Tema romana Cvijeće je naše pamćenje i pitanje kako nas ono određuje. Priča je smještena u suvremeni Portugal, a glavni lik je gospodin Ulme koji je svakoga dana sve više uznemiren novinskim vijestima. Nakon što doživi moždani udar, potpuno gubi emocionalno pamćenje: sjeća se svog PIN-a na bankomatu, ali se ne sjeća prvog poljupca. Zna sve o glazbi, ali ne sjeća se da je ikada vodio ljubav. Pripovjedač knjige, cinični novinar nezadovoljan životnom rutinom, pokušava Ulmeu pomoći vratiti izgubljeno emocionalno pamćenje. Ali ta zadaća nije nimalo laka jer odgovor na pitanje tko smo ovisi o osobi koju pitamo: netko kome se ne sviđamo, za nas će reći da smo grozni, dok će onaj tko nas obožava tvrditi da smo sveci. Osim dirljive priče o ljubavi i svojevrsne "psihologije pamćenja", roman Cvijeće Afonsa Cruza je i snažna društvena kritika suvremenih političkih sustava u kojima je gramzivost političara i ekonomskih moćnika važnija od onoga što nas čini ljudima - malih stvari koje ostaju u našem sjećanju. Riječ je o izvrsnom romanu jednoga od najvažnijih suvremenih portugalskih autora čija su djela prevedena na dvadesetak svjetskih jezika.
Nasceu em 1971, na Figueira da Foz e estudou nas Belas Artes de Lisboa, no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e na António Arroio. É escritor, músico, cineasta e ilustrador. Escreveu seis livros: A Carne de Deus (Bertrand), Enciclopédia da Estória Universal (Quetzal - Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2010), Os Livros Que Devoraram o Meu Pai (Caminho - Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009), A Contradição Humana (Caminho - Prémio Autores 2011 SPA/RTP; escolha White Ravens 2011; Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração 2011) e A Boneca de Kokoschka (Quetzal), O Pintor Debaixo do Lava-Loiças (Caminho). Participou ainda nos livros Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas (Saída de Emergência), O Prazer da Leitura (FNAC/Teodolito) e O Caso do Cadáver Esquisito (Associação Cultural Prado). Ilustrou, desde 2007, cerca de trinta livros para crianças, trabalhando com autores como José Jorge Letria, António Torrado, Alice Vieira. O livro Bichos Diversos em Versos foi seleccionado pela Biblioteca Internacional de Juventude /White Ravens 2010 e Galileu à Luz de uma Estrela ganhou o Prémio Ler/Booktailors 2011 - Melhor Ilustração Original. Também tem publicado ilustrações em revistas, capas de livros e publicidade. Em 2007 gravou um disco (Homemade Blues) com a banda de que é membro, The Soaked Lamb, para o qual compôs todos os originais, escreveu letras, tocou guitarra, harmónica, banjo, lap steel, ukulele e cantou. Em 2010, lançou um novo CD, Hats and Chairs, apenas de originais e com vários convidados. Trabalhou como animador em vários filmes e séries tais como A Maravilhosa Expedição às Ilhas Encantadas; pilotos de A Demanda do R, Toni Casquinha, Óscar, As aventuras de João sem Medo; e vários filmes de publicidade. Fez layouts para alguns episódios da série Angelitos e realizou vários filmes de O Jardim da Celeste, Rua Sésamo e Ilha das Cores. Juntamente com mais duas pessoas, realizou uma curta-metragem chamada Dois Diários e um Azulejo, que ganhou duas menções honrosas (Cinanima e Famafest), um prémio do público e participou em diversos festivais internacionais. Também foi o realizador de O Desalmado e da série Histórias de Molero (uma adaptação do livro de Dinis Machado, O Que Diz Molero). Para publicidade destaca-se a campanha Intermarché onde realizou mais de duzentos filmes durante os anos de 2006 e 2007.
