Jump to ratings and reviews
Rate this book

We All Loved Cowboys

Rate this book

"This short but profoundly moving novel by the young Brazilian writer is one of the finest explorations of love you will find anywhere this year."—John Freeman, The Boston Globe

After a falling out, Cora and Julia reunite for a long-planned road trip through Brazil. As they drive from town to town, the complications of their friendship resurface. By the end of the trip, they must decide what the future holds, in a queer, coming-of-age debut novel that has been celebrated in Brazil.

196 pages, Kindle Edition

First published October 7, 2013

68 people are currently reading
3183 people want to read

About the author

Carol Bensimon

28 books424 followers
Nasceu em Porto Alegre, em 1982. Seu primeiro livro, Pó de Parede (Não Editora), um tríptico de novelas, foi publicado em 2008, enquanto cursava o mestrado em Escrita Criativa na PUCRS.
Depois, publicou três romances, todos pela Companhia das Letras: Sinuca Embaixo d'Água (2009), Todos Nós Adorávamos Caubóis (2013) e O Clube dos Jardineiros de Fumaça (2017). Em 2012, foi incluída na edição Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros da revista britânica Granta.
Seus livros foram publicados na Argentina e na Espanha e, em 2018, Todos Nós Adorávamos Caubóis sairá nos Estados Unidos.
Já traduziu histórias em quadrinhos francesas e escreveu contos e ensaios para o Estado de S. Paulo, O Globo, Folha de S. Paulo, Superinteressante, Piauí e para a editora norte-americana McSweeney's. Algumas crônicas que escreveu para o jornal Zero Hora e para o Blog da Companhia foram reunidas no livro Uma Estranha na Cidade (Dublinense, 2016).

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
166 (11%)
4 stars
464 (32%)
3 stars
572 (40%)
2 stars
185 (13%)
1 star
34 (2%)
Displaying 1 - 30 of 183 reviews
Profile Image for Suellen Rubira.
955 reviews89 followers
August 25, 2019
Livro indicado pela Noemi Jaffe para a tag de agosto. Eu preferia ñ ter gasto 70 reais para ler isso...

1) em síntese, um livro repleto de white people problems;
2) bem escrito, apesar de várias coisas (a narradora super descolada usa expressões como "um bocado", "pra dedéu" e "pra burro" - tem várias outras q ñ lembro agora)
3) é interessante por explorar o rio grande do sul, mas, tirando a parte que essa viagem é apenas uma desculpa para que a relação amorosa entre Cora e Júlia se resolva, nada parece realmente influenciar a vida delas. Pensando bem, o Brasil aparece como uma nação em decadência e as bonitas vivem suas vidas numa boa no exterior;
4) legal ver referências a no doubt, silverchair e alanis.
5) eu achei que fosse odiar o romance, mas, no fim, acabei apenas por ñ simpatizar com várias coisas. Me pareceu uma versão feminina do Daniel Galera, que adoooora retratar o macho branco em crise sem motivo algum
Profile Image for Cláudia.
Author 7 books77 followers
January 5, 2018
ai, esses gaudérios!
gostei mais do que imaginava! mesmo sendo de 2013, conversa muito com os dias de hoje, levanta questões lgbt e do feminismo que fazem total sentido. gostei da narradora, quase íntima da gente. gostei.
mas gostei também que foi uma leitura rápida, porque é recheada de drama quase adolescente, haha tem uma vibe oh, como é duro ser branca, bonita e bilíngue que me deu preguiça. mas as personagens são inteligentes e as discussões são reais, gostosas de acompanhar. leria mais coisas da autora, sem dúvida!
Profile Image for lulu.
336 reviews3 followers
August 15, 2019
"Tu faz um curso de moda, um curso de moda em Paris. Não vai dar pra deixar isso muito feio e sofrido, Cora, desculpa."

Foi muito difícil para mim engajar na leitura com uma protagonista como Cora. Ela é mimada, egoísta, privilegiada e pedante. Olha o mundo de cima e se sente no direito de julgar tudo e todos. No entanto, preciso dar o devido crédito à autora, já que essas características me parecem deliberadas (vide citação acima e em outras ocasiões no livro).

Uma protagonista cheia de defeitos e com quem é difícil se conectar não é necessariamente um problema, mas depende muito mais de uma trama forte para o livro funcionar. E aqui está o maior calcanhar de Aquiles deste livro, na minha opinião: as situações e tramas são abordadas de forma tão rasa que o que sobra é só a personalidade da Cora mesmo. Se você não gostar dela vai ser difícil se envolver na leitura.

