melhor moral esteja na boca das prostitutas porque elas sabem o custo da infração moral. As
virgens têm menos acuidade moral do que as que não o são.

a política é um exercício de distribuição e controle do poder.

O moralismo de classe média tem essa base terrível: ser parte resistência social, parte resistência à mudança do
padrão do corrupto brasileiro.

corrupção sobre o bem público é a mais grave de todas, porque atinge mais gente. A corrupção sobre o bem
individual ou particular atinge apenas a proprietária.

As pessoas e seus conhecimentos não são sempre iguais.
4 reviews
September 22, 2019
Leandro Karnal, com este livro, tem um objetivo bem claro: Desconstruir a imagem de paraíso pacifista que o Brasil criou para si mesmo, mostrando reflexos do comportamento do brasileiro que não condizem com esse mito.

Ainda que o debate sobre o ódio trazido pelo autor não fuja muito no senso comum, seu grande mérito é aplicar essas reflexões no cenário brasileiro. Um ótimo exemplo para ilustrar essa união é o questionamento levantado por Kanal sobre o que nos faz tratar nossos episódios históricos de violência (por exemplo, a Cabanagem, a Sabinada e a Balaiada) como revoltas e não guerras civis.

Karnal ainda levanta alguns pontos que me fizeram repensar o que eu achava que sabia. Sem entrar em detalhes, mas (1) tratar a misoginia como mãe de todos os preconceitos, (2) mostrar que somos amigáveis com o diferente até que o diferente saia da marginalidade, e (3) a ausência de leis de segregação não indicar a ausência da segregação em si foram os pontos altos da discussão sobre a aparente falta de ódio do brasileiro.

Ainda que o livro tenha poucos problemas, eles são expressivos demais para serem ignorados. Nos momentos em que o Karnal se propôs a falar sobre a liberdade de expressão, apontou ideias não só pobres de argumento, mas até mesmo contraditórias. “O Brasil tem a liberdade de expressão como uma cláusula fundamental da Constituição, mas eu não posso defender um crime”, escreveu ele. Na verdade, não só o cidadão pode defender um crime, como tem o dever moral de fazê-lo quando achar necessário. Compartilho dessa opinião com Martin Luther King e Rosa Parks (que defendeu o terrível crime de sentar em assentos do ônibus exclusivos a brancos), pessoas que certamente entenderam mais sobre ódio do que eu ou o próprio Karnal.

É um pouco decepcionante perceber que esse traço bovino no discurso de um dos maiores pensadores do país se repete em outros momentos do livro. No último capítulo, o autor defende a coerção como uma das maneiras de conter o crescimento do ódio, mas não explora o principal problema causado por essa solução: Quem define o que é ódio? Seria defender o fim da política de cotas um ato de ódio? Se a torcida está pegando no pé de um jogador gay perna de pau, ela o critica por razões técnicas ou preconceituosas? É muita inocência achar que devemos dar ao Estado o poder de definir o que pode e o que não pode ser dito (spoiler: não costuma dar muito certo).

Mesmo com seus problemas, as reflexões trazidas por Leandro Karnal fazem o leitor olhar para si mesmo como uma das causas do problema, o que é uma tarefa difícil. Justamente por isso, considero este um livro que deve estar presente em qualquer lista de leituras obrigatórias em períodos de eleição.
Profile Image for Murilo Silva.
127 reviews10 followers
January 2, 2019
O livro é bom.

Tirei duas estrelas por duas razões:
1ª) Para alguém que já tem contato com o tipo de informação que ele passa no livro (geralmente jovens mais engajados com política e causas sociais), é um pouco repetitivo, mas mesmo assim o autor traz vários pontos e insights muito importantes que reforçam essas ideias (sobre ódio contra o diferente, suas razões, implicações e formas de aparição na sociedade brasileira) e suas relevâncias. Ora ou outra, ele defende alguns pontos que eu particularmente achei um pouco exagerados e não concordo tanto (a maneira simples como ele trata a coerção do free speech, a psicanálise num grau tão freudiano...).

2ª) Apesar do ponto de vista geral do livro ser relativamente claro, o Leandro Karnal muitas vezes divaga um pouco ou traz alguns exemplos e ilustrações que acabam indo além do ponto central e isso enfraquece o argumento porque o autor mesmo se perde na sua linha de raciocínio e isso fere a fluidez do texto.