Os livros de Afonso Cruz têm um problema. Um enorme problema. Tenho o hábito de dobrar as pontas das páginas que de alguma forma me tocam profundamente. Faço isto quando não tenho um lápis à mão. No caso dos livros do AC, isto é problemático, porque regra geral acabo com com um livro totalmente reformatado, com um dos cantos dobrado. Um conselho de quem aprecia muito o trabalho deste autor tão especial: não dobrem os cantos às páginas que vos são especiais... Dobrem aquelas que considerem "normais". O mesmo princípio para os sublinhados... Poupem lápis. Garanto-vos que terão menos trabalho, e estragarão menos o livro. "Flores" é um deles. Se algum dia eu decidir escrever, este autor será um dos gigantes em cujo ombro farei questão de me sentar.
Fiquei confusa. Não que a história não seja clara, que a narração não seja coesa… Mas é o estilo, se é que lhe posso chamar assim. Um desfile tão incongruente de personagens estranhas que atira o livro para o limbo entre o misticismo de um autor sul-americano e a contemporaneidade de um José Luís Peixoto. A insistência do autor em que todos sejam esquisitos, em que abram a boca por três páginas de monólogo, cai-me mal: não me é palpável. Isto é, cada personagem que surge, vem com o propósito de contar episódios mirabolantes da sua vida (pisar lagartixas, ter vocação para palhaço, prometer que só volta a chorar quando Constantinopla voltar para mãos gregas, etc.).
Resumindo, não encontrei grande originalidade no quadro geral: casamento em ruínas, criança pequena e afectada por essa mudança, velhote solitário e vítima da degeneração das suas capacidades mentais, neste caso a memória. Então a personagem principal, cujo nome não julgo ter apanhado ao longo das 275 páginas, interessa-se pelo passado que o seu vizinho, o senhor Ulme, esqueceu devido a um aneurisma. Compromete-se a recuperar-lho, e é assim que começa o desfile dos monólogos das inúmeras personagens, todas com alcunhas, passados esquisitos, cada uma com um ângulo diferente a respeito do senhor Ulme. Esta é a parte que apreciei: que uns o pintem como tirano, outros como um deus benevolente. Lamento apenas o facto de não ter considerado o enredo muito original, quando tinha potencial para isso. Li rápido porque os capítulos são pequenos, a linguagem muito acessível (com aquela repetição em que todos os nossos “grandes” recaem, como se por repetir a mesma frase até à exaustão desse um selo de qualidade ao texto). Gosto do egoísmo, narcisismo e ego evidentes em cada personagem, é nesse sentido que é um livro humano. De resto, parece-me um lirismo um tanto forçado.
Não desisto de Afonso Cruz à primeira, mas confesso que não fico entusiasmada pelo próximo.
"Nenhum homem é uma ilha" afirmou John Donne. Neste livro de Afonso Cruz o Sr. Ulme é um homem sem memórias, uma ilha ancorada num mar de rostos desconhecidos, procurando agarrar em cada estranho um fio que o ligue ao passado e lhe devolva as memórias. Esta necessidade intrínseca do ser humano, de se relacionar e criar laços com os que o rodeiam precisa do suporte das memórias para se identificar e gerir as emoções e reações com os outros. A partir daqui temos o nosso protagonista empenhado em resgatar o passado do Sr. Ulme, enquanto, simultaneamente vai avaliando a sua própria vida e questionando o sentido da relação desgastada que mantém com a mulher. Assim, vamos conhecendo o passado de um, o presente de outro, e tentando prever o futuro dos dois. O final não sendo previsível, também não foi surpreendente. Mas no meio está a virtude, não é o início ou o fim que mais nos interessa, e sim o percurso que cada um deles faz, as escolhas, os erros, os arrependimentos, a forma de encarar a doença e a morte. A originalidade não está nos temas abordados, está na individualidade das decisões acerca do que mais corriqueiro a vida nos exige e concede. O sentido de humor com que o autor aligeirou assuntos sérios e a escrita que vai do leve ao profundo num ápice, são o pretexto final para não deixar de o ler.