Consegui me importar mais com a história quando o foco era o relacionamento entre Cora e Julia. Achei que tinha potencial ali para um bom conflito, mas Carol Bensimon nunca entra no olho do furacão. A tensão cresce e se dissolve sem impacto.

O estilo de escrita não me agradou e ironicamente o próprio livro oferece uma descrição perfeita do que não gostei:

"Mas Mathias ficava muito aquém de Julia no quesito contar histórias. Em primeiro lugar, ele enfatizava os detalhes irrelevantes. Em segundo, interrompia as partes dramáticas com parênteses que levavam muito tempo até ser fechados, e cuja função parecia ser apenas a de pulverizar nosso pretenso interesse pela história principal. Por último, e sempre um indicativo de fracasso: ele, o narrador, ria muitíssimo mais do que aqueles que o escutavam."

Esse foi meu primeiro livro da autora e, apesar de ter me decepcionado um bocado, daria outra chance no futuro. 3/5.
Profile Image for Luciana.
516 reviews160 followers
May 26, 2024
Não é ruim, tampouco é bom. Basicamente estamos diante de um diário de duas viajantes, que tentam tardiamente acertarem o passado viajando pelos interiores remotos do Rio Grande do Sul.
É apenas isso, de modo que é uma leitura desinteressante.
Profile Image for Hilário Souza.
69 reviews16 followers
August 25, 2019
A escrita da Carol tem um movimento muito atraente e os traços de contemporaneidade fazem com que o leitor se identifique em vários pontos com as duas protagonistas.
A viagem descrita no texto não é apenas geográfica, ela é interna também. Talvez seja mais pessoal do que efetivamente pelas estradas do RS. Na busca por esse não-lugar, Cora e Júlia acabam se deparando com questionamentos que de certa forma as fizeram estar ali, e uma vez afastadas deles é quando eles surgem a elas com mais clareza e intensidade.
A narrativa é tão minuciosa e envolvente que dá vontade de fazermos o mesmo caminho que elas. As cidades desinteressantes, o clima monótono, a rotina apática ali existentes nunca foram tão sedutores.
Quem aí nunca sentiu vontade de dirigir numa estrada vazia e se perder num deserto de pensamentos também?!
Profile Image for Gláucia Renata.
1,306 reviews41 followers
September 25, 2019
Uma vez ouvi a expressão "classe média sofre" em referência a um determinado livro mas só agora consegui entender seu sentido.

A história não empolga e é rapidamente esquecível. Mas me deu muita vontade de sair pelo país numa road trip sem destino conhecendo pequenas cidades quase desconhecidas. Mas faço parte do proletariado e tenho muitos boletos a pagar.
Cora e Julia e seus "white people problems"...



Histórico de leitura
16/09/2019

"Tudo o que fizemos foi pegar a BR-116, passando sob pontes com slogans de cidades que não tínhamos a mínima intenção de visitar, ou que falavam na volta de Cristo e na contagem para o fim do mundo."
Profile Image for Eric Novello.
Author 67 books568 followers
September 28, 2015
Achei fraco.
A Carol escreve muito bem, o texto dela tem qualidade por si só. E disso eu já sabia.
Mas faltou bons personagens, uma boa história.
O espírito de road trip é que os personagens se transformem a cada parada, aprendam algo e cheguem ao final diferentes. Faltou isso no Caubóis.
Os 2 livros anteriores dela deixam esse comendo poeira.
Profile Image for Diana Gutiérrez.
Author 27 books75 followers
October 18, 2021
Es interesante leer este libro a la par que Atrapa a la liebre, porque ambos parten de una premisa parecida (dos mujeres que no se ven desde hace mucho tiempo, un road trip por una región degradada y una excusa para pensar en su pasado y su relación). La ejecución, sin embargo, es totalmente distinta. En este caso, Carol Bensimon nos habla de una historia romántica que no prosperó (Dios mío, por una vez es romántico sin cortapisas, voy a llorar) debido a que había demasiado "peso" anterior y, por parte de Julia, demasiado miedo (DIOS MÍO, LO LLAMAN POR SU NOMBRE, VOY A LLORAR).

