A questão da racionalidade como um modelo excludente para o pensamento é o ponto central do trabalho de Viviane Mosé. Desde 1986, quando concluiu sua monografia de graduação, até a concepção da sua tese de doutorado, em 2004, que deu origem a este livro, o pensamento de Nietzsche tem sido a base para o estudo da autora. Viviane destaca a importância da linguagem nos processos de cristalização dos valores morais, e aponta a necessidade de uma crítica radical da linguagem, com o intuito de permitir o que o filósofo chama de "transvaloração dos valores". Quando Nietzsche afirma a necessidade de uma transvaloração dos valores, refere-se à possibilidade de desconstrução desta estrutura. Repensar a linguagem, avaliar a relação que a cultura estabeleceu com os códigos de comunicação, bem como as leis e os princípios que determinou para os enunciados, é uma das condições para o que Nietzsche, segundo Viviane Mosé, chama de uma nova grande política.
Aprofunda os conceitos que Viviane Mosé apresenta em "Nietzsche Hoje". É uma leitura um tanto mais complexa para quem está começando a ler sobre Nietzsche pois se trata da tese de doutorado da autora embora esteja presente o esforço por tornar acessíveis os conceitos. Ajudou ter lido o livro anteriormente citado antes. A Arte corpo, a palavra, a linguagem, a vida, a identidade, a verdade, Deus e questionamentos aos paradigmas do pensamento hegemônico são algumas das temáticas presentes. Uma leitura que valeu muito à pena, inclusive pretendo reler.
É um livro que antecede outros da mesma autora, tanto nos temas quanto nas reflexões apresentadas. Como eu já havia lido os outros antes, já estava familiarizada com os temas e o estilo da autora. Além disso, como se trata da tese de doutorado da autora, a linguagem e o raciocínio são mais complexos. Mesmo sendo uma leitura mais densa, é bastante interessante, já que trata de temas essenciais como a crise da razão ocidental e as saídas para o niilismo que circunda a cultura contemporânea.
Não posso dizer que foi uma leitura simples. Foi interessante. Em resumo o livro diz respeito à crítica da linguagem que o filósofo alemão Nietzs faz à linguagem.
A autora destaca conceitos que compõem o “edifício conceitual” e chega a afirmar que o trabalho acadêmico “é um empreendimento”. E é mesmo.
Ironicamente e apesar de estarmos falando de conceitos, Nietzs se insurge contra todos os tipos de conceitos. Ele os critica, desconfia deles e os coloca em cheque.
Há como base do estudo a ideia de uma “genealogia “ da palavra que atinge o discurso, por sua vez, cômodo e próximo de uma verdade conveniente.
Um ótimo livro para pensar sobre nossa relação com o mundo através da linguagem. Pensar em novas formas de relação mais livres e sem a preocupação de alcançar verdades eternas e imutáveis. Recomendo bastante.