2★ Sinto-me quase na obrigação de fazer um pedido de desculpas por optar por esta classificação mas estaria a ser desonesta comigo se desse outra.
A verdade é que quando comecei a ler a primeira frase que pronunciei foi “O Afonso Cruz é tão talentoso, escreve tão bem”. E é. É incontestável o talento e a forma bonita como transmite sentimentos e emoções. O problema é que não me impactaram e senti que caíram num poço que podia ser tudo mas que se resumiu ao nada.
Personagens unidimensionais e um enredo insípido combinado com uma escrita brilhante, foi esta a forma como senti o livro. Adorei o quão reais eram as personagens mas não consegui criar nenhuma ligação, nenhum sentimento de empatia, senti que o desinteresse pela narrativa me absorveu do início ao fim e não desfrutei um único segundo.
É um daqueles casos que lamento dado que reconheço o potencial e a forma como poderia ter tido o encaixe perfeito em mim.
"Deixar de ser é pior do que sofrer por ser ou ter sido."✨
Após quase um mês desta leitura, retorno a Flores de Afonso Cruz. É mau não me lembrar como foi o início desta história? Porque faz todo o sentido para este título e o porquê dos vários acontecimentos que interligam o narrador às restantes personagens.
Passando ao lado da sinopse (que podem sempre consultar), posso dizer que é uma história um pouco estranha - principalmente pela forma como é contada, tão característica do autor. A vida deste nosso narrador não está muito equilibrada e após um acontecimento desastroso, passa a ter uma ampla noção da vida à sua volta, das pessoas à sua volta. Parte numa viagem ao seu interior utilizando o passado do Sr. Ulme. Foi aqui que achei interessante as metáforas utilizadas, a profundidade das ligações e das memórias feitas.
"Creio que, numa relação, o beijo terá sempre de manter a densidade do primeiro, a história de uma vida, todos os pores-do-sol, todas as palavras murmuradas no escuro, toda a certeza do amor. Mas já não é assim."
Já reparei que Afonso Cruz tem tendência para fazer muitas críticas ao longo das suas histórias, e nesta aborda bastante a desvalorização do papel da mulher:
"Pensei: é isso, dona Eugénia, naquele tempo as mulheres viviam num canto. O mundo não era para elas. Viviam sempre lá ao fundo, na penumbra húmida da vida. (...) As mulheres eram portas fechadas."
Ao ajudar o Sr. Ulme, que perdeu todas as memórias por causa de um aneurisma, o nosso narrador começa a entender a vida de uma nova forma, mais aberta, mais emotiva e mais empática. Infelizmente, não foi uma personagem que me tenha agradado, principalmente com os monólogos ao espelho (que não cheguei a entender). Mas se forem para além da história, compreendem e sentem mais o que o autor quis passar - uma grande lição de amor e empatia pelo próximo.
Fica uma última citação que me deixou sem palavras e que até hoje (e possivelmente sempre) vai deixar-me sempre incomodada:
- Tu achas que és uma pessoa, tens memórias, isso tudo. Mas, olha, os teus anos mais importantes, não te lembras deles. (...) Foi nessa altura da vida que foi construída a personagem que és hoje. Sabem quem se lembra desse anos e os guarda no peito como um coração mais importante do que o próprio coração? É a tua mãe. (...) As mães são as fiéis depositárias da nossa infância, dos primeiros anos. As tuas memórias mais importantes, mais formadoras, não são tuas, são dela. E quando a tua mãe morrer, levará consigo a tua infância, perderás os primeiros anos da tua vida. Por isso, trata-a bem."
"Flores" foi uma desilusão. Terminei-o com a sensação que nada ficou. Não passou de um livro com citações bonitas e uma história engraçada que se perdeu. Sem uma conclusão, sem um objetivo.
