Se olharem para a sinopse deste livro lerão que "conta a história de uma mulher viúva que se apaixona por um jovem americano de vinte e quatro anos". Rosalie fica encantada com a juventude de Ken Keaton, um jovem americano herói de guerra que é contratado para que o filho mais novo da viúva, Eduard, pratique o inglês.
(...) sobretudo no que dizia respeito aos ombros, que, neste último, eram de uma largura impressionante. Além disso, Ken tinha os cabelos loiros e espessos e um rosto jovem, sem beleza especial mas não desagradável de todo (...) Com uma admirável estatura, que os seus fatos amplos e largos não conseguiam dissimular, oferecia, com as suas pernas longas e as coxas estreitas, a imagem da força juvenil.
Quem não se apaixonaria por um jovem assim viril? :D
Meu Deus, mas eu amo-o, amo-o como nunca amei! É isso concebível? Porque eu, afinal, já estou retirada da vida e a natureza fez-me passar para o estado pacífico e respeitável de matrona. Não será ridículo que me abandone ainda à voluptuosidade, tal como a sinto, nos meus pensamentos assustados e embriagados, perante a sua visão, a visão dos seus braços de deu, de que eu aspiro loucamente a sentir o abraço, com o espetáculo do deu dorso esplêndido que vi com desolação e entusiasmo desenhar-se sob a camisa de malha? Serei eu uma velha impudica?
Rosalie, estando na menopausa, supostamente já retirada da vida (?!?!?), ficou encantada com o jovem e também com muitas dúvidas que confidenciava à sua filha mais velha, Anna. (?!??) A obra, sendo curta, estende-se por longos diálogos, para mim demasiado formais, entre mãe e filha. A filha não desacredita a mãe, mas também não a incentiva.
Esta história parece-me um pouco redutora, pois limita Rosalie a ter vida enquanto menstrua e a ser uma matrona quando tal já não acontece, como se uma mulher na menopausa fosse menos mulher e não pudesse apaixonar-se ou apenas ter um caso com um jovem. No fim, ainda há uma falsa esperança para Rosalie, que fica novamente mais mulher por lhe voltar o sangue da vida, mas afinal não era bem um sangue bom. Acaba por ser um castigo e um castigo bem pesado para a nossa protagonista. O seu cisne negro foi brutalmente interrompido.
Esta foi a última novela longa de Thomas Mann e, para mim, foi uma incursão pouco feliz pelo universo feminino.