Trinta e oito páginas, quatro das quais têm desenhos (na capa diz serem desenhos, mas só vejo riscos que parecem de uma criança pequenina — eu, na primária, se riscasse assim levava ou réguada, ou ponteirada ou puxão de orelhas).
Começa com um homem, todo contente, na estreia da sua primeira casa — que levou anos a construir — a planear o seu feliz futuro, quem sabe até arranjar uma namorada. E já estava eu a aborrecer-me, com as carícias nos ladrilhos e nos rodapés, quando tudo muda: afinal ainda faltavam uns pequenos arranjos; começa com um torneira, continua no soalho, e... a casa vem abaixo...
E não é que gostei? (dos desenhos não!). Gostei da ideia subjacente: não adianta pensarmos que a nossa vida, finalmente, entrou nos eixos e tudo vai correr de maravilha porque haverá sempre uma torneira que pinga. E gostei do senhor Walser; no livro não diz mas é, de certeza, inspirado em Robert Walser — um solitário, amante da natureza e com uma paciência de santo.