A escritora americana Flannery O’Connor disse certa vez que a fé cristã não subtraía nada de sua compreensão da realidade; antes, ao contrário, acrescentava à sua observação uma dimensão que muitos não podiam reconhecer. Essa “dimensão acrescentada” também se mostra nos ensaios que compõem este livro. Visto que Deus é criador de todas as coisas, legislador do universo e Senhor da história, qualquer tentativa de compreender o mundo que ignore o elemento divino é limitada e, em última análise, equivocada — porque lhe falta um dado fundamental.
O trabalho reflexivo apresentado neste volume mostra que muito se enganam aqueles que julgam que a obra de H. R. Rookmaaker é repetitiva e relevante apenas a quem tem um interesse particular pelas artes. Este O dom criativo ultrapassa os limites da crítica de arte e constitui uma verdadeira crítica cultural, no sentido de que abarca questões importantes — da política à história, das artes à ciência e tecnologia, da moralidade à manifestação de “forças espirituais objetivas”.
O olhar arguto de Rookmaaker é instrutivo em dois sentidos distintos: de um lado, leva os cristãos a refletir sobre temas costumeiramente ausentes de suas preocupações; de outro lado, procura corrigir equívocos causados por uma visão não raro demasiado estreita de fenômenos sociais. Assim, saltam aos olhos a caracterização de tipos políticos representados pelos filhos de Caim e Lameque ou de Set e Enoque; o chamado ao pleno desenvolvimento dos recursos disponíveis na criação; a crise de autoridade na sociedade moderna; a necessidade de responder com a devida profundidade às perguntas feitas pelo secularismo.
Um dos pontos altos do livro, sem dúvida, é a seção dedicada ao “compartilhamento criativo do evangelho”, em que somos desafiados a reconhecer o homem moderno também como portador da imagem de Deus — e as implicações disso em nossa prática evangelística e apologética. Não por acaso Francis A. Schaeffer recomenda este livro com as seguintes palavras: “Esses ensaios representam o melhor do pensamento cristão no campo da arte e da criatividade. Até sua morte recente, o dr. Rookmaaker era conhecido como acadêmico da mais alta envergadura e como homem de profundo compromisso cristão”.
É apenas uma parte dos escritos de Rookmaaker, mas é o suficiente, para se ter uma ideia de sua linha teológica e cultural. Muito esclarecedor, e bastante aplicativo, não somente, para quem lida mais diretamente com cultura, artistas, mas também para a pessoa comum que vive neste mundo rodeado de produções artísticas, e culturais. De uma forma muito bíblica ele faz conexões entre a teologia e sua aplicabilidade à interpretação das artes e da cultura. Recomendo.
Gostei muito! No início achei que seria uma leitura difícil, mas no decorrer se tornou algo muito agradável. Me trouxe muitas reflexões interessantes, um olhar ainda mais maduro a respeito da arte, e como ela deve ser vista e reproduzida por nós cristãos. Tive algumas ressalvas quando ele fala a respeito do evangelismo, mas nada que me fizesse mudar de opinião sobre o livro! Vale a pena a leitura!
Uma excelente exposição sobre o real papel do cristão enquanto humano e servo de Deus, sobretudo, ao que diz respeito à criatividade no campo das artes. Nada do que temos vem de nós mesmos. Tudo provém do Criador!
É impressionante como cada linha é tão atual. Rookmaaker traz à tona a questão artística de uma forma tão inteligente que nos faz refletir qual Arte estamos fazendo, se é que estamos fazendo.
There's some good things in these essays and definitely a lot to set you thinking, but I thought the structure and argument could have been clearer at times.