Bouncer pensava em dias tranquilos depois de se livrar do infame João Feio. Mas ele deve saber que a lei do Ocidente é sempre implacável… Na cidade de Barro, o relojoeiro foi atacado e a sua filha, Gretel sofreu atrozes mutilações. Como poderia uma cara sem histórias e um pouco inocente ter sido submetido a tais atrocidades? Perseguindo os assassinos, descobre que sua rota se une à de um tesouro amaldiçoado no coração do deserto de Sonora, no México. Um lugar árido com lendas escuras, tão terrível que até os índios não ousam se aventurar ali. Bouncer pensou que já conhecia o inferno. Mas ele descobre que o último tem múltiplas faces.
Western “noir” que decorre após o final da guerra civil americana com personagens duras, selvagens e sanguinárias num território de fronteira com alguns conflitos ainda com os Índios e paisagens típicas do Farwest, com poucas leis e valores e muita violência. Bouncer é um “maneta” o que o torna num herói bastante improvável para um western em que a habilidade com os punhos e principalmente com o revólver são fundamentais, mas é este também um dos traços distintivos desta saga. A série desenvolve-se em 12 capítulos/tomos que na edição portuguesa surge em 9 volumes já que nos 3 penúltimos, cada um agrega 2 tomos.
Neste caso temos os tomos 9 e 10, condensados num único volume já que se trata de um capítulo fechado. Mais uma grande aventura de Bouncer, desta vez com parte a decorrer no México, numa demanda muito atribulada por um grande tesouro em moedas de ouro com vários bandos a cobiçarem-no e a digladiarem-se pelo mesmo, mais uma vez em cenários bastante belos e inóspitos, magnificamente representados. Como em toda a série, François Boucq é responsável pelo excelente e vigoroso grafismo que tão bem se enquadra no ambiente denso e pesado da história. Nesta aventura, Boucq é também o argumentista e é de assinalar que se nota uma melhoria relativamente aos anteriores – um enredo e diálogos mais adultos e com menos parafrenália em termos de acção, várias vezes desnecessária ou redundante.
Uma história cheia de aventuras. Bastante bom, exceptuando as ilustrações, algo confusas e pobremente coloridas, tendo em conta aquilo que é possível fazer nos dias que correm.