A minha admiração por Afonso Cruz começou com o livro Os Livros que Devoraram o Meu Pai. Fiquei rendida à sua escrita, à sua criatividade e à sua incrível capacidade de contar histórias de uma forma sublime. Vislumbrei este livro na biblioteca e não hesitei.
É um livro muito bonito sobre amizade, a capacidade de perdoar. Um livro sobre a Verdade. A verdade que dizemos a nós próprios e aos outros. Uma história em que a noção de "cuidar do outro" ganha um novo sentido para mim.
Não é um livro que nos deixe um sorriso na cara, mas que nos faz pensar muito. É bom ler livros assim. Pensar é bom e pensar sobre livros é preciso.
Aqui está um livro para saborear, sem pressas, para podermos absorver toda a mensagem nele contida.
Fui à apresentação do livro no passado dia 30 de Setembro, apresentação que ficou a cargo de José Eduardo Agualusa. Na altura, José Eduardo disse uma coisa que retive e que me faz agora todo o sentido, disse que alguém que escreve da forma como Afonso Cruz escreve, só pode ser uma pessoa muito especial. E é verdade, alguém que escreve desta forma, tem que ter um dom. As páginas 79 e 80 são claro exemplo disso, bastaram estes parágrafos, para a leitura de todo o livro já valer a pena.
Já queria ler este autor há algum tempo, atraída pelas inúmeras opiniões positivas com que me cruzei, e "Flores" foi uma estreia agradável. 🥰 ⠀ Não sei bem do que estava à espera de um livro com este título, mas certamente que não contava com este enredo: um homem com um casamento desgastado aproxima-se do vizinho, o sr Ulme, que teve um aneurisma e perdeu algumas memórias, para o ajudar a reconstruir o passado, enquanto reflete na sua própria vida. ⠀ À medida que nos vamos aventurando pelo dia a dia do protagonista e pela história do vizinho, apercebemo-nos que o livro está repleto de personagens bem diferentes e singulares e não se destaca pela originalidade dos temas ou da história, mas sim pela poesia com que retrata aspetos e decisões banais da vida e de cada dia. ⠀ A narrativa é muito bonita e poética e a leitura requer sensibilidade, não sendo um livro para lermos em qualquer momento ou com qualquer estado de espírito. Temos de estar com alguma paciência e atenção para absorver o poder da narrativa e apreender todo o seu significado e encanto. Sem dúvida que fiquei rendida à escrita do autor e colecionei passagens muito bonitas, que falarão melhor do que eu:
“Porque viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias.” 💭 ⠀ “«Creio que o guarda-chuva é uma excelente invenção. Repare: não é um objecto que evita a chuva individualmente. Não gosto dela, mas não acabo com ela, não a destruo. O guarda-chuva é uma filosofia que usamos no quotidiano. A água continua a cair nos campos, apenas evito que me estrague o penteado. É um objecto bondoso, que não magoa ninguém.» Não há muita coisa assim.” ☔️ ⠀ “As mães são as fiéis depositárias da nossa infância, dos primeiros anos. As tuas memórias mais importantes, mais formadoras, não são tuas, são dela. E quando a tua mãe morrer, levará consigo a tua infância, perderás os primeiros anos da tua vida. Por isso, trata-a bem.” 👸🏼 ⠀ “Podemos olhar para uma frase e percebemos que aquilo é um mar, uma maneira de ser feroz, de navegar, de viajar, de ter peixes, de ter lágrimas. Eu acreditava que as frases eram armas capazes de mudar, de lutar, de resistir. Armas capazes de disparar um futuro.” 📝 ⠀ “- Também temos um nome em latim? - Temos um nome universal. - Como é que se sabe esse nome? - É o nome da pessoa que amamos. É uma ideia tão bonita que parece uma letra pimba: experimenta pronunciar o nome da pessoa que amas e vai ouvir o teu verdadeiro nome.” 🌸 ⠀ “Quando se vive privado de tudo, a verdade importa, mas, quando a temos em todo o lado, parece uma ficção.” 🤔 ⠀ “(...) detalhes, o cavalheiro não vê a paisagem, está muito próximo das coisas, perde a cena completa.” 🌄
