A nova Granta dá continuidade a um novo projecto: a GRANTA EM LÍNGUA PORTUGUESA, com publicação simultânea em Portugal e no Brasil. Alargar uma revista literária ao espaço lusófono significa aceder a um imenso manancial de novos autores, desencadeando uma troca intercontinental. Desta vez, o tema é DEUS/ES, e deu origem a textos, ilustrações e ensaios fotográficos que espelham inquietações várias e declinações idiossincráticas do mote.
"Carlos Vaz Marques nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1964. Jornalista profissional desde 1987, integra a redacção da TSF desde 1990. Iniciou-se no jornalismo na redacção do JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, tendo passado também pela redacção do (já desaparecido) semanário O Jornal. Frequentou o curso de Línguas e Literaturas Modernas - variante Português/Francês, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Antes de se tornar jornalista profissional foi professor do ensino secundário, durante dois anos lectivos. Na TSF, já desempenhou as mais diversas funções. É, desde 2001, autor do programa Pessoal e… Transmissível, um espaço diário de entrevista ao fim da tarde onde já entrevistou cerca de quatrocentas personalidades nacionais e estrangeiras das mais diversas áreas, do Dalai Lama a Agustina Bessa-Luís, de Mário Vargas Llosa a Xanana Gusmão. Tem colaborado em diversos jornais e revistas: DNa, Ler, JL, Visão, Pública, Focus, Grande Reportagem, Elle. Desde Setembro de 2004, conduz uma entrevista semanal no programa Encontro Marcado da SIC Mulher." Fonte: http://www.wook.pt/authors/detail/id/...
"Carlos Vaz Marques é o director da edição portuguesa da revista literária Granta. Coordena a coleção de Literatura de Viagens, das edições Tinta-da-china. Publicou quatro livros com recolhas de entrevistas: Pessoal e... transmissível (Relógio d'Água), XX-XXI (ASA), MPB.pt (Tinta-da-china)e Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer (Tinta-da-china). Traduziu as seguintes obras: Paisagens Depois da Batalha, de Juan Goytisolo; Mortal e Rosa, de Francisco Umbral; E Como Eram as Ligas de Madame Bovary?, de Francisco Umbral; Paris, de Julien Green; O Japão É Um Lugar Estranho, de Peter Carey; Entrevistas da Paris Review; Viagem de Autocarro, de Josep Pla; Histórias de Londres, de Enric González; Dicionário dos Lugares Imaginários (com Ana Falcão Bastos), de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi." Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_V...
Este segundo número da Granta em Língua Portuguesa ainda não me conseguiu convencer inteiramente das vantagens de reunir autores dos vários países lusófonos, tanto mais que apenas publica textos de autores brasileiros e portugueses, deixando de fora as riquíssimas literaturas africanas em língua portuguesa.
Entre os textos originais em português, gostei muito do da brasileira Vanessa Bárbara, e também dos da portuguesa Ana Cristina Leonardo e do veterano contista brasileiro Sérgio Sant'Anna. Com exceção do conto de Isabel Rio-Novo, que me fez recordar o tom um pouco gótico dos textos de Teresa Veiga, os restantes textos originais em língua portuguesa deixaram-me mais ou menos indiferente.
Como acontece habitualmente os meus textos preferidos são os traduzidos da edição original da Granta. Adorei o de Claire Messud, que me comoveu imenso, e também gostei bastante dos da canadiana Susana Ferreira, sobre o crescimento das religiões evangélicas no Haiti e a forma como têm contribuído para o desaparecimento da tradicional religião vudu, e da reportagem sobre O Prisioneiro da guerra santa, da autoria de Wendell Steavenson.
Este volume traz ainda dois ensaios fotográficos, que não me entusiasmaram por aí além, excelentes ilustrações de André da Loba, e uma capa fabulosa de André Carrilho, como de resto é habitual deste autor.
O segundo número da Granta em Língua Portuguesa continua sem convencer. Porquê uma revista dedicada ao Português se somente se publicam autores portugueses e brasileiros, além dos textos da revista original que, por sinal, permanecem com melhor qualidade?
Este número, que é o último de Carlos Vaz Marques, desiludiu. O tema prometia grandes e variadas reflexões, porém, a maioria passou-me ao lado.
➡️ "Deus: Se a literatura é a resposta, qual é a pergunta?", Ana Cristina Leonardo: ⭐️⭐️ ➡️ "O destruidor de mundos", Pedro Eiras: ⭐️⭐️ ➡️ "Os jardins de Amênio", Vanessa Barbara: ⭐️⭐️ ➡️ "Por Deus gostar tanto do Haiti: O pentecostalismo, parente do vodu, quer erradicar o passado", Susana Ferreira: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (um dos melhores desta edição, brilhante relato sobre o crescimento das religiões evangélicias no Haiti e a sua relação com o vodu) ➡️ "Prisioneiro da guerra santa", Wendell Steavenson: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (um texto cru e belíssimo, reportagem de um prisioneiro do Iraque) ➡️ "Um lago de espelho", Ho Sok Fong: ⭐️⭐️⭐️ ➡️ "Domínio", Louise Erdrich: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (um dos melhores desta edição, e se conseguirmos transferir a mente para um mundo virtual após a morte?) ➡️ "Drone", Hari Kunzru: ⭐️⭐️⭐️ ➡️ "A estrada de Damasco", Claire Messud: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ (texto lindíssimo, comoveu-me, o melhor) ➡️ "Exuzinha", Luisa Geisler: ⭐️⭐️ ➡️ "A árvore morta", Isabel Rio-Novo: ⭐️⭐️⭐️ ➡️ "O bordel (última redação)", Sérgio Sant'Anna: ⭐️⭐️ ➡️ "Adeus", José Gardeazabal: ⭐️⭐️
➡️ Classificação final: ⭐️⭐️⭐️
Os ensaios fotográficos de Lucia Koch e António Júlio Duarte não me interessaram, assim como as ilustrações de André da Loba. Já a capa de André Carrilho, como já nos habituou, é fabulosa.
Enquanto assinante, espero que a próxima edição nos traga outros escritores lusófonos, de outras partes do mundo.