Me ha gustado: Que fuera desacomplejadamente sobre una relación romántica; que la perspectiva elegida no fuera la de Julia, sino la de Cora (las punkis que van de duras y escuchan a Courtney Love también tienen derecho a ser protagonistas); un par de insights acertadísimos; el final, que a pesar del WTF completa cierto viaje interior.

No me ha gustado: Por desgracia, es cierto que los problemas de las dos protagonistas son de traca. Las chicas de Atrapa a la liebre habían vivido una guerra, aunque una había sentido mucho más sus efectos que la otra. Estas dos se pasean por los parajes de Rio Grande do Sul en plan turista, sin influir para nada en lo que ven; y aquello que ven, más allá de ser un "vacío" donde reconstruir algo perdido hace tiempo, tampoco influye en ellas. Te quedas con la impresión de que te están haciendo un Lonely Planet para superar unos traumas bastante superficiales. Ni siquiera parecen capaces de cierta profundidad ellas mismas, lo cual es una pena, porque al menos este libro tiene muy claro que LO QUE NOS IMPORTA SON ELLAS DOS.

La autora escribe bien, me leería algún otro libro suyo.
Profile Image for Kalebe.
31 reviews14 followers
December 15, 2014
Para continuar lendo, acesse o Espanador:http://espanadores.blogspot.com.br/20...

Cora estuda moda na França. Julia estuda em Montreal. Já não se falam há alguns anos. Combinam de se encontrar em Porto Alegre e fazer uma viagem de carro que planejaram há tempos (e mais parecia aquelas promessas que se perdem ao longo dos anos). Esse é um pequeno resumo de Todos Adorávamos caubóis, o novo livro de Carol Bensimon.

Cora e Julia resolvem partir nessa viagem ao interior do Rio Grande do Sul, sem planejamento e com uma regra: que nenhuma delas conheçam as cidades do caminho.

O que chama a atenção é justamente esse modelo de história, um road novel (existe esse gênero mesmo?), em que a estrada, as cidades - meio fantasmas, meio decadentes - acabam se tornando personagens do livro.

Conforme a viagem começa a se desenrolar, vamos conhecendo um pouco mais das duas personagens e o complicado relacionamento entre elas. Desde o começo da viagem percebemos que algo aconteceu que abalou a relação e não fica muito claro (e até mesmo depois de explicado não é tão simples assim) o que é exatamente. E através dos olhos de Cora que vamos descobrindo aos poucos os detalhes, entendendo um pouco do passado e às vezes com uma vontade de fugir dele também.

O livro fluiu bem, mas tive alguns problemas. E o principal deles é que ainda que exista a viagem, não acontece muita coisa (péssimo argumento, eu sei). E ele acaba dependendo da empatia dos personagens para poder funcionar. E Cora é uma das personagens mais pedantes que eu encontrei na literatura nos últimos tempos. Em alguns momentos até que você se importa e quer saber o que acontece, mas ela é um estereótipo de estudantes da classe média que vão passar um tempo no exterior, meio egoísta, arrogante. Posso estar sendo muito duro, eu entendo que são tempos de mudança, tanto para ela, quanto para Julia, mas em algum momento do livro eu queria chegar ao final, mas eu simplesmente não me importava com a personagem principal.

Para continuar lendo, acesse o Espanador:http://espanadores.blogspot.com.br/20...
Profile Image for Emily.
556 reviews43 followers
September 21, 2017
Esse é um livro meio difícil de dar nota, mas acho que eu diria 3,5.

A narrativa da Cora não é linear - ao contrário, ela vai e volta no tempo com frequência, te deixando meio perdido se você não está prestando atenção - mas ela é muito aberta. Cora conta sobre sua bissexualidade, sobre o relacionamento com os pais, sobre Júlia e sobre Paris e as cidades do Sul do país de um jeito muito íntimo, como se ela estivesse dialogando com ela mesma (o que inclusive me lembrou um pouco a narrativa da Elena Ferrante agora que parei pra pensar nisso), mas que, por isso mesmo, acaba sendo meio confuso. Ela te conta só o que ela quer, e muitos detalhes ficam de fora, o que torna a coisa toda bem bonita de ler mas também meio frustrante se você é uma pessoa curiosa como eu e quer saber tudo.