Até me sinto mal, no meio de tantas estrelas, em fazer uma avaliação menos boa... Mas a verdade é que não gostei nada deste livro de Afonso Cruz. Adorei todos os livros sem excepção, até este. Pensemos assim: há sempre um esquisito que não gosta de chocolate (eu). A meu ver, o livro é uma série de monólogos de personagens estereotipadas - o tipo de meia idade que começa a ganhar barriga e se divorcia, a esposa ignorada, o marido incapaz de uma palavra amorosa para a esposa e que a trata abaixo de cão, a amante espiritualista, a menina bem comportada, o velhinho que começa a perder a memória... - com o defeito que muitos destes monólogos não me disseram absolutamente nada (normalmente tiro frases belíssimas dos livros do autor, não foi este o caso). Falta-lhe um fio condutor, faltam acontecimentos...Não há ali uma coerência narrativa, a meu ver é um livro que precisava de amadurecimento. Termino com a melhor parte do livro: "Porque viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias." E a mesma ideia repetida noutra página: "Tenho a certeza de que a vida morre com a rotina e não com a morte, e que o hábito nos petrifica, um dia olhamo-nos ao espelho e estamos transformados em estátuas (...)"
DNF A minha primeira grande desilusão com Afonso Cruz. A história é entediante, abusa nas metáforas e as cenas em frente ao espelho fazem-me ranger os dentes.
Tenho a certeza de que a vida morre com a rotina e não com a morte, e que o hábito nos petrifica, um dia olhamo-nos ao espelho e estamos transformados em estátuas (…)
A única coisa que interessa saber é que vivemos numa tapeçaria e que, por mais longe que estejamos uns dos outros, somos a mesma história, fazemos parte do mesmo tapete, a morte de uns é o nascimento de outros, a face da nossa vitória é a derrocada de alguém.
Digo sempre isto, mas não posso deixar de me repetir: Afonso Cruz não é para todas as sensibilidades (um pouco à semelhança do valter hugo mãe). Nem sei bem dizer o que esperava de um livro com o título "Flores", mas não era nada do que encontrei página após página. Na verdade, nem consigo resumir esta história por muito que vos quisesse dar spoilers. Só lendo. Como não gostar de Afonso Cruz?
Mais um livro daquele eu já considero um dos meus autores preferidos. Como sempre o ponto de partida de Afonso Cruz é a vida, o dia a dia, o rame-rame de todos os dias abrilhantado por personagens únicas, e com situações muto invulgares, que ao mesmo tempo não parecem demasiado ilógicas ou impossíveis. Leio os livros dele sempre com a certeza de ir encontrar estes elementos.
Este livro retrata uma série de situações, maus uma vez da vid de todos os dias, com um ponto central de um idoso que perdeu a memória e de um jornalista, com o casamento em ruinas que o tenta ajudar. Há ainda 3 irmãs que abrilhantam a história e que são a razão de ser deste romance. Há temas como um casamento em pleno desenlace, amores perdidos, vingança, medo, ódios.
A escrita maravilhosa de Afonso Cruz e a capacidade de ele conseguir descrever um fio de pensamento que qualquer um de nós poderia ter, os processos mentais pelos quais nós explicamos a nós próprios até aquilo que não queremos admitir é feita de uma forma magistral e verídica. As personagens sã únicas e 3D. Conseguimos ver através delas e reconhecê-las como humanas, como nós poderíamos ser se o acaso do destino interviesse nesse sentido. Também são histórias que me deixam sempre a pensar - é que apesar de já ter terminado este livro há alguns dias, ainda continuo a pensar muito nele E há uma frase de um dos personagens que não vai sair da minha cabeça tão cedo.
Portanto, se procuram excelente escrita e personagens quirky mas não ridículos, este é um escritor e um livro para vós.
