"Rua Aribau" é uma coletânea inédita de poemas organizada por Alice Sant'Anna, uma das curadoras da TAG de 2018. Foram selecionadas quinze poemas de autoras brasileiras contemporâneas que envolvem temas como adaptação, viagem, decadência, solidão e inadequação, presentes no romance "Nada", escrito pela espanhola Carmen Laforet e indicado por Alice em novembro. Além dos textos, o livro é composto por ilustrações exclusivas que dialogam com os poemas, formando, assim, um diálogo literário plural entre artistas de todo o país.
Born in Rio de Janeiro in 1988, Alice Sant’Anna is the author of Dobradura (2008), Pingue-pongue (co-authored with Armando Freitas Filho, 2012) and Rabo de baleia (2013). Her poetry examines the small delights and inconveniences of daily life through a curious and creative gaze, finding unexpected meanings where we expect the trivial and routine. She works at the magazine Serrote, published by the Instituto Moreira Salles, writes a regular Friday column for O Globo’s “Transcultura” page, and is currently studying for a Master’s degree in literature at PUC-Rio.
O fato da curadoria da TAG nunca ter escolhido um livro do gênero lírico sempre me incomodou, como se o narrativo tivesse algum tipo de propriedade superior, muito embora eu saiba que essa escolha seja meramente mercadológica, já que muitos leitores infelizmente não são feitos para a poesia. Mas felizmente ainda podemos contar com livros de poemas como mimos como este organizado por Alice Sant'Anna, cujos poetas são exclusivamente mulheres contemporâneas tais como Bruna Beber, Alice Ruiz, Natasha Felix, Ana Martins Marques, Jarid Arraes, Lu Menezes, Angélica Freitas, Julia de Souza, Marília Garcia, Natália Agra, Sofia Mariutti, Ana Guadalupe, Fernanda Morse, Laura Liuzzi e Ledusha, todas devidamente acompanhadas por ilustrações e colagens de várias mulheres brasileiras. Enfim, a escolha das artistas e o projeto são sensacionais, mas a escolha dos poemas não me encantou como deveria, talvez relendo-os depois de ler o livro de Carmen Laforet e os anexando ao trabalho simbólico do romance, talvez eu os perceba com maior profundidade.
Não desprezo a poesia contemporânea, essa dos pós 2000, aliás, eu não tenho desprezado nenhuma literatura. Eu desprezo escritor que não é honesto com a arte da escrita.
O que eu quero dizer é que, para mim, essa poesia nova está sofrendo muito no que diz respeito à criação de imagens. Alinham o texto à esquerda, colocam as coisas tal como são e, voilà! - poesia. Não gosto de poemas que não torçam o sentido da palavra, poemas que não me obriguem a pensar "nossa! Como é que essa coisa está ligada a tal outra coisa?"
Me senti assim com esse livro. Gostei mesmo de apenas 3 poemas: eu durmo comigo (Angélica Freitas), A torre (Jarid Arraes) e Ihas, Ilhéus, nomes (Lu Menezes).
Gostei da ideia. Gostei da abertura para o trabalho poético. Quanto a qualidade vi poemas que gostei bastante e outros que achei bem ruins. Uma das coisas que mais desagrada é escritor que quer escrever prosa e coloca como se fosse poema como foi o caso da escritora que contou toda uma história de voo perdido. Não consegui achar que os recursos que ela usou no final o salvaram. Não seria mais fácil escrever uma crônica?
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Há pouco mais de um ano eu decidi ler mais poesia. Conhecia alguns clássicos mas decidi ter sempre um livro de poesia na cabeceira e, diariamente, ler um poema pela manhã e/ou à noite.
Li esta coletânea antes de ler o romance que acompanha, então serei incapaz de estabelecer relações entre os dois (depois de ler poderei fazer uma nova resenha deste livro, se for o caso). Mas, como uma recente leitora mais recorrente de poesia, foi uma grata surpresa me deparar com tantas autoras brasileiras contemporâneas. Já tinha lido algumas coisas da Alice Ruiz, Angélica Freitas e Jarid Arraes. Algumas autoras eram desconhecidas por mim, outras eu conhecia apenas de nome.
Como em todas coletâneas, a qualidade dos poemas varia, bem como suas temáticas – alguns estilos de escrita me agradaram mais, outros menos. A edição é lindíssima e todos os poemas são acompanhados de uma ilustração, também feitas por diferentes artistas mulheres – um ótima oportunidade de conhecer também o trabalho delas.
Ainda assim, admito que tenho uma certa resistência com grande parte da poesia contemporânea – puro preconceito e/ou desconhecimento, eu sei -, mas nada que com o tempo não possa ser mudado. Permanecerei aberta a ampliar meu conhecimento do gênero.
Começando pelo fato de que como objeto esse livro é lindo. Cada poesia é acompanhada por uma ilustração diferente, feita por uma artista diferente. Como os poemas.
Nessa coletânea somos apresentados à 15 poetas brasileiras contemporanea, o que é incrível e inédito no nosso mercado editorial. Fiquei muito feliz de poder ter conhecido a escrita delas, o que me fez querer adquirir os livros delas para conhecer mais.
Porém como toda coletânea, nem todos os poemas ressoaram comigo, por isso tal nota.
A única porta que já tinha lido antes foi a Angélica Freitas. Foi estranhíssimo perceber que o poema dela, nesta coletânea, eu adorei e o livro dela eu acabei de decepcionando muito.
Enfim, das artistas que mais se destacaram para mim foram: Bruna Beber, Laura Liuzzi, Marília Garcia, Angélica Freitas, Alice Ruiz e Ana Martins Marques.
7/10 Rua Arribau é um compilado de poemas e imagens escritos e produzidos inteiramente por mulheres. Mulheres negras, mulheres branca, mulheres asiáticas, mas precisamente mulheres. Seres dos sexo feminino e aí que está sua essência primordial. O livro é o resultado das inseguranças, frustrações e, principalmente, dúvidas que o mundo e patriarcado esperam de uma mulher. Não se focando na parte social e antropológica do fato e do abuso dos corpos mas sim indo em direção a introspecção das autoras sobre elas mesmas. O livreto funciona como uma janela, cada poema, anexada a imagem que o representa, é uma ideia, uma transparência que a escritora teve com o público. Você se sente dentro da cabeça da mulher autora, da poeta, da artista. É um trabalho fantástico de representação de um trabalho feminino real, pouco explorado ou até mesmo subvertido no mundo atual. Os únicos pecados do livro são sua curta duração e a falta de posicionamento político. As autoras comem pelas beiradas, não assumem uma real potência do sagrado feminino e nem resgatam a ideia da força de luta de uma mulher. É justiicavel, já que se tivessem um apelo ainda mais da óptica do feminismo radical nem sequer entrariam na cota do livro. Vale a pena a leitura, mesmo com esse parêntese minúsculo na história.
Poemas são um convite para entrar em um universo sensível onde as palavras representam as mais diversas expressões de arte. E como bem disse Ferreira Gullar: “A arte existe porque a vida não basta.”
A escritora Alice Sant’Anna organizou essa linda coletânea de poemas, sendo o primeiro título original publicado pela editora TAG e com belíssimas ilustrações de mulheres com as mais variadas formações espalhadas pelo Brasil. Um diálogo literário plural onde as imagens dialogam com os textos. E faço um destaque especial ao humor presente no poema de Ana Guadalupe.
Na época nem me dei conta de que essa pequena coletânea era considerada um livro. Não me lembro o que pensei então dou nota 3 porque provavelmente foi mediano. Zero memória emocional.