Muito bom, apesar de alguns incômodos.
Baschet é muito versátil e capaz em suas articulações políticas e teóricas. A ressonância de Jappe, Postone e do Grupo Krisis é ótima. Também gosto das discussões sobre zapatismo. Em geral, as considerações sobre trabalho, autonomia, política antiestatal e a luta contra a centralização do poder acertam bastante. A questão do pluriversalismo também é interessantíssima, acompanhada das reflexões sobre o tempo de atividade socialmente necessário numa sociedade pós-capitalista. Também gosto da questão dos espaços liberados, apesar de achar Baschet otimista demais nesse ponto. Me incomoda um pouco, porém, como a palavra "comunismo" é evitada, e como, apesar das críticas ao humanismo, o termo "humanidade" é mantido (com uma declaração um tanto polêmica e problemática sobre como o proletariado não é sujeito revolucionário - acho que há uma confusão entre proletariado como universal, classe que abole a si própria, e a classe trabalhadora concreta). Os apelos à "Mãe Terra" também me geram um certo estranhamento. Para além de alguns outros deslizes, o livro é muito bom.