Quando se começa um livro de Afonso Cruz sabe-se, à partida, que a sua escrita arranjará forma de transpor as páginas, de se entranhar em nós e de nos revirar as emoções. «Flores» não foge à regra.
Uma narrativa fragmentada em diferentes vozes, experiências e convicções, recolhidas por um protagonista que tenta recuperar a memória perdida de um vizinho, enquanto lida com o desgaste do seu casamento.
Ler este livro foi como visitar um museu onde cada uma das salas apresenta uma exposição diferente, cada uma gloriosa na sua singularidade. Não é uma história para quem não se dá bem com narrativas desconexas, sem uma linha lógica de acontecimentos e abundante em devaneios. Eu própria não achei que fosse uma história para mim, até a concluir.
Estava reticente ao início, mas Afonso Cruz conseguiu conquistar-me com a sua magia vocabular e as suas comoventes acepções. Falou-me de amor, traição, o peso da rotina, guerra, ditadura, arte, liberdade… Escreveu poesia em prosa, em descrições, diálogos, pensamentos e didascálias, como apenas ele o sabe fazer.
Esperava mais da história. Acho que o Afonso Cruz tem uma escrita muito bonita, mas às vezes não consigo acompanhar nem as metáforas, nem as personagens peculiares.
Ainda assim, deixo aqui algumas das citações que mais gostei:
"As mães são as fies depositárias da nossa infância, dos primeiros anos. As tuas memórias mais importantes, mais formadoras, não são tuas, são dela. E quando a tua mãe morrer, levará consigo a tua infância"
"A rotina embacia-nos, torna-nos indefinidos, desfocados, fantasmas, máquinas (...) a consciência da morte é o que nos desperta dessa morte em que vivemos (...) a morte é um despertador que nos acorda para a inevitabilidade dos nossos erros"
4 e não 5 estrelas, porque é imperdoável que Afonso Cruz, especialmente Afonso Cruz, comece e acabe mal um livro que soube construir de forma tão inteligente
Autora romana sam „upoznala“ prije sedam godina kroz njegovu „Knjigu godine“. Simpica mi je bila ta priča, ali ništa više od toga iako sam se zbog sinopsisa nadala da će biti puno više. Vidim da je i kod „Cvijeća“ ista stvar...
Srž i tema „Cvijeća“ mi je bila interesantna kao i način na koji ih je prožeo kroz svoja dva glavna lika. Sa stilom sam se na trenutke mučila, a onda bih u nekom drugom trenutku stala i označavala, razmišljala, smijala se ili podsmjehivala - ovisno o situaciji.
Prisjetila sam se jednog razgovora koji se vodio u većem društvu prije mjesec dana baš o temi kako nas drugi percipiraju. Jako mi je to interesantno i super je slušati tuđa mišljenja na istu temu, kao i opise različitih ljudi na istu osobu. Ludnica!
Kao i ta sjećanja koja je Ulme izgubio, koliko su bitna, koliko točna? Bez obzira tko ih interpretirao (pa čak i on da ih se sjeća ne znači da bi bila ispravna), rijetko će biti ista. Doslovno kao kada se nađemo na čitateljskom i razglabamo o istom tekstu, a utisci na njega ponekad nemaju veze jedni s drugima. Genijalno!
Prolazeći tako kroz tekst, gubila sam se ne znajući gdje smo točno i u čijim mislima, jesmo li uopće u mislima ili se razgovor stvarno odvija. Kao da mi je nedostajala neka struktura, možda? Možda je tekst, po mom nekom skromnom mišljenju neznalice, pretenciozan? Ili samo filozofski, a ja sam daleko od tog znanja pa ne čudi gubljenje i lutanje kroz roman. Pa sam se i mučila, a čitanje ne vežem s tom riječju i sukladno s time su i ocjene.