No geral, curti Todos Nós Adorávamos Caubóis e acompanhar a Cora e a Julia pelo Sul do Brasil, apesar de eu estar esperando uma roadtrip mais desenvolvida.
Profile Image for lou.
254 reviews6 followers
Read
October 19, 2022
reading this book felt like going on a long drive— big easy stretches of prose with blips of higher stakes/more interesting plot...im not sure if i loved it, but i enjoyed the experience of reading it and i liked the pace and the inconclusiveness of it
Profile Image for Barbara Maidel.
109 reviews44 followers
November 27, 2023
UM BOM ROMANCE JUVENIL COM ÓTIMAS PASSAGENS ADULTAS

Antes de escrever esta resenha, li algumas das outras e… “bah”, que merda. Não podem mais existir personagens com “white people problems” na literatura, gente “privilegiada” deveria se recolher e deixar que só os sofreres das minorias apareçam, uma protagonista jovem/ branca/ classe média/ graduada em Moda/ viajada é algo “obsoleto”, “desconectado da realidade brasileira”. Não sei por quanto tempo a ficção será medida por esses modismos, mas que fique registrado o delírio obcecado com identidades de cor, gênero, orientação sexual e classe que põe a labuta literária em segundo plano porque o que tem que reinar é a crítica social foda. Praticamente um movimento antiliterário.

Cora, a protagonista que narra neste Todos nós adorávamos caubóis, vai retomar contato com uma antiga amiga-amante, Julia, por meio duma viagem pelo interior do Rio Grande do Sul que ambas idealizavam no passado e que finalmente será possível. Com o pé na estrada surgem seus dramas familiares, rancores e papinhos juvenis. Papinhos juvenis porque os diálogos são assim mesmo, joviais, cheios de “aham” e formulações preguiçosas, mas Cora, sob Carol Bensimon, volta a se conciliar conosco quando está teorizando o mundo na própria cabeça, e em muitos desses momentos o romance deixa de ser “apenas juvenil” pra ser de todos. Ou seja, é um livro indicado pra juventude pensando nas conversas em alto e bom som que surgem nele, mas pra qualquer um quando a narradora elabora na solidão.

Salvei alguns trechos dessas elaborações bonitas e perspicazes, que seguem como amostra. Comentários meus entre colchetes:

[Sobre o conformismo etário.]

[…] o que você quer é rodar pelas pistas livres da madrugada sem jamais chegar a um ponto B. Ou melhor, seu ponto B é um álbum a ser escutado na íntegra, seu ponto B é o lago que você olha enquanto fuma, com todos os amigos que puderam caber no banco de trás. O estranho é que conservar esses hábitos depois do prazo de validade fará com que eles pareçam, aos olhos dos outros, um mero rastro de excentricidade de alguém que não soube crescer.


*

[Sobre a inutilidade da moda quando os outros não estão na mesma sintonia de compreensão sobre o valor de um item no desfile das ruas.]

Fomos interrompidas por uma série de três batidas na minha janela. Olhei e reconheci o cara das bombachas. Ele era a única pessoa que havia sobrado de todo aquele burburinho do início, além de dois funcionários usando quepes típicos de quem manobra carros, mas que sem dúvida pareciam remeter a outra coisa, talvez a dois garotos fantasiados para um baile de Carnaval da Sociedade Amigos de Tramandaí. Baixei o vidro.
“Essas tuas botas são de homem”, ele disse, apontando para dentro do carro, o dedo indo e voltando duas vezes. Pela sua expressão, minhas botas pareciam ter acabado com o seu dia.
Um tanto chocada, olhei para meus próprios pés a fim de conferir o que era mesmo que eu usava, e eram meus coturnos Doc Martens, pelos quais eu havia pagado uma pequena fortuna em uma loja da marca em Paris. Aquele par de sapatos tinha um pequeno altar reservado em quase todos os movimentos da contracultura, mas era demais esperar que tal carga simbólica penetrasse na carcaça cansada de quem no máximo tinha visto coturnos protegendo os pés dos policiais militares que atiram balas de borracha em tendas do MST. Este é o problema da moda: você depende dos outros. Se eles não entenderem a mensagem, todos os seus esforços vão por água abaixo.


*

[Poucos parágrafos depois, um trecho que o sociólogo Erving Goffman, autor de estudos comportamentais de chupar os dedos como A representação do eu na vida cotidiana e Estigma, adoraria explorar.]

