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Eça de Queiroz Segundo Fradique Mendes

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528 pages, Paperback

Published November 9, 2018

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About the author

Sónia Louro

10 books20 followers
Sónia Louro nasceu em 1976 em França. Desde cedo apaixonada pelas Ciências e pela Literatura, acabou por optar academicamente pela primeira, mas nunca abandonou a sua outra paixão. Licenciou-se em Biologia Marinha, mas não perdeu de vista a Literatura, à qual veio depois a aliar a um outro interesse: a História.

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1 star
1 (5%)
Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Rita (the_bookthiefgirl).
359 reviews84 followers
August 31, 2023
3,5⭐️

“Falhámos a vida, menino!
-Creio que sim…Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela que se planeou com a imaginação. Diz-se: `vou ser assim, porque a beleza está em ser assim´. E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado. Às vezes melhor, mas sempre diferente.”
(in Os Maias)

Eça de Queirós é um dos grandes nomes da literatura portuguesa. Mas quem na verdade conhece o homem por trás dele, Fradique Mendes? O dândi, apreciador de Balzac, Hugo, Zola, com os melhores cortes de roupa da moda, capaz de se expressar de forma autónoma e semi-heterónimo de Eça. Já se dizia n´Os Maias, falhamos sempre a vida que imaginamos. Eça também falhou aquilo que tinha imaginado para si e vivia um pouco à margem de si mesmo.

Filho ilegítimo, resultado de uma união que só viria a ser reconhecida muito depois de ter nascido, cresceu longe dos pais, junto do seu avô (cujos traços se traduzem em Afonso da Maia) no Verdemilho, passou a infância no Colégio da Lapa onde conheceria os Resende e Ramalho Órtigão, estudaria Direito em Coimbra. É na capital do conhecimento que conhece muitos dos membros do que viria a ser o Cenáculo, sob a liderança do grande Mestre Antero de Quental, que escreveria a carta do Bom Senso na questão Coimbrã.

Este grupo estaria na vanguarda na nova literatura que surgiria em Portugal, o Realismo, e muitos dos seus membros seriam parte dos Vencidos da Vida, que pelo nome já dizem tudo. Vencidos não no que aparentam ( riqueza, estatuto ) mas em ter aquilo que imaginavam para si.

Eça, como todos os grandes escritores, era verde quando iniciou a escrita. Começou com contos estranhos, fantasistas, povoados de cadáveres. Batalha Reis, um dos seus maiores admiradores e amigos, viria sempre a apoiá-lo e promover a sua escrita, mas a escrita de José Maria não viria a ser bem recebida pelo público durante algum tempo.

Enveredou pelo jornalismo, em Évora, passou pela municipalidade, em Leiria, para obter o exame de cônsul. É nestas duas cidades que também retira ideias para “Capital” e “Crime do Padre Amaro”. O primeiro não viria a ser publicado, visto que Eça tanto retratou os seus amigos do Cenáculo e o seu lado mais defeituoso em Artur. O “Crime do Padre Amaro” seria o filho de Eça, o seu preferido, onde carrega as suas frustrações da sua legitimidade de nascimento. “Primo Basílio” viria a ser o favorito do público e o mais vendido.

Numa viagem ao canal do Suez, com Luís Resende, Eça começaria o seu estilo de escrita mais realista, passando a abraçar a realidade do que via. Enquanto cônsul, vai a Havana e, desesperado com a situação miserável dos colonos asiáticos, promove a causa dos seus direitos e escreve “O Mandarim”. Inicialmente uma ideia de crónicas de cenas românticas, demoraria 10 anos a escrever a sua obra mestre, “Os Maias” , depois de tantos atropelos de editoras, dinheiro e inspiração para escrever.

Na questão feminina, Eça foi um mulherengo toda a vida mas quis, um dia, assentar. Conheceu duas mulheres a quem viria a pedir casamento e foram inspiração do conto “Singularidades de uma Rapariga Loira”. Contudo, o destino esperava-lhe melhor. Viria a casar, depois dos 40 anos, com Emília Resende, e teria 4 filhos com ela. Viveria o seu sonho dissimulado de ter um consulado em Paris, mas a cidade já não era a menina dos olhos dele, que ele tão bem conhecia.

