À partir d'un découpage-montage de ses livres, Emma Santos dit, crie, psalmodie, donne corps et voix à son théâtre intérieur dont il a été longtemps prescrit ― assignation à résidence ― qu'il ne sortirait pas de la scène psychiatrique. Le Théâtre d'Emma Santos a été donné au Nouveau Carré Sylvia Montfort en décembre 1976, janvier et février 1977 par les ateliers Claude Régy. Emma Santos y a interprété son propre personnage. « Je bouge, gesticule, je me désarticule. Je suis en carton-pâte. Je vois chaque partie de mon corps détachée, nette, découpée, précise, isolée, séparée des le nez, la bouche, l'oeil, l'autre. Je répète : la bouche, le nez, l'oeil, l'autre. Les mots n'ont pas de sens. Ils ne représentent plus rien. Des sons seulement. Cri. » E. S.
Fui siderada por este livro! Quero agradecer à Maria Teresa Horta a referência a este livro EXTRAORDINÁRIO! Tenho a certeza de que será daqueles que vou reler muitas vezes…💛
"Procuro uma explicação para a angústia, mandá-la embora, compreendê-la, saber viver normal."
Sabem quando lêem um livro e quando o terminam parece que levaram uma bofetada, quando tiveram uma experiência de leitura tão intensa que não perceberam bem o que aconteceu? É assim que "O Teatro" de Emma Santos nos deixa. Fiquei meio atordoada, completamente espantada com esta leitura.
Primeiro, @assirioealvim @portoeditora alguém, está na hora de fazerem uma reedição deste livro. Este livro merece não só uma reedição, como merece uma edição caprichada, com notas sobre a vida da autora e sobre o próprio texto. Quanto de Emma Santos está neste livro? Muito, presumo eu. Essa é a sensação com que fiquei, mas não há nada que o confirme. Há poucas informações sobre esta autora na Internet, com um apelido que indicia origens portuguesas. Emma Santos merecia ser mais conhecida, merece ser lida e falada. Esta é a minha tentativa para que isso aconteça.
E o que conta este livro? "O Teatro" é o retrato de uma mulher num hospital psiquiátrico, internada, forçada a tratamentos, tudo porque não encaixa nos padrões da sociedade. Os choques eléctricos a que os pacientes eram sujeitos, a completa desumanização destes locais está muito bem representada neste livro.
Ler este texto é lembrar e pensar na Esther, de Sylvia Plath, na Constança H., de Maria Teresa Horta, em tantas outras mulheres - sejam elas personagens ou reais - que sofreram nestes hospitais psiquiátricos, que se viram apelidadas de "loucas" porque não aceitavam as normas da sociedade. Porque eram encaradas como se fossem algo anormal.
Descobri este texto, juntamente com a Lena e a Sofia, enquanto estávamos a ler em voz alta "A paixão segundo Constança H." e por isso, e sei que elas concordam comigo, estamos eternamente gratas a Maria Teresa Horta por nos ter apresentado este portento de livro. Que é tão pequeno, mas tem tanto significado.
"A Loucura, imagino-a mulher, alta, inchada pelos medicamentos, semi-nua, só com um roupão de nylon acolchoado às flores roxas ou cor de rosa. Vi-a lá no hospital, todas as doentes eram uma e a mesma, devorando bolos e guloseimas ou de cigarro nos beiços.
O homem louco é mais discreto, fuma sentado na poltrona, lê o jornal, joga às cartas e não conta o sofrimento aos uivos como a mulherzinha loucura. Enforca-se e deixa como recordação um sexo enorme e erecto.
A Loucura-Mulher pois há muito que foi castrada, privada da linguagem, sem poder limpar pigarro, ar idiota, malcastrada."
"As descargas eléctricas vinham a seguir a algumas cenas do meu quarto vazio, da minha cama, do meu bloco e do meu lápis, aquilo de que eu gosto. (...) Não suportava mais. Gritava de dor. Chamava pela minha mãe."
"Entrei definitivamente no país do silêncio. (...) Sinto-me prisioneira neste hospital. Todos me ignoram. Esqueceram-me depressa. A cidade em volta continua a existir, ouço-lhe o rumor. Estou só perdida num deserto. A solidão e o vazio."