O que mais me incomodava, na verdade, era não saber exatamente o que Julia pensava a respeito. Está certo que ela tinha descarregado sua raiva depois de o carro partir (“Não acredito que ele bateu na janela só pra dar uma opinião sobre as tuas botas!”). Está certo que tinha deixado claro que eu não devia ligar para as palavras de um desconhecido (“Que sotaque era aquele, meu Deus!”) e que, além disso, ela pensava muito diferente (“Eu adorei as tuas botas”). Mas aquele excesso de manifestações acabava surtindo o efeito contrário, o de aumentar minha desconfiança.


*

[Uma imagem familiar.]

Dois cavaletes cravados no cascalho (“Experimente!”) não deixavam dúvidas de que ali eles também serviam almoço, lanches, e que para levar havia queijo, salame, mel, cartões telefônicos, pilhas. “Simpático”, Julia falou. Eu pessoalmente acreditava que estabelecimentos comerciais que têm de tudo um pouco estão sempre passando um atestado de que não conseguiram prosperar em nenhum ramo específico, mas, ainda assim, tive que concordar.


*

[Vez ou outra há instantes mais claros onde se percebe que Bensimon pratica, e bem, a escrita criativa, na qual é mestre pela PUCRS. Neste trecho, uma mesma mulher, dum ângulo, é uma senhorinha. Pelo olhar doutra pessoa passa a ser uma velha, e tudo na descrição da mesma personagem.]

Julia começou a preencher o cadastro com uma letra cuidadosa. De vez em quando, ela levantava a cabeça e sorria para a senhorinha. A velha, por sua vez, ia seguindo com os olhos as minhas andanças pela sala, como se as coisas estivessem ali não para ser vistas de muito perto, mas apenas em uma panorâmica apressada.


*

Parece que a desvantagem de crescer no interior é que todo mundo pode estar conversando sobre você ou sobre seus pais em todas as salas de jantar iluminadas em um raio de três quilômetros.


*

Ao redor da praça, algumas edificações não estavam ajudando em nada na vaga sensação de início do século XX que outras, tombadas, restauradas, tentavam inutilmente criar. Por exemplo, uma lotérica, ou três andares de vidro espelhado ou a cena bíblica e brilhante ao lado da igreja matriz. De maneira geral, eu tinha a impressão de que, tão logo a situação econômica permitia, as famílias de Antônio Prado, supostamente orgulhosas das suas origens, colocavam tudo abaixo e corriam para a loja mais próxima de materiais de construção, selecionando os piores tipos de revestimento sob a crença de que eles eram muito mais modernos e práticos.


*

[Gosto muito do encontro de boas palavras neste parágrafo.]

Chamavam-se Campos de Cima da Serra, por onde haviam andado no século XVIII os tropeiros e suas mulas contrabandeadas do Uruguai. Depois de passar um trabalho daqueles por meses e meses em um país que mal tinha nascido, ataque de índios, fome, doença, tempestade, eles chegavam ao centro do Brasil e vendiam mulas a preço de ouro. Mula era o quê, mesmo? O cruzamento entre um burro e uma égua. Uma dessas, naquele tempo, podia valer algo próximo de quarenta vacas, porque elas eram peça essencial na mineração, lá nos cantos de Minas Gerais. Tudo isso o peão tinha contado a Julia enquanto eu estava ocupada com alguma coisa.


*

O curioso era que eu não tinha conhecido um mísero membro da família dela. Embora seu pai fosse com frequência a Porto Alegre, supostamente a negócios, nós jamais havíamos sido apresentados um ao outro. Em algumas dessas ocasiões, tive certeza inclusive de que Julia fazia o possível para evitar esse encontro, como quem manda um embora pela porta de trás para receber outro pela da frente.


*

[Um romance de certa forma lésbico em 2013 não é nada de mais, e ainda assim é algo bem maior do que um romance lésbico hoje, em 2023, então Todos nós adorávamos caubóis tem vários momentos avançados em elucubrações sobre as situações pitorescas vividas por gays num ambiente onde a heterossexualidade predomina.]

Às vezes era preciso convencê-las de que elas queriam ficar comigo. Estou dizendo isso porque não era incomum que eu me apaixonasse por uma garota heterossexual. Talvez tenha sido este o meu maior erro: eu nunca me conformei com o fato de não poder desejar qualquer uma, mas sim preferencialmente as que se encontravam entre as quatro paredes de um lugar dito gay. Pelo amor de Deus, eu queria me apaixonar na rua e poder contar com um pingo de chance. Não ter medo de me envolver com alguém que, no dia seguinte, pudesse acordar arrependido. Mas acabei sendo o lapso de muitas pessoas. A fase superada de outras tantas. Minha atração pelo sexo feminino era uma doce aventura e, ao mesmo tempo, uma condenação ao mais claustrofóbico dos universos.