Os últimos anos pontuavam-se pela nostalgia, pelo medo de morrer, e já não poder ver os filhos crescer ☹ Escreveria “A ilustre Casa de Ramires” e não chegaria a terminar "Cidades e Serras”, de onde viria a buscar a inspiração de Jacinto a um amigo excêntrico seu e a Tormes, no vale do Douro, herança dos Resende.

Eça morreu em 16 de Agosto de 1900. O seu corpo será transladado para o Panteão em Setembro. Eça permanece vivo não só no seu legado literário, mas também nas personagens que criou e que deixou tantos traços seus… Artur, Carlos da Maia, Carlos Fradique Mendes.

Sónia Louro está de parabéns pela extensiva pesquisa e capacidade de prender o leitor pelo seu estilo, biografia romanceada. Ficou a faltar ter desenvolvido melhor a ideia do Fradique Mendes.
Profile Image for Tita.
2,216 reviews233 followers
January 19, 2019
Li em 2015 o livro O Cônsul Desobediente (http://o-prazer-das-coisas.blogspot.c...) e adorei, sendo que quando vi esta novidade fiquei logo curiosa e com as expectativas em alta. No entanto, li alguns comentários ao livro que me deixaram de pé-atrás e me fizeram baixar as expectativas.

Fradique Mendes é uma das personagens criadas por Eça e que acaba quase por se tornar um heterónimo do escritor, e que nos vai contando a vida desse grande autor português.
Não fazia ideia que Eça tinha tirado direito e chegou mesmo a exercer como advogado. E foi também cônsul em Havana, Inglaterra e até na França.
Foi uma leitura interessante pois Eça teve uma vida muito interessante, no entanto, senti muitas dificuldades em envolver-me na leitura, sem ter a sensação de "entrar dentro do livro".
Não foi por isso uma leitura tão fluída como eu gostaria.

Vejam a minha opinião mais detalhada em vídeo, AQUI.
Profile Image for Daniela Ramos.
64 reviews
December 24, 2021
A autora coloca o romance como tendo sido escrito por Fradique Mendes. Fradique Mendes foi um heterónimo coletivo criado por um grupo de escritores (Antero de Quental, Eça de Queiroz, Manuel Arriaga...) que lhe inventaram uma data de nascimento, uma vida e escreviam poemas assinando com o seu nome, então ela fez aqui meio uma piada. Ao longo da leitura ele diz que o livro é uma vingança, depois de Eça de Queiroz ter publicado a sua correspondência num livro dele. Fora este aspeto imaginativo, todos os factos relativos ao escritor são reais e baseados na investigação que a autora fez a partir de biografias cartas e testemunhos.
Desisti da leitura, foi super chato, não consegui aguentar mais. Parei 50 páginas antes do fim, mas juro que não consegui mesmo acabar.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Catarina Benedi.
106 reviews4 followers
April 28, 2024
Este foi o livro que menos gostei de ler da Sónia Louro. No entanto, gostei de saber mais sobre a vida deste génio da escrita que foi Eça de Queiroz. Não podia deixar de partilhar uma passagem dos Maias que me chamou à atenção para fechar esta review: “Falhámos a vida, menino!
-Creio que sim…Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela que se planeou com a imaginação. Diz-se: `vou ser assim, porque a beleza está em ser assim´. E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado. Às vezes melhor, mas sempre diferente.”
Profile Image for CARLOS NEVES.
121 reviews1 follower
December 8, 2018
Uma arriscada incursão no mundo maravilhoso de Eça de Queiroz. Muito bem escrito, Sónia Louro tem aqui sem dúvida, para mim, o melhor livro da sua autoria. A ler com prazer.
Profile Image for Alda  Delicado.
739 reviews7 followers
December 3, 2023
Gostei muito deste livro. Seguindo as peripécias literárias de Eça de Queiroz, temos também um vislumbre da sua vida pessoal e das suas inquietações. Denso mas de leitura absorvente.
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