Usporedbe koje je autor kroz roman radio su mi se svidjele, izdvojila sam si ovu s plesom: „Ne zaboravljamo jedni druge upravo zato što se neprestano povređujemo, zbog ožiljaka koje ostavljamo, zbog poljubaca koje ostavljamo na tijelima drugih i najapsurdnijih riječi, uvredljivih ili lijepih... I to je to, neprekidno jedni druge gazimo, jer nitko ne zna korake besprijekorno.“
Lijepe rečenice na koje sam nailazila su baš bile takve i vrlo slikovite, sveobuhvatne, pametne i sve ih je bilo više koje sam čitajući izdvajala i zaustavila se nad njima. Vrlo specifična knjiga koju ću jako brzo zaboraviti, ali citate ću imati i dijeliti.
„Nije važno imati smisla, moramo imati srca.“
„Siguran sam da život ne umire kad nastupi smrt nego kad uđe u kolotečinu.“
„... neću gubiti vrijeme umirući kada mogu biti živ.“
conheci afonso cruz com o seu livro “os livros que devoraram o meu pai”. engraçado porque este “flores” vai passar a estar na lista “os livros que devoraram a inês”
topla i humana, divna jedna knjiga o gospodinu ulmu koji je, nakon moždane kapi, izgubio sjećanje. čak i više nego o njemu, ovo je priča o gradnji i raspadanju veza, o onome što pamtimo i onome što zaboravljamo, o umjetnosti, o sućuti. paralelno s rekonstrucijom ulmove prošlosti -u želji da mu pomogne vratiti sjećanja, a ponešto i iz vlastite znatiželje- pratimo pripovjedača, nesretnog i nezadovoljnog novinara, kroz raspad njegovih odnosa sa ženom (navika i rutina), s kćeri (distanca) i s ljubavnicama (očekivanja).
pisano finim, tečnim, jednostavnim -ali nipošto banalnim- jezikom, odiše dubinom, ali na nepretenciozan, svakome dostupan i jasan način. mnogo je biblijskih referenci, ali vješto su uklopljene, umjerene i općepoznate, taman da znaš o čemu je riječ i da te povuče u razmišljanje. likovi su prikazani onakvima kakav život i jest - u svojim nijansama, bez oštre podjele na dobro/zlo i to ih čini mekanima i dostupnima. knjiga od koje ti je slatko pod nepcima i stisnuti čvor u želucu istovremeno.
“A única coisa que interessa saber é que vivemos numa tapeçaria e que, por mais longe que estejamos uns dos outros , somos a mesma história , fazemos parte da mesma história , fazemos parte do mesmo tapete , a morte de uns é o nascimento dos outros.” . . O livro “Flores” apresenta , para mim, uma visão simples do quotidiano diário, aparentemente banal das relações humanas. É uma obra que inquieta , que mexe com a memória , com o entrar na espessura e olhar para o quadro no seu todo. . . Através da perda da memória do senhor Ulme e da vida despedaçada do seu vizinho , Afonso Cruz enleva-nos numa escrita muito fluida , bela e poética. Fazendo-nos acompanhar a história de Ulme e das irmãs Flores , a narrativa apresenta-se-nos laivos de quotidiano , uma reflexão geral do indivíduo perante a vida , a ausência de pausas para reflexão, empatia e a força do perdão ...Porque as flores , com a sua beleza , têm a capacidade de cantar , se soubermos ouvir.