No geral, recomendo pra qualquer pessoa (mas principalmente as conservadoras e arrogantes), pois traz reflexões válidas e aplicáveis pra qualquer cidadão brasileiro.
Profile Image for Ulisses Correia.
7 reviews
October 10, 2019
Livro que considero intemporal (até então), que retrata muito bem a sociedade Brasileira e, aparentemente, a humanidade (apesar muito ampla a palavra, humanidade). Karnal expressa muito bem a forma como nós conseguimos alienar as pessoas diferentes, as opiniões diferentes, que nem por isso estariam erradas ou ainda equivocadas, mas que vistas sob uma certa perspectiva levam a crer em diferentes coisas... Além disso, nós mostra ainda como em função disso (a tal alienação do diferente) conseguimos ter a maravilhosa incapacidade de lidar com isso. Achei muito curioso diversos fatos relatados acerca de como as pessoas lidam com o medo, como elas em função disso reagem às diversas situações do dia a dia, e ainda como isso nos põe diariamente em conflito com o que seria ético, e acima de tudo humano. Enfim, gostei muito de ler este livro e confesso que me causou muito desconforto em vários momentos diferentes.
Profile Image for Rodrigo.
119 reviews1 follower
July 7, 2019
Gosto da forma como o autor se expressa. O texto escrito soa exatamente como as suas palestras.
As argumentações baseadas em fatos, histórias e curiosidades são muito agradáveis de ler. Dão um tempero especial porque ele é uma pessoa muito ilustrada.
Achei curioso ele trazer alguns exemplos bíblicos para fundamentar a sua argumentação. Não era algo que eu esperava em um texto lógico. Mas sou obrigado a aceitar que em uma obra sobre o ódio seja necessário falar da sua antítese, o amor e a tolerância. E que um dos textos que mais pregam isto seja o texto dos evangelhos.
Enfim, um bom livro, fácil de ler e mais um na estante de quem quer entender estes nossos tempos conturbados.
45 reviews2 followers
December 15, 2021
Um pouco decepcionante. Comprei o livro porque pensei que fala mais sobre os conflitos na sociedade brasileira, mas não tem este enfoque. Tem um enfoque mais geral expandindo na toda humanidade. Também, o aspecto filosófico e um pouco básico. Por exemplo:
Todos os valores morais são subjetivos. Não há uma moral acima da história.
É fundamental que meu inimigo exista para eu saber quem sou.
etc.
Como não faz também muitas referencias a estudos o estadísticas, o livro e mais como uma coleção de ideias o reflexões que as vezes estão desenvolvido numa maneira bastante caoticamente.
Profile Image for Valdeci Gomes.
16 reviews
June 19, 2020
Excelente livro para entender a situação atual brasileira em todos os aspectos, política, econômica, cultural, social e etc.

É como sempre o Karnal explica tudo isso, como uma excelente lista de autores e de uma forma genial.

O livro não fala nada além de que nós sabemos, mas fingimos que não sabemos, assim, todos deveriam ler para entender quais são mudanças para um Brasil melhor e que isso começa com cada um de nós.

Em geral, como sempre Karnak vale a pena demais!
16 reviews
October 11, 2021
Obra bastante útil para reforçar os razões da forte polarização política em que se encontra a sociedade brasileira nos dias atuais. Em geral tenho certa precaução com os textos de cunho político do autor, que tenta soar como "isentão", mas tem uma clara tendência a poupar a centro-direita "limpinha", seria interessante que marcasse o posicionamento político mais claramente. Apesar disso, traz pontos muito úteis para reflexão.
Profile Image for Mácio Meneses.
62 reviews2 followers
November 23, 2017
O Leandro Karnal foi uma grande figura para mim em 2017. Ouvi várias de suas palestras durante o ano, além de algumas entrevistas, mas só agora eu tive a oportunidade de ler um livro dele. A obra “Todos contra todos” é como se fosse uma dessas palestras que ele dá. Como sempre, terminei mais uma de suas lições com grandes reflexões. Indico essa obra todos.
Profile Image for Sarah Birenbaim Dos Santos.
6 reviews2 followers
July 10, 2018
Uma escrita explicativa e detalhada sobre o ódio enraizado que o povo brasileiro rejeita. Com comparações entre Hobbes e situações preconceituosas do cotidiano, Leandro Karnal consegue transmitir sua ideia de forma clara e precisa, sem grandes apetrechos. Feito para o leitor que inspira em conhecer um pouco mais o lado obscuro do Brasil, uma leitura fácil e muito interessante que recomendo.
Profile Image for Laerte.
80 reviews
September 30, 2018
Karnal tenta buscar as origens dessa polarização expressa no Brasil. É mostrado como as pessoas tendem a jamais fazer um julgamento de si mesmas e tratam apenas o outro como errado ou violento. Temas como racismo, violência política são tratados de forma ponderada. Um livro que busca entender é diminuir o ódio em cada uma das variadas relações.
Profile Image for Joseph Vargas.
10 reviews
January 3, 2021
O título era promissor, porém minha percepção é que somente na segunda metade do livro o autor trata com mais profundeza o tema proposto. Há uma séria contradição no texto, pois que o autor propõe ironicamente que o problema sempre está no outros e, ao longo do livro, insinua que a culpa dos males brasileiros reside na encarnação dos males atuais: o homem branco hetero e cristão.
Profile Image for Willian Girarde.
4 reviews
February 13, 2021
O livro retrata a questão do ódio das pessoas e sociedade sob diversos pontos de vista. A meu ver, muito por conta da construção textual às vezes confusa, não é um livro absolutamente marcante. Muitas passagens, porém, merecem destaque e é possível ler como se estivéssemos ouvindo a voz — e a acidez — de Karnal. Lido, nada além.
23 reviews
January 11, 2018
Esclarece muitos sobre a cultura brasileira sobre o ódio e como esse ódio pode ser usado para o nosso crescimento ou para nos desmotivar, tudo isso com embasamento históricos. Muito direto ao ponto, marca registrada do autor Leandro Karnal
Profile Image for Luciano Reichert.
20 reviews
July 6, 2018
Um livro fenomenal que nos faz refletir como o preconceito e ódio são herdados de geração para geração. Cabe a nós se sensibilizarmos com isso e promover a mudança para tornar este mundo um lugar melhor de se viver. Obrigad Leandro pelas sábias palavras e leitura agradável.
3 reviews
February 21, 2019
Leandro karnal consegue transmitir com muita fluides tudo o que fala, é um livro muito interessante e aborda temas importantes que envolve diversas falácias populares e as desmistifica. Super recomendado
Profile Image for Jorge Schumacher.
Author 1 book32 followers
May 29, 2020
A obra nos traz um panorama sobre o ódio inerente do ser humano contra o "diferente", e como daí surgiram o racismo, a misoginia, a homofobia e outras formas de preconceito. Também analisa o ódio dentro da moderna sociedade digital e o que isto pode gerar.
Displaying 1 - 30 of 58 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.