*

Eu me lembro, era maio. Como sempre em maio, o inverno tinha se apropriado das noites para ensaiar um pouco.


*

[…] com o salário de vigia ele criava dois meninos, cujas fotografias saíam da carteira quando as conversas ficavam compridas.


*

[“Para que decorar nomes? Escolha um e acrescente números romanos.”]

Eu via no meu pai um rebelde, um lutador, alguém que não se acomodava, não senhor, e aquilo me protegeu, durante anos e anos, de um baque muito maior. Então vieram suas namoradas. Mas isso não era um problema, porque elas não duravam nadinha. A palavra namorada já continha em si, aliás, a transitoriedade de todas aquelas mulheres. A primeira. A segunda. A terceira. Você vai se acostumando. A quarta. Para que decorar nomes? Escolha um e acrescente números romanos. A quinta. A sexta. Nada mau para um homem de quarenta e seis. A sétima. Puxa, você foi rápido com essa. A oitava. A oitava. A oitava.


*

A porta da casa de tijolos rangeu.
“Boa tarde”, alguém disse.
Olhei. Havia um homem parado ali. Ele deu um passo para fora, como se se deixasse examinar. Era um desses carecas que preferem raspar a cabeça a parecer de algum modo incompletos, cerca de quarenta anos, pele bastante queimada de sol.


*

Fazendo contorcionismos para que a cinza comprida do seu cigarro não caísse no chão, Fany, a gerente do hotel, nos guiou por salas enormes ornadas com um mobiliário pesado e orgulhoso […]


*

Não era um daqueles dias que começam atravessados. Visitamos o museu Dom Diogo de Souza, que até o fim dos anos 90 havia abrigado um fragmento da Lua, presente de Nixon para Médici.


***

Imagino que esse tipo de livro padeça dum problema que acomete outros tantos, mas numa versão particular: um livro juvenil, bem construído, com trechos ótimos como os que destaquei acima, sendo lido por jovens que só querem saber da história “identificável” – e aí deixam o ouro da sensibilidade não óbvia intocado pelo caminho – ou por pessoas que estão atrás de uma trama robusta e ficam logo de saco cheio dos papos que os personagens têm. Foi separando as coisas que vi a destreza de Carol Bensimon, porque se me detivesse muito mais nas duas soltinhas gurias on the road sob seus dedos talvez eu participasse da turma que está chamando esta obra de trivial.

Gostei de viver algumas horas aqui dentro – em parte delas eu também estava viajando pela estrada –, e pretendo futuramente ler outros livros da autora a fim de encontrar uma boa história ou, pelo menos, catar instantes (eu os coleciono) deixados pra quem quiser olhar de perto, sem pressa.
Profile Image for amanda.
69 reviews1 follower
November 3, 2022
We All Loved Cowboys was a wonderful book looking at a complex relationship between two people who were important to each other at a particular point in life. It would have been better as a short story, but I still like it well enough at its current length. At times the pacing seemed to not fit the story, however I'm not sure how much of that is the writing itself or the translation. I did like that it drifted between the past and present, though occasionally it was difficult to tell when that perspective shifted. There were some beautiful lines throughout the book, and overall, I really enjoyed the plot and the explorations of different aspects of queerness. It may not have entirely resonated with me, but I could understand Cora and Julia to an extent and appreciated those two different characters and their respective relationships with queerness.
Profile Image for Clarice Scotti.
37 reviews3 followers
September 2, 2019
duas amigas que se reencontram, após alguns anos separadas, para fazer a roadtrip pelo rio grande do sul que elas planejaram nos tempos de faculdade. em meio aos dilemas da vida adulta e da própria natureza de seu relacionamento, vemos também flashes de diferentes e importantes momentos do passado das duas. um mote interessante, uma leitura rápida e até gostosinha, mas sei lá, achei meio sem tempero, talvez pelo hype todo eu esperasse mais. todo o roteiro da viagem me pareceu desnecessário, elas podiam ter ido passar um mês juntas em qualquer lugar que funcionaria da mesma forma. e até a questão de como cada uma lida com a homossexualidade, que (suponho) deveria ser a essência da narrativa, pra mim deixou a desejar. não chego a "desrecomendar", mas vá sem grandes expectativas.
541 reviews
November 2, 2022
Edit edit after book club: I liked this so much more than I thought in the moment; all road novels are inherently time travel stories; going through the motions is sexy; sometimes romance is about missing who you were before another person