Mais um livro extraordinário de Afonso Cruz, que nos deixa sem palavras, ao mesmo tempo que nos enche de palavras, frases, texto que têm o dom de transmitir clarividência. Este livro faz-nos reflectir sobre a construção da identidade pessoal, sobretudo em duas grandes linhas - o papel da(s) memória(s), e o papel dos hábitos e das rotinas. O psicólogo William James dizia que a partir do momento em que as nossas vidas tomam forma definida não passam de uma amálgama de hábitos. Os hábitos e as rotinas estruturam-nos, dão-nos segurança, tecem o tecido vital estável que nos permite seguir um rumo, desbravar um caminho. Mas há sempre o outro lado da moeda - fecham-nos, prendem-nos a esse caminho, moldam a nossa mente, os nossos gostos, os nossos gestos, escolhem por nós, limitam o campo da nossa visão, roubam-nos a curiosidade, a novidade, a liberdade de enveredar por outras vielas. Porque vivemos demasiadamente perto de cada gesto, repetido, de forma igual vezes sem conta, porque vivemos presos às urgências ditadas pelas rotinas, não nos conseguimos afastar e ver o quadro completo da nossa vida. Se o fizéssemos, talvez nos interrogássemos mais vezes se isso é viver. Nas palavras de Afonso Cruz: "Tenho a certeza de que a vida morre com a rotina e não com a morte, e que o hábito nos petrifica, um dia olhamo-nos ao espelho e estamos transformados em estátuas (...) queremos o conforto da banalidade daquilo que conhecemos, sentarmo-nos num restaurante e pedir sempre o mesmo bitoque, olhar para a corrupção quotidiana como quem olha uma montra de um pronto-a-vestir, fazer sempre as mesmas maldades, dobrar as camisolas da mesma maneira, votar nos mesmos criminosos, saber que as meias estão na gaveta certa, ignorar a miséria (...) (...) a rotina embacia-nos, torna-nos indefinidos, desfocados, fantasmas, máquinas, ao mesmo tempo que nos solidifica em estátuas de sal. A consciência da morte é o que nos desperta dessa morte em que vivemos, que nos diz o que deveríamos ter feito, o que deixámos de fazer, a morte é um despertador, um despertador que nos acorda para a inevitabilidade dos nossos erros. (...) A solução seria termos todos uma caveira na mesinha de cabeceira (...) para nos servir de despertador e todos os dias sabermos que temos de acordar, não para viver a rotina fatal do quotidiano, mas para a vida apaixonada de alguém que ainda sabe que existem nuvens, céus e beijos. É preciso tomarmos uma gota de cianeto todos os dias para não morrermos envenenados, lembrarmo-nos da morte para sabermos o que fazer (...). Porque viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias." (Flores, pág. 73-75)
Em Flores conhecemos Sr. Ulme, um homem que devido a um problema de saúde fica praticamente sem memórias. Experienciamos o protagonista, vizinho do Sr. Ulme. Este, ao aperceber que a sua vida está estagnada e com vários problemas, empenha-se em resgatar o passado do seu novo parceiro de tempo.
O passado de um; o presente de outro e como essas vivências estão na base de uma nova construção, passam a ser regulares no avançar das páginas.
No livro sente-se uma forma sublime de dar a conhecer uma visão simples do quotidiano. Poesia no uso de prosa é usada para descrever as relações antigas da personagem sem memória e para descrever a vida rotineira do homem apático com culpa por aí ter chegado. A ajuda visível de um, é proporcional à ajuda impercetível do outro.
Incrível capacidade de contar a história, de retratar aspetos e decisões banais. Muito reais, ao mesmo tempo peculiares, são as personagens que vão aparecendo à medida que as memórias vão sendo encontradas. As suas vivências em conjunto e as opiniões assim formadas em relação ao Sr. Ulme vão alterando o ponto de vista de quem vai conhecendo os relatos.
Ao cuidar do seu novo companheiro, o protagonista vai descobrindo os seus erros, como recuperar o seu ânimo e a verdadeira essência de como viver no presente.
Esta é uma obra que inquieta.
Casamento em ponto de rotura e rotina; amor intenso e perdido de juventude; empatia entre pessoas distintas, são temas presentes. Aqui encontras um bom exemplo de, "A vida é curta, vive-a. O amor é raro, agarra-o. A raiva é terrível, descarta-a. O medo é temível, enfrenta-o. As memórias são doces, valoriza-as".
Ao recuperar as memórias e aprender a visão das relações e diálogos do passado da personagem, penso que devemos ter a seguinte frase em conta, - "Em alguma parte da vida, todos nos tornamos memórias para outros. Por isso, é preciso garantir que sejamos uma boa recordação."