Edit: rounded to 4 because it was directly in convo with Y Tu Mamá También, Carol Bensimon's MIND

3.5, but a lovely stream of consciousness road trip novel. Tender and angsty and fashionable and tragic in the same vein as some of my favorite road trip media, required viewing for my book club xoxo, “Y Tu Mamá También” and “Diarios de Motocicleta.” #iykyk But I think my enjoyment was impeded slightly by the length, just short enough to be a bit slow-going. I wonder how it would’ve been different as a short story or even a longer novel.
Profile Image for Taís.
Author 9 books42 followers
August 16, 2015
Eu gostei muito do livro. É gostoso de ler, você segue o fluxo da narrativa sem esforço e fala sobre e como as coisas do nosso tempo sem parecer forçado. Adorei o modo como a autora escolheu escrever as risadas nos diálogos como "hahaha". Amo/sou Cora em seu jeito inseguro, arrogante e trouxa de ser.
Profile Image for Iuri.
94 reviews10 followers
December 17, 2015
O livro é muito bem escrito, o ritmo pausado dos parágrafos ajuda a criar o clima da road trip e deixar a tensão (sexual? romantica?) entre as personagens muito palpável e real.

A leitura tem um ritmo lento e apesar do livro não ser muito extenso, me tomou muito mais tempo do que eu gostaria. Apesar disso, finalizo satisfeito e disposto a conhecer outras obras da Carol.
Profile Image for Karen Baù.
9 reviews
September 29, 2021
a escrita dessa autora é maravilhosa, como uma câmera me guiando pra onde devo olhar, parando em detalhes e dando uma sensação de sinestesia. tudo isso deixa o livro com uma atmosfera nostálgica e estática mesmo quando as coisas estão ocorrendo naquele momento, como se tudo aquilo fosse uma memória. é um livro carregado de sentimentos não ditos.
980 reviews16 followers
November 10, 2019
Good details and feels very real but there’s no insight into pretty much anything. Which means no stakes at all.
Profile Image for sunhehe.
70 reviews
November 2, 2024
wisdom this book has given me:
don’t fall in love with closeted women. and also road trips are really long.
Profile Image for Debora.
53 reviews5 followers
May 12, 2024
gostei até mais do que eu esperava! acho que uma das maiores qualidades da escrita da Carol é ser descritiva de uma forma deliciosa - assim como na newsletter dela, que eu amo - que faz as imagens passarem na sua cabeça como um filme. eu consegui ver tudo que ela queria que eu visse: as ruas de paris e as estradas do rio grande do sul, as pousadas coloniais, os quartos de hotel e bares meio sujos. me senti numa roadtrip contemplativa e com um drama sapatão que me deixou investida hehe 😚
Profile Image for Fari Cannon.
133 reviews2 followers
May 8, 2025
“she left the bathroom and I looked at myself in the mirror, which was the same as looking at her” tender to the touch like a sunburn
Profile Image for Eline.
13 reviews
September 30, 2025
Dit duurde veelte lang om te lezen maar opzich een prima boek
Profile Image for angela !!!.
50 reviews8 followers
May 31, 2025
i enjoyed it at the beginning but my enjoyment slowly declined as i made my way through the book. it didn’t really end up amounting to anything nor did it do a studying job of explaining the origins of julia and cora’s falling out—much less the origins of their friendship and relationship— so the book felt like there’s wasn’t any weight to the entire plot / journey they are going on through brazil. it just felt like we have to believe this trip was really important to them and that they had once been really important to one another. this was especially apparent at the expected and inevitable “climax” argument during their trip, which ultimately did not feel as charged with emotion as i think the author wanted it to be. i also did not get why it’s called we all loved cowboys
Profile Image for Andrea Motta.
43 reviews
February 9, 2018
Achei a escrita da Bensimon muito boa. Bem estruturada, dá para perceber boas referências - simples e sofisticada. Apenas algumas comparações que ela cria ao longo da narrativa emitiram o alerta "amadora" para mim. Ademais, a história tem uma estrutura boa, a personagem e sua relação é interessante, mas senti que faltou algo. Faltou algo para que eu pudesse realmente me relacionar com ela, achá-la crível. Há potencial, no entanto.
Displaying 1 - 30 of 183 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.